A escuta como encontro: ação e reflexão em estudo de campo coletivo

Luciana Roça, Marcelo Tramontano

Luciana Roça é bacharel em Audiovisual, Mestre e Doutora em Arquitetura e Urbanismo. Estuda entornos sonoros, encontros, ambiência e vida quotidiana, principalmente através de métodos de som. lusroca@gmail.com

Marcelo Tramontano é Arquiteto, Mestre, Doutor e Livre-docente em Arquitetura e Urbanismo, com Pós-doutorado em Arquitetura e Mídias Digitais. É Professor Associado do Instituto de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo, e do Programa de Pós-graduação em Arquitetura e Urbanismo da mesma instituição. Coordena o Nomads.usp e é Editor-chefe da revista V!RUS. tramont@sc.usp.br


Como citar esse texto: ROÇA, L. S.; TRAMONTANO, M. A escuta como encontro: ação e reflexão em estudo de campo coletivo. V!RUS, São Carlos, n. 20, 2020. Disponível em: <http://www.nomads.usp.br/virus/virus20/?sec=6&item=1&lang=pt>. Acesso em: 27 Jan. 2023.


Resumo

O artigo discute métodos de pesquisa de campo em ações realizadas coletivamente, como um movimento contínuo de ação e reflexão, teoria e prática, envolvendo a escuta do espaço urbano e de seus agentes. Argumentamos que estas atividades reafirmam o ato de pesquisa como um processo contínuo de diálogo e discussão, e baseamos nossa reflexão na experiência do estudo de campo do projeto CentroSP, conduzido por pesquisadores do Nomads.usp no centro da cidade de São Paulo. Após um prólogo que examina brevemente questões impostas pela pandemia de 2020 sobre métodos de campo, o artigo contextualiza o projeto CentroSP e discute as atividades de escuta em campo enquanto práticas coletivas que auxiliam a aproximação e o enraizamento da pesquisa à realidade.

Palavras-chave: Som, Escuta, Métodos, Pesquisa de campo, Espaço urbano



Prólogo: relações entre entorno sonoro e métodos de pesquisa de campo em tempos de pandemia

Início de junho de 2020. Desde há alguns meses, estamos sendo confrontados a uma pandemia global e seus efeitos em pesquisas acadêmicas, principalmente aquelas que recorrem a ações em campo. Ao escrever sobre o emprego de métodos de campo no estudo de entornos sonoros urbanos, do ponto de vista da pesquisa acadêmica e da extensão universitária, não poderíamos deixar de comentar esse panorama. Contudo, a impossibilidade de um distanciamento histórico em relação à pandemia obriga-nos a sermos breves, sob pena de mover-nos unicamente no terreno das conjecturas. Assim, mergulhados nesta urgência atual, procuraremos, neste prólogo, contribuir para pontuar relações entre entorno sonoro, métodos de pesquisa de campo e a pandemia do SARS-CoV-2, o novo coronavírus causador da COVID-19.

Com a imposição de medidas de segurança como o distanciamento social e o confinamento em vários países, é possível perceber ao menos duas reações de pesquisadores e artistas na investigação do entorno sonoro urbano: encontramos chamadas para produção de reflexão sobre sons captados à janela, e sobre sons captados em interiores domésticos, no âmbito de iniciativas de mapeamento e reunião de diferentes modalidades de registros sonoros. Como exemplos mais próximos, podemos citar o projeto Con:finis, do Nomads.usp (http://www.nomads.usp.br/confinis), The Great John Cage Project (https://anchor.fm/greatjohncageproject), o Ambient Isolation Project, de Al Sirkett (https://www.ambientisolation.com/), Interiorities - Sonic experiments from lockdown (https://rtm.fm/shows/interiorities/), Da minha janela (www.facebook.com/videozero.8), Histórias Sonoras del Covid (https://paisajesensorial.com/index.php/project_list/historias-sonoras-del-covid19/), do grupo Paisaje Sensorial, o projeto Cartophonies (cartophonies.fr), do Cresson, além do projeto que reúne artistas convidados pelo Instituto Moreira Salles, de São Paulo, em uma exposição virtual com produção artística sobre o confinamento (https://ims.com.br/convida/). Entre os sons da janela e os sons da casa, prolifera a investigação dos espaços íntimos, privados ou domésticos, através da agência do som e da escuta.

De outro lado, percebemos a inquietação de muitos pesquisadores que, por sua vez, reformulam os métodos de suas pesquisas de campo. Um bom exemplo é o documento colaborativo iniciado por Deborah Lupton (2020), que reúne referências e alternativas de métodos de campo durante a pandemia. Além das questões considerando imperativos de saúde pública, o estado de pandemia e a vigilância sanitária constante impuseram reflexões sobre as questões metodológicas das Ciências Humanas como um todo. As preocupações relacionando a pandemia a pesquisa de campo, sociabilidades, relações entre corpo e espaço, biopolítica e técnicas de vigilância vêm sendo discutidas em fóruns acadêmicos da área, em periódicos científicos tais como Social Anthropology (2020), Estudos de Psicologia (2020), as notas de conjuntura do periódico Trabalho, Educação e Saúde (2020), ou o Coronavirus and Philosophers, no Periódico Europeu de Psicanálise (2020). Contam-se, ainda, aos milhares os vários seminários, debates, conferências e outros tantos eventos acadêmicos online, além de artigos e livros que ainda estão sendo produzidos no momento em que este artigo está sendo escrito.

Há um duplo processo no qual os pesquisadores procuram entender as mudanças em curso, adaptando ou encontrando novos métodos para pesquisas em desenvolvimento. Eles tentam transpor seus métodos de campo para diversas modalidades de comunicação online, considerando também questões de privacidade e ética, seja em relação às condições de uso dos aplicativos utilizados, seja sobre a privacidade e contexto doméstico do entrevistado (LUPTON, 2020, DURAND, CUNHA, 2020). O momento impõe, ainda, problemas na interação entre pesquisadores e pesquisados, especialmente em contextos de acesso limitado ou inexistente à Internet. Além disso, a pandemia destacou ainda mais as desigualdades sociais, raciais, de classe, de moradia e de estrutura urbana no Brasil (SANTOS, 2020, GOES, RAMOS, FERREIRA, 2020), e provavelmente em outras partes do mundo. Assim é que o momento também reafirma a relevância da pesquisa acadêmica para compreender diferentes contextos sociais, identificando e respondendo às necessidades de grupos vulneráveis. Ainda mais importante torna-se uma noção de extensão universitária que valoriza o diálogo entre universidade e sociedade, colocando em colaboração diferentes saberes para o progresso do conhecimento e o amadurecimento de transformações sociais.

Se pesquisa de campo e extensão universitária já estavam sendo repensadas e avaliadas pelos pesquisadores desde bem antes da pandemia, esse processo foi tremendamente realimentado pelas questões colocadas pelo contexto atual, as quais reverberarão ainda por muito tempo. As experiências deste primeiro semestre de 2020 reforçam a necessidade de uma reflexão contínua sobre métodos, acompanhada de uma inter alimentação constante entre teoria e prática para que nós, pesquisadores, possamos continuar a abordar e colaborar em diferentes contextos e realidades.

1 Introdução

Neste artigo, propomos uma reflexão sobre a escuta como práxis, como movimento simultaneamente de ação e reflexão, e sua aplicação em métodos de pesquisa de campo realizados coletivamente como prática pedagógica. O artigo visa apresentar discussões teóricas resultantes das atividades do projeto CentroSP, reforçando o ato de pesquisar enquanto um processo contínuo de diálogo e discussão, alimentado a partir da escuta1.

O projeto CentroSP teve como objetivo produzir leituras e compreensões de dinâmicas de entornos urbanos através da produção de vídeos e sons, aproximando pessoas de diferentes contextos. O projeto desenvolveu-se em três momentos: um momento inicial de estudo de campo, que agrupou atividades de captação de vídeo, registros sonoros, entrevistas, e discussão sobre as atividades com os participantes; um segundo momento em que as peças sonoras e de vídeo captadas foram editadas pelos participantes, a partir de seu próprio material e do material disponível em um repositório coletivo; e um momento final, em que os vídeos produzidos foram exibidos em público, juntamente com uma discussão entre participantes e população. O projeto reuniu estudantes de graduação e pós-graduação que investigaram em campo um fragmento do distrito da República, na área central da cidade de São Paulo, já amplamente estudada em diversos projetos anteriores do Nomads.usp. A área estende-se da Praça Roosevelt ao Parque do Anhangabaú, na direção oeste-leste, e do Largo do Arouche à Biblioteca Mário de Andrade, na direção norte-sul, incluindo logradouros como a Praça da República, Largo Paissandu, Praça Ramos de Azevedo, Viaduto do Chá e o Elevado João Goulart.

Este artigo concentra-se no estudo de campo, desenvolvido no primeiro momento do projeto, focalizando particularmente as seguintes atividades: exposição aos participantes sobre os preceitos do estudo de campo e das atividades do projeto, aplicação do método soundwalk, realização de entrevistas, captação de sons, e discussão com os participantes sobre as atividades realizadas. Através dos métodos soundwalk, entrevistas e captação de sons e vídeos, procuramos incentivar encontros entre diferenças através da escuta do entorno sonoro e das pessoas, em especial pessoas em situação de rua. Visando tornar acessível a produção de registros sonoros, os participantes utilizaram smartphones e equipamentos semiprofissionais para realizar registros de som e de imagem.

O estudo de campo foi realizado através da exploração de dois elementos principais: som (escuta e gravação) e imagem (gravação de vídeos). Enquanto suportes de captação, o registro sonoro e o vídeo foram capazes de motivar o contato entre pessoas de diferentes realidades, assim como permitiram explorar as potencialidades de representação dessas formas de registro. Concordando com Doreen Massey (2005, 2008), quando argumenta que o espaço urbano é uma multiplicidade de encontros, sempre em processo, enxergamos os métodos de campo enquanto propostas de estruturação desses encontros. Estes últimos também implicam no questionamento sobre a construção do outro (AHMED, 2000), criando um processo reflexivo que estimula o reconhecimento de que somos parte do mundo social que construímos (ATKINSON, HAMMERSLEY, 2007).

O artigo é estruturado em três partes. A primeira, aborda a aplicação de métodos de campo no projeto CentroSP, especialmente àqueles relacionados ao som. A segunda parte discute resultados da aplicação dos métodos durante o estudo de campo, procurando entender as atividades desenvolvidas enquanto práticas coletivas que fomentam a escuta e o encontro entre diferenças. A terceira parte trata da discussão das potencialidades e dos limites sobre a escuta enquanto forma de encontro de diferenças.

2 CentroSP: métodos de pesquisa de campo

No espaço urbano, os sons podem ser interpretados como sinais de eventos e movimentos ocorridos em um dado espaço-tempo, bem como ciclos e tendências de organização (LEFEBVRE, 2004). Os sons indicam as configurações do espaço físico através de fenômenos acústicos, auxiliando-nos a registrar, documentar e descrever as dinâmicas de uma ambiência (THIBAUD, 2011b), inscrevendo características espaciais e temporais no registro. É, portanto, possível investigar eventos, situações e contextos através do som e dos métodos de registro de som. Como argumenta Thibaud, “com sons – assim como com ambiências – nós não experienciamos o mundo desde fora, à nossa frente, mas através dele, de acordo com ele, como parte dele.” (THIBAUD, 2011b, p. 7 tradução nossa2). Junto a esta ideia de ressonância, de envolver-se, Thibaud (2011b) argumenta, em seguida, que o tempo é parte da natureza do som, e que a gravação de som é um registro que reúne características da temporalidade e do espaço físico. Ao escutar uma ambiência estamos, consequentemente, ouvindo seu desenvolvimento.

O som participa da construção constante do espaço urbano, possibilitando contatos e encontro entre agentes humanos e não humanos, formando um sistema de humanos, objetos, tecnologias, materiais, infraestruturas e animais em inter relação (GALLAGHER, KANNGIESER, PRIOR, 2017). A prática sonora e a escuta são elementos metodológicos com o potencial de incluir efeitos sensíveis à pesquisa e articulá-los a um espectro maior de referências espaciais (ROÇA, 2019), seguindo a linha de pensamento sobre ambiências.

de fato, a arquitetura não organiza apenas espaços, ela constrói entornos específicos, ela define ‘ambiances’. Esse aspecto fundante do espaço construído e muitas vezes esquecido nas doutrinas arquitetônicas, também se torna cada vez mais importante devido à evolução das técnicas na construção e à produção de efeitos sensíveis com os quais nos familiarizamos dia após dia. (CHELKOFF, 2001, p. 102, tradução nossa3.)

É preciso que o espectro arquitetural e formal do espaço se articule a uma perspectiva sociológica de modos de vida, em uma relação intrínseca entre formas construídas e formas sociais, atendendo a uma configuração recíproca entre espaços e práticas (GROSJEAN, THIBAUD, 2001). Desta forma, estar em campo nos auxiliará a compreender a heterogeneidade de condições intrinsecamente articuladas entre si. Trata-se de revisitar métodos clássicos e consolidados de pesquisa, repensar seus usos, adaptá-los, buscar métodos que lhes sejam complementares e adequados à pesquisa, reconhecendo demandas e limites do campo abordado. Pela experimentação, é possível perceber limites e potencialidades de forma sensível, aliando aspectos sócio-políticos e sensoriais. Com embasamento teórico próprio, a experimentação deixa de ser uma etapa de aferição na pesquisa para igualmente fomentar e informar a reflexão teórica.

Durante pesquisas de campo, os problemas e situações encontrados alimentam reflexões importantes que possivelmente não se produziriam sem esses métodos de campo. São processos que aproximam o pesquisador de diferentes realidades sociais e demandas, além de proporcionar encontros que auxiliam reflexões sobre o próprio fazer em contexto interdisciplinar.

3 Práticas coletivas para proporcionar encontros

Ao concentrar todo o grupo em uma única área, claramente definida, o trabalho colaborativo de captação de imagens e sons se intensifica em dinâmicas e em quantidade, diversificando-se em qualidade e proporcionando diferentes olhares sobre mesmos eventos ou aspectos da vizinhança.

Fig. 1: Região do distrito da República, São Paulo, com destaque para a área abordada no estudo de campo. Fonte: Luciana Roça sobre imagem de satélite do Google Earth.

A área recortada no distrito da República é extensa para ser coberta durante o curto período de imersão no estudo de campo. Contudo, preferimos ainda assim manter esse recorte devido à complexidade e diversidade de territórios simbólicos-culturais nele presentes (HASBAERT, 2004). O trecho abriga diversos órgãos públicos, equipamentos sociais e culturais de grande importância para toda a cidade. A região também é palco de diversos conflitos entre grupos sociais e o poder público, amplamente relacionados aos interesses dos investimentos imobiliários. As investigações em campo como práticas coletivas foram realizadas por dez participantes que se somaram aos pesquisadores do Nomads.usp, nos dias 13 e 14 de novembro de 2017. Os pesquisadores propuseram que os participantes realizassem representações de cidade através de ações em campo, sugerindo, para isso, formas de aproximação com a população da região em situação de rua. As atividades de campo estruturaram-se fundamentalmente por encontros pela manhã para instruções iniciais, ações independentes durante o dia e discussão, ao final da tarde, sobre as experiências vividas.

3.1 Soundwalk coletiva como estruturação da experiência do ouvinte

O método soundwalk pode ser realizado de variadas formas, sempre atendendo a duas condições fundamentais: o deslocar-se pelo espaço físico, através do ato de caminhar, e uma escuta atenta do entorno sonoro. Ainda que também utilizado em âmbitos artísticos e pedagógicos, o método soundwalk é geralmente adaptado para valorizar os objetivos das pesquisas, como é possível constatar em inúmeros trabalhos (WESTERKAMP, 1974, SEMIDOR, 2006, VERNOT, SEMIDOR, 2006, GALLAGHER, PRIOR, 2014, BUTLER, 2006, SOUTHWORTH, 1969, CHATTOPADHYAY, 2013, McCARTNEY, 2014, PAQUETTE, McCARTNEY, 2012, RADICCHI, 2017, GUILLEBAUD, 2019, SIMILI, REGO, 2020, HENCKEL, 2019, inter alios). Um soundwalk é uma atividade dedicada a ouvir o entorno sonoro e perceber transições de ambiências através do som. Trata-se do aprendizado de um modo de escuta mais atento que relaciona pesquisadores e ambiência, em uma prática vivenciada, e destaca as relações entre tempos sociais, espaço físico e multissensorialidade. Uma qualidade importante do método é que “soundwalks retomam a ação cotidiana de caminhar e os sons cotidianos, chamando a atenção dos participantes a esses eventos, práticas e processos frequentemente ignorados.” (McCARTNEY, 2014, p. 214, tradução nossa4. De fato, soundwalks podem estimular a consciência sobre o entorno ao propor a escuta e a atenção às nuances multissensoriais do trajeto (BUTLER, 2006).

Fig. 2: Caminho do soundwalk realizado com os participantes no distrito da República, São Paulo. Fonte: Luciana Roça sobre imagem de satélite do Google Earth.

O caminho do soundwalk realizado com os participantes do projeto foi previamente definido, procurando prover uma ampla amostragem da área e diferentes transições entre entornos sonoros. Através do soundwalk, tentamos enfatizar o estado de atenção aos sons e suas qualidades, indo além da causalidade desses sons. Ainda que realizado coletivamente, o soundwalk é uma caminhada silenciosa em grupo. Os participantes caminham silenciosamente durante todo o trajeto, sem comunicar-se entre si, e apenas ao final discutem suas impressões. Não foi realizado nenhum registro, nem de imagem, nem de som, pois era essencial que toda a atenção fosse direcionada ao trajeto e à compreensão das ambiências. Os dados coletados restringiram-se aos depoimentos dos participantes, na discussão final.

De acordo com esses relatos, o soundwalk foi um convite para experimentar a cidade de maneira não imposta pelas atividades cotidianas. Os participantes fizeram comentários reportando-se às dimensões visual, sonora e olfativa dos locais percorridos, atendendo parcialmente ao caráter multissensorial. As diferenças entre os tempos sociais e suas dinâmicas foram fortemente vinculadas ao espaço físico, como, por exemplo, o caminhar na calçada, as pessoas conversando nas praças, as vozes e os fragmentos de conversa que iam e vinham, de acordo com a escuta de cada um. Os vínculos entre entorno sonoro, atividades sociais e espaço físico estavam presentes na fala de todos.

Ainda que os participantes não tenham sido instruídos para qualificar os sons que ouviam, os comentários expressam, contudo, sua dificuldade em qualificar os entornos sonoros. A discussão apresenta várias referências ao binário barulho e silêncio, muitas vezes determinando a qualidade do som a partir de sua fonte – por exemplo, o "canto" dos pássaros, o "barulho" do ônibus, as "vozes" das pessoas. Essa última observação, no entanto, também pode ser consequência da forte relacionalidade entre espaço físico, domínio social e domínio sensorial, que também transparece nos comentários. Os participantes relataram que perceberam dinâmicas sociais entre as pessoas, em fragmentos de narrativas, e também disseram ter ouvido sons que não imaginavam previamente que ouviriam tanto, como o som de pássaros. Eles também comentaram que a atenção dedicada ao som ressalta mais ainda algumas atividades, tais como o tráfego de veículos e as transições de um lugar a outro. Entre potencialidades e limites, o soundwalk teve uma finalidade de pesquisa e política (RADICCHI, 2017). Foi realizado visando estruturar a experiência de escuta dos participantes, propondo um caminho e direcionando a atenção aos sons e às ambiências. O método evidenciou a maneira como um local difere do outro, e como nosso grupo se inseria no contexto local ao realizar o percurso.

Outras aproximações ao caminhar e vivenciar a cidade são propostas por vários autores (INGOLD, VERGUNST, 2008, PIERCE, LAWHON, 2015, BUTLER, 2006, FORTUNA, 2018, MIDDLETON, 2011, JACQUES, 2012 inter alios.) Outros estudos podem complementar o método, realizando entrevistas com habitantes, como o método dos Percursos Comentados, ou méthode des parcours commentés (THIBAUD, 2001), bem como realizar entrevistas caminhando, ou Walking interview (JONES et al. 2008, EVANS, JONES, 2011), ou ainda o método go-along (KUSENBACH, 2003, BERGERON, PAQUETTE, POULLAOUEC-GONIDEC, 2014). Há, ainda, os métodos com inspirações da deriva situacionista (JACQUES, 2008, CHATTOPADHYAY, 2013), ou mesmo a partir da escuta de registros sonoros (GALLAGHER, 2015b). Outros métodos priorizam a coleta de comentários sobre o entorno sonoro, como escuta reativada, ou écoute reactivée, proposta por Augoyard (2001), e o método microfones nas orelhas, tradução nossa de mic in the ears (BATTESTI, 2017, BATTESTI, PUIG, 2016). Tais caminhadas ou soundwalks podem ser complementadas de diversas formas, utilizando dados de GPS e GIS (EVANS, JONES, 2011, MARTINI, 2020), ou mapas mentais.

3.2 Registro de sons como textos sensórios

As gravações sonoras capturam características acústicas filtradas pela intenção da pessoa que as registra. Isto significa que as gravações são representações do lugar, produzidas em um processo reflexivo que insere os pesquisadores em um ambiente, o qual os influencia e é influenciado por eles. Resultantes da interação entre pesquisadores, entornos sonoros e ambiência, tais gravações fornecem informações sobre um dado contexto (CUSACK, 2013), como representações etnográficas (GALLAGHER, 2015a, DREVER, 2002, RENNIE, 2014, 2015) que incluem práticas de escuta. O registro sonoro em campo, enquanto parte de uma prática fonográfica maior (ROÇA, 2019, GALLAGHER, PRIOR, 2014, GALLAGHER, 2015a, MAKAGON, NEUMAN, 2009), é uma forma de aproximação no processo de construção de um assunto.

Propusemos aos participantes do CentroSP que realizassem também registros sonoros, além da captação de vídeos. Porém, mesmo que os participantes tenham demonstrado interesse em fazê-lo, poucos registros foram realizados, à exceção de entrevistas. Como nenhum deles possuía gravador de som, entendemos que a pequena quantidade de registros pode ser explicada por duas razões interdependentes. Devido a limitações técnicas, os smartphones utilizados não registravam os sons da forma desejada pelos participantes, diminuindo seu engajamento. O principal obstáculo para produzir boas gravações estava na qualidade do microfone. Ele possuía uma restrição das frequências captadas e, por isso, exigia proximidade física com a fonte sonora, facilitando, por outro lado, a gravação da voz em entrevistas. Estas limitações eram ainda mais expressivas quando comparadas às boas possibilidades de registro de imagem.

3.3 Entrevistas como exercício de escuta

As entrevistas foram realizadas pelos participantes e pesquisadores de forma semiestruturada, com perguntas abertas. Baseando-nos em experiências de pesquisa de projetos anteriores do Nomads.usp, propusemos aos participantes que realizassem entrevistas com pessoas em situação de rua e de outros grupos sociais vulneráveis. Seguindo protocolos previamente definidos para abordagens de possíveis entrevistados, os participantes e pesquisadores identificavam-se, expunham brevemente as intenções do projeto, e então conversavam, preparando o entrevistado e solicitando seu consentimento para realização de registros. As perguntas versavam sobre o seu cotidiano, os trajetos diários que o entrevistado fazia, sua opinião sobre o bairro e seus sons, prosseguindo então o exercício de escuta. Os participantes comentaram que algumas pessoas abordadas não permitiram registros mas, ainda assim, falaram livremente mesmo sem serem questionados.

Entrevistas semi-estruturadas constituindo um exercício de escuta por parte dos entrevistadores assemelhavam-se, em alguns casos, a entrevistas de história de vida (ATKINSON, 1998). Esse tipo de entrevista relaciona-se com métodos da história oral, em que os indivíduos contam sobre experiências de vida e eventos marcantes. No nosso caso, os entrevistados nos falavam sobre eventos do passado relacionados com sua condição social ou com o espaço urbano. Como apontado por Alan Bryman (2015), esse método é sujeito à parcialidade devido a distorções e lapsos de memória, mas, por outro lado, ele permite a emergência de discursos de pessoas marginalizadas, assim consideradas por sua falta de poder ou simplesmente por serem vistas como não excepcionais. No projeto CentroSP, tais histórias cumprem a função de permitir “entender nossas características em comum com os outros, assim como nossas diferenças” (ATKINSON, 1998, p. 10, tradução nossa). Elas ajudam a construir um mosaico de experiências sobre o bairro, a partir do registro dessas narrativas, assim como propiciam encontros entre diferentes através do processo de escuta. Esse verdadeiro papel social da conversa, da escuta atenta a um outro marginalizado de múltiplas maneiras nos espaços públicos e na sociedade, é uma forma de produzir registros de vivências e de entendimentos de mundo.

Claramente perceptível nos comentários dos participantes durante a discussão sobre as experiências, ao final do dia, a realização de entrevistas e a escuta atenta permitiram uma grande aproximação às pessoas em situação de rua. Os entrevistados demonstravam grande interesse em contar-nos suas histórias, fossem elas verdadeiras ou falsas. Com frequência, suas falas distanciavam-se de nossas perguntas, tomando-as apenas como uma oportunidade de expressar-se ou uma possibilidade de ser ouvido. Havia um claro conflito também em relação ao reconhecimento e aceitação de sua presença sonora, sua presença social e visual. Ao mesmo tempo em que estas pessoas encontram-se sonoramente presentes no entorno, sua participação social pode estar-lhes sendo negada. Elas podem ser ouvidas, no sentido fisiológico do termo, mas não são escutadas, ou seja, não são respeitadas na cena pública local, se entendermos escutar como um processo mais atento do que ouvir.

3.4 Discussão das atividades

Para finalizar as atividades do dia, realizamos reuniões entre os pesquisadores e os participantes visando avaliar as ações e compartilhar experiências. As discussões eram guiadas pelos pesquisadores do Nomads.usp, que apresentavam temas a serem discutidos e moderavam as falas.

A captação de vídeo, registros de sons e entrevistas foram realizados de maneira descentralizada, em duplas, aumentando a diversidade e quantidade de registros, e de dados qualitativos. Este procedimento fundamenta-se em experiências advindas de projetos e pesquisas anteriores do Nomads.usp (TRAMONTANO, 2019, TRAMONTANO, SANTOS, 2013, TRAMONTANO, SANTOS, 2012, ROÇA et al., 2015, ROÇA, 2019), e reconhece que cada um dos pesquisadores e participantes possui uma experiência de campo única e pessoal. Dessa forma, a investigação coletiva em campo apenas se completa quando os envolvidos se reúnem, compartilham, discutem e avaliam juntos suas experiências.

4 Conclusões: agindo e refletindo

As práticas e métodos aqui discutidos podem contribuir para práticas educacionais que visem qualificar percepções do espaço através do som. Podem também adensar práticas de desenho urbano através de sua capacidade de produzir conhecimento sobre eventos no espaço físico. Ajudam-nos a matizar a compreensão do papel da universidade enquanto ator social. E podem, ainda, contribuir para a formulação de políticas públicas, auxiliando o reconhecimento de dinâmicas sociais de seus usuários e moradores, em espaços públicos.

Moacir Gadotti (2017) argumenta que a proposta de Paulo Freire de substituir o conceito de extensão por comunicação ressitua a ideia de Extensão Universitária como produção de conhecimento, como troca de saberes em uma articulação em que a “extensão deve influenciar o ensino e a pesquisa e não ficar isolada entre eles” (GADOTTI, 2017). Essa observação nos lembra de que ações de extensão não visam a simples divulgação do conhecimento acadêmico, mas construir “uma produção científica, tecnológica e cultural enraizada na realidade.” (Idem). Estimular encontros com diferentes, estimular a interlocução e a escuta são maneiras necessárias e urgentes de aproximar práticas de pesquisa e sociedade. Esses encontros poderão constituir o lugar de origem de novos métodos interdisciplinares, passíveis de serem descritos e reaplicados, aptos a serem utilizados de forma didática, tratando dos aspectos sensíveis e políticos dos espaços livres da cidade.

Interessa-nos situar tais encontros na relação de interdependência entre teoria e prática fundamentada na noção de práxis, conforme construída por Paulo Freire (1980): o diálogo é um encontro que se realiza na práxis, na articulação ação-reflexão. Práticas de ensino e pesquisa conectadas à realidade extra-campus tomam corpo a partir desses encontros. Entendemos que as práticas coletivas de escuta do projeto CentroSP geraram encontros qualificados de pesquisadores e participantes com usuários e moradores da região estudada, situando-os em uma ambiência e proporcionando um início de diálogo em uma troca sensível com os entrevistados e com o espaço. Ao qualificar o contato entre diferentes, a escuta torna-se uma prática política, de ensino e pesquisa, fundamentada no cotidiano, valorizadora de laços e influências distanciadas no dia a dia (AMIN, 2004 apud WILSON, 2017).

Não sabemos em que medida esta pandemia influenciará as práticas acadêmicas de pesquisa de campo a partir de 2020. Todas as medidas de segurança operaram e continuam operando no sentido oposto do imenso esforço de construção de uma cultura do comum nas cidades, que vem durando nos pelo menos últimos cem anos. Neste primeiro semestre de 2020, populações urbanas de todo o mundo viram legitimadas diversas formas de exclusão de diferentes, ao manterem distância social de desconhecidos, ao rechaçarem ostensivamente pessoas em situação de rua, ao fecharem rapidamente o vidro do automóvel no semáforo vermelho, ao preferirem o automóvel ao transporte público, ao se trancarem em casa e comunicar-se com o mundo apenas através de entregadores. Com ou sem vacina, o futuro da construção do comum anuncia-se árduo, já que tantos medos e distâncias sociais acabaram sendo indiretamente chancelados pela ciência, em um processo ainda em curso, de consequências pouco previsíveis.

As formas coletivas de produção de conhecimento envolvendo comunidades extra-campus estão, sim, ameaçadas. Já estavam antes dessa tragédia, mas agora precisam ser reformuladas, o discurso em seu favor precisa ser reconstruído. Diferentes ainda precisam ser colocados em diálogo, talvez ainda mais do que antes. Precisamos de metodologias que estimulem e qualifiquem esse diálogo, que reafirmem a importância da co-presença de diferentes em interação no espaço público, e que nos auxiliem na construção de novas bases para seguirmos. Para que a universidade cumpra seu papel de ator social nesse delicado momento histórico, e continue produzindo pesquisa conectada ao ensino e à sociedade.

Agradecimentos

Agradecemos às pesquisadoras MSc. Juliana Trujillo, Dra. Maria Júlia Martins, e MSc. Sandra Soster por compartilharem conosco a concepção e realização do projeto CentroSP. Agradecemos também o apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo - FAPESP à pesquisa de Doutorado de Luciana Santos Roça (processo 2015/13785-1), da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior - CAPES às pesquisas de Dra. Maria Júlia Martins e MSc. Sandra Soster, e da Universidade Federal do Mato Grosso do Sul - UFMS à pesquisa da Profa. MSc. Juliana Trujillo. Agradecemos, ainda, o suporte da Fundação Theatro Municipal de São Paulo e da 11a. Bienal Internacional de Arquitetura de São Paulo.

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1 O projeto CentroSP foi conduzido por pesquisadores do Nomads.usp como parte da programação da 11a. Bienal Internacional de Arquitetura de São Paulo, de outubro a dezembro de 2017. O projeto coletivo contribuiu para quatro pesquisas de doutorado então em curso no Programa de Pós-graduação em Arquitetura e Urbanismo do IAU-USP e desenvolvidas no Núcleo, dentre elas a pesquisa “Som e Cidade: à escuta de fronteiras em espaços públicos”, de Luciana Santos Roça, financiada pela FAPESP - Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo.

2 Do original em inglês: “With sounds – as with ambiances – we do not experience the world from the outside, in front of us, but through it, in accordance with it, as part of it.”

3 Do original em francês: « L’architecture n’organise en effet pas seulement des espaces, elle construit des environnements spécifiques, elle définit des «ambiances». Ce trait, fondateur du bâti mais souvent oublié dans les doctrines architecturales, devient aussi de plus en plus prégnant du fait de l’évolution des techniques dans la construction et de la production d’effets sensibles auxquels nous nous familiarisons jour après jour ».

4 Do original em inglês: “Soundwalks take the everyday action of walking, and everyday sounds, and bring the attention of the audience to these often-ignored events, practices, and processes.”

Listening as an encounter: action and reflection in a collective field study

Luciana Roça, Marcelo Tramontano

Luciana Roça is a Bachelor of Arts in Audiovisual and holds a Master’s and Ph.D. degrees in Architecture and Urbanism. She studies sound environments, encounters, and ambiance and everyday life, especially by sonic methods. lusroca@gmail.com

Marcelo Tramontano is an Architect, Master, Doctor, and Livre-Docente in Architecture and Urbanism, with a Post-doctorate in Architecture and Digital Media. He is an Associate Professor at the Institute of Architecture and Urbanism of the University of Sao Paulo, Brazil, and the Graduate Program in Architecture and Urbanism of the same institution. He is the director of Nomads.usp and the Editor-in-Chief of V!RUS journal. tramont@sc.usp.br


How to quote this text: Roça, L. S., Tramontano, M., 2020. Listening as an encounter: action and reflection in a collective field study. V!rus, Sao Carlos, 2020. [online] Available at: <http://www.nomads.usp.br/virus/virus20/?sec=6&item=1&lang=en>. [Accessed: 27 January 2023].


Abstract

The article discusses field research methods in actions carried out collectively, as a continuous movement of action and reflection, theory and practice, involving the listening of the urban space and its agents. We argue that such activities reaffirm the research act as a continuous process of dialogue and discussion, based on the experience of the CentroSP project field study, conducted by researchers from Nomads.usp in downtown Sao Paulo, Brazil. After a prologue that briefly examines issues imposed by the 2020 pandemic on field methods, the article introduces the CentroSP project and discusses listening activities in the field as collective practices that help to root research to reality.

Keywords: Sound, Listening, Method, Field research, Urban space



Prologue: on relationships between sound environment and field research methods in pandemic times

It is early June 2020. For some months now, we have been facing a global pandemic and its effects on academic research, especially those that resort to actions in the field. Therefore, while writing here about the sound environment, field research methods, and related subjects we could not fail to consider this tremendous background. However, the impossibility of historical distancing from the pandemic forces us to be brief to avoid conjecturing. Thus, immersed in this current urgency, we seek, in this prologue, to contribute to highlight some relationship between sound surroundings, field research, and the SARS-CoV-2 pandemic, the new coronavirus that causes COVID-19.

From the enactment of security measures such as social distancing and confinement in several countries, it is possible to notice at least two reactions from researchers and artists in their approach to the urban sound environment. We can find calls for the production of reflection on sounds captured by the window, and on sounds captured in domestic interiors, both within the scope of mapping initiatives and gathering different types of sound recordings. As closer examples, we will mention here the project Con:finis by Nomads.usp (http://www.nomads.usp.br/confinis), The Great John Cage Project (https://anchor.fm/greatjohncageproject), the Ambient Isolation Project, by Al Sirkett (https://www.ambientisolation.com/), Interiorities - Sonic experiments from lockdown (https://rtm.fm/shows/interiorities/), From my window (www.facebook.com/videozero.8), Histórias Sonoras del Covid (https://paisajesensorial.com/index.php/project_list/historias-sonoras-del-covid19/), by the Paisaje Sensorial group, the Cartophonies project (cartophonies.fr)by the Cresson lab, and the project gathering artists invited by the Moreira Salles Institute, in Sao Paulo, Brazil, to a virtual exhibition on the confinement (https://ims.com.br/convida/). In between the sounds from the window and the sounds of home, the investigation of intimate, private, or domestic spaces, multiplies through the agency of sound and listening.

On the other hand, we see the concern of many researchers who, in turn, rethink the methods of their field research. A good example is a collaborative document initiated by Deborah Lupton (2020), which gathers references and choices of field research methods during the pandemic. In addition to issues regarding public health imperatives, the pandemic state and the constant health surveillance impose reflections on the methodological issues of the Humanities area as a whole. Concerns relating the pandemic to field research, sociability, relationships between body and space, biopolitics and surveillance techniques have been discussed in academic forums in the area, as for instance in scientific journals such as Social Anthropology (2020), Psychology Studies (2020), the conjuncture notes from the journal Trabalho, Educação e Saúde [Work, Education, and Health] (2020), or the Coronavirus and Philosophers, in the European Psychoanalysis Journal (2020). There are also thousands of online seminars, debates, conferences, and other online academic events, as well as articles and books that are still being produced at the time we are writing this article.

There is a double process in which researchers seek to understand the changes underway, by adapting or finding new methods for ongoing research. They try to transpose their field methods to different modalities of online communication, also considering issues of privacy and ethics, either concerning the application conditions of use or the privacy and domestic context of respondents (Lupton, 2020, Durand, Cunha, 2020). The moment also imposes problems on the interaction between researchers and respondents, especially in contexts with limited or no access at all to the Internet. The pandemic has shown even more clearly the inequalities in the social, racial, class, housing, and urban structure fields in Brazil (Santos, 2020, Goes, Ramos, Ferreira, 2020), as well as probably in other parts of the world. Thus, the moment also reaffirms the relevance of academic research to understand different social contexts, identifying and responding to the needs of vulnerable groups. Even more important becomes the notion of university extension that values the dialogue between university and society, placing different lore in collaboration for the progress of knowledge and the maturation of social transformations.

If field research and university extension were already being rethought and evaluated by researchers since well before the pandemic, this process was tremendously nurtured by the questions posed by the current context, which will reverberate for a long time to come. The experience of this first semester of 2020 reinforces the need for continuous reflection on methods, accompanied by a constant interaction between theory and practice so that we, researchers, can continue to approach and collaborate in different contexts and realities.

1 Introduction

In this article, we propose a reflection on listening as praxis, as a movement of both action and reflection, and its application in field research methods carried out collectively as a pedagogical practice. The article aims to present theoretical discussions resulting from the activities of the CentroSP project, reinforcing the act of researching as a continuous process of dialogue and discussion, fueled by listening.1.

The CentroSP project aimed to produce readings and understandings of dynamics of urban environments through the production of videos and sounds, bringing people from different contexts together. The project was developed in three moments: an initial one of field study, which grouped activities such as video capture, sound records, interviews, and discussion with participants about their experiences; a second phase in which the recorded sounds and videos were edited by the participants from their records and those available in the project's collective repository; and a final moment, in which the videos produced were screened to an audience, together with a discussion between participants and attendants. The project brought together undergraduate and graduate students who investigated in the field a fragment of the República district, in the central area of the city of Sao Paulo, which had already been extensively studied in several previous projects by Nomads.usp. The fragment extends from Roosevelt Square to the Anhangabaú Park, in the West-East direction, and from Arouche Square to the Mário de Andrade Library, in the North-South direction, including places like the squares of República, Paissandu, and Ramos de Azevedo, the Chá Overpass and the João Goulart elevated highway.

This article focuses on the field study developed at the project's first moment, focusing particularly on the following activities: explaining to participants about the precepts of field study and the project activities, applying the soundwalk method, conducting interviews, capturing sounds, and discussing with participants about the activities carried out. Through methods such as soundwalk, interviews, and capturing sounds and videos, we tried to encourage encounters between differences by listening to the sound environment and local people, especially homeless people. In order to make the production of sound records accessible, the participants used smartphones and semi-professional equipment to perform sound and image records.

The field study was carried out by exploring two main elements: sound (listening and recording) and image (videorecording). Chosen as the capture medium, sound recording and video were able to induce contact between people from different realities, as well as allowing them to explore the representation potentialities of these ways of recording. In agreement with Doreen Massey (2005, 2008), when she argues that urban space is a multiplicity of encounters always in process, we understand the methods of field research as proposals for structuring part of these encounters. Encounters also imply questioning about the construction of the other (Ahmed, 2000), creating a reflective process that stimulates the recognition that we are part of the social world we have built (Atkinson, Hammersley, 2007).

The article is structured in three parts. The first one deals with the application of field research methods in the CentroSP project, especially those related to sound. The second part discusses the results of the application of such methods during the field study, seeking to understand the activities developed as collective practices that encourage listening and the encounter between differences. Finally, the third part deals with the discussion of potentialities and limits on listening as a modality of an encounter of differences.

2 CentroSP: field research methods

In the urban space, sounds can be interpreted as signs of events and movements in a given space-time, as well as cycles and organizational tendencies (Lefebvre, 2004). The sounds indicate the physical space configurations through acoustic phenomena, helping us to record, document, and describe the dynamics of an ambiance (Thibaud, 2011b), adding spatial and temporal characteristics to the registry. It is, therefore, possible to investigate events, situations, and contexts through sound and sound recording methods. As Thibaud argues, "With sounds – as with ambiances – we do not experience the world from the outside, in front of us, but through it, in accordance with it, as part of it.” (Thibaud, 2011b, p. 7). Along with this idea of resonance, of getting involved, Thibaud (2011b) then argues that time is part of the nature of sound, and that sound recording is a record that brings together characteristics of temporality and physical space. When listening to an environment, we are, thus, listening to its development.

Sound participates in the constant construction of urban space, enabling contacts and encounters between human and non-human agents, forming a system of humans, objects, technologies, materials, infrastructures, and animals in interrelationship (Gallagher, Kanngieser, Prior, 2017). Sound practice and listening are methodological elements that can include sensitive effects to research and articulate them to a wider spectrum of spatial references (Roça, 2019), following the reasoning concerning ambiances.

Architecture does not only organize spaces indeed, but it also builds specific environments, it defines ‘ambiances’. This founding aspect of the built space, which is often overlooked in architectural doctrines, also becomes increasingly important due to the evolution of techniques in construction, and the production of sensitive effects with which we become familiar day after day. (Chelkoff, 2001, p. 102, our translation2.)

It is essential that the architectural and formal spectrum of space is articulated to a sociological perspective of ways of life, within an intrinsic relationship between built and social forms, taking into account a reciprocal configuration between spaces and practices (Grosjean, Thibaud, 2001). Being in the field will help us to understand the heterogeneity of conditions intrinsically articulated with each other. We have to revisit classic and consolidated research methods, rethink their uses, adapt them, seek methods that are complementary and appropriate to our research, recognizing the demands and limits of the field under study. Through experimentation, it is possible to perceive limits and potentialities in a sensitive way, combining socio-political and sensory aspects. With its own theoretical basis, experimentation is no longer a stage of measurement in research, but also fosters and informs theoretical reflection.

In field research, problems and situations generate important reflections that possibly would not emerge without those methods. These processes bring the researcher closer to different social realities and demands, in addition to providing encounters which stimulate reflections on doing, in an interdisciplinary context.

3 Collective practices providing encounters

By concentrating the entire group of participants in a single, clearly defined area, collaborative work of capturing images and sounds becomes more intense both in dynamics as in quantity. It also becomes more diverse in quality and provides varied views on the same events or aspects of the neighborhood.

Fig. 1: Map of the República district, Sao Paulo, Brazil, highlighting the area covered by the field study. Source: Luciana Roça on a Google Earth satellite image.

The area defined in the República district which is too wide to be fully covered in the field study during a short period of immersion. However, we still preferred to keep these limits due to the complexity and diversity of symbolic-cultural territories present in the region (Hasbaert, 2004). This urban fragment houses several public agencies and social and cultural facilities of great importance for the entire city. The region is also the scene of several conflicts between social groups and the local government, largely related to the interests of real estate investors. The field investigations in the area were carried out as collective practices, by ten participants in addition to the Nomads.usp researchers, on November 13 and 14, 2017. The researchers proposed to the participants to make representations of the city through actions in the field and suggested to them ways of approaching the homeless population. The field activities were mainly structured by meetings in the morning for initial instructions, independent actions during the day, and a discussion about the experiences, in the late afternoon.

3.1 Collective soundwalk structuring the listener's experience

The soundwalk method can be performed in a variety of ways, always meeting two fundamental conditions: moving around the physical space, through the act of walking, and listening attentively to the sound environment. Although also used in artistic and pedagogical spheres, the soundwalk method is generally employed to enhance research objectives, as it can be seen in countless works (Westerkamp, 1974, Semidor, 2006, Vernot, Semidor, 2006, Gallagher, Prior, 2014, Butler, 2006, Southworth, 1969, Chattopadhyay, 2013, McCartney, 2014, Paquette, McCartney, 2012, Radicchi, 2017, Guillebaud, 2019, Simili, Rego, 2020, Henckel, 2019, inter alios). A soundwalk is an activity dedicated to listening to the sound environment and perceiving ambient transitions through sound. It is about learning a more attentive way of listening that relates researchers and ambiance, in an experienced practice. It highlights the relationships between social times, physical space, and multisensory. An important quality of the method is that “soundwalks take the everyday action of walking, and everyday sounds, and bring the attention of the audience to these often-ignored events, practices, and processes.” (McCartney, 2014, p. 214). Actually, soundwalks can stimulate awareness about the environment by proposing to listen and to pay attention to the multisensory nuances of the journey (Butler, 2006).

Fig. 2: Soundwalk path performed with the participants. Source: Luciana Roça on a Google Earth satellite image.

The soundwalk path performed with the project's participants was previously defined, seeking to provide a varied sampling of the area and different transitions between sound environments. We tried to emphasize the state of attention to sounds and their qualities, going beyond their causality. Although performed collectively, a soundwalk is a silent group walk. Participants walked silently during the entire journey, without communicating with each other, and only at the end discussed their impressions. No record was made, either of image or sound, as all attention needed to be directed to the path and the understanding of the ambiances. The data collected was restricted to the participants’ testimonies, in the final discussion.

According to their reports, the soundwalk was an invitation to experience the city in a way not imposed by everyday activities. The participants made comments referring to the visual, sound, and olfactory dimensions of the places covered, partially meeting the multisensory character. The differences between social times and their dynamics were strongly linked to the physical space, such as, for example, walking on the sidewalk, people talking in the squares, the voices, and fragments of conversations that came closer and went farther, according to each one's listening. The links between sound surroundings, social activities, and physical space were present in everyone's speech.

Although the participants were not instructed to qualify the sounds they heard, the comments expressed their difficulty in doing so. In the conversation, several references to the binary noise/silence emerge, often determining the quality of the sound from its source – for example, bird "song", bus "noise", people's "voices". This last observation, however, can also be a consequence of the strong relationality between physical space, social domain, and sensory domain, which also appeared in the comments. Participants reported they perceived social dynamics among people in narrative fragments, and also said they heard sounds that they did not previously imagine they would hear, as the sound of birds. They also commented that the attention paid to sound further highlights some activities, such as vehicle traffic and transitions from place to place. Among potentialities and limits, the soundwalk had research and political purposes (Radicchi, 2017). It was carried out aiming to structure the participants' listening experience, proposing a path, and directing attention to sounds and ambiances. The method showed the way in which one place differs from the other, and how our group was inserted in the local context when carrying out the route.

Additional approaches to walking and experiencing the city are proposed by several authors (Ingold, Vergunst, 2008, Pierce, Lawhon, 2015, Butler, 2006, Fortuna, 2018, Middleton, 2011, Jacques, 2012 inter alios). Further studies may complement the method, conducting interviews with inhabitants, such as the Commented Paths Method, or "méthode des parcours commentés" (Thibaud, 2001), as well as conducting walking interviews (Jones et al., 2008, Evans, Jones, 2011), or the go-along method (Kusenbach, 2003, Bergeron, Paquette, Poullaouec-Gonidec, 2014). There are also methods inspired by the situationist drift (Jacques, 2008, Chattopadhyay, 2013), or even by listening to sound records (Gallagher, 2015b). Finally, some methods prioritize the collection of comments about the sound environment, such as reactivated listening, or "l'écoute reactivée", proposed by Augoyard (2001), and the microphones-in-the-ears method (Battesti, 2017, Battesti, Puig, 2016). Such walks or soundwalks can be complemented in different ways, using data from GPS and GIS (Evans, Jones, 2011, Martini, 2020), or mind maps.

3.2 Sound recording as sensory texts

Sound recordings capture acoustic characteristics filtered by the intention of the person who records them. This means that recordings are representations of a place, produced in a reflective process that inserts the researchers in a given environment, which influences them and is influenced by them. Resulting from the interaction between researchers, sound environments, and ambiance, such recordings provide information about a given context (Cusack, 2013), as ethnographic representations (Gallagher, 2015a, Drever, 2002, Rennie, 2014, 2015) that include listening practices. The sound recording in the field, as part of a larger phonographic practice (Roça, 2019, Gallagher, Prior, 2014, Gallagher, 2015a, Makagon, Neuman, 2009), is a way of approaching the process of building a subject.

We proposed to CentroSP participants to also make sound records, in addition to capturing videos. However, even though they showed interest in doing so, few records were made, except interviews. As none of them had a real sound recorder, we infer that the small number of records can be explained by two interdependent reasons. Due to technical limitations, their smartphones did not register sounds with the quality they would expect, decreasing their engagement. The main obstacle to producing good recordings was the quality of the microphone. It had a restriction on the frequencies captured and, therefore, demanded physical proximity to the sound source, facilitating, on the other hand, the recording of the voice in interviews. Such limitations were even more expressive when compared to the good possibilities of image recording.

3.3 Interviews as a listening exercise

The interviews were conducted by participants and researchers in a semi-structured manner with open questions. Based on previous research experiences from Nomads.usp, we proposed to the participants to conduct interviews with homeless people, and from other vulnerable social groups. Participants and researchers followed a protocol by firstly introducing themselves and the project, and asking for the interviewee’s consent to make any record. The questions were about daily life, daily paths, their opinion on the neighborhood, and its sounds so that the participants could continue the conversation as a listening exercise. Participants' comments showed that some people did not give consent to be recorded but, still, they talked freely to the participants.

Semi-structured interviews as a listening exercise for interviewers resembled, in some cases, life history interviews (Atkinson, 1998). This type of interview is related to oral history methods, in which individuals tell about life experiences and remarkable events. In our case, the interviewees told us about events in the past related to their social condition or the urban space. As pointed out by Alan Bryman (2015), this method is subject to partiality due to distortions and lapses in memory. Nevertheless, on the other hand, it allows the emergence of discourses of marginalized people, thus considered for their lack of power or simply because they are seen as not exceptional.

In the CentroSP project, such stories fulfill the function of allowing “understanding our characteristics in common with others, as well as our differences” (Atkinson, 1998, p. 10). They help to build a mosaic of experiences about the neighborhood, from the record of collected narratives, as well as providing encounters between different people through the listening process. This real social role of conversation, of listening attentively to another who is marginalized in multiple ways in public spaces as in society, is a way of producing records of experiences and understandings of the world.

Noticeable in the participants' comments during the discussion about their experiences, at the end of the day, interviews and attentive listening allowed a great approximation to homeless people. Respondents showed great interest in telling us their stories, be they true or false. Often their speech was far removed from our questions, taking them only as an opportunity to express themselves or a chance to be heard. We also noticed a clear conflict concerning the recognition and acceptance, by non-homeless users, of their sonic, social, and visual presence. While these people are loudly present in the neighborhood, their social participation may be being denied. They can be heard, in the physiological sense of the term, but they are not heard, that is, they are not respected in the local public scene, if we understand listening as a more attentive process than listening.

3.4 Discussion of the activities

To end the day's activities, we held meetings bringing together researchers and participants to evaluate the actions and share experiences. The discussions were guided by the Nomads.usp researchers, who presented topics to be discussed and moderated the speeches. The video capture, sound records, and interviews were carried out in a decentralized way, in pairs, increasing the diversity and quantity of records, and qualitative data. This procedure is based on experience gained from previous Nomads.usp projects and research (Tramontano, 2019, Tramontano, Santos, 2013, Tramontano, Santos, 2012, Roça Et Al., 2015, Roça, 2019), and recognizes that each researcher and participant has unique and personal field experience. Thus, the collective investigation in the field is only completed when those involved get together, share, discuss, and evaluate their experiences together.

4 Conclusions: acting and reflecting

The practices and methods discussed in this article can contribute to educational practices aimed to qualify perceptions of public space through sound. They can also densify urban design practices through their ability to produce knowledge about events in the physical space. They help us to nuance the understanding of the role of the university as a social actor. And they can also contribute to formulating public policies, helping to recognize the social dynamics of public spaces' users and residents.

Moacir Gadotti (2017) argues that Paulo Freire's proposal to substitute the concept of extension for communication reiterates the idea of University Extension as knowledge production, as an articulated exchange of lore in which “extension should influence teaching and research and not be isolated between them” (Gadotti, 2017). This observation reminds us that extension actions are not aimed at the simple dissemination of academic knowledge, but at building “a scientific, technological and cultural production rooted in reality.” (Idem). Encouraging encounters with differences, stimulating dialogue, and listening are much needed and urgent ways of bringing research and society together. These encounters may be in the place of origin of new interdisciplinary methods, which can be described and reapplied, able to be used in a didactic way, dealing with the sensitive and political aspects of the city's free spaces.

We are interested in situating such encounters in the interdependent relationship between theory and practice grounded on the notion of praxis, as constructed by Paulo Freire (1980): dialogue is an encounter that takes place in praxis, in the action-reflection articulation. Teaching and research practices connected to the extra-campus reality take shape from these meetings. We understand that the collective listening practices of the CentroSP project generated qualified encounters of researchers and participants with users and residents of the studied region, placing them in an ambiance and providing a beginning of dialogue in a sensitive exchange with the interviewees and space. By qualifying the contact between differences, listening becomes a political practice of teaching and research, valuing ties and influences apart from everyday life (Amin, 2004 apud Wilson, 2017).

We do not know how this pandemic will influence academic practices of field research from 2020 onwards. All security measures have operated and continue to operate in the opposite direction of the immense effort to build a culture of the commons in cities, which has lasted for the past hundred years. In this first semester of 2020, urban populations from all over the world saw the legitimization of multiple forms of exclusion of differences, by maintaining social distance from strangers, by ostensibly rejecting homeless people, by quickly closing the car window at the red traffic light, by preferring their private car to public transportation, by locking themselves at home and communicating with the world only through deliverers. With or without a vaccine, the future of the construction of the common promises to be hard, since so many fears and social distances eventually have been indirectly endorsed by science, in a process still ongoing with little predictable consequences.

Collective forms of knowledge production involving extra-campus communities are indeed threatened. They were already before this tragedy, but now they need to be reformulated, the discourse in their favor needs to be reconstructed. Differences still need to be brought into dialogue, perhaps even more now than before. We need methodologies that encourage and qualify this dialogue, which reaffirm the importance of the co-presence of differences interacting in the public space, and that help us in building new bases for us to go ahead. For the university to fulfill its role as a social actor in this delicate historical moment, and to continue producing research connected to education and society.

Acknowledgements

We thank the Nomads.usp researchers MSc. Juliana Trujillo, Dr. Maria Júlia Martins, and MSc. Sandra Soster for sharing the conception and production of the CentroSP project. We are grateful for the support of the São Paulo Research Foundation - FAPESP to the research of Dr. Luciana Santos Roça (process number 2015/13785-1). We are also grateful to the Coordination for the Improvement of Higher Education Personnel - CAPES for funding the research works of Dr. Maria Júlia Martins and MSc. Sandra Soster, as well as to the Federal University of Mato Grosso do Sul - UFMS for funding the research of Prof. MSc. Juliana Trujillo. We also thank the Theatro Municipal Foundation and the 11th Biennial of Architecture and Urbanism of São Paulo for their technical support.

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1 The CentroSP project was conducted by researchers from Nomads.usp as part of the 11th. Sao Paulo International Architecture Biennial, from October to December 2017. This collective project contributed to four doctoral research works then underway in the Postgraduate Program in Architecture and Urbanism at IAU-USP and developed at Nomads.usp, including the work “Sound and the city: listening to frontiers in public spaces”, by Luciana Santos Roça, funded by FAPESP, the Sao Paulo Agency for Research Support.

2 From the original in French: “L’architecture n’organise en effet pas seulement des espaces, elle construit des environnement spécifiques, elle définit des « ambiances ». Ce trait, fondateur du bâti mais souvent oublié dans les doctrines architecturales, devient aussi de plus en plus prégnant du fait de l’évolution des techniques dans la construction et de la production d’effets sensibles auxquels nous nous familiarisons jour après jour”.