De Novo, Ercília

Graziele Lautenschlaeger, Rita Wu, Daniela Kutschat

Graziele Lautenschlaeger é mestre pelo Departamento de Arquitetura e Urbanismo da Escola de Engenharia de São Carlos/Universidade de São Paulo. Em 2011 foi pesquisadora visitante no Lagear - Laboratório Gráfico para Experimentação Arquitetônica, na Universidade Federal de Minas Gerais - UFMG. Atualmente é animadora cultural do SESCSP.

Rita Wu é arquiteta e atualmente estuda Tecnologia Gráfica. Pesquisadora do grupo DeVIR - ‘Design, Ambiente e Interfaces’, da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo, da Universidade de São Paulo - FAUUSP.

Daniela Kutschat é artista plástica, doutora em Artes. Professora da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo - FAUUSP, e do Centro Universitário Senac. Desenvolve pesquisa e proposições sensoriais e cognitivas a partir do duplo Corpo_Espaço e investiga a aplicação de Tecnologias de Informação e de Comunicação ao Corpo, Objeto, Ambiente e Cidade.


Como citar esse texto: LAUTENSCHLAEGER, G.; WU, R.; KUTSCHAT, D. De novo, Ercília. V!RUS, São Carlos, n. 7, julho 2012. Disponível em: <http://www.nomads.usp.br/virus/virus07/?sec=4&item=5&lang=pt>. Acesso em: 16 Nov. 2018.


Resumo

“De Novo, Ercília” (2012) se constitui como uma instalação interativa sonora que convida o visitante a atravessá-la e experimentar padrões corporais e sonoros por meio da interação com uma estrutura cheia de elásticos. Em “As Cidades Invisíveis”, Italo Calvino nos fala de Ercília, uma cidade onde se estendem fios para designar as relações entre as pessoas e as coisas. De tempos em tempos, Ercília é abandonada e remontada em outro lugar. Dialogando com o sintético tratado de desenvolvimento urbano e da própria existência sugerido pelo autor, “De Novo, Ercília” é um projeto itinerante. E na primeira versão construída, para a Mostra LabMis 2011, Ercília foi a cidade de São Paulo.

Palavras-chave: instalação interativa, interface tangível, paisagem sonora, Cidades Invisíveis, São Paulo.


Figura 1. Imagem de “De novo, Ercília” espontaneamente postada em rede social pelo visitante Nathan Cornes. Fonte: CORNES, 2012.

Introdução

“De Novo, Ercília” (2012) foi concebido e produzido ao longo de 2011 pelo programa de residência do Museu da Imagem e do Som1, uma das poucas instituições públicas brasileiras financiadora de experimentações em arte e tecnologia desenvolvidas por jovens artistas. O programa de residência prevê a experimentação por três meses em laboratório e, dado o caráter interdisciplinar das propostas, fez-se possível a interlocução com tutores de diferentes áreas do conhecimento.

Adriano Mattos Correa, arquiteto e professor da UFMG, nos auxiliou com questões relativas à estrutura física construída. Radamés Ajna, físico, programador e entusiasta da “cultura do faça você mesmo”, contribuiu no desenvolvimento dos circuitos e da programação do hardware. Fernando Iazetta, músico e professor da ECA/USP, abriu caminhos para a lapidação e programação do material sonoro coletado pelo cenário urbano paulistano. Todos, à sua maneira, contribuíram para o entrelaçamento das decisões práticas com os conceitos almejados e, Daniela Kustschat, artista e professora da FAU/USP, nos parametrizou criticamente sobre cada passo que tomávamos durante o processo. Tais interlocuções são oriundas de vontades pré-existentes de se trabalhar, de um lado, junto a pares já reconhecidos; e de outro, de se lançar no reconhecimento de novos parceiros.

Assim, através da coordenação de diferentes frentes de trabalho, “De Novo, Ercília” estreou na Mostra LabMis 2011, integrando ainda mais um parceiro, o bailarino Eduardo Fukushima, que na ocasião da abertura performou sua leitura do projeto sobre as estruturas elásticas de “De novo, Ercília”

<http://www.youtube.com/watch?v=JsHzH2S1r48>

Vídeo 1: Vídeo de apresentação do programa de Residência LabMis. Fonte: COLMEIA FILMES, 2011.

Ao exigir do corpo movimentos não habituais, instáveis e incomuns, “De Novo Ercília” se manifesta como um sistema de produção de sentido que, ao mesmo tempo que desconstrói, reconfigura experiências e referências perceptivas. O projeto, de autoria de Graziele Lautenschlaeger e Rita Wu, é um convite à experimentação corporal e sonora através da interação com uma estrutura de elásticos.

Fonte de inspiração é Ercília, cidade descrita na obra “As Cidades Invisíveis”, de Ítalo Calvino, uma cidade onde se estendem fios para designar as relações de “parentesco, trocas, autoridade, representação” (CALVINO, 2003, p. 74). De tempos em tempos, Ercília é abandonada e remontada em outro lugar. Assim, dialogando com o sintético tratado de desenvolvimento urbano e da própria existência sugerido pelo autor, “De Novo, Ercília” é um projeto itinerante. E na versão estreiante, Ercília foi a cidade de São Paulo.

Matéria poética: literatura e espacialidade

A relação entre o projeto de construção do ambiente e a literatura se dá, também, a partir de uma apropriação poética de cinco de seis princípios descritos por Calvino (1990) em “Seis Propostas para o Próximo Milênio”. A apropriação ocorre no trânsito entre as linguagens verbal (texto de Calvino) e não-verbal (concepção do ambiente-acontecimento). Entende-se cada princípio como potencial imaginário a partir do qual emerge o acontecimento: o espaço físico e a experiência de desconstrução e reconfiguração dos sentidos.

O primeiro princípio, leveza, é regido pela imagem da batalha de Perseu contra Medusa. Aqui a batalha serve de metáfora ao processo de criação e articulação do mental ao físico, ao desafio de colocar em uma forma leve o peso de questões que levaram à concepção do projeto. No ambiente físico, o princípio se manifesta na estrutura branca, repleta de elásticos cilíndricos brancos, esticados em várias alturas e direções. Essa configuração propicia uma experiência de pisar e tatear em superfície macia e instável. E o som é tratado de forma a não pesar a ouvido e pensamento.

O segundo princípio, rapidez, se reflete na escolha de uma estrutura narrativa algoritmica enxuta que encerra em si a possibilidade de emergência de múltiplas narrativas. Na estrutura concebida, cada narrativa se efetiva em tempo real, na experiência de cada visitante.

Assim como a estrutura narrativa, também a escolha de cada elemento que compõe o projeto é programada e estipulada matematicamente. Esse modus operandi remete ao terceiro princípio, exatidão.

O quarto princípio, visibilidade, foi pensado a partir da tensão entre individual e coletivo, como as paisagens sonoras construídas a partir da captação de sons da cidade. Ouvidas conforme o deslocamento do corpo no ambiente, ativam instâncias da ordem do sujeito: memórias, imagens e pensamentos.

O último princípio, multiplicidade, se apresenta a partir da ideia de que há pluralidade na coleta e seleção do material sonoro, apresentado organicamente como trama, assim como as relações expressas no modo de vida urbano. Além disso, propõe-se uma abertura de significações a partir da experiência única de cada visitante, que conecta o material sensorial oferecido com seus respectivos repertórios.

Os princípios se manifestam arbitrariamente no ambiente construído a partir do movimento de nossa imaginação e interpretação. Constituem um programa espacializado e informam blocos de construção da instalação. Cada princípio aplicado ao projeto funciona como matéria poética atualizada em forma. A busca pela forma, incessante e árdua - coincide com a própria natureza do movimento de Ercília: “teias de aranha de relações intricadas à procura de uma forma” (CALVINO, 2003, p. 74).

Arte-processo

Tomamos o processo de criação como um ato de investigação. Desde a invenção da estrutura física, passando pela a coleta e análise dos sons utilizados, até a programação do design de interação, era muito recorrente que nos perguntássemos: o que emerge de matéria poética da cidade, ao experimentá-la?

E com base na atenção ao processo, verificamos que por um lado, articulações abstratas como pensamentos, reflexões e insights criativos eram formalizados através do uso de diversos materiais e ferramentas do universo digital; por outro, a experimentação com essa diversidade de elementos retroalimentava e reformatava o mundo das ideias. É nesse modus operandi, no trânsito entre concreto e abstrato, no fluxo de ir e vir, que “De Novo, Ercília” ganhou sua primeira forma, uma forma que não se torna perene, que se autonomiza em tempo, a cada nova interação.

Também a qualidade da interação do visitante é associada à configuração espaço-temporal do ambiente-acontecimento. Construído em camadas que variam de físicas e concretas a abstratas e efêmeras, o sistema condensa operações, procedimentos e processos analógicos e digitais. A ênfase no acontecimento, no estar, na experiência do corpo, associa o rígido-estrutural ao flúido-vivencial em um ato performático.

Na primeira exposição pública de “De Novo Ercília”, o bailarino e performer Eduardo Fukushima integra o sistema: penetra em um todo elástico no qual se ouvem fragmentos de paisagens sonoras. Cada movimento do corpo provoca deformações físicas visíveis (elásticos) e invisíveis (sons) e a reorganização do ambiente-acontecimento. Integrados em performance, corpo, elásticos e sons reorientam, a cada momento, tramas, fluxos, relações semânticas e sentidos.

Figuras 2, 3 e 4: Eduardo Fukushima durante ensaios sobre “De novo, Ercília”, dias antes da abertura da Mostra LabMIS. Fonte: LAUTENSCHLAEGER, 2012.

1 Mais informações sobre o programa de residência do MIS – Museu da Imagem e do Som em: <http://www.mis-sp.org.br/labmis>

Considerações finais

Mesmo frente à inesgotável esforço de lapidação da proposta para a primeira exibição, o que permanece é a ideia de uma obra inacabada. Muitos ajustes técnicos e estéticos por resolver. Sons para reconfigurar e equalizar. Permanente é a vontade de montar Ercília em outro lugar, almejando que ela seja ao mesmo tempo mais simples e mais complexa do que a anterior. Como na busca existencial, a insatisfação desencadeia o movimento. E teremos, “De novo, Ercília”.

Referências

CALVINO, I. As cidades invisíveis. Rio de Janeiro/São Paulo: O Globo/Folha de S. Paulo, 2003.

CALVINO, I. Seis propostas para o próximo milênio. São Paulo: Companhia das Letras, 1990.

Leituras Relacionadas

BROECKMANN, A. Image, process, performance, machine: aspects of an aesthetics of the machinic. In: GRAU, O. (Ed.). MediaArtHistories. Cambridge: The MIT Press, 2007.

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KOZEL, S. Closer: performance, technologies, phenomenology. Cambridge/Londres: MIT Press, 2007.

POPPER, F. Le déclin de l’objet: art action participation 1. Paris: Chêne, 1975.

POPPER, F. Art, action et participation: l’artiste et la criativité aujourd’hui. Paris: Edtións Klincksieck, 1980.

SPERLING, D. Corpo + Arte = Arquitetura: proposições de Hélio Oiticica e Lygia Clark. In: Fios soltos: a arte de Hélio Oiticica. São Paulo: Perspectiva, 2008.

De novo, Ercília

Graziele Lautenschlaeger, Rita Wu, Daniela Kutschat

Graziele Lautenschlaeger holds a master degree at the Department of Architecture and Urbanism at the School of Engineering of São Carlos/University of São Paulo. In 2011, she was visiting researcher at Lagear – Graphics Laboratory for Architecture Experience at the Federal University of Minas Gerais. She is currently cultural agent at SESCSP.

Rita Wu is an architect from the University of São Paulo (2011) and studies Graphic Technology. She developed research on Rapid Prototyping and Interactive Art, and is a member of the research group DeVIR – ‘Design, Environment and Interfaces', of the School of Architecture and Urbanism at University of São Paulo - FAUUSP.

Daniela Kutschat is a plastic artist, Doctor of Arts from the University of São Paulo (2002) and is currently a professor at the School of Architecture and Urbanism of the University of São Paulo and the Academic Center Senac. Kutschat develops research and sensory and cognitive propositions with the team Corpo_Espaço and investigates the implications of Information Technology and Communication to the Body, Object, Environment and City.


How to quote this text: : Lautenschlaeger, G., Wu, R., Kutschat, D., 2012. Once Again, Ercília. Translated from Portuguese by Paulo Ortega. V!RUS, n. 7. [online] Available at: <http://www.nomads.usp.br/virus/virus07/?sec=4&item=5&lang=en>. [Accessed: 16 November 2018].


Abstract

"De Novo, Ercília" (2012) is an interactive sound installation that invites visitors to walk through it and try different body patterns by the interaction with a structure full of rubber bands. In "Invisible Cities", Italo Calvino quotes Ercilia, a city where wires are extended in reference to relationships between people and things. From time to time, Ercilia is abandoned and reassembled elsewhere. In dialogue with the movement of urban development and the human existence suggested by the author, "De Novo, Ercilia" is intended to be itinerant and in this very first version, launched at MIS (Museum of Image and Sound), Ercília was the city of Sao Paulo.

Keywords: interactive instalation, tangible interface, sound landscape, Invisible Cities, São Paulo.


Figure 1. Image of "De Novo, Ercília" spontaneously posted on a social network by visitor Nathan Cornes Source: Cornes, 2012.

Introduction

"De novo, Ercília"(2012) was designed and produced over 2011 by the residency program at the Museum of Image and Sound1,one of the few public Brazilian institutions sponsoring experimentation in art technology developed by young artists. The residency program provides for a trial of three months in a laboratory and, given the interdisciplinary nature of the proposals, it was possible to dialogue with tutors from different areas of knowledge.

Adriano Mattos Correa, architect and professor at UFMG, helped us with questions concerning the physical structure constructed. Radames Ajna, physicist, programmer and "DIY culture" enthusiast, contributed to the development of circuits and hardware programming. Fernando Iazetta, musician and professor at ECA/USP, paved the way for the cutting and programming of sound material collected around the urban area of São Paulo. Each of them, in their own way, contributed to the interweaving of practical decisions with the desired concepts and Daniela Kustschat, artist and professor at FAU/USP, critically provided us the parameters for each step that we took during the process. Such dialogues come from pre-existing desires to work, in some cases, with already recognized peers, and in others, to engage in the recognition of new partners.

Thus, through the coordination of various work fronts, "De novo, Ercília" premiered at the LabMis Show in 2011, integrating yet another partner, the dancer Eduardo Fukushima, who at the time of the opening, performed his interpretation of the project on its elastic structures.

<http://www.youtube.com/watch?v=JsHzH2S1r48>

Video 1: Video presentation of the LabMis Residency Program. Source: Comeia Films, 2011

By requiring unusual, unstable and uncommon body movements, "De novo, Ercília" manifests itself a sense production system that, at the same time that it deconstructs, it reconfigures perceptual experience and references. The project, authored by Graziele Lautenschlaeger and Rita Wu, is an invitation to bodily and audio experimentation by interacting with a rubber band structure.

The source of inspiration is Ercília, a city described in the book The Invisible Cities by Ítalo Calvino, a city where wires are extended to designate relations of "kinship, trade, authority, representation" (Calvino, 2003, p.74). From time to time, Ercília is abandoned and reassembled elsewhere. Thus, in dialogue with the universe of urban development and the human beings' existence suggested by the author, “De novo, Ercília" is a traveling project, and in its first version, built for the 2011 LabMis Exhibition, Ercília was the city of São Paulo.

Poetic Material: Literature and Spatiality

The relationship between the construction design of the environment and the literature is derived, also, from a poetic appropriation of five of the six principles described by Calvin in Six Proposals for the Next Millennium. The appropriation occurs in the passage between verbal languages (the wording of Calvino) and nonverbal languages (design of the environment-event). Each principle is understood as imaginary potential from which the event emerges: the physical space and the experience of deconstruction and reconfiguration of the senses.

The first principle, lightness, is governed by the image of the battle of Perseus and Medusa. Here the battle serves as a metaphor for the process of creation and articulation from the mental to the physical, for the challenge of putting into a light form the weight of issues that led to the design of the project. In the physical environment, the principle manifests itself in the white structure, filled with white cylindrical rubber bands, stretched in various heights and directions. This configuration provides the experience of stepping on and touching a soft and unstable surface. And the sound is treated so as not to weigh down the ear and mind.

The second principle, speed, is reflected in the choice of a lean algorithmic narrative structure that carries with it the possibility of the emergence of multiple narratives. In the structure designed, each narrative is affected in real time, during the experience of each visitor.

Like the narrative structure, the choice of each element that composes the project is also planned and stipulated mathematically. This modus operandi refers to the third principle, exactitude.

The fourth principle, visibility, was designed from the tension between individual and collective, like the soundscapes built from the collection of city sounds. Heard in accordance with the displacement of the body in the environment, they activate instances of the order of the subject: memories, thoughts and images.

The last principle, multiplicity, emerges from the idea that there is plurality in the collection and selection of sound material, presented organically as a plot, much like the relationships expressed in the urban lifestyle. Furthermore, we propose an opening of meanings from the unique experience of each visitor, which connects the sensory material offered with their respective repertoires.

The principles are manifested arbitrarily in the constructed environment from the movement of our imagination and interpretation. They constitute a spatialized program and chronicle the building blocks of the installation. Each principle applied to the design works as poetic material in updated form. The search for form, incessant and arduous - coincides with the very nature of Ercília movement: "spider webs of intricate relationships seeking a form" (Calvino, 2003, p.74).

Art-process

We take the process of creation as an act of investigation. From the invention of the physical structure, through the collection and analysis of the sounds used, to the planning of the design of interaction, we frequently asked ourselves: what emerges from the poetic material of the city when it is experienced?

And based on attention to the process, we found that on the one hand, abstract articulations such as thoughts, ideas and creative insights were formalized through the use of various materials and tools from the digital universe; on the other hand, experimentation with that diversity of elements provided feedback to refresh our base of ideas. It is in this modus operandi, in the transition between concrete and abstract, in the flux between coming and going, that "De novo, Ercília" gained its first form, a form that does not become permanent - which becomes autonomous in time, with each new iteration.

Also the quality of visitor interaction is associated with the spatial-temporal configuration of the environment-event. Built in layers ranging from physical and concrete to abstract and ephemeral, the system condenses analog and digital operations, procedures and processes. The emphasis on the event, on being, on the experience of the body, joins the solid-structural to the fluid-experiential in a performative act.

In the first public exhibition of "De novo, Ercília", the dancer and performer Eduardo Fukushima integrates the system: he enters an entirely elastic space in which fragments of soundscapes can be heard. Each movement of the body causes physical visible (rubber bands) and invisible (sounds) deformations and the reorganization of the environment-event. Integrated in performance, body, rubber bands and sounds reorient, at every moment, plots, flows, semantic relations and senses.

Figures 2, 3 and 4: Eduardo Fukushima during performances on "De novo, Ercília" days before the opening of the LabMIS Installation. Source: Lautenschlaeger, 2012.

1 More information about the residency program at MIS - Museum of Image and Sound at <http://www.mis-sp.org.br/labmis>

Considerations

Despite the tireless struggle to polish the proposal of the first installation, what remains is the idea of an unfinished work. Many technical and aesthetic adjustments to resolve. Sounds to reconfigure and equalize. Permanent is the desire to construct Ercília elsewhere, aiming to make it both simpler and more complex than the previous one. As in the existential search, dissatisfaction triggers action. And we shall have "De novo, Ercília" anytime anywhere.

References

Calvino, I., 2003. As cidades invisíveis. Rio de Janeiro, O Globo, São Paulo, Folha de S. Paulo.

CALVINO, I. 1990. Seis propostas para o próximo milênio. São Paulo, Companhia das Letras.

Further Readings

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Popper, F. (1975). Le déclin de l’objet – art action participation 1. Paris: Chêne.

Popper, F.(1980). Art, action et participation: l’artiste et la criativité aujourd’hui. Paris: Edtións Klincksieck.

Sperling, D. (2008). Corpo + Arte = Arquitetura: proposições de Hélio Oiticica e Lygia Clark. In: Fios soltos: a arte de Hélio Oiticica. São Paulo: Perspectiva.