Novas complexidades: A fotografia no ciberespaço

Matheus Mazini Ramos

Matheus Mazini Ramos é pesquisador e Mestre em Comunicação e Cultura. É professor de comunicação e fotografia, e atua nas áreas de cultura, processos de significação, fotografia, mídia, realidades mistas, artes.


Como citar esse texto: RAMOS, M. M. Novas Complexidades: A fotografia no ciberespaço. V!RUS, São Carlos, n. 8, dezembro 2012. Disponível em: <http://www.nomads.usp.br/virus/virus08/?sec=4&item=2&lang=pt>. Acesso em: 12 Ago. 2020.


Resumo

Busca-se neste artigo, pautados principalmente nas ideias de permanência sistêmica de Jorge Albuquerque Vieira (2008) e de núcleos duros e áreas de interseção de Arlindo Machado (2010), mostrar que a fotografia, na sua tentativa de permanecer no tempo, migra para o ciberespaço (tendo a internet como principal ambiente) se transformando – na relação com outros sistemas – em novas complexidades. Adotamos aqui, a permanência sistêmica citada por Vieira e seu processo de “crise de estabilidade” como parâmetros chave da sobrevivência do sistema fotográfico.

Palavras chave: Fotografia; permanência; hibridação; internet.


Introdução

Etimologicamente a palavra “fotografia” vem do grego “fós” (luz), e grafis (estilo, pincel), em senso comum, significa escrita através da luz ou escrever/pintar com a luz. Segundo o dicionário de português Michaelis, um dos conceitos do significado de “fotografia” é: a arte ou processo de produzir, pela ação da luz, ou qualquer espécie de energia radiante, sobre uma superfície sensibilizada, imagens obtidas mediante uma câmara escura.

O aspecto indicial (Peirce: 1839-1914) de cópia, de testemunho e representação de uma dada realidade concreta foi o principal arcabouço no surgimento da fotografia, esses aspectos permearam em toda a segunda metade do século XIX. Paralelamente, o contexto fragmentário1 da imagm fotografia se estende até a segunda metade do século XX e a partir daí, gradativamente, vem ocorrendo uma quebra de paradigmas, a fotografia, agora eletrônica, passa a relacionar-se – com outros sistemas – em novos ambientes (digitais) e dessa forma, impulsiona o surgimento de uma nova visualidade/complexidade. A imagem fotográfica, mais do que nunca, em constante movimento.

É fato que hoje, com o advento tecnológico e a ascensão cada vez mais rápida do mundo virtual, mundo esse ocasionado pelas tecnologias digitais, com ênfase na década de 1990, com a convergência das mídias para o ciberespaço – tendo aqui a internet como principal ambiente –, faz com que nossa percepção sobre a imagem fotográfica mude. Essa coexistência de sistemas culturais e suas relações no ciberespaço fazem brotar uma nova fertilidade para a fotografia eletrônica, num contexto evolutivo, a fotografia se contextualiza em sua época, o que vem acontecendo desde sua invenção.

As inovações tecnológicas correntes mostram uma interpenetração da fotografia com outros meio técnicos, tais como a eletrografia, a telecomunicação, o vídeo e a informática. É nessa vertente que se localizam as origens da fotografia de base eletrônica, configurando-se como uma reinvenção técnica e estética. (VICENTE, 2005, p.322)

A internet torna-se um meio de trocas e fusões dos mais variados sistemas de comunicação, formando o ambiente propício para o surgimento de novas trocas culturais e sistêmicas.

No ciberespaço, a coexistência e a convivência dos diferentes sistemas tecnológicos reforça o que hoje conhecemos como hibridização/hibridação, onde dois elementos distintos se unem – no conceito de semiosfera (Iúri Lótman) podemos classificar como choques culturais ou de sistemas – propiciando a formação de um novo elemento. Entretanto alguns autores como Irene Machado (2007), se preocupam com o emprego do termo, pois, na biologia um ser híbrido é estéril e, no explosivo2 ambiente virtual, onde diferentes sistemas tecnológicos/midiáticos se encontram, o termo pode não ser bem empregado.

O surgimento de um novo elemento no sistema fotográfico implica diretamente no próprio ato de REPRESENTAR – essência primordial do sistema fotográfico –, uma vez que a própria palavra – representar – faz uma tramitação de significados (com base em sua raiz do latim) nos conceitos dos processos evolutivos tratados neste artigo, pois, envolve, ao mesmo tempo, um gesto relacionado à pré-existência, o noema “isso foi” segundo Roland Barthes (1984) (re-), associa-o a um olhar sobre o que ainda não é, ao que pode vir a ser (pre-), antecede a novidade, e transforma o ato de definição, de estabelecimento, de permanência do sistema no tempo (sentar).

Permanência fotográfica

Contudo, a própria ideia de que a fotografia se contextualiza em sua época, nos remete ao que Jorge Albuquerque Vieira (2008), em seu livro “Teoria do Conhecimento e Arte”, trata como “Permanência Sistêmica”.

O problema da permanência como um parâmetro básico sistêmico é um problema do Universo. O Universo, por algum motivo desconhecido, existe. E por um outro motivo também desconhecido, ele tenta continuar existindo. Podemos citar isso na forma de um princípio. Não chega nem a ser uma proposta ontológica fundada, mas é um princípio: o Universo tende a permanecer. E se a física estiver certa, em sua termodinâmica dos sistemas abertos, essa permanência do Universo, que se dá através de sua expansão, implica em emergência de todos os outros sistemas e controla a permanência de todos os outros sistemas. (VIEIRA, 2010, p. 106)

O Universo tenta permanecer no tempo, consequentemente, todos os seus subsistemas – biológicos e culturais – são, também, convidados a permanecer no tempo. A permanência dos subsistemas é reflexo da permanência do universo e toda cultura, portanto, precisa criar mecanismos de permanência que estejam além do ciclo normal que dura uma vida humana.

E nessa tentativa de permanecer no tempo, os sistemas desenvolvem-se em novas complexidades, o que vem ocorrendo com a fotografia, com maior ênfase, nos ambientes explosivos do ciberespaço. Na tentativa de sobreviver, a fotografia desenvolve-se em novas complexidades.

Podemos ilustrar a ideia de evolução do sistema fotográfico no próprio conceito que Vieira (2010) classifica como o conceito de evolon (figura 1). O sistema fotográfico, em sua tentativa de permanecer no tempo, apega-se a uma estabilidade, em determinado momento, pelas suas flutuações internas ou do próprio ambiente, o sistema entra em um processo de instabilidade (crise sistêmica) que o impulsiona para uma nova estabilidade. Um momento de crise que se instaura entre o estágio de estabilidade anterior e o posterior.

Figura 1 – Conceito de evolon

Segundo Vieira (2010):

Por essa idéia, o processo evolutivo não é uma transformação suave, monotônica no tempo: os sistemas em evolução “apegam-se” à estabilidade em seu esforço de permanecer. O meio ambiente possui flutuações; o próprio sistema, dependendo de sua complexidade, possui flutuações internas; quando essas flutuações “entram em ressonância” e certos parâmetros típicos da natureza do sistema são ultrapassados em valores críticos, surge uma amplificação (um processo não-linear) da flutuação que atira o sistema em uma crise de estabilidade. (VIEIRA, 2010, p. 60)

Talvez, possamos afirmar que hoje, em meio aos ambientes virtuais (digital), a fotografia encontra-se em uma possível “crise” na busca de uma amplificação de seus conceitos técnicos e contextuais, aspirando ao surgimento de uma nova complexidade que irá consolidar, mais um degrau, em sua escala evolutiva. O que ocorreu, por exemplo, nas críticas que envolveram as questões de representação no próprio surgimento da fotografia, onde alguns artistas não reconheciam um valor estético na fotografia à altura do da arte, ou até mesmo na resistência, por parte de alguns fotógrafos, da transição da fotografia analógica para a fotografia digital, em ambos os casos, posteriormente, as fronteiras foram definidas e as particularidades apontadas.

Segundo Mende, uma sequência de evolons constitui uma escala evolutiva, pela transição repetitiva de um estado estacionário ao próximo. Atingir o estacionário, na verdade o metaestável, é uma imposição de permanência. (VIEIRA, 2010, p. 60)

A permanência sistêmica parece ser o parâmetro que governa os processos evolutivos, na tentativa de permanecer, sistemas abertos permanentemente sujeitos à crise reestruturam-se e reorganizam-se gerando outras complexidades.

Um sistema aberto pode permanece no tempo se apresentar três características:

  1. deve possuir sensibilidade, no sentido de reagir adequadamente e à tempo às variações ou diferenças que ocorrem nele mesmo ou no ambiente” (VIEIRA, 2008, p. 21), segundo o autor, essas cadeias de eventos que são geradoras de processos, se manifestam – para os sistemas – como sinais ou fluxos de informações;

  2. O sistema deve ser capaz de reter parte desse fluxo, sob a forma de um colapso relacional, a partir da progressiva internalização de relações nascidas de sua atividade interna e do contato com o ambiente” (VIEIRA, 2008, p. 21). O sistema aqui passa a não somente perceber uma informação, mas nas palavras do autor, “percebê-la de uma certa maneira”. O que segundo o autor remete a uma função de transferência ou função memória, sendo que ao longo do tempo ganha maior flexibilidade a medida que o sistema adquire graus de complexidade mais elevados. “É a partir da memória, aqui generalizada, que um sistema consegue conectar seu passado, na forma de uma história, com o presente transiente e com possíveis futuros”. (VIEIRA, 2008, p. 22)

  3. Sistemas tendem a permanecer; como abertos, necessitam de um ambiente; para permanecer, evoluem elaborando informações a partir de uma história”. (VIEIRA, 2008, p. 22)

Baseados nestas afirmações e conectados as ideais de permanência sistêmica, entendemos a fotografia como parte de um sistema aberto em que, sua principal articulação para permanecer no tempo, é sua capacidade de reagir às variações que ocorrem em seu ambiente, reter o fluxo de informações trazidos a partir de uma memória e, sobretudo, evoluir principalmente com base em suas informações históricas, uma vez que segundo o autor, “memória é uma grande solução evolutiva. Da mesma forma que o código genético preserva a informação e a propaga, uma obra de arte é guardada, evocada, transmitida pela cultura de um povo”. (VIEIRA, 2008, p. 95)

Um novo olhar para a fotografia

Contudo, a ideia de permanência sistêmica, nos lança o olhar para o explosivo ambiente do ciberespaço e, principalmente, nos novos diálogos que o sistema fotográfico estabelece com outros sistemas. Para explicitar a convergência das artes e dos meios, no livro “Arte e Mídia”, Arlindo Machado (2010) propõe a ideia de pensarmos o universo da cultura como um mar de acontecimentos ligados a esfera humana, as artes ou os meios de comunicação como círculos que limitam um determinado tipo de acontecimento. Embora seja impossível delinear o raio da circunferência desses círculos, tomemos como base, a fotografia, o cinema e o vídeo (que no atual estudo se torna pertinente) como círculos detentores desses acontecimentos.

Cada círculo apresentado, da mesma forma que possui suas particularidades, possui também pontos de interseção com outros círculos. Suas bordas interceptam as bordas dos outros, se sobrepondo e formando outro elemento constituinte de acontecimentos, esses proporcionados pelo fenômeno da interseção (Figura 2).

A ideia de interseção implica diretamente no conceito de permanência sistêmica e de hibridização já citados acima, segundo Machado:

“(...) nesses novos tempos de ressaca da chamada ‘pós-modernidade’ a cisão entre os vários níveis de cultura não parece tão cristalina. Em nossa época, o universo da cultura se mostra muito mais híbrido e turbulento do que o foi em qualquer outro momento. (MACHADO, 2010, p. 24).

Figura 2 – Universo da Cultura

Na “figura 2” é mostrado uma relação direta entre vários círculos. É impossível, por exemplo, falar de cinema sem citar a fotografia, ou pensarmos em cinema sem mencionar o vídeo. No caso específico, os círculos possuem uma relação de dependência ontológica e contextual, pois fazem parte de uma natureza em comum, até mesmo em um processo cronológico de evolução. Mas o que queremos mostrar, é que neste universo da cultura, as particularidades se chocam apresentando-nos uma nova visualidade.

Machado (2010) exemplifica ainda mais quando cita a ideia de núcleos duros, segundo o autor:

Cada um desses círculos seria mais bem representado se, em lugar de imaginá-lo uma simples circunferência vazia, optássemos por imaginá-lo um círculo preenchido por uma mancha gráfica de densidade variável: mais densa no centro, menos densa nas bordas, perfazendo portanto um gradiente de tons que vai de um centro muito negro a bordas mais suaves, tendendo ao branco. Esse centro denso representaria a chamada “especificidade” de cada meio, aquilo que o distingue como tal e que nos permite diferenciá-lo dos outros meios e dos outros fatos da cultura humana. Cada círculo teria então o seu núcleo duro ‘[...]’. (MACHADO, 2010, p. 59)

Entretanto, na medida em que caminhássemos para a borda e os pontos de interseção, a diferenciação entre os meios já não seria tão evidente, “(...) os conceitos que os definem podem ser transportados de uns para outros, as práticas e as tecnologias podem ser compartilhadas (...)”. (MACHADO, 2010, p. 59).

Baseado no pensamento da convergência, a ideia de delimitação dos círculos acaba por se tornar obsoleta, na medida em que os círculos – aqui podemos resaltar o ciberespaço como suporte – podem aumentar de forma tão intensa que até mesmo os núcleos duros passam a se mesclar e perder a ideia de especificidades (Figura 3).

Figura 3 – Universo da Cultura

O repertório de obras produzidas em cada círculo se expande em progressão geométrica, e algumas delas, mais revolucionárias, redirecionam o rumo do pensamento e da prática. Isso quer dizer que tanto os círculos como os seus “núcleos duros” vivem um movimento permanente de expansão e, nesse movimento, as suas zonas de interseção com outros círculos também se ampliam. Chega um momento em que a ampliação dos círculos atinge tal magnitude que há interseção não apenas nas bordas, mas também em seus “núcleos duros”. (MACHADO, 2010, p. 64-65)

Na ideia de convergência há uma ruptura com os conceitos mais tradicionais na medida em que os “núcleos duros”, caracterizados por suas especificidades, se mesclam com outros núcleos duros, chegando a confundir-se e nos colocar em “xeque”, sendo difícil definir, por exemplo, o que ainda é fotografia ou o que ainda é cinema ou o que ainda é vídeo. Neste estágio encontramos o que Vieira (2008) chama de “crise de estabilidade do sistema” e a partir deste ponto, o sistema se transforma em uma nova complexidade, se (re)apresentando em seu ambiente.

O exemplo disso são as novas aplicações em conceitos e técnicas já discutidos no passado como, o “timelapse”, o “cinemagraphy” e as fotografias 360 graus, que estão reinventando o uso da imagem fotográfica.

O primeiro (Figura 4), corresponde a captura de um “lapso de tempo”, 10 segundos de vídeo corresponde aproximadamente de 3 à 4 horas de captura fotográfica.

A técnica, num contexto amplo, se dá pela junção das imagens fotográficas em um software de edição de vídeo. Baseado no conceito “frame a frame”, as imagens são agrupadas e organizadas, uma após a outra, gerando um fragmento de vídeo (diferente da técnica stop motion, que se utiliza de animação “frame a frame” com modelos em diversos materiais como, por exemplo, massa de modelar).

O “timelapse” é uma técnica muito conhecida no campo do cinema e da fotografia, com exceção do caso específico, em que a linha inovadora está na criação e manipulação de arquivos HDR - High Dynamic Range (Alto Alcance Dinâmico) usados em fotografia ou em processamento de imagens, permitindo um detalhamento maior de áreas mais claras, iluminadas diretamente por uma fonte de luz, e áreas mais escuras, possivelmente em sombras. O tratamento de arquivos RAW (cru), também é presente e inovador na produção do “timelapse”, tal arquivo é considerado o “negativo digital” na fotografia eletrônica, não podendo ser aplicada a compressão com perda de informações como ocorre nos arquivos JPEG. Fotos em formatos JPEG possuem uma profundidade de cor de 8-bit por canal. Isso quer dizer que são processadas cores de 0 a 255, do preto ao branco, em cada canal. Arquivos com profundidade de cor de 16-bit possuem mais fidelidade de cores (inclusive do preto e do branco) pois contém mais informações de cor em cada canal. O intervalo entre as imagens de 8-bit e 16-bit é chamado de alcance dinâmico – muito mais detalhes e fidelidade de cores são encontrados nas imagens de 16-bit, simplesmente porque existe mais informações sobre a luminosidade de cada pixel quando temos um intervalo maior de valores de luminosidade em cada canal. Por causa desta limitação, fotos HDR são feitas a partir de imagens em formato RAW, que geralmente possui uma profundidade de cor que varia entre 30 e 32 bits/pixel.

Figura 4 – Timelapse – Patryk Kizny – http://vimeo.com/16414140 – Acessado em 30/11/2012

No segundo (Figura 5), é utilizado o antigo conceito de “gifs animados”, onde elementos particulares na fotografia se movem em meio a uma imagem fixa, parada, proporcionando um loop infinito.

Figura 5 Cinemagraph - 2011 – Jamie Beck & Kevin Burg – http://cinemagraphs.com – Acessado em 30/11/2012

A técnica da ilusão de que o “espectador” está assistindo um fragmento de vídeo, mas o movimento limita-se a pequenos gestos ou movimentos de detalhes como iluminação e reflexo.

O cinemagraph é comumente produzido, tomando uma série de fotografias e, utilizando um software de edição de imagem para compô-las em quadros seqüenciais, de forma que gere um loop infinito, muitas vezes utilizando do formato de arquivo “GIF animado” para a finalização dos trabalhos.

E por fim (Figura 6), mais comum, mas tão importante quanto – principalmente no que diz respeito à participação do sujeito – é o processo de criação do “Tour Virtual”, onde a interação se torna o principal fator do diálogo homem-imagem.

Figura 6 – Tour Virtual – http://fotos360.com.br/JOBS/05.MAIO/TOUR-VIRTUAL/carros/Ford%20FOCUS/Ford%20FOCUS.html – Acessado em 30/11/2012

Na produção técnica do “Tour Virtual”, quatro etapas são necessárias para seu desenvolvimento:

1) Captura de imagens: Processo delicado onde é necessário, no mínimo, 20 minutos para fotografar uma foto 360º, esta fotografia consiste em 16 ou 22 fotos feitas em dois ângulos diferentes, no mesmo eixo, do mesmo ponto de visão. O tempo de 20 minutos é necessário para que seja feita a calibragem da câmera em relação à fotometria e iluminação, fotograma por fotograma, muitas vezes fazendo três fotos para cada posição, um estilo de fotografia chamado HDRI (High Dynamic Range Image - Imagem de Alto Alcance Dinâmico), que gera efeitos realistas ou com viés artístico.

2) Preparação da fotografia esférica. É o primeiro passo na pós-produção. Todas as fotografias RAW (extensão de arquivo de câmeras semi-profissionais e profissionais) são tratadas em um software específico, transformando todas em uma só imagem esférica distorcida e com linha de horizonte equacionada. Neste processo também é realizado o tratamento de todas as imagens.

3) Criação da realidade virtual aumentada. Esta é a etapa mais importante, onde será criada a foto em formato VRML (Realidade Virtual Aumentada), que nos possibilita a autoração em outro software próprio para a navegação em 360º.

4) Autoração e finalização. A autoração é a fase em que são inseridos arquivos e links (fotos, textos, ícones, etc.) que possibilitam a navegação do Tour virtual. Após tudo isso, é finalizado o “Tour Vitual” em formato compatível com os parâmetros do website, onde o “Tour Virtual” será hospedado.

Todas as técnicas aumentam significativamente o efeito de representação de realidade e criam uma nova forma de interação entre sujeito e obra, uma vez que as ideias fragmentárias da fotografia são colocadas à prova e o que prevalece agora é a própria ideia de movimento, em termos técnicos e contextuais.

Notadamente, a tecnologia – no que diz respeito à fotografia – caminha para um futuro em que, cada vez mais, o sujeito que observa a obra passa a cumprir um papel de interator, a ponto de participar de forma há modificar a própria obra.

Considerações finais

Em sua tentativa de permanecer no tempo, o sistema fotográfico apega-se a estabilidade. Hoje, novamente essa estabilidade é colocada em “xeque” e a fotografia entra em uma chamada “crise de estabilidade” – fator chave na evolução de um sistema – e passa a migrar para os suportes digitais – ciberespaço –, tendo a internet como principal ambiente.

Neste novo ambiente que fundamenta o contexto de convergência das mídias, a fotografia relaciona-se com outros sistemas, a exemplo, o cinema e o vídeo. Com esse envolvimento, desenvolve-se em novas complexidades em virtude dos processos de hibridização/hibridação.

Fica evidente que a crise dos sistemas abertos, em específico no sistema fotográfico, é um fator intrínseco ao processo de existência e permanência no tempo. Desta forma a complexidade do sistema fotográfico nos é apresentada na forma de uma nova visualidade, essa, pautada na interseção entre vários sistemas.

Referências Bibliográficas

BARTHES, R. A câmara clara. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1984.

MACHADO, Arlindo. Arte e mídia. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed., 2010.

MACHADO, Irene. Semiótica da cultura e semiosfera. / Organizado por Irene Machado. São Paulo: Annablume/Fapesp, 2007.

PEIRCE, C. S. (Intelex Corporation, com a coletânea de HARTSHORNE, C.; WEISS, P. (vols. I, II e IV) ( 1959), e BURTS, A. W. (vol.VIII) (1958). The Collected Papers of Charles Sanders Peirce). Harvard University Press, 1994. 1 CD-ROM.

VICENTE, Carlos Fadon. Fotografia: a questão eletrônica. In: SAMAIN, E. (org.). O fotográfico. São Paulo: Huitec/Senac, 2005. p. 319-328.

VIEIRA, Jorge de Albuquerque. Teoria do conhecimento e arte: formas de conhecimento – arte e ciência uma visão a partir da complexidade. Fortaleza: Expressão Gráfica e Editora, 2008.

1 Tecnicamente a fotografia é uma ação fragmentária, um fragmento de tempo que permite que a luz se inscreva num suporte químico ou eletromagnético, o corte do obturador guilhotina o tempo contínuo capturando um fragmento de tempo. Segundo Susan Sontag (2007, p.13) “Colecionar fotos é colecionar o mundo”, mundo em fragmentos.

2 O termo “explosivo”, decorrente no texto, refere-se a um ambiente de choques culturais e sistêmicos. Ambiente em constante movimento.

NEW COMPLEXITIES: Photography in Cyberspace

Matheus Mazini Ramos

Matheus Mazini Ramos is a researcher and Master in Communication and Culture. He teaches communication and photography, and works on culture, signifying processes, photography, media, mixed realities, arts.


How to quote this text: Ramos, M. M. 2012. NEW COMPLEXITIES: Photography in Cyberspace. Translated from Portuguese by Bryan Brody, V!RUS, [online] n. 8. [online] Available at: <http://www.nomads.usp.br/virus/virus08/?sec=4&item=2&lang=en>. [Accessed: 12 August 2020].


Abstract:

The aim of this paper, guided by Jorge Albuquerque Vieira’s ideas of systemic permanence (2008) and Arlindo Machado’s solid cores and areas of intersection (2010), is to show that photography, in its attempt to endure, migrates to cyberspace (with the Internet as the main environment) transforming – in relation to other systems – into new complexities. We adopt here the systemic permanence cited by Vieira and his "crisis of stability" process as key parameters of the survival of the photographic system.

Keywords: Photography; permanence; hybridization; Internet.


Introduction

Etymologically, the word "photography" comes from the Greek phos (light), and grafis (style, brush), and therefore, literally, it means written with light or to write/paint with light. According to the Michaelis Portuguese Dictionary, one of the concepts of the meaning of "photography" is: the art or process of producing, by the action of light, or any kind of radiant energy, on a sensitized surface, images obtained through a dark chamber.

The indexical characteristic of photography (Peirce, pp. 1839-1914) as copy, testimony and representation of a given reality was the main framework in its emergence. These aspects permeated the second half of the nineteenth century. In parallel, the fragmentary context1 of the photographic image extends to the second half of the twentieth century and from there, gradually, there has been a shift in paradigm. Photography, electronic now, has become interrelated with other systems, in new (digital) environments and, thus, drives the emergence of a new visuality/complexity. The photographic image, more than ever, is in constant motion.

It is a fact that today, with the advent of technology and the increasingly rapid rise of the virtual world, a world created by digital technologies, with emphasis on the 1990s, with the convergence of media in cyberspace, having the Internet as the primary environment, our perception about the photographic image is changing. Such coexistence of cultural systems and their relationships in cyberspace is sprouting a new fertility regarding electronic photography, in an evolutionary context. The picture is contextualized in time, which has been happening since its invention.

Current technological innovations show an interpenetration of photography by other technical means, such as electrography, telecommunication, video and computer science. It is in this aspect that the origins of electronics-based photography lie, in the form of a technical and aesthetic reinvention. (Vincent, 2005, pp.322)

The Internet becomes a medium of exchange and mergers for radically different communication systems, forming a propitious environment for the emergence of new systemic and cultural exchanges.

In cyberspace, the coexistence and interaction of different technological systems reinforces what we know today as hybridization, where two distinct elements come together. With the concept of semiosphere (Yuri Lotman) we can classify as clashes of culture or systems, enabling the formation of a new element. However, some authors, such as Irene Machado (2007), are concerned about the use of the term because, in biology, a hybrid is sterile, and in the explosive2 virtual environment, where different technology/media systems meet, the term may not be well employed.

The emergence of a new element in the photographic system directly involves the very act of REPRESENTING – the primordial essence of the photographic system. The word itself – represent – is complex in meaning (based on its Latin root) as it regards the concepts of evolutionary processes addressed in this article. This is because it simultaneously involves a gesture related to pre-existence, the noema "it was"3 according to Roland Barthes (1984) (re-), associates with an examination of that which does not yet exist and of what might come to be (pre-), antecedes novelty, and transforms the act of definition, of establishment, of temporal permanence of the system (sent).

Photo Permanence

However, the very idea that photography is contextualized in time brings us back to what Jorge Albuquerque Vieira (2008), in his book Theory of Knowledge and Art4 calls "Systemic Permanence":

The problem of permanence as a basic systemic parameter is a problem in the Universe. The Universe, for some unknown reason, exists. And for another reason also unknown, it tries to continue to exist. We can cite it as a principle. It’s cannot be an ontologically founded proposal, but it is a principle: the universe tends to remain. And if physics is right, in its thermodynamics of open systems, this permanence of the Universe, which occurs through its expansion, indicates the emergence of all other systems and controls the permanence all other systems. (Vieira, 2010, pp. 106)

The universe seeks to remain, hence all its subsystems - biological and cultural - are also compelled to remain. The permanence of the subsystems is a reflection of the permanence of the universe and every culture, therefore, needs to create mechanisms that go beyond the normal cycle of a human lifetime.

And in seeking to remain, the systems develop new intricacies, which is happening with photography, with greater emphasis on the explosive environments of cyberspace. In an attempt to endure, the photograph develops new complexities.

We can illustrate the idea of the evolution of the photographic system in the very concept that Vieira (2010) classifies as the concept of evolon (Figure 1). The photographic system, in its attempt to endure, clings to stability, at a given time, through its own internal fluctuations or those of the environment. The system enters a process of instability (systemic crisis) that drives a new stability – a moment of crisis which is established between the previous and next stages of stability.

Figure 1 – The evolon concept

According to Vieira (2010):

Because of this idea, the evolutionary process is not a smooth transformation, monotonic in time: the evolving systems "cling" to stability in their effort to remain. The environment has fluctuations. The system itself, depending on its complexity, has internal fluctuations. When these fluctuations "resonate" and certain typical parameters of the nature of the system are exceeded by critical values , there arises an amplification (a non-linear process) of fluctuation that throws the system into a stability crisis. (Vieira, 2010, pp. 60)

Perhaps we can say that today, in the midst of virtual (digital) environments, photography finds itself in a possible "crisis" in the search for an amplification of its technical and contextual concepts, aspiring to the emergence of a new complexity that will consolidate another step in its evolutionary scale. What happened, for example, in the criticisms surrounding issues of representation in the very emergence of photography, where some artists did not recognize an aesthetic value in photography at the level of art? What about the resistance, by some photographers, to the transition from analog photography to digital photography? In both cases, the boundaries were defined and characteristics indicated afterward.

According to Mende, a sequence of evolons constitutes an evolutionary scale, by the repetitive transition from one steady state to the next. Achieving stationariness, or rather, metastability, is an imposition of permanence. (Vieira, 2010, pp. 60).

Systemic permanence seems to be the parameter that governs evolutionary processes. In the attempt to remain, those open systems permanently subject to crisis restructure and reorganize themselves, creating other complexities.

An open system can endure if three features are present:

  1. "It must have sensitivity, in order to respond appropriately and in time to the variations or differences occurring within it or the environment" (Vieira, 2008, pp. 21). According to the author, these chains of events that create processes are manifested to the systems as signals or streams of information;

  2. "The system must be able to retain part of this flow in the form of a relational collapse, from the progressive internalization of the relations born of its internal activity and contact with the environment" (Vieira, 2008, pp. 21). The system here goes from merely perceiving a piece of information to, in the words of the author, "perceiving it a certain way", which, according to the author, refers to a function of transfer or memory function, as over time it gains greater flexibility as the system acquires higher degrees of complexity. "It is from memory, generalized here, that a system can connect its past, in the form of a story, with the transient present and possible futures" (Vieira, 2008, pp. 22);

  3. "Systems tend to endure; as they are open, they need an environment; to endure, they evolve, developing information based on a history " (Vieira, 2008, pp. 22).

1 Technically, photography is a fragmentary action; a fragment of time that allows light to receive chemical or electromagnetic support; the closing of the shutter guillotines continuous time, capturing a fragment of it. According to Susan Sontag (2007, pp.13) "To collect photographs is to collect the world", a world in fragments.

2 The term "explosive", resulting from the text, refers to an environment of culture and system shock -- environment in constant motion.

3 Translated from the Portuguese “isso foi”

4 Translated from the Portuguese title: Teoria do Conhecimento e Arte

Based on these assertions and connected to the ideals of systemic permanence, we understand photography as part of an open system in which its principal technique for endurance is its ability to react to changes that occur in its environment, to retain the flow of information from memory and especially to evolve mainly based on its historical information, since according to the author, "memory is a great evolutionary solution. Just as the genetic code preserves and propagates information, a work of art is maintained, evoked, transmitted by the culture of a people” (Vieira, 2008, pp. 95).

A New Look at Photography

However, the idea of systemic permanence makes us look to the explosive environment of cyberspace, and especially to the new dialogues that the photographic system establishes with other systems. To make explicit the convergence of the arts and media, in the book Art and Media5, Arlindo Machado (2010) proposes the idea of considering the universe of culture as a sea of events linked to the human sphere, and the arts or media as circles bordering a particular type of event. While it is impossible to define the radius of the circumference of these circles, we take as a base photography, film and video (which in the current study become relevant) as circles that retain these events.

Just as it has its particularities, each circle presented also has points of intersection with other circles. Its edges intersect the edges of other, overlapping and forming another constituent element of events, these created by the phenomenon of intersection (Figure 2).

The idea of intersection directly involves the concept of permanence and systemic hybridization already mentioned above, according to Machado:

"(...) in these new times of instability of 'postmodernity', the split between the various levels of culture does not seem so clear. In our time, the world of culture is proving much more hybrid and turbulent than it has been at any other time. (Machado, 2010, pp. 24)

Figure 2 - Universe of Culture

"Figure 2" shows a direct relationship between various circles. It is impossible, for example, to talk about film without mentioning photography, or to think of film without mentioning video. In the specific case, the circles have a relationship of ontological and contextual dependency, as they are part of a common nature, even in a chronological process of evolution. But what we want to show is that in this universe of culture, the particularities clash, presenting a new visuality.

Machado (2010) further exemplifies this when he cites the idea of solid cores. According to the author:

Each of these circles would be better represented if, instead of imagining it as a simple empty circle, we chose to imagine it as a circle filled with a graphic of variable density: denser in the center, less dense at the edges, thus creating a gradient with shades ranging from a black center to much lighter edges, fading to white. This dense center would represent the so-called "specificity" of each medium – that which distinguishes it as such and allows us to differentiate it from other means and other facts of human culture. Each circle would then have a solid core '[...]'. (Machado, 2010, pp. 59)

However, as we proceded to the edge and intersection points, the differentiation between the media would not be so obvious, "(...) the concepts that define them can be transported from one to another, the practices and technologies can be shared (...)" (Machado, 2010, pp. 59).

Based on the thought of convergence, the idea of delimitation of circles eventually become obsolete, since the circles - here we point out cyberspace as support - can grow so intensely that even the solid cores start to merge and lose the quality of uniqueness (Figure 3).

Figure 3 - Universe of Culture

The repertoire of works produced in each circle expands in a geometric progression, and some, more revolutionary, redirect the course of thought and practice. This means that both circles and their "solid cores" undergo a permanent expansion and, in this expansion, their areas of intersection with other circles also expand. There comes a time when the expansion of the circles reaches such a magnitude that the intersection is not just around the edges, but also in their "solid cores". (Machado, 2010, pp. 64-65)

On the idea of convergence, there is a break with more traditional concepts in that the "solid cores", characterized by their uniqueness, mingle with other solid cores, until finally they cannot be differentiated and it becomes difficult to define, for example, what is a photograph and what is still a film. At this stage we find what Vieira (2008) calls the "crisis of system stability". From this point, the system becomes a new complexity, (re)introducing itself into its environment.

The examples of this are the new applications in concepts and techniques already discussed, such as "timelapse", "cinemagraphy" and 360 degree photos that are reinventing the use of the photographic image.

The first (Figure 4) corresponds to the capture of a "lapse in time", 10 seconds of video corresponds approximately 3 to 4 hours of photographic recording.

The technique, in a broad context, is made possible through the junction of photographic images and video editing software. Based on the "frame by frame" concept, images are grouped and organized, one after the other, creating a video fragment (unlike the stop-motion technique, which uses "frame by frame" animation with models of various materials such as modeling clay, for example).

"Timelapse" is a technique well known in the fields of cinema and photography, where the cutting edge lies in creating and manipulating HDR files - High Dynamic Range used in photography or image processing, allowing greater detailing of lighter areas, directly illuminated by a light source, as well as darker areas, possibly shadows. The processing of RAW files is also present and innovative in the production of "timelapse". This file is considered the "digital negative" in electronic photography and cannot be subjected to the lossy compression of information, as with JPEG files. Photos in JPEG format have a color depth of 8 bits per channel. This means that colors are processed from 0 to 255, from black to white, in each channel. Files with a 16-bit color depth have more color fidelity (including black and white) because they contain more color information in each channel. The interval between 8-bit and 16-bit images is called the dynamic range - much more detail and color fidelity is found in 16-bit images, simply because there is more information about the brightness of each pixel when we have a higher interval of brightness values ​​in each channel. Because of this limitation, HDR images are made ​​from RAW images, which usually have a color depth ranging between 30 and 32 bits/pixel.

Figure 4 - Timelapse - Patryk Kizny - http://vimeo.com/16414140 - Accessed 11/30/2012

In the second (Figure 5), we use the old concept of "animated GIFs" where particular elements in the photograph move amid a still image, producing an infinite loop.

Figure 5 - Cinemagraph - 2011 - Jamie Beck and Kevin Burg - http://cinemagraphs.com - Accessed 11/30/2012

The technique gives the illusion that the "viewer" is watching a video fragment, but the movement is limited to small gestures or movements of details like lighting and reflection.

The cinemagraph is commonly produced by taking a series of photographs and using image editing software to arrange them in sequential frames, such that an infinite loop is generated, often using the "GIF" file format to finalize the work.

And finally (Figure 6), more common, but just as important – especially with regard to the participation of the subject – is the process of creating the "Virtual Tour", where the interaction becomes the main factor in the dialogue between man and image.

5 Translated from the Portuguese title: Arte e Mídia

In the technical production of a "Virtual Tour", four steps are necessary:

1) Image capturing: a delicate process where at least 20 minutes are required for a 360° photo shoot; this picture consists of 16 or 22 pictures taken at two different angles on the same axis, from the same point of view. 20 minutes are necessary to calibrate the camera for photometry and lighting, frame by frame, often taking three pictures for each position – a style of photography called HDRI (High Dynamic Range Image), which can either generate realistic effects or an artistic bias;

2) Preparation of the spherical photograph: the first step in post-production. All RAW photos (file extension for semi-professional and professional cameras) are processed in specific software, turning the various photos into one spherically distorted image with a calculated horizon. In this process, treatment is also performed for all images;

3) Creation of augmented virtual reality: the most important step. This puts the photo in VRML format (Augmented Virtual Reality), which enables authoring in other software for navigation in 360°;

4) Authoring and finalization: the phase in which links and files (photos, text, icons, etc..) are embedded, enabling Virtual Tour navigation. After this, the "Vitual Tour" is finished and in a format compatible with the parameters of the website where it will be hosted.

All these techniques significantly augment the effect of representation of reality and create a new form of interaction between subject and work, since the fragmentary ideas of photography are put to the test and what now prevails is the very idea of movement, in technical and contextual terms.

Notably, technology - with regard to photography – is heading towards a future where, increasingly, the subject who observes the work begins to fulfill a role of interactor, on the verge of participating in a way that modifies the work itself.

Final Thoughts

In its attempt to endure, the photographic system clings to stability. Today, this stability is again placed in "check" and the picture goes into a so-called "crisis of stability" – a key factor in the evolution of a system – and starts to migrate to digital media (cyberspace), having the Internet as its primary environment.

In this new environment that underlies the context of media convergence, photography relates to other systems, e.g., film and video. With this engagement, it develops new intricacies due to processes of hybridization.

It becomes evident that the crisis of open systems, in particular the photographic system, is a factor intrinsic to the process of existence and permanence. Thus, the complexity of the photographic system is presented in the form of a new visuality based on the intersection between multiple systems.

References

BARTHES, R., 1984. A câmara clara. Rio de Janeiro: Nova Fronteira.

HARTSHORNE, C. WEISS, P. and BURTS, A. W., 1994. The Collected Papers of Charles Sanders Peirce. Intelex Corporation Collection. Harvard University Press.

Intelex Corporation Collection. HARTSHORNE, C. & WEISS, P. (vols. I-VI), 1959, and BURTS, A. W. (vols. VIIVIII), 1958. The Collected Papers of Charles Sanders Peirce. Harvard University Press, 1994.

MACHADO, A., 2010. Arte e mídia. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed.

MACHADO, I., 2007. Semiótica da cultura e semiosfera. São Paulo: Annablume/Fapesp.

VICENTE, C. F., 2005. Fotografia: a questão eletrônica. In: E. SAMAIN (org.). O fotográfico. São Paulo: Huitec/Senac, pp. 319-328.

VIEIRA, J. A., 2008. Teoria do conhecimento e arte: formas de conhecimento – arte e ciência uma visão a partir da complexidade. Fortaleza: Expressão Gráfica e Editora.