Marcelo Tramontano é Arquiteto, Doutor e Livre-docente em Arquitetura e Urbanismo, e Professor Associado do Instituto de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo. Coordena o Nomads.usp e é Editor-chefe da revista V!RUS.

Juliana Couto Trujillo é arquiteta e urbanista, Mestre em Estudos de Linguagem. Professora Adjunta da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul, e Coordenadora do grupo de pesquisa algo+ritmo, e pesquisadora do Nomads.usp. Estuda processos digitais de projeto, cidades e cultura digital e políticas culturais com meios digitais.

Juliano Veraldo da Costa Pita é arquiteto e urbanista, Mestre em Arquitetura e Urbanismo. Professor do Instituto Federal de São Paulo. Pesquisador do Nomads.usp. Estuda a área de projeto de Arquitetura, sua relação com a esfera pública e as implicações das novas tecnologias, sobretudo o uso de BIM.

Sandra Schmitt Soster é publicitária, arquiteta e urbanista, Mestre. Pesquisadora do Nomads.usp. Estuda o uso de meios digitais na gestão e preservação do patrimônio cultural.


Como citar esse texto: TRAMONTANO, M.; TRUJILLO, J. C.; PITA, J. V. C.; SOSTER, S. S. Parti.cipar+co.laborar vol. 1. Editorial. V!RUS, São Carlos, n. 17, 2018. [online] Disponível em: <http://www.nomads.usp.br/virus/virus17/?sec=1&item=1&lang=pt>. Acesso em: 21 Fev. 2020.

Durante as últimas décadas, constatamos, no Brasil, um esforço bastante plural em estimular ações participativas e colaborativas, através de programas das três esferas de governo, e também de universidades, associações do Terceiro Setor, comunidades, e mesmo empresas privadas. Esperamos que esse esforço não se perca nos próximos anos, e que a consciência de que somos parte de algo maior que nós mesmos, em processos bottom-up de debate amplo e aberto e ações cidadãs não se veja ameaçada, mas continue a consolidar-se.

De maneiras variadas e em diferentes níveis, o tema "parti.cipar+co.laborar" permeia, atualmente, a totalidade das pesquisas em curso no Nomads.usp. Por esta razão, acolhemos com enorme prazer a grande quantidade de trabalhos submetidos à V!RUS, em resposta a nossa chamada de agosto de 2018, que confirma o interesse de pesquisadores de diversas áreas, do Brasil e do Exterior, em aprofundar discussões sobre o assunto.

Tantos bons trabalhos avaliados por pares em processo de dupla revisão cega e aprovados para publicação nos encorajaram a, mais uma vez, organizar dois volumes sobre um mesmo tema: este, que disponibilizamos agora, e um segundo, que será lançado em maio de 2019. Na presente edição da revista, priorizamos artigos dialogando com áreas diversas, enquanto o volume 2 reunirá predominantemente artigos relacionados com a área de Arquitetura e Urbanismo.

Embora todos os trabalhos aqui publicados abordem aspectos conceituais do tema, três textos aplicam-se a construir novas compreensões sobre ele, transversalmente com outros campos disciplinares: a generosa entrevista do arquiteto e doutor em Filosofia Igor Guatelli [Co, essa máquina imperfeita], as reflexões do sociólogo António Pedro Dores [Limites cognitivos das Ciências Sociais e do senso comum], e da arquiteta Viviane Zerlotini da Silva [Participação ou autonomia? Produção do espaço para emancipação política].

Igualmente, apesar de a noção de direito à cidade em políticas urbanas ser referenciada em vários trabalhos, ela constitui o ponto nodal das contribuições do arquiteto e músico João Maurício Ramos [Notas sobre direito à cidade e imunização] e dos arquitetos Anna Paula Vieira e Milton Esteves Junior [Cidade e narrativa: discurso e direito à cidade nos espaços opacos].

Formas contemporâneas de representatividade política e gestão colaborativa da cidade são tratadas nos trabalhos de Helena d'Agosto Fonseca e Raquel Gonçalves [Possibilidades contra-hegemônicas: reinventar a política é possível?] e dos arquitetos Geisa Bugs e Fábio Bortoli [Participação ativista-colaborativa utilizando cartografias digitais]. Também o texto da arquiteta Gabrielle Rocha [Coautoria urbana: conflitos entre corpo e cidade-imagem] oferece uma leitura da construção colaborativa do espaço público, a partir da perspectiva do corpo.

A colaboração no âmbito de processos de projeto é discutida de um ponto de vista cibernético no artigo da arquiteta e doutora em Ciência da Computação Anja Pratschke [Colaboração como estratégia sistêmica]. Estratégias participativas em tais processos são apresentadas pelo arquiteto Bruno de Andrade [O conceito de geogames em ambientes inovadores de aprendizagem] e pelos arquitetos Diego Ricca, Graziela Nivoloni e Clice Mazzilli [Experimentações para o livre brincar: usuário participante do processo de projeto].

O envolvimento de comunidades em projetos participativos é abordado de diferentes maneiras. Dois trabalhos propõem formas de reconhecimento destas populações: das arquitetas Eliane Katayama e Norma Constantino, nas cidades de Bauru e Campinas [Abordando vivências participativas de bioconstrução], e das arquitetas Ana Paula Lyra, Angelina Noronha e Raquel Mesquita, na cidade de Vila Velha [Vivências coletivas sobre a vida de adolescentes no Morro Capixaba]. Outros dois artigos tratam de projetos maiores envolvendo parcerias universidade-comunidade: de Jovanka Scocuglia, na cidade de João Pessoa [Abrace o Porto: experiência de colaboração universidade-comunidade], e de Ester Carro e Maria Amélia Leite, na cidade de São Paulo [Refazendo a memória comunitária: o Parque Fazendinha do Jardim Colombo].

As artes visuais auxiliam duas ações especialmente notáveis: uma ação de produção cinematográfica colaborativa em Recife, do cineasta Pedro Severien [Autoria compartilhada: cinema, ocupação, cidade], e intervenções artísticas em Porto Alegre e Florianópolis, das pesquisadoras em arte Marcia Braga e Claudia Zanatta [Participação e colaboração por palavras, vinhos e lanternas que flutuam].

Por fim, toca-nos especialmente a reflexão sobre um experimento editorial colaborativo em periódico científico apresentada pelas designers Chiara Del Gaudio e Andrea Botero e o zootecnólogo Alfredo Gutiérrez Borrero [Ensaiando uma polifonia polilocal na produção de conhecimento acadêmico].

O projeto gráfico desta edição busca enfatizar a ideia de que o foco de toda ação envolvendo participação e colaboração deve sempre ser colocado na rica e altamente desejável possibilidade de emergências e inovações que estas práticas pressupõem, simbolizada aqui pelo sinal "+".

Desejamos a todas e todos uma leitura estimulante.


Nomads.usp | IAU-USP, dezembro de 2018


 

Marcelo Tramontano is Architect and Urbanist, Doctor and Livre-Docente in Architecture and Urbanism. He is an Associate Professor of the Institute of Architecture and Urbanism of the University of Sao Paulo, Brazil, where he coordinates Nomads.usp. He is the Editor-in-chief of V!RUS journal.

Juliana Couto Trujillo is architect and urban planner,Master in Language Studies. She is an Adjunct Professor at the Federal University of Mato Grosso do Sul, and Coordinator of the algo+ritmo research group, and researcher at Nomads.usp. She studies digital design processes, cities and digital culture and cultural policies with digital media.

Juliano Veraldo da Costa Pita is Architect and Urbanist, Master in Architecture and Urbanism. He is Professor at the Federal Institute of São Paulo, and a researcher at Nomads.usp. He studies architectural design, its relation with the public sphere and the implications of the new technologies, especially the use of BIM.

Sandra Schmitt Soster is advertiser, architect and Master in Architecture and Urbanism. She is researcher at Nomads.usp. She studies the use of digital media in the management and preservation of cultural heritage.


How to quote this text: Tramontano, M., Trujillo, J. C., Pita, J. V. C. and Soster, S. S., 2018. Parti.cipate+co.llaborate vol. 1. Editorial. V!RUS, São Carlos, n. 17. [e-journal][online] [online] Available at: <http://www.nomads.usp.br/virus/virus17/?sec=1&item=1&lang=en>. [Accessed: 21 February 2020].

During the last decades, we have seen a rather pluralistic effort in Brazil to stimulate participatory and collaborative actions through programs of the three spheres of government, as well as universities, Third Sector associations, communities, and even private companies. We hope that this effort will not be lost in the coming years, and the awareness that we are part of something bigger than ourselves, in bottom-up processes of wide and open debate and citizen actions is not threatened, but continue to be consolidated.

In a variety of ways and at different levels, the theme "parti.cipate+col.laborate" currently permeates all the ongoing research at Nomads.usp. This is why we welcome with great pleasure the large number of papers submitted to V!RUS in response to our August 2018 call, which confirms the interest of researchers from various areas, from Brazil and abroad, to deepen discussions on the subject.

So many good works evaluated by peers in a process of double blind review and approved for publication have encouraged us to once again organize two volumes on the same theme: the one we make available now, and a second, which will be released in May 2019. In this issue, we prioritize articles that dialogue with several areas, while Volume 2 will gather predominantly articles related to the field of Architecture and Urbanism.

Although all the works published here address conceptual aspects of the main theme, three texts seek to construct new understandings about it, transversally with other disciplinary fields: the generous interview of the architect and doctor in Philosophy Igor Guatelli [Co, this imperfect machine], the reflections of sociologist António Pedro Dores [Cognitive limits of the social sciences and common sense], and the architect Viviane Zerlotini da Silva [Participation or autonomy? Production of space for political emancipation].

Also, even if the notion of the right to the city in urban politics is referenced in several articles, it is the nodal point of the contributions of the architect and musician João Maurício Ramos [Notes on the right to the city and immunization] and architects Anna Paula Vieira and Milton Esteves Junior [The city and narratives: speech and the right to the city in opaque spaces].

Contemporary forms of political representation and the city's collaborative management are dealt with in the works of Helena d'Agosto Fonseca and Raquel Gonçalves [Counter-hegemonic possibilities: is it possible to reinvent politics?] and the architects Geisa Bugs and Fábio Bortoli [Activist-collaborative participation using digital cartographies]. Also the text from architect Gabrielle Rocha [Urban co-authorship: conflicts between body and image-city] proposes a reading of the collaborative construction of the public space, from the perspective of the body.

Collaboration within design processes is discussed from a cybernetic point of view in the article of architect and PhD in Computer Science Anja Pratschke [Collaboration as a systemic strategy]. Participatory strategies in such processes are presented by the architect Bruno de Andrade [Developing the concept of geogames for innovative learning environments] and architects Diego Ricca, Graziela Nivoloni and Clice Mazzilli [Free playing experiments: the user as a participant of the design process].

Involving communities in participatory projects is approached in different ways. Two papers propose manners of recognizing these populations: by architects Eliane Katayama and Norma Constantino, in the Brazilian cities of Bauru and Campinas [Addressing participatory bioconstruction experiences], and architects Ana Paula Lyra, Angelina Noronha and Raquel Mesquita, in the city of Vila Velha [Collective experiences on the life of adolescents in Morro Capixaba]. Two other articles deal with larger projects involving university-community partnership: by Jovanka Scocuglia, at the Northeastern city of Joao Pessoa [Embrace the Port: an experiment of university-community collaboration], and by Ester Carro and Maria Amélia Leite, in Sao Paulo [Remaking the community's memory: the Fazendinha Park at Jardim Colombo].

Visual arts support two especially notable actions: an action of collaborative cinematographic production in Recife, by the filmmaker Pedro Severien [Shared authorship: cinema, occupation, and the city], and artistic interventions in Porto Alegre and Florianopolis, by art researchers Marcia Braga and Claudia Zanatta [Participation and collaboration through words, wines and floating lanterns].

Finally, we particularly welcome the reflection on a collaborative editorial experiment in a scientific journal presented by designers Chiara Del Gaudio and Andrea Botero and zootechnologist Alfredo Gutiérrez Borrero [Rehearsing a polylocal polyphony in academic knowledge production].

The graphic design of this issue seeks to emphasize the idea that the focus of every action involving participation and collaboration must always be placed in the rich and highly desirable possibility of emergences and innovations that these practices presuppose, symbolized here by the "+" sign.

We wish everyone a stimulating reading.


Nomads.usp | IAU-USP, december 2018



 

.