Fazendo surgir o invisível: janelas sonoras em espaços urbanos

Luciana Santos Roça

Luciana Santos Roça é bacharel em Imagem e Som e pesquisadora do Nomads.usp, Universidade de São Paulo. Pesquisa a utilização de interfaces sonoras em espaços urbanos, procurando integrar os campos disciplinares de Estudos de Som e de Arquitetura.


Como citar esse texto: ROÇA, L. Fazendo surgir o invisível: janelas sonoras em espaços urbanos. V!RUS, São Carlos, n. 7, julho 2011. Disponível em: <http://www.nomads.usp.br/virus/virus07/?sec=8&item=1&lang=pt>. Acesso em: 23 Jul. 2017.


Resumo

O presente texto visa realizar um breve panorama de intervenções sonoras que fazem emergir elementos não tão perceptíveis do espaço, muitas vezes relacionados à sua história, fluxo ou significação. Dessa maneira, tendo como exemplo tais intervenções, procura-se discutir o uso do som mediado por interfaces sonoras como um meio de expressão, que podem agregar outros significados a esse espaço. O texto é parte de uma pesquisa financiada pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo.

Palavras-chave: interfaces sonoras; meios digitais; som; arte pública.


Se o som do cotidiano urbano for considerado uma parede sonora, na qual os elementos do entorno sonoro acústico se acumulam em quantidade e volume de maneira intensa, colocando a perspectiva sonora em detrimento, as interfaces sonoras podem criar janelas. Essas janelas fazem emergir aspectos que antes podem não ser perceptíveis, possibilitando o ouvinte a ver através dessa parede. Seja através de uma escuta individualizada, através de fones de ouvido a fim de ouvir determinada música, ou através de escuta coletiva, essas janelas possibilitam outros olhares sobre o entorno em que se está. Interfaces sonoras possibilitam que determinado som não esteja mais contido em determinado espaço-tempo, podendo transcender o entorno sonoro acústico, não mediado. Além disso, possibilitam criação, geração e síntese de sons que não pertencem a determinado espaço físico e concreto.

Criação, simulação, síntese, edição, mixagem, dentre outros processos, possibilitam criação de espaços sonoros virtuais, instância virtual que se relaciona intrinsecamente com o espaço concreto. Sob esse ponto de vista, criam-se condições para emergir outros modos de escuta, comunicação, bem como diferentes possibilidades de expressões e práticas sonoras.

O uso de meios digitais associados ao contexto das variadas artes sonoras, difíceis de determinar dentre as variadas categorias existentes, fortalecem as possibilidades de intervenções sonoras em espaços urbanos. Diferentes metodologias e modos de intervir sonoramente no espaço urbano são possibilitadas. Seja através de dispositivos móveis, sistemas de interação ou mesmo relocações sonoras através da reprodução, essas formas de intervenção agregam informações ou atribuem outras formas de expressão musical e artística. Aqui são consideradas intervenções sonoras aquelas que alteram, ou estimulam a alteração, do entorno sonoro cotidiano preexistente. Elas fazem emergir formas de expressão cultural, seja do grupo ou artista, seja propiciando e criando canais para o público se expressar.

Aproveitando de características do próprio espaço urbano, há também possibilidades desses trabalhos estarem disponíveis a um número maior de pessoas, que não buscam necessariamente fruição artística, por não estarem em locais destinados à instalação e sim no local de passagem de seu cotidiano. Dentro desse aspecto, as intervenções urbanas não estão restritas ao espaço fechado da instalação, oferecendo um novo modo de sensibilização do espaço urbano e de seu valor agregado: no nosso caso, o som.

Com isso, faz-se um breve panorama sobre cinco intervenções sonoras urbanas: Evoke; Le chant des Sirènes; Mayo, Los sonidos de la plaza; Trasition Soudings e Voz Alta.

Evoke; Usman Haque. 2007.1

Figura 1. Cathedral de York iluminada por projeção em Evoke. Fonte: <http://www.haque.co.uk/evoke/source/dsc_2299.html>

Evoke foi uma intervenção audiovisual que se deu em York, Inglaterra. Nessa intervenção, a Catedral de York é iluminada por uma projeção, que por sua vez é suscetível aos sons ao redor. Através das vozes, captadas por microfone, percebe-se a possibilidade de alterar as imagens projetadas. Estimuladas por esse output visual, as pessoas começam a gritar e cantar para que a fachada da catedral fosse modificada pela projeção2 . Dessa forma o que antes era considerado estático, o prédio construído, é alterado por aspectos passageiros, como luz e som, ocasionando em diálogos entre estático e efêmero. Nesse sistema pode-se observar uma relação de interdependência entre instâncias visuais e sonoras e o público, onde o público é incentivado a participar sonoramente pela imagem, criando um ciclo. Há um caráter responsivo entre som e imagem: se a projeção não correspondesse à expectativa, o público não estaria cantando ou gritando em frente à catedral. A dificuldade em representar um espaço sonoro se dá por sermos muito atrelados à visão, e na intervenção Evoke o output visual traz à tona a importância do entorno sonoro, principalmente o que nós mesmos criamos.

<http://www.youtube.com/watch?v=ZooZYrs28CE >

Vídeo 1: Vídeo de Usman Haque sobre Evoke. Fonte: haquedesignresearch, Youtube.

A projeção sendo alterada pelo entorno sonoro, também reflete a questão do som como elemento reconfigurável do espaço. Essa reconfiguração através de meios digitais também reflete-se no argumento de Usman Haque (2004, p.1) de que a ”tecnologia é usada para promover interações entre pessoas, e entre pessoas e seus espaços”.

Le chant des Sirènes; Cláudio Bueno. 2011.34

Figura 2. Segundo ensaio das cantoras para Le chant des Sirènes, no porto de Québec. Fonte: site de Cláudio Bueno <http://invisibleplaces.tumblr.com/post/11319763106/second-essay-port-of-quebec>

Um canto cuja fonte é invisível, porém acessível por celular. Como um monumento sonoro invisível, é possível ouvir uma canção melodiosa que convida o ouvinte a mergulhar nas margens do rio Saint Laurent, em Québec, através de um aplicativo para celular com suporte de GPS. A canção é inspirada nas mulheres que tiveram seus maridos mortos na guerra como também, principalmente, a história de oito mulheres que morreram em uma embarcação indo à guerra. Le chant des Sirènes produz um outro olhar sobre o rio, além de ser uma forma poética de contar estórias através de meios digitais, de um modo próprio das mídias locativas. O som não se encontra fisicamente em nenhum espaço, ainda assim traz uma forma de monumento sonoro que agrega valores e demonstra outras perpectivas que podem ser trazidas pelos meios digitais.

Le Chant des Sirènes from Claudio Bueno on Vimeo.

Vídeo 2: Vídeo De Cláudio Bueno realizado para Le Chant des Sirènes. Fonte: Cláudio Bueno, Vimeo

O contraste temporal em Le chant des Sirènes é colocado não somente pela relação com o projeto e sua inspiração histórica, que não é óbvia para o ouvinte que desconhece o projeto. Há um contraste entre o meio digital e o canto das “sereias”: as sereias se mostram presentes somente pelo som, através do celular. É possível também encontrar características atemporais e atópicas, pois este uso do celular quebra conexões com a fonte sonora original e sua referência. O canto associado à referência da margem do rio denota uma relação entre os dois, fazendo coligação entre esses dois elementos. E o canto que não se encontra em nenhum espaço, é trazido ao rio novamente pelo ouvinte através do uso do celular.

Mayo, Los Sonidos de la Plaza; Buenos Aires Sonora. 2003 e 2006.5

Figura 3. Plaza de Mayo durante a intervenção Mayo, Los sonidos de la Plaza. Fonte: Buenosairessonora, <http://www.buenosairessonora.com.ar/performances-mayo.html>

A Plaza de Mayo está localizada em frente à Casa Rosada, sede do governo federal da Argentina. A praça é carregada de significados históricos e políticos, que não transparecem imediatamente em um simples olhar. Bombas, marchas, protestos: vários acontecimentos históricos de variadas épocas marcam a praça. O grupo Buenos Aires Sonora promoveu uma intervenção sonora que possibilitou um resgate da memória da praça, com efeitos sonoros, gritos, leituras, transmissões de rádio que um dia marcaram o período histórico inscrito nesse lugar, e por consequência, as pessoas. Com o recorte temporal de 1945 a 2001, a composição dos sons não possui somente aspecto documental ou pedagógico, mas principalmente artístico. As vozes sem corpo emitidas na praça proporcionam ao ouvinte uma escuta acusmática, que não possui correspondência visual direta. Além dos registros sonoros, também foram inseridos na composição aspectos que remetem à música eletroacústica.

Figura 4. Equipamentos de som na Plaza de Mayo. Fonte: Buenosairessonora, Blogspot, <http://buenosairessonora.blogspot.com.br/2006/04/fotos-de-mayo-los-sonidos-de-la-plaza.html>

Pelas técnicas de gravação, edição e reprodução de sons, “Mayo, Los Sonidos de la Plaza” fez um recorte espaço-temporal através do som, demonstrando a história artísticamente através de sons. A reprodução confere uma relocação sonora, que justapõe o áudio da composição, um espaço sonoro virtual, com o entorno sonoro acústico. Como a composição dialoga com acontecimentos específicos da Praça de Maio, além de ser composta e planejada acusticamente para atender às características físicas desse local, a intervenção pode ser considerada como sendo site specific. Com auxílio da espacialização dada pelos canais de som espalhados pela praça há efeito de imersão, uma janela sonora aberta com vista ao passado. Um trecho da composição é possível de ser ouvido no blog do Buenos Aires Sonora6

Transition Soundings; David Birchfield, David Lorig, Kelly Phillips, Assegid Kidané. 2005.7

Figura 5. Transition Soundings em Tempe, Arizona, EUA. Fonte: banco de dados de Transition Soundings, <hhttp://ame2.asu.edu/faculty/dab/portfolio/installations/transoundings/images/onsite_gallery/pages/page_4.html>

1Disponível em: <http://www.haque.co.uk/evoke.php>. Acesso em 20 jan. 2012.

2 Disponível em: <http://www.youtube.com/watch?feature=player_embedded&v=ZooZYrs28CE >. Acesso em 20 jan. 2012.

3Disponível em: <http://invisibleplaces.tumblr.com/archive >. Acesso em 25 mai. 2012.

4 Disponível em: <http://vimeo.com/30913146 >. Acesso em 25 mai. 2012.

5 Disponível em: <http://www.buenosairessonora.com.ar/making-plaza.html >. Acesso em 24 mai. 2012.

6 Disponível em: <http://buenosairessonora.blogspot.com.br/2005/02/sobre-mayo-los-sonidos-de-la-plaza.html>. Acesso em 24 mai. 2012.

7 Disponível em: <http://ame2.asu.edu/faculty/dab/transitionsoundings.php >. Acesso em 12 mai. 2012.

Tempe, Arizona, EUA. Um ponto de ônibus começa a receber usuários do transporte público, que percebem que uma placa instalada começa a responder sonoramente a seus movimentos. A placa estilizada como um mapa na verdade possui sensores de movimento, alimentados por células de energia solar. Transition Soudings é parte de um projeto intitulado “Artist Adorned Transit Stops”, e possui inspiração da forma e função das redes de trânsito e pensada em circunstâncias do site-specific (BIRCHFIELD et al., 2006). O som, como um aspecto inusitado no ponto de ônibus, torna-se um motivo de interação entre as pessoas e a peça. Foram tomadas preocupações com vandalismo, condições climáticas e manutenção, o que influencia no design e na escolha da energia solar como fonte de alimentação. Transition Soundings permite a utilização por mais de uma pessoa, além de também permitir determinada variedade de sons a serem reproduzidos, conversando com os gestos em intensidade e qualidade dos movimentos. É um aspecto interessante nesse trabalho a consideração dos níveis sonoros ambientais do local, para que os sons emitidos pela placa não fossem considerados como uma perturbação ou fonte de poluição sonora. Ou seja, o som foi planejado para que não se comporte como uma intrusão.

Figura 6. Rede de sensores e de alto-falantes. Fonte: banco de dados Transition Soundings, <http://ame2.asu.edu/faculty/dab/transitionsoundings.php>

Voz Alta; Rafael Lozano-Hemmer8

Figura 7. Voz Alta, 2008. Foto feita por Antimodular Research. Fonte: <http://www.lozano-hemmer.com/voz_alta.php>

Em Tlatelolco, México, vários estudantes foram mortos em um massacre no dia 02 de outubro de 1968. A fim de lembrar essa tragédia após quarenta anos, Rafael Lozano-Hemmer, em parceria com a UNAM (Universidad Autónoma del México), instalou na Praça das Três Culturas um megafone modificado à disposição do público. Segundo vídeo do autor sobre a obra9, houveram falas de protestos, lembranças, inconformismo, além de recitações de poesia e pedidos de casamento. O compartilhamento de ideias se fortalece através do aumento de abrangência da voz, recolocando a praça pública como um lugar de discussões. O público participa dessa obra não somente desse modo: as vozes são transmitidas por transmissão de rádio, pelo canal da UNAM, e as vozes se refletem visualmente em canhões de luz, apontados para diferentes pontos da cidade, repercutindo esse ponto de confluências de ideias até a cidade. As luzes também remetem ao tiroteio que se deu no local durante o massacre de 1968. A transmissão de rádio oferece um caráter de onipresença às vozes, não as deixando limitadas geograficamente. Quando o público não utilizava os megafones, a rádio da UNAM transmitia registros de áudio de 1968, discursos, músicas, entrevistas. Dessa maneira, a memória do registro se encontra com imediaticidade e com o ao vivo, que se manifesta na simultaneidade dos eventos.

***

O ponto de convergência entre essas cinco intervenções sonoras encontra-se em suas relações com seu espaço. Intervenções realizadas em espaços abertos propiciam uma reconfiguração dos elementos sonoros, sendo que o ouvinte pode se apropriar dessa reconfiguração podendo criar outras relações com o que, muitas vezes, era apenas um espaço de passagem. As intervenções não apenas agregam valores ao espaço, como também podem induzir a reflexões sobre ele.

Voz Alta by Rafael Lozano-Hemmer from MUTEK on Vimeo.

Vídeo 3: Vídeo documentário da produção de Voz Alta, descrevendo toda a intervenção. Fonte: Mutek, Vimeo.

Em contraposição à apatia ou à passagem das pessoas, o caráter do inusitado desses modos de recriações e apropriações sonoras abrem uma janela, onde os ouvintes podem observar sonoramente outras paisagens.

Referências

BIRCHFIELD, D. et al. Interactive Public Sound Art: a case study. In: INTERNATIONAL CONFERENCE ON NEW INTERFACES FOR MUSICAL EXPRESSION, 2006, Institut de recherche et coordination acoustique/musique: Paris. Proceedings. Disponível em: < http://recherche.ircam.fr/equipes/temps-reel/nime06/proc/nime2006_043.pdf >. Acesso em: 20 set. 2011.

HAQUE, U. Hardspace, Softspace and the possibilities of open source architecture. Disponível em: <http://www.haque.co.uk/papers/hardsp-softsp-open-so-arch.PDF>. Acesso em: 22 mai. 2010.

8 Disponível em: <http://www.lozano-hemmer.com/voz_alta.php>. Acesso em 27 abr. 2012.

9 Disponível em: <http://vimeo.com/17292454 >. Acesso em 27 abr. 2012.

Bringing forth the unseen: sonic windows in urban spaces

Luciana Santos Roça

Luciana Santos Roça holds a BA degree in Audiovisual and is researcher at Nomads.usp (Centre of Interactive Living Studies), University of Sao Paulo. She researches about the use of sound interfaces in urban spaces, seeking to integrate Sound Studies and Architecture disciplinary fields.


How to quote this text: : Roça, L., 2012. Bringing forth the unseen: sonic windows in urban spaces. Translated from Portuguese by Luciana Santos Roça. V!RUS, n. 7. [online] Available at: <http://www.nomads.usp.br/virus/virus07/?sec=8&item=1&lang=en>. [Accessed: 23 July 2017].


Abstract

This text aims to fullfil a brief overview of sound interventions which emerge not-so-noticed elements of space, many times related to its history, flux or significance. Thus, having as an example these interventions, the use of sound mediated by sound interfaces as a mean of expression that gathers another meaning to the space is discussed. The text is part of a research funded by São Paulo State Agency for Research Funding.

Keywords: sound interfaces; digital media; sound; public art.


If the sound of urban daily life may be considered as a sound wall, in which the acoustic sound environment’s elements accumulate intensely in quantity and volume, leading to the detriment of the sound perspective, the sound interfaces can create windows. These windows cause the emerging of aspects which could not be so noticeable before, allowing the listener to see through this wall. Whether through an individualized listening, by headphones in order to hear determined music, or through collective listening, these windows enable another views on the environment where one is. Sound interfaces enable a certain sound not to be restrained in a given space-time, it can transcend the acoustic sound environment, non-mediated. Also, sound interfaces enables creation, generation and synthesis of sound that does not belong to a determined concrete, physical space.

Creation, simulation, synthesis, edition, mixing, among other processes, allow to originate virtual sound spaces, a virtual instance which connects intrinsically to the concrete space. From this point of view, conditions are created to emerge other ways of listening, communication, as well as different sound expressions and practices.

The use of digital media associated to the context of diverse sound arts, which are difficult to determinate among the many existing categories, strenghten the possibilities of urban space sound interventions. Whether through mobile devices, interaction systems or even sound relocations made by reproduction, these kinds of intervention aggregate informations or attach new manners of musical and artistic expression. Sound interventions here are considered those that change the preexisting daily sound environment, or stimulate the change. It makes cultural expressions emerge, either from the group or artist, or through providing and creating means for audience expression.

Building on characteristics of the urban space itself, there is also the possibility of these works be made available to a larger audience, who are not necessarily searching for artistic fruition because they are not in a locality destined to an art installation, but in a crossing path. Regarding this aspect, the urban interventions are not restricted to the closed space of an art installation, providing new ways of awareness of urban space and its added value: in our matter, the sound.

Regarding to these aspects, a brief overview is made about five urban sound interventions: Evoke; Le chant des Sirènes (The Mermaids Melody); Mayo, Los sonidos de la plaza (May, The sounds of the square); Transition Soundings and Voz Alta (Loud Voice).

Evoke; Usman Haque. 2007.1

Figure 1. York’s Cathedral illuminated by light projection during Evoke. Source: <http://www.haque.co.uk/evoke/source/dsc_2299.html>

Evoke was an audiovisual intervention which took place in York, England. In this intervention, the York’s Cathedral is illumined by a projection which in turn is susceptible to the around sounds. It is noticeable through the miked voices the possibility of alter the projected images. Encouraged by this visual output, people start to shout and sing in order to alter the cathedral facade by the projection2 . Thus, what was once considered static, the constructed building, is changed by the passing elements, i. e. light and sound, resulting in dialogues between static and ephemeral. It can be observed in this system an interdependence relationship among visual and sonic instances and the audience, in which the audience is encouraged to actively participate through sound by the image, establishing a cycle. There is a responsive aspect between the sound and the image: if the projection does not correspond to the expectations, the audience would not be singing or shouting in front of the cathedral.

<http://www.youtube.com/watch?v=ZooZYrs28CE >

Video 1: Usman Haque’s video about Evoke. Fonte: haquedesignresearch, Youtube.

The difficulty in representing a sound space is given by being so tied to the vision, and in Evoke’s intervention the visual output brings out the importance of the sound environment, especially the created by ourselves. This reconfiguration promoted by digital media also is presented in Usman Haque’s argument that “technology is used to provoke interactions between people, and between people and their spaces” (Haque, 2004, pp.1).

Le chant des Sirènes; Cláudio Bueno. 2011.34

Figure 2. singers essay for Le chant des Sirènes, at Québec port. Source: Cláudio Bueno’s website <http://invisibleplaces.tumblr.com/post/11319763106/second-essay-port-of-quebec>

A singing which source is invisible, but acessible by mobile phone. As a sonic invisible monument, it is possible to hear a melodious song that invites the listener to plunge himself into the Saint Laurent river, Québec, through a mobile phone app with GPS. The song is inspired by women who had their husband killed in war as well as, especially, the history of eight women who died in a vessel going to war. Le chant des Sirènes enables different looks about the river, besides being a poetic manner to tell stories using digital media, on a particular way of locative media. The sound cannot be found physically at any space, but it still brings a kind of sound monument that add values and shows other perspectives that can be brought by digital media.

Le Chant des Sirènes from Claudio Bueno on Vimeo.

Video 2: Cláudio Bueno’s video accomplished for Le Chant des Sirènes. Source: Cláudio Bueno, Vimeo.

The time contrast in Le chant des Sirènes is given not only by the project and historical inspiration, which is not obvious to the listener who is not familiar with the project. There is a contrast between the digital media and the “mermaid’s” singing: the mermaids are present only by sound, through the mobile phone. It is also possible to find atemporal and atopic characteristics by this kind of use of mobile phone which breaks connections between the original sound source and its reference. The singing related to the spatial reference of the riverside indicates a relationship between these two elements, making a partnership. And the melody that cannot be found in any space is brought to the river again by the listener through his cell phone.

Mayo, Los Sonidos de la Plaza; Buenos Aires Sonora. 2003 e 2006.5

Figure 3. Plaza de Mayo while the Mayo, los sonidos de la Plaza was happening. Source: Buenosairessonora, <http://www.buenosairessonora.com.ar/performances-mayo.html>

The Plaza de Mayo is located in front of the Casa Rosada, home of the executive branch of the federal government of Argentina. The square is filled with historical and political meanings, which are not apparent immediately at a glance. Bombs, marchs, protests: many historical events of a several periods mark the square. The Buenos Aires Sonora group promoted a sound intervention which enabled a retrieval of the memory contained in the square, with sound effects, screams, readings, radio broadcasts that had before made part of a historical period, and also the people. With a time frame from 1945 to 2001, the sound composition did not had only the documental or pedagogical aspects, but mainly artistic. The voices without bodies sent in the square enables an acousmatic listening, which do not have visual correspondence directly, to the listener. Besides the historical sound records, it was also included eletroacoustic music elements in the composition.

Figure 4. Sound system at Plaza de Mayo. Source: Buenosairessonora, Blogspot, <http://buenosairessonora.blogspot.com.br/2006/04/fotos-de-mayo-los-sonidos-de-la-plaza.html>

By recording, editing and sound reproduction techniques, “Mayo, Los Sonidos de la Plaza” did a space-time frame through sound, demonstrating history in a artistical manner by sounds. The reproduction provides a sound rellocation, where the composition’s audio is juxtaposed, a virtual sound space, with the acoustic sound environment. As the composition dialogues with specific happenings of May’s Square, beyond being composed and acoustically planned to address the local physical characteristics, the intervention may be considered as site specific. Supported by the sound channels spread around the square there was an immersion, a sonic window overlooking the past. A composition’s passage can be heared in Buenos Aires Sonora blog6

Transition Soundings; David Birchfield, David Lorig, Kelly Phillips, Assegid Kidané. 2005.7

Figure 5. Transition Soundings at Tempe, Arizona, USA. Source: Transition Soundings databank, <hhttp://ame2.asu.edu/faculty/dab/portfolio/installations/transoundings/images/onsite_gallery/pages/page_4.html>

1Available at <http://www.haque.co.uk/evoke.php>. [Accessed 20 January 2012].

2 Available at <http://www.youtube.com/watch?feature=player_embedded&v=ZooZYrs28CE >. [Accessed 20 January 2012].

3Available at <http://invisibleplaces.tumblr.com/archive >. [Accessed 25 May 2012].

4 Available at <http://vimeo.com/30913146 >. [Accessed 25 May 2012].

5 Available at <http://www.buenosairessonora.com.ar/making-plaza.html >. [Accessed 24 May 2012].

6 Available at <http://buenosairessonora.blogspot.com.br/2005/02/sobre-mayo-los-sonidos-de-la-plaza.html>. [Accessed 24 May 2012].

7 Available at <http://ame2.asu.edu/faculty/dab/transitionsoundings.php >. [Accessed 12 May 2012].

Tempe, Arizona, USA. A bus stop begins receiving public transport users, who notice that a slab starts a sonorous response to their movements. The slab stylized as a map actually has movement sensors, powered by solar energy cells. Transition Soundings is part of the project “Artist Adorned Transit Stops”, and it is inspired by the transit networks form and function, also elaborated in site-specific circunstances (Birchfield et al., 2006). The sound, as an unusual aspect in the bus stop, becomes a cause for interaction between people and the slab. Concerns about vandalism, weather conditions and maintenance were taken, which influenced the design and the choice of the solar energy as a power source. Transition Soundings allows its use by more than one person, besides allowing certain variety of sounds to be reproduced, responding in quality and intensity to the gestures. The consideration of ambiental sound levels is an interesting aspect in this work, in order that the sounds emitted by the slab would not be considered a discomfiture or a sound pollution source. In other words, the sound was designed for not act like an intrusion.

Figure 6. and speakers network. Source: Transition Soundings databank, <http://ame2.asu.edu/faculty/dab/transitionsoundings.php>

Voz Alta; Rafael Lozano-Hemmer8

Figure 7. Voz Alta, 2008. Photo by Antimodular Research. Source: <http://www.lozano-hemmer.com/voz_alta.php>

At Tlatelolco, Mexico, many students were killed in a massacre on October 2nd 1968. In order to remind this tragedy forty years after, Rafael Lozano-Hemmer, in a partnership with UNAM (Autonomous University of Mexico), installed at Three Cultures Square a modified megaphone for the public. According to the author’s video9, there were protests speeches, remembering, objections, besides poetry recitation and marriage proposals. The sharing of ideas were strengthened by the increased range of voice, placing the square as a meeting place for discussion. In the intervention the audience participates not only in this way: the voices are transmitted by radio broadcast, at the UNAM channel, and the voices are reflected visually by potent streaks of light, pointed to different city spots, reverberating that point of ideas confluence to the city. The lights also refer to the shooting that took place in the 1968 massacre. The radio broadcast offers a onipresent feature to the voices, not letting them geographically limited. When megaphones were not used by audience, the UNAM radio channel broadcasted audio records of 1968 such as speeches, musics, and also interviews. Thus, the memory contained in sound registre meets immediacy and the live, showed in the events simultaneity.

***

The point of convergence among these five sound intervention is in their relationships with their spaces. Open space interventions provide a reconfiguration of sound elements and the listener can take ownership of this reconfiguration and may create another relationships with what many times was only a crossing path before. These interventions not only add value to the space, they also can induce reflections about it.

Voz Alta by Rafael Lozano-Hemmer from MUTEK on Vimeo.

Video 3: Documentary video of the Voz Alta producing, describing the intervention. Source: Mutek, Vimeo.

As opposed to the apathy and people’s passage, the unusual character of these modes of recreation and sound appropriations opens a window, in which listeners can sonically see other landscapes.

References

Birchfield, D. et al, 2006. Interactive Public Sound Art: a case study [online] In: Institut de recherche et coordination acoustique/musique, International Conference on New Interfaces for Musical Expression. Paris, France, 4-8 June 2006. Available at < http://recherche.ircam.fr/equipes/temps-reel/nime06/proc/nime2006_043.pdf >. [Acessed 20 Setembro 2011].

Haque, U. 2004. Hardspace, Softspace and the possibilities of open source architecture [online]. Available at <http://www.haque.co.uk/papers/hardsp-softsp-open-so-arch.PDF>. [Acessed 22 may 2010].

8 Available at <http://www.lozano-hemmer.com/voz_alta.php>. [Accessed 27 April. 2012].

9 Available at <http://vimeo.com/17292454 > [Accessed 27 abr. 2012]