Ações culturais e meios digitais

Marcelo Tramontano, João Paulo Soares, Luciana Roça e Priscilla Marchetto

Marcelo Tramontano é arquiteto, Doutor e Livre-docente em Arquitetura, Professor Associado na Universidade de São Paulo e coordena o Nomads.usp.

João Paulo Soares é arquiteto e pesquisador do Nomads.usp. Pesquisa processo de criação em arquitetura e design sob o olhar da teoria de sistemas, com ênfase na utilização de meio digitais através de software paramétricos.

Luciana Santos Roça é bacharel em Imagem e Som e pesquisadora do Nomads.usp. Pesquisa a utilização de interfaces sonoras em espaços urbanos, procurando integrar os campos disciplinares de Estudos de Som e de Arquitetura.

Priscilla Marchetto é arquiteta e pesquisadora do Nomads.usp. Pesquisa a diversidade de modos de vida e a coexistência em instâncias híbridas em processos comunicacionais estruturados por meios digitais, sob um olhar viesado por estudos da Antropologia.


Como citar esse texto: TRAMONTANO, M., SOARES, J.P., ROÇA, L., MARCHETTO, P. Ações Culturais e Meios Digitais. V!RUS, São Carlos, n. 7, julho 2012. Disponível em: <http://www.nomads.usp.br/virus/virus07/?sec=1&item=1&lang=pt>. Acesso em: 09 Mai. 2021.



Já desde há alguns anos que várias pesquisas do Nomads.usp, o Núcleo de Estudo de Habitares Interativos da Universidade de São Paulo, que edita a V!RUS, têm se preocupado em explorar a aplicação de meios digitais na concepção e uso de objetos e espaços do quotidiano. Quer-se, assim, tornar visíveis ou mesmo estimular o surgimento de relações pouco perceptíveis na realidade concreta, e nem por isso menos importantes. Ampliando essa ideia, o Núcleo tem, mais recentemente, buscado verificar possibilidades de uso de meios digitais na valorização da diversidade cultural de populações de um mesmo bairro, de uma cidade, do país ou mesmo entre populações de diferentes países, através das ações culturais propostas pelo projeto de pesquisa em políticas públicas Territórios Híbridos <www.nomads.usp.br/territorios.hibridos>.

É especialmente por essa razão que, nessa sétima edição da revista V!RUS, decidimos aprofundar a reflexão sobre o tema, buscando interlocução com pessoas externas ao Nomads.usp. O crivo editorial preferiu apresentar mais do que modos operacionais dessas práticas, procurando enfocar seus processos e seu papel de estimulador de reflexões de pessoas e comunidades. Ganhando relevância em termos culturais e sociais, os meios digitais revelam-se estruturadores em muitos casos, podendo contribuir para os objetivos de transformação social das políticas culturais de Estado.

Como em todas as edições da V!RUS, buscamos justapor abordagens variadas sobre o tema proposto. Assim, na seção Artigos Convidados, duas colaborações apresentam considerações sobre questões culturais importantes, e paralelos com a utilização de meios digitais. Primeiramente, viesado por um olhar plural e multifacetado sobre possibilidades de ações de cunho cultural relacionadas a questões sociais, Gesche Joost e Tom Bieling, pesquisadores no Design Research Lab da Universidade de Artes de Berlim, trabalham o design como atividade capaz de propiciar alterações na esfera social, discutindo a ação da criação em design com seu artigo Design contra a normalidade. Na mesma seção, o texto de Georges Teyssot discute o uso de diagramas como ferramentas nos processos de criação em design e arquitetura.

Na seção entrevista, Fred Paulino e Lucas Mafra, integrantes do Coletivo Gambiologia, de Belo Horizonte, tratam do uso de meios digitais inspirando-se na tradição brasileira da gambiarra e do improviso, discutindo alguns dos conceitos que respaldam as atividades do grupo, como a noção de indeterminismo e a utilização de elementos da cultura de rua na produção de arte e design.

Os artigos da seção Submetidos, propositalmente menos numerosos a partir dessa edição, costumam apresentar posturas diversificadas sobre o tema da edição. Santiago Cao aborda relações entre corpo e performance no contexto dos meios digitais através da obra Espacios [In]Seguros, apresentando um interessante percurso teórico acerca de entendimentos sobre espaços, performance e corpo. Ultrapassando o caráter de registro da fotografia, Carolina Moreira de Hollanda discorre sobre a sua utilização na compreensão de situações urbanas peculiares, empregando a imagem como suporte técnico investigativo.

Também trabalhando a efervescência e a diversidade cultural de centros urbanos como possibilidades investigativas, Hannah le Roux, Nonthokozo Mhlungu e Stephen Hoffe trazem uma leitura instigante e nada convencional de aspectos culturais de uma região da cidade de Johanesburgo, na África do Sul, a partir de procedimentos que fogem de métodos clássicos. O artigo apresenta questões culturais locais, utilizando a moda e as narrativas dos comic books como chaves de leitura para entender aspectos da dimensão cultural das regiões pesquisadas.

No contexto brasileiro, Alex Garcia, Heloisa Neves e Paulo Eduardo Fonseca escrevem sobre a primeira oficina de fabricação digital voltada para crianças, no Brasil, com o projeto Fab Lab Kids vinculado ao laboratório internacional Fab Lab do MIT – Massachusetts Institute of Technology. O texto apresenta a oficina realizada na cidade de Guarulhos, com seu desenvolvimento como atividade de cunho cultural utilizando tecnologias digitais de desenho e fabricação em design.

Fechando a seção de artigos submetidos, Graziele Lautenschlaeger, Rita Wu e Daniela Kutschat apresentam a instalação interativa “De Novo, Ercília”, montada pela primeira vez na Mostra LabMis 2011, como uma possibilidade de se entender questões urbanas, como sua cultura, população e lógicas de organização através de elementos interativos baseados em meios digitais.

Além de artigos com caráter estritamente acadêmico, a revista V!RUS busca explorar o tema de cada edição através de formatos textuais livres, na seção Tapete. Nela, Diego Pimentel traz uma breve discussão sobre interfaces digitais e sua utilização como meio de comunicação. Christoph Walther apresenta o projeto WeSea, através de um texto construído colaborativamente com outros membros da coordenação do projeto. O WeSea enfoca a recuperação da região do mar Báltico a partir da constituição de uma rede de comunicação e trocas cujo objetivo é criar uma estrutura para o encontro de indivíduos, estimulando a colaboratividade e a implementação de projetos culturais na região.

Ainda na seção Tapete, o texto Trans(formações) de Ricardo Rodrigues e Maithe Bertolini apresenta brevemente a história do festival multimídia colaborativo Contato, realizado anualmente desde 2007 na cidade de São Carlos, SP. A organização colaborativa do festival procura trazer gratuitamente à cidade artistas independentes, da música à arte multimídia. Também no âmbito da colaboratividade, Mariana Felippe e Val Rocha apresentam uma integração de instâncias virtuais e concretas através do jogo, em práticas do Instituto Elos. O texto de Djalma Ribeiro Junior lança um olhar sobre a utilização dos meios digitais na construção e divulgação de produções audiovisuais e explora de maneira crítica como tais produções podem ser postas a serviço da educação e da comunicação, em diferentes contextos culturais.

Segundo um dos objetivos da revista V!RUS que é o de expor à leitura e ao questionamento, na seção Artigo Nomads, resultados de pesquisa do Nomads.usp, Daniel Paschoalin e Anja Pratschke revisitam o conceito de diálogo e de aspectos da teoria da Conversação relacionando-os com ações culturais que se utilizam de meios digitais como elemento estruturador.

Karla Brunet na seção Projetos discute um modelo descentralizado de redes de cultura P2P, identificando o P2P como um modelo de intercâmbio, cooperação e recriação coletiva. Para isso, Karla Brunet basea-se no exemplo da rede Submidialogia, que tem como base a descentralização dos conteúdos e procurando um equilíbrio entre a teoria e a prática.

Na seção Resenha, excepcionalmente também de autoria de uma pesquisadora do Nomads.usp, o texto de Luciana Santos Roça apresenta um panorama sobre algumas intervenções sonoras híbridas – dotadas de instâncias concretas e virtuais – que visam fazer emergir aspectos espaciais pouco visíveis.

Finalmente, notaremos que as imagens que se alternam no fundo da página inicial da revista, na seção Sumário, exibem instantâneos de ações culturais que o Nomads.usp vem realizando utilizando meios digitais diversos, no projeto de políticas públicas Territórios Híbridos. As imagens também são fundo das diferentes seções da edição, e podem ser apreciadas no ensaio abaixo.

Desejamos a todas e a todos excelente leitura!

Figura 01: Crianças utilizando tablet em ação do projeto Territórios Híbridos. (Fonte: banco de dados Nomads.usp, 2012)

Figura 02: Ação Fotos, inauguração da exposição Cenas Urbanas, em São Carlos. A ação fotos aproximou olhares de Uberaba-MG e Rio Branco-AC e sua inauguração aconteceu simultaneamente nessas cidades, integradas através de livestream. (Fonte: banco de dados Nomads.usp, 2012).

Figura 03: Ação Diálogos Culturais em Lünenburg, Alemanha, banda Parashurama tocando em livestream com São Carlos, Brasil.(Fonte: banco de dados Nomads.usp, 2012)

Figura 04: Pessoas na praça durante o CDHU Cultura Fest, parte do projeto Territórios Híbridos. O CDHU Cultura Fest promoveu ações de graffiti digital e também promoveu uma apresentação remota entre grupos SubLoco Coletividade e Malditas Ovelhas, dentre outras atividades. (Fonte: banco de dados Nomads.usp, 2012)

Figura 05: Ação Graffiti Digital, realizada em 2011 no Instituto de Arquitetura e Urbanismo, promovendo atividades de graffiti digital por tablets e laser pointers, além de promover comunicação remota entre o evento de São Carlos-SP e de Belo Horizonte-MG. (Fonte: banco de dados Nomads.usp, 2011)

Figura 06: Ação Diálogos Culturais, na Alemanha. A ação procurou realizar um diálogo sonoro por livestreaming entre os grupos Aquarpa (em São Carlos, Brasil) e Parashurama (em Lüneburg, Alemanha). (Fonte: banco de dados Nomads.usp, 2011)

Figura 07: Projeção de graffiti digital por tablet realizada por graffiteiros. Palco do Grito Rock, em parceria com o Fora do Eixo e a Prefeitura Municipal de São Carlos. São Carlos, Brasil. (Fonte: banco de dados Nomads.usp, 2012)

Figura 08: Membro do Fora do Eixo, com a projeção de comentários do público do Grito Rock ao fundo. (Fonte: banco de dados Nomads.usp, 2012)

Figura 09: Ação Conjuntos no Instituto Pombas Urbanas. Cidade Tiradentes, conjunto habitacional de São Paulo, Brasil. (Fonte: banco de dados Nomads.usp, 2011)

Figura 10: Ação Fotos, inauguração da exposição Cenas Urbanas, em São Carlos. Projeção de comentários do público, livestream de Uberaba-MG e Rio Branco-AC, e fotos. (Fonte: banco de dados Nomads.usp, 2012)

Figura 11: Ação Diálogos Culturais em Lünenburg, Alemanha, banda Parashurama e organização se preparando para o livestream com São Carlos, Brasil. (Fonte: banco de dados Nomads.usp, 2011)

Cultural actions and digital media

Marcelo Tramontano, João Paulo Soares, Luciana Roça and Priscilla Marchetto

Marcelo Tramontano is architect, PhD in Architecture, Associate Professor at the University of Sao Paulo and Nomads.usp’s coordinator.

João Paulo Soares is architect and researcher at Nomads.usp. He researches about design process in architecture and design under the system theory view, with emphasis on the use of digital media through parametric software.

Luciana Santos Roça holds a BA degree in Audiovisual and is researcher at Nomads.usp. She researches about the use of sound interfaces in urban spaces, seeking to integrate Sound Studies and Architecture disciplinary fields.

Priscilla Marchetto is architect and researcher at Nomads.usp. She pursues research in ways of living diversity, addressing the coexistence in hybrid instances issue from communication processes using digital media, under a biased gaze by Antropology studies.


How to quote this text: Tramontano, M., Soares, J.P., Roça, L., Marchetto, P. 2012. Cultural Actions and Digital Media. Translated from portuguese by Marcelo Tramontano and Fabio Queiroz. V!RUS, n. 7. [online] Available at: <http://www.nomads.usp.br/virus/virus07/?sec=1&item=1&lang=en>. [Accessed: 09 May 2021].



For several years now, some researches of Nomads.usp, the Centre for Study of Interactive Living, University of Sao Paulo, which publishes V!RUS, have been caring about exploring the application of digital media on the design and the use of daily life objects and places. They want to make visible or even encourage the emergence of relations in the reality otherweise barely noticeable, and not less important. Extending this idea, the Center has more recently sought to determine possible uses of digital media in enhancing cultural diversity of populations within a same district, a city, country or even among populations of different countries, through the cultural actions proposed by the Hybrid Territories Project, a research project in Public Policies <www.nomads.usp.br/territorios.hibridos>.

Especially for that reason, for this seventh edition of V!RUS we decided to deepen the reflection on the subject, seeking dialogue with people from outside the Centre. The editorial review preferred to present more than operational modes of these practices, sought to focus on processes and their role of stimulating thoughts of people and communities. By gaining importance in cultural and social terms, digital media can become structural and contribute to the goals of social transformation of the cultural policies of State.

As in every issue of V!RUS, we juxtapose different approaches on the proposed topic. Thus, in the Invited Papers section, two contributions present considerations on important cultural issues and parallels with the use of digital media. First, biased by a plural and multifaceted look at the possibility of actions relating to social cultural issues, Gesche Joost and Tom Bieling, researchers at the Design Research Lab at the Berlin University of the Arts, understand design as an activity able to provide changes in the social sphere, in their article Design against Normality. In the same section, the text of Georges Teyssot The Diagram as Abstract Machine discusses the use of diagrams as tools in the process of creation in design and architecture.

In the interview section, the members of the Collective Gambiologia Fred Paulino and Lucas Mafra, from Belo Horizonte, deal with the use of digital media inspired by the Brazilian tradition of improvisation and workaround, discussing some of the concepts that support their group activities, such as the notion of indeterminism and the use of elements of street culture in producing art and design.

The articles in the Submitted Papers section, intentionally less numerous from this edition, usually present a variety of approaches on the issue's theme. Santiago Cao discusses relations between body and performance within the context of digital media through the work Espacios [In] Seguros, presenting an interesting theoretical course about understandings of spaces, performance and body. Going beyond the photography's character of registration, Carolina Moreira de Hollanda discusses its use in the understanding of peculiar urban situations, using the image as a research technical support.

Also addressing the effervescence and cultural diversity of urban centers as exploratory possibilities, Hannah le Roux, Nonthokozo Mhlungu and Stephen Hoffe carry a challenging and rather unconventional reading of cultural aspects in a particular area of Johannesburg, South Africa, from procedures that are beyond traditional methods. The paper presents local cultural issues using the fashion and comics narratives as keys for understanding aspects of cultural dimension in the surveyed areas.

In the Brazilian context, Alex Garcia, Heloisa Neves and Paulo Eduardo Fonseca write on the first workshop on digital fabrication aimed at children in Brazil, with the Fab Lab Kids Project, linked to the international laboratory Fab Lab at MIT - Massachusetts Institute of Technology. The text presents the workshop held in the city of Guarulhos, developed as a cultural activity using digital technologies for drawing and manufacturing in design.

Closing the section of Submitted papers, Graziele Lautenschlaeger, Rita Wu and Daniel Kutschat present the interactive installation “De Novo, Ercília”, first assembled in LabMis Exhibition 2011 as a possibility for understanding urban issues such as culture, population and organization logics through interactive elements based on digital media.

In addition to strictly academic papers, V!RUS seeks exploring each issue’s theme through free format texts, in the Carpet session. Therein, Diego Pimentel brings a brief discussion on digital interfaces and their use as a media. Christoph Walther presents the WeSea project, through a text collaboratively written with other project coordinators. WeSea focuses on the recovery of Baltic Sea region, based on the establishment of a communication and exchange network aimed at creating a structure to bring people together, stimulating collaborativeness and the implementation of cultural projects in this region.

Also in the Carpet section, the text Trans(formations) by Ricardo Rodrigues and Maithe Bertolini briefly presents the history of the collaborative multimedia festival Contato, held every year since 2007 in the city of São Carlos. The festival’s collaborative organization seeks bringing to the city, for free, independent artists from music to multimedia art. Still within the scope of collaborativeness, Mariana Felippe and Val Rocha present an integration of virtual and concrete instances through play, in the practices of Elos Institute.

The text by Djalma Ribeiro Junior looks at the use of digital media in the construction and dissemination of audiovisual productions, critically exploring how these productions can be put into service to education and communication in different cultural contexts.

According to the V!RUS objective of exposing results of Nomads.usp researches to readings and questionings, in the Nomads Papers session, Daniel Paschoalin and Anja Pratschke revisit the conception of dialogue and aspects of the Conversation Theory, putting it in relation to cultural actions that use digital media as an structuring element.

Karla Brunet in the Projects section discusses a descentralized model of culture network through P2P, identifying the P2P as a model of collective exchange, cooperation and recreation. Thus, Karla Brunet takes as an example the Submidialogia network, which has as base the decentralization of the contents also looking for a balance between theory and practice.

In the Review section, exceptionally also written by a Nomads.usp researcher, Luciana Santos Roça presents a panorama over some hybrid sound interventions – endowed with concrete and virtual instances – intended to emphasizing less visible spatial features.

At last, we note the images alternating in the journal main page’s background, in the Summary session. They show instants of cultural actions Nomads.usp has been carrying, using diverse digital media, within the Hybrid Territories Project for public policies <www.nomads.usp.br/territorios.hibridos>. The images can also be seen in the sessions' background in this issue, and can be appreciated altogether in the essay bellow.

We wish you an excellent reading!

Figure 01: Children using tablet during action of Hybrid Territories project. (Source: Nomads.usp database, 2012)

Figure 02: Photos cultural action, opening of Urban Scenes exhibition, at São Carlos. The photos cultural action brought together the looks of Uberaba (Minas Gerais State) and Rio Branco (Acre State) and its opening happened simultaneously at these cities, integrated through livestream. (Source: Nomads.usp database, 2012)

Figure 03: Intercultural Dialogues at Lünenburg, Germany, the Parashurama band playing in livestreaming with São Carlos, Brazil. (Source: Nomads.usp database, 2012)

Figure 04: People in the square, during the CDHU Cultura Fest, part of Hybrid Territories Project. The CDHU Cultura Fest promoted digital graffiti actions and also a remote presentation between the musical groups SubLoco Coletividade and Malditas Ovelhas, among other activities. (Source: Nomads.usp database, 2012)

Figure 05: Digital Graffiti cultural action, which happened in 2011 at the Architecture and Urbanism Institute, University of São Paulo, promoting digital graffiti activities using tablets and laserpointers, in addition to promote remote communication between São Carlos (São Paulo State) and Belo Horizonte (Minas Gerais State). (Source: Nomads.usp database, 2011)

Figure 06: Intercultural Dialogues cultural action in Germany. The cultural action seeked to promote a dialogue through sound, using livestreaming, between the musical groups Aquarpa (at São Carlos, Brazil) and Parashurama (at Lüneburg, Germany). (Source: Nomads.usp database, 2011)

Figure 07: Digital graffiti’s project using tablet, made by graffiti artists. Grito Rock Stage, in a partnership with Fora do Eixo and the São Carlos City Hall. São Carlos, Brazil. (Source: Nomads.usp database, 2012)

Figure 08: Fora do Eixo’s member, and the projection of audience’s comments during Grito Rock in the background. (Source: Nomads.usp database, 2012)

Figure 09: Sets cultural action at the Pombas Urbanas Institute. Cidade Tiradentes, social housing at São Paulo, Brazil. (Source: Nomads.usp database, 2012)

Figure 10: Photos cultural action, oppening of the exhibition Urban Scenes, at São Carlos. Projection of audience comment’s, Uberaba (MG) and Rio Branco (AC) livestreaming and photos. (Source: Nomads.usp database, 2012)

Figure 11: Intercultural Dialogues at Lünenburg, Germany, the Parashurama band and the event’s organization warming up for the livestreaming with São Carlos, Brazil. (Source: Nomads.usp database, 2012)