O manifesto do Parametricismo: perspectivas acerca de um "novo estilo global" para o design da arquitetura e do urbanismo

Rodrigo Scheeren, Daniel Lenz Costa Lima

Rodrigo Scheeren é Arquiteto e Bacharel em Filosofia, Mestre em Teoria e História da Arquitetura e do Urbanismo. Pesquisador da USP no NEC- Núcleo de Estudos das Espacialidades Contemporâneas no qual desenvolve pesquisa em processos de projeto na Arquitetura Contemporânea, representação e interfaces entre arte, filosofia e arquitetura.

Daniel Lenz Costa Lima é Arquiteto, Mestre em Tecnologia e Cidade, e pesquisador na área de TI aplicada para arquitetura, com temas como algoritmo de arquitetura e teoria geral dos sistemas, com ênfase no estudo de emergência de complexidade para arquitetura.


Como citar esse texto: SCHEEREN, R.; LIMA, D.L.C. O manifesto do Parametricismo: perspectivas acerca de um "novo estilo global" para o design da arquitetura e do urbanismo. V!RUS, São Carlos, n. 11, 2015. [online] Disponível em: <http://www.nomads.usp.br/virus/virus11/?sec=4&item=5&lang=pt>. Acesso em: 24 Nov. 2017.

Resumo

No cenário pós-teórico da cultura digital e da experimentação na arquitetura contemporânea, o design paramétrico se destacou pela resposta positiva ao desejo de inovação e controle do processo projetual. Patrik Schumacher – Zaha Hadid Architects e AA Design Research Lab – defende um novo estilo unificado para a arquitetura contemporânea, baseado na parametrização e em princípios teóricos que constituem o paradigma do Parametricismo. O objetivo do artigo é explicitar e aprofundar o discurso teórico do Parametricismo, suas propostas, conceitos e técnicas, além da sua posição entre outros manifestos na história. O manifesto de Schumacher é analisado criticamente em relação ao contexto em que emerge, à consolidação dos seus projetos e à luz dos apontamentos de outros autores.

Palavras-chave: Parametricismo, V!11, Design Paramétrico, Teorias e Manifestos, Patrik Schumacher, Zaha Hadid.

1. Fixar parâmetros: introdução ao pensamento relacional na arquitetura contemporânea.

O atual cenário arquitetônico reflete a multiplicidade de fenômenos e propostas projetuais emergentes de processos decorrentes do avanço técnico e tecnológico. Incluído nesse panorama está o design paramétrico, que Hugh Whitehead assinala "se tratar mais de uma atitude da mente do que da aplicação particular de um software", na introdução do livro "Elements of Parametric Design" de Robert Woodbury (2010, p. 01). A forma de pensamento se alicerça na atualidade de definir relações entre partes ou elementos de um modelo.

A noção de “parâmetro” surgiu na matemática e foi inserida na arquitetura pelo arquiteto italiano Luigi Moretti, na década de 1940 (DAVIS, 2013), que interpretou a "arquitetura paramétrica" como o estudo de sistemas que definem relações entre as dimensões dependentes de parâmetros. Na sua exposição “Arquitetura Paramétrica” na 20ª Trienal de Milão, em 1960, Moretti explicou que a forma desenhada em seu estádio desportivo se originou de dezenove parâmetros relativos aos ângulos de visão e aos custos do concreto.

O termo “design paramétrico” designa a atribuição de definições e controle do processo que determina relações e resultados a partir de um conjunto de parâmetros que “fornecem um comportamento interativo aos componentes e sistemas construtivos” (WOODBURY, 2010, p. 2). Um processo que utiliza modelos que consistem num conjunto de componentes geométricos com atributos variáveis - parâmetros - e outros fixos – estáticos ou limitados - para adotar uma edição flexível (BARRIOS, 2011, p. 204).

Ao invés de modelos geometricamente fixos, que exigem maior esforço para efetuar mudanças posteriores – conventional design - os aspectos do projeto são designados anteriormente – parametric design -, a fim de explorar a flexibilidade das relações no modelo. A diferenciação estabelece que “no desenho paramétrico, são declarados os parâmetros de um projeto particular, não a sua forma” (KOLAREVIC, 2000, p. 4). É introduzida uma alteração fundamental no processo, no qual as partes se relacionam entre si e modificam-se de maneira sistemática, coordenando e reestabelecendo conexões (WOODBURY, 2010, p. 11).

O paramétrico permite a ampliação das possibilidades formais - não se restringem às formas complexas - e da organização do projeto arquitetônico, manipulando relações e constituindo geometrias associativas para a solução de problemas (KOLAREVIC, 2005, p. 149), que emergem sem um resultado formal predeterminado – form-finding. São utilizados softwares que possibilitam o gerenciamento de algoritmos, permitindo a manipulação de grande quantidade de informações e do crescente nível de complexidade dos sistemas no ambiente de simulação digital. Assim, a real mudança não é de concepção, mas tecnológica.

A assimilação do design paramétrico compreende o desejo de imediatez do uso das tecnologias digitais, demonstrando otimização de análise, controle e produção do projeto arquitetônico. A sua inserção na arquitetura deriva do cenário que contempla um amplo avanço do caráter sistêmico e tecnológico. Paralelamente, sucediam investigações teórico-críticas entre 1960 e 1980 que trouxeram para a teoria da arquitetura os discursos de disciplinas como a linguística e a filosofia.

O contexto de paralelismo permite interpretar a proposta de Patrik Schumacher, ao conciliar um manifesto teórico com o paradigma positivo do design paramétrico, expondo-o como um estilo hegemônico da vanguarda arquitetônica: o Parametricismo.

2. Panoramas paralelos: o domínio teórico-crítico e o pragmatismo computacional

A liberdade de experimentação na dimensão digital permitiu que parte das investigações arquitetônicas contemporâneas se orientassem pela especulação prática – o pragmatismo da busca de soluções e concepções de projeto que priorizam os fatores organizacionais, formais e materiais.

A computação obteve um impacto relevante "na percepção e realização da forma, espaço e estrutura arquitetônica” (MENGES; AHLQUIST, 2011, p. 10). A sua integração ao design da arquitetura constituiu uma base conceitual e técnica particular, convergindo o pensamento, inovações científicas, tecnológicas e culturais. A combinação dos elementos ocorreu “através de abordagens como a Cibernética e a inteligência artificial, a teoria dos sistemas e operações de pesquisa, o computador foi instrumental ao moldar a nova visão de mundo” (PICON, 2010, p. 28).

A relação entre o design e a computação constitui um meio específico para processar informações e interações entre elementos, em processos de geração de objetos que incorporam informações em representações simbólicas elevadas a um nível no qual códigos descrevem valores e ações (MENGES; AHLQUIST, 2011, p. 11). Essas distinções refletem o modo de integração entre arquitetura e computador – apesar da manipulação mais ágil de informações, entretanto, houve um hiato até o domínio de formas processadas através das relações, ou parâmetros.

O uso computacional pela arquitetura pode ser sintetizado em três níveis de computabilidade digital (KOTNIK, 2010; OXMAN, 2006): 1) representacional, 2) paramétrico e 3) algorítmico. O primeiro utiliza os meios computacionais como ferramenta de desenho digital. O segundo se caracteriza pela relação de contínua variação de parâmetros pré-definidos que mantêm a interdependência entre as partes e elementos. O terceiro se caracteriza pelo avanço no controle e manipulação das descrições formais, das funções e da aplicação de códigos.

Paralelamente, entre o final dos anos de 1960 e 1980, a "architecture theory" transformou a abordagem teórica da arquitetura (HAYS, 2000, p. x). Caracterizada como uma forma de mediação e produção de relações entre a análise formal de uma obra e o seu contexto, denota "um desejo para modificar e expandir a realidade, de organizar uma nova visão do mundo percebida como insatisfatória ou incompleta” (HAYS, 2000, p. xiv). Ao rearticular a totalidade discursiva, permite à arquitetura uma força autônoma no campo do significado que a expande para absorver o que é pensado em códigos externos à disciplina.

Posteriormente, a constatação de que a arquitetura em voga é profundamente dependente de números ou, para ser mais preciso, de informação (HAYS, 2013, p. 253), tornou-se uma característica naturalizada para se alcançar projetos de grande complexidade. Em consequência, a prática projetual com esse enfoque levou ao quadro pós-teórico, ou de sua superação. Com o crescente processamento de informações possibilitado pelo computador, a arquitetura não necessitaria mais das abstrações que alimentam o modelo de teoria inserido nos anos de 1960.

Como resultado dos processos computacionais de modelagem, os adendos teóricos advindos de disciplinas exteriores à arquitetura "tornam-se meros ornamentos" (HAYS, 2013, p. 254). Contudo, a "teoria" específica dessas relações não é um método único, cabe a ela reelaborar conceitos disciplinares que possam embasar diversos processos. A manipulação digital voltada à prática projetual se desenvolve por meio dos avanços tecnológicos, baseados, por exemplo, nas técnicas de controle geométrico, de funções e valores na simulação, evitando essencialismos ou cânones imutáveis dos objetos arquitetônicos (HAYS, 2013, p. 257).

Além da capacidade generativa e da liberdade exploratória, o design paramétrico permite definir e coordenar, de modo controlado, diferentes aspectos do projeto no ambiente virtual. Contudo, a tecnologia empregada não pode explicar per se a imposição de formas e preferências estéticas, levando à aproximação de teorias às investigações da arquitetura digital – como no caso da dobra de Deleuze em meados de 1990 (PICON, 2010, p. 64-5).

Algumas propostas teóricas foram incorporadas à tentativa de preencher esse tipo de lacuna entre a positividade computacional e a concepção teórica. Recentemente, um autor que captou a atenção da crítica - devido à posição de destaque no cenário arquitetônico internacional - foi Patrik Schumacher, ao apresentar um manifesto teórico, assinalando o que seria um novo momento definitório na arquitetura contemporânea. O quadro de sua publicação remete a alguns exemplos de manifestos teóricos na historiografia recente.

3. Apropriações críticas e o papel dos manifestos teóricos

Na história da arte e da arquitetura, os manifestos representam o posicionamento e a defesa de uma visão de mundo determinada por autores no sistema de atividades produtivas. A sua função é afirmar um estilo que representa o espírito do tempo de uma disciplina e a vontade de transformá-la, além de defender a sua importância em relação aos demais. A dimensão ideológica é expressa na criação de princípios determinantes ou até normativas. Os manifestos “invocam à ação” e são apresentados na forma de textos como ferramentas retóricas que permitem a compreensão da produção decorrente do estilo, em virtude do pensamento que o moldou e com o propósito de gerar contestação.

Há vários exemplos de contribuições vinculadas à "lógica dos manifestos" (JENCKS; KROPF, 2006, p. 10) na história da arquitetura. No período modernista, o "Manifesto da arquitetura futurista", de 1914, de Antonio Sant'Elia e o "Por uma arquitetura" de Le Corbusier, de 1920. Na década de 1960, os manifestos de coletivos como o Archigram (Universal structure - 1964) e Superstudio (Description of the microevent/microenvironment - 1966), e as propostas individuais de Robert Venturi (Complexidade e contradição na arquitetura - 1966), Aldo Rossi (A arquitetura da cidade - 1966) e Kevin Lynch (A imagem da cidade – 1960) influenciaram a arquitetura contemporânea. Posteriormente, foram lançados manifestos teóricos de cunho analítico e contestador, por autores como Bernard Tschumi, Peter Eisenman e Rem Koolhaas.

No simpósio "What happened to the architectural manifesto?" realizado em 2011 no Graduate School of Architecture, Planning and Preservation (GSAPP) da Columbia University, discutiu-se a validade dos manifestos na atualidade. A posição dos debatedores foi que "o manifesto está morto ou o seu estatuto diluído, principalmente através do argumento de que ele não é mais necessário em uma profissão que não se guia pelo 'gênio solitário'" (HOLT; LOOBY, 2011). Além disso, constataram que a posição crítica desapareceu, com publicações domesticadas e sem análise das relações entre a cidade e a arquitetura, privadas de invenção, investigação e interpretação.

No empenho de resistir a essa condição, Patrik Schumacher propõe uma densa estruturação teórica para uma nova agenda na arquitetura contemporânea, no manifesto intitulado "The Autopoiesis of Architecture", com o primeiro volume publicado em 2011 e o segundo em 2012. No segundo, o autor situa o tratado em paralelo a outros três da história da arquitetura1, denominados "tratados clássicos", pois cada um designa a apresentação de “uma auto-descrição madura da arquitetura” (SCHUMACHER, 2012, p. 509). Segundo ele, cada “epochal style”2 apresenta ao menos um tratado decisivo que, como o seu livro, retrata a arquitetura em um sistema específico. Conforme Schumacher, cada estilo de vanguarda tem um núcleo de princípios defendidos através da produção de manifestos - exposições paradigmáticas do seu potencial (SCHUMACHER, 2012, p. 652-3).

4. A persistência do suporte teórico e os espaços de formação: a articulação do manifesto contemporâneo aplicado à experimentação projetual

Após anos de pesquisa no estúdio Design Research Laboratory (DRL)3 na Association School of Architecture (AA) e no grupo de Computational Design Research do escritório Zaha Hadid Architects (ZHA)4, ambos em Londres – ambientes que convergem interesses experimentais e novas agendas arquitetônicas, avanços mais proeminentes em investigação e experimentação -, Patrik Schumacher articulou a teoria de um novo paradigma para a arquitetura contemporânea que contempla o processo do design paramétrico.

A constituição do paradigma ocorreu de forma cumulativa, através de uma sucessão de experiências nos espaços de formação e trabalho, além de palestras e artigos que visavam divulgar ideias, maturá-las e configurá-las no manifesto. Embora o design paramétrico não seja compreendido como um estilo, mas como um procedimento, Schumacher tensiona para instaurá-lo desse modo, nomeando-o e atribuindo características específicas para posicioná-lo como vertente na arquitetura contemporânea.

Na 11ª Bienal de Arquitetura de Veneza, em 2008, Schumacher apresentou o texto "Parametricism as Style - Parametricist Manifesto" – um esboço que se desdobrou posteriormente. Naquele momento, o autor entendia que o paradigma do design paramétrico deveria ser perseguido de modo global na arquitetura, desde o nível do detalhe ao do urbanismo. De acordo com Schumacher, a arquitetura se encontra num ciclo de "adaptação inovativa": o cenário experimental e produtivo se reequipou digitalmente e se adaptou à sociedade heterogênea, com o papel de organizar e articular a sua complexidade de modo a criar um repertório guiado pelas mesmas matrizes. Segundo ele, a tarefa conforma um estilo alcançado através de um "research programme based": o Parametricismo (SCHUMACHER, 2008).

No texto, Schumacher (2008) expõe cinco agendas para fomentar os aspectos do Parametricismo: 1) a interarticulação de múltiplos subsistemas; 2) parametric accentuation (reforçar a sensação geral de integração orgânica por meio de correlações); 3) parametric figuration (percepção visual da ordem e da configuração além dos parâmetros usuais de objetos geométricos); 4) parametric responsiveness (reconfiguração e adaptação); 5) parametric urbanism (edifícios formam um campo em constante mudança)5.

Em 2009, na revista Architectural Design, Schumacher publica o artigo intitulado "Parametricism - A New Global Style for Architecture and Urban Design". O artigo, que divulgou o Parametricismo de forma ampla, reapresenta e expande algumas das ideias comunicadas no ano anterior, articuladas por meio de um manifesto no qual convoca o público da revista a considerar um novo estilo de vanguarda para a arquitetura. Há uma pretensão inerente ao teor publicado: superar o Modernismo, dentre outros episódios na arquitetura. Isso porque a inovação que ele tanto persegue "procede via a progressão de estilos [...] representando ciclos de inovação" (SCHUMACHER, 2009, p. 16).

No artigo, ele define as agendas – já exibidas anteriormente – e a heurística pertinente ao Parametricismo, que está dividida em algumas características: as de caráter negativo se resumem a evitar geometrias rígidas e primitivas – como quadrados, triângulos e círculos -, evitar a repetição de elementos e sua justaposição ou de sistemas não relacionados. As de caráter positivo consideram que todas as formas podem ser parametricamente maleáveis, se diferenciam gradualmente e se correlacionam sistematicamente. A heurística é expandida e dividida em princípios formais e funcionais.

A publicação do artigo foi o ponto de partida para a defesa de um estilo somado a um processo de projeto, que o autor expandiria até a publicação do seu tratado em dois volumes. A defesa de um estilo é, segundo ele, a tentativa de ir além do desenvolvimento de uma simples base formal para a arquitetura, ao englobar uma série de obras e estabelecer conexões de linguagem entre cada uma, já que a forma torna-se variada e acaba sendo específica a apenas um projeto.

No primeiro volume de seu livro The Autopoiesis of Architecture, intitulado "A new framework for architecture", Schumacher estrutura um quadro conceitual que fundamenta as suas propostas teóricas – projeto que define como “super-teoria de domínio específico”. A arquitetura opera globalmente como um sistema universal de comunicação, que “fornece uma imagem da arquitetura com detalhes suficientes para que ela possa se reconhecer […], refletir a sua própria contingência e enraizamento histórico discursivo […] de forma clara para que o observador possa escolher se segue as suas sugestões” (SCHUMACHER, 2011, p. 59-61).

No segundo volume - “A new agenda for Architecture” -, o autor dedica um capítulo ao Parametricismo: uma teoria a respeito de um novo “estilo de época”. O novo estilo é um dos componentes da “super-teoria” da autopoiesis, que se caracteriza por conceitos, repertório formal, lógica tectônica e técnicas computacionais (SCHUMACHER, 2012, p. 617). Schumacher (2012, p. 618) liga a necessidade de um estilo que represente a potencialidade da arquitetura contemporânea à sua capacidade de inovação baseada em práticas sistemáticas de experimentos de design.

Após quinze anos de maturação, Schumacher defende a hegemonia do Parametricismo como estilo da vanguarda arquitetônica por estabelecer inovações sistemáticas (2012, p. 619), assim como o Modernismo e o Pós-modernismo em outrora. Os conceitos do Parametricismo se alinham ao tipo de sociedade complexa e pós-fordista articulada em redes, da qual emergem sistemas em que os elementos são funcionalmente integrados e mutualmente interdependentes a ponto de suas variações se conectarem (SCHUMACHER, 2012, p. 623). Para ele, a função da arquitetura e do urbanismo contemporâneos é a de organizar e articular essa crescente complexidade (SCHUMACHER, 2012, p. 640), ou seja, a exploração de sistemas de design é capaz de organizar espacialmente os processos e instituições sociais.

Patrik Schumacher defende um estilo unificado com o papel de paradigma que redefine as categorias fundamentais, objetivos e métodos para um empreendimento coletivo que visa um processo de inovação na arquitetura (2012, p. 643-4). O modus operandi do Parametricismo se baseia na simulação digital e em ferramentas de form-finding, que permitem a associação de parâmetros definidos através de regras e lógicas que são encontradas no campo natural e em outras criadas artificialmente no campo virtual (SCHUMACHER, 2012, p. 621).

A reinterpretação positiva do conceito de “formalismo” como “investigação formal” compreende a expansão do repertório formal enquanto solução de um espaço que engloba certa heurística para a formação de um programa (SCHUMACHER, 2012, p. 338). A formulação do problema compreende que a arquitetura contemporânea não pode se restringir à fixação de funções definitivas. A condição espacial fluida se incorporou à arquitetura recentemente, explorada devido às ferramentas digitais, que propiciaram a criação de espaços com multiplas superfícies de transferência que evitam gargalos de circulação e a segmentação do espaço ortogonal (SCHUMACHER, 2012, p. 353).

A genealogia da formação do Parametricismo como um estilo, segundo Schumacher (2012, p. 660), é inspirado nas investigações de Peter Eisenman – usos da linguagem e estratégias de manipulação formal - e Greg Lynn – referente ao slogan “diferenciação contínua”, difundido na década de 1990, que segue uma arquitetura de curvilinearidade dinâmica -, e no ensino de Jeffrey Kipnis na AA em 1990 sobre a dobra – no qual reside a origem dos valores formais do Parametricismo. Além disso, a experiência prática adquirida no Design Research Lab e no uso massivo de dados em projetos de escritórios como o OMA e o MVRDV, foram referências que se desdobraram na série de projetos implementados pelo escritório Zaha Hadid, já ao final da década de 1990.

Além disso, as referências teóricas mais recorrentes de Schumacher são Christopher Alexander, Noam Chomsky, Gilles Deleuze, Jacques Derrida, Peter Eisenman, Niklas Luhmann, Ferdinand de Saussure e Alejandro Zaera-Polo. Ou seja, são arquitetos, filósofos, linguistas e sociólogos que não têm envolvimento direto com o design paramétrico.

Segundo Schumacher (2011, p. 45), a arquitetura avança por meio da progressão de estilos que adquirem uma articulação teórica. Estilos são essencialmente baseados em condições de trabalho, restrições materiais e tecnológicas, que não podem ser reduzidos às suas características formais, pois definem valores estéticos para a arquitetura, mas também o controle das relações entre forma e função (SCHUMACHER, 2011, p. 254-8). O valor de inovação e criatividade de um estilo é “vanguardista”, pois condensa, na sua elaboração prática e especulativa, a formação conceitual propositiva e a investigação experimental acumulada por determinadas técnicas (SCHUMACHER, 2011, p. 279-282).

A promessa do Parametricismo é a de alcançar variações adaptativas para diferentes condições de projeto (SCHUMACHER, 2012, p. 649). A partir dessa condição de variabilidade, a definição do Parametricismo implica que “todos os elementos arquitetônicos e complexos são parametricamente maleáveis” (SCHUMACHER, 2012, p, 654). Schumacher considera que essa é uma mudança ontológica fundamental, da constituição de elementos clássicos e modernos – cubos, cilindros, pirâmides, etc. - às entidades geométricas animadas – baseadas em splines, NURBS, etc. - que geram blobs e outras superfícies curvilíneas.

As técnicas utilizadas para o controle da variabilidade são o associative modelling e o scripting das funções - a capacidade de estabelecer associações entre as propriedades dos vários elementos através da geração de códigos em linguagem de programação e o uso de algoritmos. A nova ontologia depende de um novo meio. Embora o Parametricismo não possa ser reduzido à utilização do novo meio digital, foi inspirado por ele e permanece dependente dele. (SCHUMACHER, 2012, p. 605-6).

O estilo do Parametricismo é um conjunto de princípios teóricos, técnicas, valores, métodos e objetivos que são extremamente dependentes do avanço computacional – podem progredir unicamente via o desenvolvimento contínuo e a apropriação de técnicas computacionais avançadas (SCHUMACHER, 2012, p. 669). O Parametricismo não se reduz ao design paramétrico porque o seu modo de operação e as decisões que guiam o uso do potencial paramétrico - ferramenta com função determinada no plano teórico proposto por Schumacher - pode ser aplicado de outros modos mesmo não constituindo a agenda do estilo.

5. Impressões sobre o manifesto em tempos de experimentação pragmática

Com a finalidade de apresentarmos de forma crítica algumas implicações do pensamento que Schumacher defende como hegemônico, são apresentados três vetores para o debate: 1) a estratégia de difusão do manifesto; 2) a consistência do substrato teórico e a proposta de um paradigma para a arquitetura contemporênea; 3) a aplicação das diretrizes em propostas de projeto e investigação.

A perspectiva de Schumacher é baseada no estado da produção arquitetônica atual e resultado de uma compreensão pessoal do mundo – certa posição liberal. Com o objetivo de permitir que outras pessoas se apropriem e desenvolvam as suas especulações acerca da arquitetura, surge a necessidade de publicação do extenso tratado. Contudo, ele surge posteriormente a todo o trabalho e processo efetuado pelo escritório Zaha Hadid e as pesquisas no AADRL (Architectural Association Design Research Lab). O autor parece justificar e validar o próprio expediente, pois o impacto dos projetos no mainstream procede ser mais efetivo pela divulgação de sua imagem do que o efeito do discurso teórico posterior.

Os dois volumes somam mais de mil e duzentas páginas, algo pouco atrativo para leitores externos ao âmbito crítico arquitetônico e acadêmico. Schumacher aponta um ideal para o sistema arquitetônico e aposta na criação do manifesto como sinal comunicativo que enfatiza aspectos além dos estéticos, o que justificaria desenvolver um texto devido a sua capacidade explicativa. Embora o resgate de um conjunto de teorias para embasá-lo aponta uma distinção do seu manifesto em relação aos anteriores, as referências não tangenciam a discussão técnica do uso do design paramétrico.

Não se trata apenas da discussão de gosto, mas que essa perspectiva se torne global. O que nos leva ao problema da normatividade, ou seja, quem dita os objetivos de um novo estilo e a quem interessa que se estabeleçam. Schumacher parece aliar o seu papel crítico às tendências ditadas por um meio construtivo que preza a aquisição da assinatura de "stararchitects". A estratégia de difusão textual por arquitetos e suas obras de referência – uma posição apropriada por Schumacher - expõe o estado de relevância e comunicação dos processos de produção contemporânea, que permanece no domínio dos grandes agentes formalizados no cenário arquitetônico oficial. O determinismo da posição do autor seria uma fonte retórica de inspiração para atingir um grande índice de reprodução do seu trabalho, emergente após anos de experimentação e atuação.

A heurística de princípios formais e funcionais do Parametricismo não avança a ponto de alcançar um resultado único que outro estilo na arquitetura contemporânea não possa estabelecer, apenas reforça o uso de geometrias complexas – que também não estão subordinadas exclusivamente a um processo paramétrico. Já as agendas avançam em direção a uma especificidade para o estilo, contribuindo para a compreensão do mesmo pelo leitor leigo. O Parametricismo não define um estilo com base no design paramétrico, mas sim na forma contínua, na aparência fluída e da curvilinearidade que integra e organiza espaços, que são apenas potencializados pelo uso da parametrização.

Mesmo manifestando certo anacronismo, Schumacher defende um estilo unificado - como no Modernismo -, argumentando que o Parametricismo absorve as proposições de outros estilos para forjá-los em novas redes de afiliações (SCHUMACHER, 2012, p. 648). A constatação de uma capacidade híbrida do Parametricismo - de associar processos, princípios formais e teorias - parece capaz de adequar qualquer expressão arquitetônica e convertê-la ao seu estilo, por apresentar um conteúdo amplo, o que não evita a emergência de projetos plurais.

Há sempre o perigo de surgir a tendência à homogeneização e universalidade arquitetônica, renegando a coexistência de estilos através de uma posição mais crítica – apesar de uma visão (im)positiva não ser a intenção de Schumacher. O Parametricismo é uma resposta à representação do mundo contemporâneo, que considera a organização da complexidade social e a fluidez das suas relações como elementos para uma representação global que é traduzida como uma linguagem especificamente associada ao estilo.

Davis (2010) critica o uso que Schumacher faz do termo Parametricismo, por já existir um vocábulário específico com diferentes significados na arquitetura digital, e que a sua teoria utiliza de modo indiscriminado descrições de diferentes campos digitais. Apesar de Schumacher identificá-lo como um estilo global, poucos exemplos construídos são encontrados fora do escritório Zaha Hadid. Ele argumenta que o trabalho do escritório não pode ser considerado paramétrico em sua totalidade, porque utiliza o computador em processos tradicionais de concepção top-down para manter a consistência estilística, apenas variando a forma complexa. Ou seja, se o design paramétrico é capaz de dar conta de tantas variáveis externas e internas ao objeto, a variabilidade do projeto já estaria garantida através de um processo que computasse esses dados, sem estar preso a um estilo pré-determinado e assegurado teoricamente. No entanto, Schumacher se apropria de uma ideia de complexidade que não privilegia a emergência, por isso a ênfase no desenvolvimento de projetos por processos bottom-up não é o foco principal de seu trabalho.

Owen Moss (2011) aponta que Schumacher se apropriou da hipótese paramétrica, a construiu e a catalogou, negando oposições críticas plausíveis, além do apelo ao trabalho de Zaha Hadid ser de cunho pessoal e não crítico. O fato do tema paramétrico ter se tornado admissível e desejado, além do interesse especial pelos estudantes, não significa que ganhou crédito como uma medida do teor arquitetônico.

Dos projetos que envolveram os princípios do Parametricismo, podemos citar o Kartal Masterplan (Istanbul, Turquia) de 2006, e o Guangzhou Opera House (Guangzhou, China) de 2003-2010. O primeiro é um projeto não construído que articula um script que gera diferentes tipologias em resposta a diferentes demandas, adaptando parametricamente uma rede interconectada de espaços a um contexto urbano existente6. O segundo articula em um projeto arquitetônico a curvinlinearidade e a fluidez material de efeito dinâmico, criando a forma monolítica, superfícies e espaços contínuos, nos quais a parametrização foi utilizada para constituir os padrões triangulares da estrutura e dos revestimentos, ao invés de organizar o programa7. O primeiro aplica com mais propriedade tanto o ideal do estilo quanto a variabilidade do processo, o segundo capta o estilo mas deixa em segundo plano a potência do processo para firmar um ícone construído.

As diretrizes de trabalho desenvolvidas no AADRL executam a investigação de experimentos virtuais e materias a partir da heurística e da ontologia paramétrica do Parametricismo, no qual é possível perceber um grande potencial exploratório com formas dinâmicas e maleáveis que incorporam a variação de respostas na resolução de problemas8. Parece que a medida que a exploração descompromissada se torna a motivação, o Parametricismo se mostra capaz de aproximar a prática aos seus ideais.

Repetindo a pergunta "What happened to the architectural manifesto?", está claro que ele não está morto, contudo, serve a outras finalidades sem a mesma força ideológica. O Parametricismo corre o risco de ser apenas mais um "-ismo" desacreditado na história da arquitetura, se no futuro um número de agentes não for capaz de conduzir as suas premissas a um patamar que efetive e desenvolva o processo de design relacionado ao potencial paramétrico, associando a organização espacial e programática em projetos que não se limitem ao estilo.

Referências

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WOODBURY, Robert. Elements of parametric design. Oxford: Routledge, 2010.



1 Alberti's "De re aedificatoria", Durand's "Précis des leçons d'architecture", Le Corbusier's "Vers une architecture" e o seu "The autopoiesis of architectue".

2 Tais como o Renascimento, o Barroco, o Neo-Classicismo, o Modernismo, e agora o Parametricismo.

3 O DRL é um curso de design baseado em um estúdio de ensino de projeto arquitetônico avançado, fundado em 1996, com Brett Stelle. [http://drl.aaschool.ac.uk/]

4 Em 1988, ele se juntou à arquiteta Zaha Hadid, posteriormente se tornando um dos diretores do escritório.

5 No segundo volume, Schumacher amplia para 7 agendas, acrescentado "parametric semiology" – a importância da dimensão semântica para a arquitetura, e "parametric ecology" – os desafios ecológicos como oportunidade para desenvolver adaptações morfológicas a partir de parâmetros do meio-ambiente.

8 Vídeo: "PARAMETRICISM" by Patrik Schumacher - Zaha Hadid Architects – AADRL. https://youtu.be/yVJPeo_Vc5c

The Parametricism manifest: prospects about a "new global style" for architectural design and urban planning

Rodrigo Scheeren, Daniel Lenz Costa Lima

Rodrigo Scheeren is an Architect and Bachelor in Philosophy, Master of Theory and History of Architecture and Urbanism. USP researcher at NEC- Studies Center of Contemporary spatiality in which develops research in design processes in Contemporary Architecture, representation and interfaces between art, philosophy and architecture.

Daniel Lenz Costa Lima is an Architect, Master in Technology and City, and researcher in the field of IT applied to architecture, with themes such as architecture algorithm and general systems theory, with emphasis on the study of emergence of complexity to architecture.


How to quote this text: Scheeren, R. and Lima, D.L.C., 2015. The Parametricism manifest: prospects about a "new global style" for architectural design and urban planning. V!RUS, São Carlos, n. 11. [online] Available at: <http://www.nomads.usp.br/virus/virus11/?sec=4&item=5&lang=en>. [Accessed: 24 November 2017].

Abstract

In the post-theoretical scenario of digital culture and experimentation in contemporary architecture, parametric design is highlighted by the positive response to desire for innovation and control of the design process. Patrik Schumacher - Zaha Hadid Architects and AA Design Research Lab - support a new unified style for contemporary architecture, based on parametrization and theoretical principles that constitute the paradigm of Parametricism. The paper aims to clarify and deepen the theoretical discourse, proposals, concepts and techniques about Parametricism as well as its position among other manifestos in history. Schumacher's manifesto is critically analyzed in relation to the context in which it emerges, the consolidation of its projects and critical notes from other authors.

Keywords: Parametricism, Parametric design, Theories and manifestos, Patrik Schumacher, Zaha Hadid

1. Set parameters: introduction to relational thinking in contemporary architecture

The current architectural scenario reflects the multiplicity of phenomena and emerging projective proposals due to technical and technological advancement. As pointed out by Hugh Whitehead in Robert Woodbury’s book “Elements of Parametric Design” (2010, p.01), parametric design “is more about an attitude of mind than any particular software application”. This way of thinking is founded by the current definitions between parts or elements of a model.

The “parameter” concept first appeared in mathematics and was first introduced into architecture by the Italian architect, Luigi Moretti, in the 1940s (Davis, 2013), which interpreted the "parametric architecture" as the study of systems that defined relations between dimensions dependent on parameters. In the "Parametric Architecture" exhibition at the 20th Milan Triennale in 1960, Moretti explained that the forms that defined his Sports Stadium were a result of nineteen parameters relative to its viewing angles and concrete costs.

The term "parametric design" means the allocation of settings and process control that determines relations and results from an ensemble of parameters and gives “interactive behaviour to building components and systems” (Woodbury, 2010, p.2). It is a process that uses templates that are a set of geometrical components with varying attributes - parameter - and other fixed - static or limited - to adopt a flexible edition (Barrios, 2011, p.204).

Contrary to geometrically fixed models, in which greater efforts are required in order to make further alterations to its forms - conventional design - aspects of the project are previously assigned - parametric design - in order to explore the flexibility of the relations in the model. The difference is established that "in parametric design, it is the parameters of a particular design that are declared, not its shape" (Kolarevic, 2000, p.4). A fundamental change is introduced in the process, in which parts relate to each other and change in a systematic way; coordinating and re-establishing connections (Woodbury, 2010, p.11).

The parametric allows the increase in formal possibilities – not restricting to complex shapes - and organization of architectural project, by handling relations and creating associative geometries for problem-solving (Kolarevic, 2005, p.149) that emerges without a pre-determined formal outcome - form-finding. Software offers the possibilities of algorithms management, allowing the manipulation of large amounts of data and the increasing level of complexity of the systems in the digital simulation environment. Thus, the real change is not about design but technological.

The assimilation of parametric design encloses the desire for immediacy in the use of digital technologies; demonstrating analysis optimization, control, and production of architectural project. Its insertion in architecture stems from a scenario that contemplates a broad improvement of systemic and technological features. In parallel, between 1960 and 1980, theoretical and critical investigations led to the aggregation of disciplines such as linguistics and philosophy to the theory of Architecture.

The context of parallelism allows the interpretation of Patrik Schumacher’s proposal; by reconciling a theoretical manifesto with the positive paradigm of parametric design and exposing it as a hegemonic style of the architectural avant-garde: Parametricisim.

2. Parallel views: theoretical-critical domain and the computational pragmatism

The freedom of experimentation in digital dimension allowed some parts of contemporary architectural investigations to be directed by practical speculation – the pragmatism of seeking solutions and project designs that prioritize organizational, formal and material factors.

“Both the perception and realisation of architectural form, space and structure" (Menges and Ahlquist, 2011, p.10) profoundly impacted Computation. Their integration with architectural design created a particular conceptual and technical basis, converging thinking, scientific, technological and cultural innovations. The combination of these elements happened "through approaches like cybernetics and artificial intelligence, system theory and operations research, the computer was instrumental in shaping a new vision of the world" (Picon, 2010, p.28).

The relation between design and computation consist in is a specific way of processing information and interactions between elements, in which processes of generation of objects that incorporate information on symbolic representations are raised to a level at which codes describe values and actions (Menges and Ahlquist, 2011, p.11). These distinctions reflect the mode of integration between architecture and computer - despite being more agile in handling information. However, this was halted until further processed forms through relations or parameters were mastered.

The computational use by architecture can be summarized in three levels of digital computability (Kotnik, 2010; Oxman, 2006): 1) representational, 2) parametric and 3) algorithmic. The first uses the computer as digital media design tool. The second is characterized by continuous variation in ratio of predefined parameters that maintain the interdependence between parts and elements. And the latter being characterized by advances in control and manipulation of formal descriptions, functions, and application of codes.

At the same time, between the late 1960s and 1980, the "architecture theory" has transformed the theoretical approach to architecture (Hays, 2000, p.x). Defined as a form of mediation and production of relations between the formal analysis of a work and its context, it denotes "a desire to organize a new vision of a world perceived as unsatisfactory or incomplete" (Hays, 2000, p.xiv). By rearticulating of discursive totality, it allows Architecture an autonomous force by expanding its range to absorb what is thought of external codes of the discipline.

Subsequently, the fact that the architecture in vogue is heavily dependent on numbers, or to be more precise, information (Hays, 2013, p.253), has become a naturalized characteristic to achieve highly complex design. Consequently, the design practice with this approach led to the post-theoretical framework, or overcoming it. With the increasing of information processing made possible by the computer, the architecture would not need to be fed with abstractions of theory models applied in the 1960s.

As a result of computation modelling processes, theoretical inputs arising from external disciplines to the architecture "become mere ornaments" (Hays, 2013, p.254). The “theory”, however, of these specific relations is not relied on a single method, it is possible to rethink disciplinary concepts that can support different processes. The digital manipulation focused on design practice develops through technological-based advances, for example, in geometric control techniques, functions and values in the simulation; avoiding essentialisms or immutable canons about architectural objects (Hays, 2013, p.257).

Besides generative capacity and exploratory freedom, parametric design allows defining and coordinating, in a controlled manner, different aspects of project in virtual environment. However, the technology applied can't explain by itself the imposition of formal and aesthetics preferences, leading some theories in investigations of digital architecture – as in the case of Deleuzian's fold in the middle of 1990 (Picon, 2010, p.64-5).

Some theoretical proposals were incorporated in the attempt to fill such a gap between the positivity of computational application and theoretical conception. Recently, an author who captured critical attention – due to the prominent position in the international architectural scene - was Patrik Schumacher, by presenting a theoretical manifesto that marked a new distinct moment in contemporary architecture. The framework of its publication refers another examples of theoretical manifestos in recent historiography.

3. Critical appropriations and the role of theoretical manifestos

In the history of art and architecture, manifestos represent the positioning and the defence of a worldview determined by authors in a system of productive activities. Its function is to claim a style that represents the spirit of time of a discipline and the will to transform it. Besides defending its importance in relation to others. The ideological dimension is expressed in creation of determinants or normative principles. Manifestos “call to action” and are presented in form of texts as rhetorical tools that allow one to understand the resultant production from the style on account of thought that shaped it, and in order to generate a sense of contestation.

There are several examples of contributions linked to the “manifestos logic" (Jencks and Kropf, 2006, p.10) in the history of architecture. In the modernist period, the "Manifesto of Futurist architecture", 1914, by Antonio Sant'Elia and "Vers une architecture" by Le Corbusier, 1920. In the 1960s, the manifestos from collective such as Archigram (Universal structure - 1964) and Superstudio (Description of the microevent / microenvironment - 1966), and individual proposals of Robert Venturi (Complexity and Contradiction in Architecture - 1966), Aldo Rossi (The architecture of the city - 1966) and Kevin Lynch (The image of the city - 1960) influenced the contemporary architecture. Subsequently, authors like Bernard Tschumi, Peter Eisenman and Rem Koolhaas launched theoretical manifestos of analytical and challenging nature.

At the symposium "What happened to the architectural manifesto?" held in 2011 at the Graduate School of Architecture, Planning and Preservation (GSAPP) at Columbia University, it was discussed the validity of manifest today. The position of panellists were that "the manifesto was dead or its status diluted, primarily through the argument that it is no longer necessary in a profession driven not by the 'lone genius'" (Holt and Looby, 2011). In addition, they found that critical position disappeared with domesticated publications, without analysis of the relation between the city and the architecture, and deprived of invention, research and interpretation.

In an effort to resist this condition, Patrik Schumacher proposes a dense theoretical framework for a new agenda in contemporary architecture, the manifesto entitled "The Autopoiesis of Architecture", the first volume published in 2011 and the second in 2012. In the latter, the author states his treatise in parallel with other three in the history of architecture1, they called "classic treaties". Because each designates the presentation of "a mature self-description of the architecture" (Schumacher, 2012, p.509). According to him, every "epochal style"2 has at least one decisive treatise, as his book, that depicts the architecture in a particular system. Schumacher believes each avant-garde style has a core of principles defended by the production of manifestos - paradigmatic exhibitions of its potential (Schumacher, 2012, p.652-3).

4. The persistence of theoretical support and the educational spaces: the articulation of contemporary manifesto applied to architectural design

After years of research in the studio Design Research Laboratory (DRL)3 at the Architectural Association School of Architecture (AA) and in the Computational Design Research at Zaha Hadid Architects (ZHA)4, Office, both in London - environments that converge experimental interests and new architectural agendas, besides most prominent advances in research and experimentation - Patrik Schumacher articulated the theory of a new paradigm for contemporary architecture which includes the process of parametric design.

The constitution of this paradigm occurred cumulatively; through a succession of experiences in the areas of training and work, as well as lectures and articles aimed to disseminate his ideas, mature them and set them on the manifesto. Although the parametric design is not understood as a style, but as a procedure, Schumacher insists to insert it this way, by naming it and assigning specific features to position it as a reference in contemporary architecture.

At the 11th Architecture Biennale in Venice in 2008, Schumacher presented the text "Parametricism as Style - Parametricist Manifesto" – as a draft, which was unfolded later. At that time, the author believed that the paradigm of parametric design should be pursued in a comprehensive way in architecture, from the detailed level to urbanism. To Schumacher, architecture is in a cycle of "innovative adaptation": the experimental and productive scenario was digitally retooled and adapted to heterogeneous society, with the role to organize and articulate their complexity in order to create a repertoire guided by the same patterns. For him, the task conforms a style achieved through a "research program based": the Parametricism (Schumacher, 2008).

In the text, Schumacher (2008) exhibits five agendas to promote the aspects of Parametricism: 1) Inter-articulation of sub-systems; 2) parametric accentuation (enhance the overall sense of organic integration through correlations); 3) parametric figuration (visual perception of order and configuration beyond the usual parameters of geometric objects); 4) parametric responsiveness (reconfiguration and adaptation); 5) parametric urbanism (buildings form a continuously changing field)5.

In 2009 Schumacher published the article entitled "Parametricism - A New Global Style for Architecture and Urban Design" in Architectural Design magazine. The article, which released Parametricism broadly, restates and expands some of the ideas communicated in the previous year. In which was articulated through a manifesto that summoned the magazine's audience to consider a new avant-garde style for architecture. There is an inherent claim to the published content: overcome Modernism, amongst other episodes in Architecture. Because the innovation he pursues "proceeds via the progression of styles [...] represent cycles of innovation" (Schumacher, 2009, p.16).

In the article, he sets the agenda - displayed earlier - and the relevant heuristic to Parametricism, which is divided into some characteristics. The negative character, which avoids rigid geometric primitives - such as squares, triangles and circles -, avoids simple repetition of elements and the juxtaposition of unrelated elements or systems. The positive character considers all forms to be parametrically malleable, differentiate gradually (at varying rates), inflect and correlate systematically. The heuristic is expanded and divided into formal and functional principles.

This was the starting point to a style in which the author would later defend his treatises into two volumes. The defence of a style is, as he said, the attempt to go beyond the development of a simple formal basis for architecture, by including a number of works and establishing language connections with each other, since the form varies and becomes specific to only one project.

In the first volume of his book The Autopoiesis of Architecture entitled "A new framework for architecture", Schumacher structures a conceptual framework that underlies their theoretical proposals - a project that he calls "super-theory of specific domain". The Architecture operates globally as a universal system of communication, which "is delivering an image of architecture with sufficient detail for architecture to recognize itself [...] the reflection on its own contingency and its historical-discursive embeddedness [...] as clear as possible so that an observer may decide whether to follow their suggestions" (Schumacher, 2011, p.59-61).

In "A New Agenda for Architecture”, his second volume, the author devotes a chapter to Parametricism: a theory about a new “epochal style". The new style is one component of the "super-theory" of Autopoiesis, characterized by concepts, formal repertoire, tectonic logic and computational techniques (Schumacher, 2012, p.617). Schumacher (2012, p.618) connects the requirement for a style that represents the potential of contemporary architecture to its innovation capability based on systematic practices of design experiments.

After fifteen years of maturation, Schumacher defends the hegemony of Parametricism as the architectural avant-garde style for established systematic innovation (2012, p.619), as well as Modernism and Postmodernism in the past. The concepts of Parametricism align complex and post-fordist society articulated in networks, in which systems with elements functionally integrated, mutually interdependent, and connecting variations emerge (Schumacher, 2012, p.623). He believes that the role of contemporary architecture and urbanism is to organize and coordinate this growing complexity (Schumacher, 2012, p.640). In other words, the exploration of design systems is able to spatially organize the processes and social institutions.

Patrik Schumacher defends a unified style as a paradigm that redefines the fundamental categories, objectives and methods for a collective enterprise aimed at an innovation process in Architecture (2012, p.643-4). The modus operandi of Parametricism is based on digital simulation and a form-finding tool that allows the association of parameters set by rules and logic that are found in natural field and others artificially created in virtual field (Schumacher, 2012, p.621).

The positive reinterpretation of the concept of "formalism" as a "formal research" can be understood “as the expansion of the formal repertoire […] through solution spaces in terms of a form-to-programme heuristic” (Schumacher, 2012, p.338). The formulation of the problem is understood that contemporary architecture cannot be restricted to definitive functions. The fluid space condition was incorporated into the architecture recently, which were explored by digital tools, that enabled the establishment of spaces with multiple transfer surfaces; To avoiding circulation bottlenecks and segmentation of orthogonal spaces (Schumacher, 2012, p.353).

The genealogy of Parametricism as a style, according to Schumacher (2012, p.660), is inspired by the research of Peter Eisenman – language uses and strategies of formal manipulation - and Greg Lynn - referring to the slogan "continuous differentiation" widespread in the 1990s, following a dynamic curvilinearity architecture - and in Jeffrey Kipnis lessons at the AA in 1990 about fold - in which lies the origin of formal values of Parametricism. Besides, the practical experience obtained in the Design Research Lab and the massive use of data in projects from offices such as OMA and MVRDV were references that unfolded in a number of projects implemented by Zaha Hadid office since the end of the 1990s.

Moreover, the most recurrent theoretical Schumacher's references are Christopher Alexander, Noam Chomsky, Gilles Deleuze, Jacques Derrida, Peter Eisenman, Niklas Luhmann, Ferdinand de Saussure and Alejandro Zaera-Polo. They are architects, philosophers, linguists and sociologists who have no direct involvement with the parametric design.

According to Schumacher (2011, p.45), the architecture advance through the progression of styles with a theoretical articulation. Styles are essentially based on working conditions, material and technological constraints, which cannot be reduced to their formal characteristics, as they define aesthetic values for architecture, but also the control of the relationship between form and function (Schumacher, 2011, p.254-8). The value of innovation and creativity of a style is "avant-garde" because it condenses, in its practical and speculative development, the propositive conceptual formation and experimental research accumulated by certain techniques (Schumacher, 2011, p.279-282).

The promise of Parametricism is to achieve adaptive variations for different design conditions (Schumacher, 2012, p.649). From this variability condition, the definition of Parametricism implies that "all architectural elements and complexes are parametrically malleable" (Schumacher, 2012, p,654). Schumacher believes that this is a fundamental ontological change from constitution of classic and modern elements - cubes, cylinders, pyramids, etc. - to animated geometric entities - based on splines, NURBS, etc. - generating blobs and other curved surfaces.

The techniques used to control variability are “associative modeling” and “scripting functions” - the ability to establish associations between properties of various elements through generation of codes in programming language and use of algorithms. The new ontology depends on a new medium. Although Parametricism cannot be reduced to use of new digital media, it was inspired by it and remains dependent upon it (Schumacher, 2012, p.605-6).

The style of Parametricism is a set of theoretical principles, techniques, values, methods and goals that are highly dependent on computational advances – that “can only progress via the continuous advancement and appropriation of sophisticated computational techniques” (Schumacher, 2012, p.669). The Parametricism isn't limited to parametric design because it is operational and the decisions that guide the use of parametric potential – a tool with certain function in the theoretical plan proposed by Schumacher - can be applied in other ways even it does not constitute the style agenda.

5. Impressions about the manifest in pragmatic experimentation times

For the purpose of critically presenting some implications of ideas that Schumacher defends as hegemonic, here are three vectors for the debate: 1) the manifesto dissemination strategy; 2) the consistency of the theoretical basis and the proposal of a paradigm for contemporary architecture; 3) the application of the guidelines on project and research proposals.

Schumacher's perspective is based on the state of the current architectural production and resultant of a personal understanding of the world – a certain liberal position. In order to allow other people to take and develop their speculations about Architecture, there arises the necessity to publish the extensive treatise. However, these processes are later performed by Zaha Hadid office and research in AADRL (Architectural Association Design Research Lab). The author seems to justify and validate their current activity, because the impact of projects in mainstream proves to be more effective in disseminating its image than the effect of the subsequent theoretical discourse.

The two volumes have more than one thousand and two hundred pages, something unattractive for foreign readers to the architectural and academic level. Schumacher points out an ideal for architectural system and focus on creation of a manifest as a “communicative signal” that emphasizes beyond aesthetic aspects, which would justify developing a text due to its explanatory ability. Although the attempt to rescue a set of theories in order to framework it points out a distinction of their manifesto on previous, his references take an approach to its technical discussion about the use of parametric design.

The discussion cannot be reduced to a matter of taste, but that this perspective becomes global. This brings us to the problem of normativity, or who decides the objectives of a new style and whose interest to be established. Schumacher seems to combine his critical role to trends that are dictated by constructive means that values acquisition of the signature from a "stararchitects". The strategy of textual dissemination by architects and their reference works - an appropriate position for Schumacher - exposes the state of relevance and communication of contemporary production processes. This remains in dominance of large formal agents in the official architectural scene. The determinism of the author's position would be a rhetorical inspiration to reach a large index of reproduction of their work, emerging after years of experimentation and performance.

The heuristic of formal and functional principles of Parametricism does not go forward to achieve a single result in which other styles in contemporary architecture cannot establish. But it reinforces the use of complex geometries - subject not exclusively belonging to a parametric process. The agendas advance towards a specificity for style, contributing to their understanding by the lay reader. Parametricism does not define a style based on parametric design, but on a continuous form, in the fluid appearance and curvilinearity that integrates and organizes spaces, only enhanced by the use of parametrization.

Even manifesting certain anachronism, Schumacher defends a unified style - as in Modernism - arguing that the Parametricism absorbs the propositions of other styles to forge them into new affiliations networks (Schumacher, 2012, p.648). The hybrid capacity of Parametricism - associating processes, formal principles and theories - seems to ably suit any architectural expression and absorb it to one’s style; by presenting a broad content which even does not prevent the emergence of plural projects.

There is always the danger in emerging tendency to homogenization and architectural universality, denying the coexistence of styles through a more critical position - despite an impositive vision not be the intention of Schumacher. The Parametricism is a response to representation of contemporary world, which considers the organization of social complexity and fluidity of their relations as elements for a global representation that is translated as a specifically language associated with the style.

Davis (2010) criticizes Schumacher’s use of Parametricism term, because there is already a specific vocabulary with different meanings in digital architecture, and its theory uses indiscriminately descriptions from different digital fields. Although Schumacher identify it as a global style, a few built examples are found beyond Zaha Hadid’s office. He argues that the office's work cannot be considered parametric in its entirety, because it uses the computer in traditional processes of top-down design to maintain stylistic consistency, only varying the complex form. That is, if the parametric design is able to realize so many external and internal variables to the object, the variability of the project was already guaranteed through a process that computes this data without being tied to a predetermined style and theoretically guarantee. However, Schumacher appropriates an idea of complexity that does not privilege the emergence, so the emphasis in developing projects by bottom-up processes is not the main focus of his work.

Owen Moss (2011) points out that Schumacher appropriated the parametric hypothesis, built and cataloged it by denying critical plausible opposition, besides his appeal to Zaha Hadid’s work be of personal nature and not critical. The fact that the parametric theme has become acceptable and desired, with a special interest to students, it does not mean that it obtained credence as a measure of architectural content.

In projects involving the principles of Parametricism, we can mention the Kartal Masterplan (Istanbul, Turkey) 2006 and the Guangzhou Opera House (Guangzhou, China) 2003-2010. The first is an unbuilt project that articulates a script, generating different typologies in response to various demands. Parametrically adapting an interconnected network of spaces with existent urban context6. The second articulates in an architectural project curvinlinearity and fluidity material dynamic effect. Creating a monolithic form, surfaces and continuous spaces in which parametrization were used to form the triangular patterns of structure and coatings, instead of organizing the program7. The former applies more properly in both the ideal of style as process variability, and the latter captures the style but leaves in the background the potentiality of the process to sign a built icon.

The working guidelines developed in AADRL perform research of virtual experiments and materials from the heuristic and parametric ontology of Parametricism, where one can see a large potential of exploration with dynamic and malleable shapes incorporating responsive variation of resolving problems8. It seems like as the uncompromising operation becomes the motivation, Parametricism shown capable of bringing the practice to his ideals.

Coming back to the question: "What happened to the architectural manifesto?" it is clear that is not dead, however, it serves other purposes without the same ideological force. The Parametricism runs the risk of being just another "-ism" discredited in the history of Architecture if in the future a number of agents are not able to conduct their premises to an effective level that will develop the design process related to the parametric potential, associating the spatial and programmatic organization on projects that go beyond the style.

References

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1 Alberti's "De re aedificatoria", Durand's "Précis des leçons d'architecture", Le Corbusier's "Vers une architecture" and his "The autopoiesis of architectue".

2 Such as the Renaissance, Baroque, Neoclassicism, Modernism and now the Parametricism.

3 The DRL is a design course based on a teaching studio of advanced architectural project, founded in 1996 with Brett Stelle. [http://drl.aaschool.ac.uk/]

4 In 1988, he joined architect Zaha Hadid, later becoming one of the office directors.

5 In the latter volume, Schumacher extends to 7 agendas, adding "parametric semiology" - the importance of semantic dimension to architecture, and "parametric ecology" - ecological challenges as an opportunity to develop morphological adaptations from the environment parameters.

8 Video: "PARAMETRICISM" by Patrik Schumacher - Zaha Hadid Architects – AADRL. https://youtu.be/yVJPeo_Vc5c