Colaboração como estratégia sistêmica

Anja Pratschke

Anja Pratschke é arquiteta, Doutora em Ciência da Computação e Livre-docente em Arquitetura e Urbanismo. É Professora Associada e pesquisadora do Instituto de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo, e co-coordenadora do Nomads.usp. Desenvolve e orienta pesquisas sobre processos de projeto, cibernética e organização da informação.


Como citar esse texto: PRATSCHKE, A. Colaboração como estratégia sistêmica. V!RUS, São Carlos, n. 17, 2018. [online] Disponível em: <http://www.nomads.usp.br/virus/virus17/?sec=6&item=1&lang=pt>. Acesso em: 21 Fev. 2020.

ARTIGO CONVIDADO


Resumo

O conteúdo comentado do artigo que segue foi produzido no contexto do texto sistematizado: “O Barco, o Mar e o Timoneiro: Processos de Projeto e Cibernética na Cultura Digital” (PRATSCHKE, 2018), apresentado como parte dos requisitos para a obtenção do título de Livre-docente, no Instituto de Arquitetura e Urbanismo, Universidade de São Paulo, em setembro de 2018. O texto contextualizou oito artigos publicados por mim ou em coautoria, ao longo dos últimos 18 anos, tratando do desenvolvimento da organização da informação e comunicação ligada à cultura digital, em processos de projeto em arquitetura.

Palavras-chave: Colaboração, Sistema, Processo de projeto, Nomads.usp


1 Visualização, organização e integração das informações e suas formas de comunicação

O primeiro trecho contextualiza a transição para a cultura digital que implica mudanças profundas sociais e organizacionais, destacando uma crescente necessidade de colaboração entre as disciplinas para responder aos desafios contemporâneas.

Às questões dos anos 1990 sobre a necessidade de se resolver computacionalmente a visualização, organização e integração das informações e suas formas de comunicação, acrescentam-se, hoje, questionamentos sobre o benefício de tais facilidades computacionais para o conjunto da Humanidade. A questão da consciência, que Roy Ascott  (2003)  relaciona com o desenvolvimento computacional, não é somente sobre o eu, mas sobre a continuidade e expansão dos nós. Constitui, ainda, uma questão de sobrevivência e responsabilidade que implica no que produzimos em espaços e ambientes físicos, e de que maneira o fazemos. Inclui, finalmente, a necessidade de maior interação e colaboração entre áreas de conhecimento, tradicionalmente, no nosso caso, com pouca ou nenhuma vinculação com a Arquitetura, como, por exemplo, a Biologia e a Ecologia, entre outros (PRATSCHKE, 2018, p. 13).

A produção arquitetônica, segundo Gordon Pask (1969), é sistêmica em sua estrutura organizacional, exigindo uma postura colaborativa no processo.

A introdução de métodos científicos, a partir dos anos 1960, decorrente do interesse e da colaboração de cientistas, como o ciberneticista Gordon Pask, em cursos de Arquitetura - por exemplo, na Architectural Association ou na Escola de Ulm -, resultou na formação de um conjunto de profissionais que passaram a utilizar sistematicamente as teorias Cibernética, de Sistemas e da Complexidade em seus processos de design e na definição da interação com os usuários. Cedric Price, o grupo Archigram, os Metabolistas, Frei Otto, Christopher Alexander, Yona Friedman, Gui Bonsiepe e Ranulph Glanville são alguns arquitetos, designers e urbanistas que pouco construíram, mas que muito contribuíram para as formulações metodológicas sobre processos de projeto e a sua relação com a informação e a comunicação. Seus pensamentos e seus trabalhos devem, portanto, ser recuperados dentro do atual contexto da produção teórico-metodológica e projetual arquitetônica, pois enunciaram e exploraram conceitos como o da arquitetura como rede, definida por ações e atividades. Suas ideias dialogam com noções como a incerteza e a impermanência, convidando-nos a enxergar a arquitetura como um conjunto de ações (PRATSCHKE, 2018, p. 33).

O desenvolvimento da computação e das tecnologias de informação e comunicação do século XX nos convidam a revisar o processo de projeto.

Pode-se perceber que os métodos de organização da informação e comunicação, como a Cibernética, evoluem pari passu com o desenvolvimento computacional e da Informática, deslocando o foco de "sobre o objeto" - object oriented -, no nosso caso, arquitetônico, para "sobre o sistema" - system oriented (BURNHAM, 1968 apud PRATSCHKE, 2018, p. 55).

2 Desenvolvimento tecnológico e metodológico

A colaboração em Arquitetura é constantemente revista com a ampliação do número de atores no processo e a reavaliação funcional e ecológica dos produtos. O desenvolvimento de plataformas digitais de organização da informação e comunicação, como o BIM (Building Information Modeling) por exemplo, permite transparência e acesso às informações registradas. Nesse cenário, os atores envolvidos podem alterar e complementar constantemente o projeto desde o início e durante todo o processo do seu ciclo de vida.

Para além da obtenção de produtos importantes, a introdução de meios digitais nos processos de construção de conhecimento in loco estimulou e viabilizou a interlocução entre [profissionais e] pesquisadores, permitindo de maneira muito mais efetiva verificar os limites e as potencialidades do uso desses meios nesse tipo de projeto. Apesar das ainda limitadas possibilidades de colaboração via plataformas computacionais, pude perceber, por um lado, claras relações entre o trabalho estruturado, em parte, segundo lógicas computacionais e, por outro, vislumbrar a necessidade - e a riqueza - de se pensar e conceber plataformas de construção colaborativa de modelos digitais de diversas naturezas (PRATSCHKE, 2018, p. 44-45).

A transparência da gestão e a contribuição individual para o coletivo vêm sendo introduzidas na sociedade em geral, por exemplo, nos ambientes de educação, de trabalho e de produção criativa.

A resolução dos problemas de conectividade entre usuários e o surgimento de novos paradigmas computacionais permitem, hoje, entender o ambiente digital como locus de organização da informação e comunicação. Um bom exemplo disso é o que vem ocorrendo na Universidade de São Paulo, desde 2017, quando a Reitoria assinou um acordo de cooperação com a empresa multinacional Google LLC. Por esse acordo, sistemas dispersos de organização - da universidade - migraram para um sistema central - do Google - que hospeda e disponibiliza gratuitamente serviços de organização a todas as atividades acadêmicas, de todos os docentes, alunos e servidores técnicos da USP: dentre os vários serviços oferecidos estão gerenciador de emails, drive individual em nuvem com capacidade de armazenamento ilimitada e diversos serviços associados, calendários integrados, acesso aos vários sistemas de apoio, citando apenas alguns, conformando um sistema único com os sistemas já existentes na USP. A disponibilização individual desse ambiente depende de uma solicitação por parte de cada usuário, que é, em fim de contas, obrigado a aderir a ele se quiser ter acesso às suas próprias informações (PRATSCHKE, 2018, p. 53).

A contribuição nas plataformas depende do conhecimento e da expertise dos atores, e deve ser estimulada através da formação profissional.

Similarmente, no que se refere a processos de projeto, já há alguns anos temos acesso ao uso de plataformas colaborativas, construídas segundo o conceito BIM (Building Information Modeling). As próprias empresas de desenvolvimento de software disponibilizam o uso de tais plataformas gratuitamente para fins educacionais, permitindo explorá-las e familiarizar futuros arquitetos, já no início do curso de graduação. Nas primeiras turmas sob minha responsabilidade, no IAU-USP, começamos, há alguns anos a usar o programa Revit Architecture. Os paradigmas dessa plataforma pressupõem processos de projeto bastante distintos dos usuais, pois já desde o início do processo, quando das primeiras operações com o programa, o sistema solicita diversas informações, relativamente precisas, para que seja possível modelar o projeto. O emprego dessa plataforma em disciplinas de projeto, nos anos seguintes, contribuiu para aprofundarmos o conhecimento sobre as especificidades do sistema, permitindo a organização das informações e sua comunicação de forma coletiva. A contribuição coletiva no processo de projeto demanda, por sua vez, uma estruturação metodológica que valoriza o papel do observador, visando garantir qualidade, viabilidade e performance do sistema elaborado, além de aproveitar da melhor maneira os conhecimentos específicos de cada um dos atores que contribuem para a alimentação do sistema (PRATSCHKE, 2018, p. 54).

O processo inclui diferentes atores, especialistas, que colaboram de forma horizontal e transversal na plataforma. Destacam-se duas formas de interação, identificadas pela Cibernética como de Primeira e de Segunda Ordem.

A Observação de Primeira Ordem, como definida pela Cibernética, refere-se à relação entre um observador e seu objeto, deixando claro que o resultado da observação depende das características do observador. A Observação de Segunda Ordem, também chamada de Observação da Observação, considera o aumento do número de observadores desde o início do processo, o que permite múltiplos olhares sobre o objeto ou sistema observado, cujo resultado depende das diferentes características daqueles que participam do processo (PRATSCHKE, 2018a, p. 4).

Nesse sentido, a Cibernética, entre outras teorias com suas rotinas colaborativas, pode auxiliar na seleção de melhores propostas. Técnicas de decisão, estruturação e mediação são necessárias para romper com hierarquias convencionais, deixando espaço para a emergência.

No contexto de um processo de projeto, esse modo colaborativo confirma uma maior necessidade de integração de disciplinas, de preferência de forma transdisciplinar, para que se tenha um grande número de variáveis disponíveis para auxiliar a seleção das melhores soluções. A lingüista suíço-norteamericana Marie-Laure Ryan (2005) lembra que os meios digitais devem ser integrados como “[...] uma arte de compromisso entre as possibilidades do sistema e as demandas do significado narrativo” (PRATSCHKE, 2018, p. 55).

3 O ensino e a formação na cultura digital

O uso da mídia digital no ensino e na formação profissional pressupõe uma maior integração das áreas do conhecimento, por meio de educação e treinamento contínuos dos professores e dos alunos.

A Informática para Arquitetura ainda é, em muitas instituições, introduzida através de uma disciplina específica. A duração e a carga horária de uma disciplina na grade de um curso, por maior que sejam, são insuficientes para que os alunos resultem plenamente capacitados. Conhecer as tecnologias digitais, mas também entender os seus impactos no processo de projeto, é, hoje, fundamental para os arquitetos. Esse conhecimento tão vasto quanto complexo, que pressupõe a construção de visões críticas, a aproximação de novas maneiras de aprender, de projetar e de organizar a informação, e inclui o entendimento de novos arranjos produtivos, precisa ser introduzido desde o início da formação e incluído como princípio cultural em todas as disciplinas. Isso porque os métodos de projeto modernos, analógicos por força da época em que foram formulados, são em geral ensinados nas disciplinas de informática - via programas CAD - e nos ateliers de projeto, mas também fartamente discutidos e abordados em disciplinas de história, representação e tecnologia. Os processos digitais e colaborativos, contudo, carecem de professores que auxiliem a construção de sua crítica, contextualizem culturalmente seu surgimento e contribuam para a inserção dos futuros profissionais nos novos arranjos produtivos em arquitetura. Em cursos de arquitetura de nossa época, a interdisciplinaridade e a colaboração precisam ser estimuladas, treinadas, vivenciadas no uso das várias plataformas, se se quer formar arquitetos propositivos e inovar no ambiente acadêmico (PRATSCHKE, 2018, p. 58-59).

O pensar digital como fundo organizador de informações e da comunicação carece de uma revisão de formatos didáticos de forma mais ampla, mesmo que alguns exemplos isolados de possibilidades exploratórias já tenham sido registrados.

Há, contudo, já há vários anos, por parte de muitos docentes da universidade, uma busca por formatos didáticos diferenciados, que incluam o pensar digital no ambiente acadêmico, significando aproximações entre grupos de pesquisa e instituições, resultando, inclusive, na criação de novos cursos de graduação interdisciplinares ou com ênfases. Essa tendência ajuda a explicar o interesse que o curso de extensão Pinhal Digital suscitou, na época, bem como suas reverberações posteriores, que nos revelaram o enorme potencial didático da observação transdisciplinar. Exercícios no contexto de uma disciplina, que estimulam a colaboração e o entendimento do potencial de uma plataforma como BIM, devem ser aproveitados para o curso como um todo, porque afetam várias compreensões, úteis para a totalidade da formação. Do meu ponto de vista, os esforços da Universidade de São Paulo na introdução, defesa e disseminação de uma cultura transdisciplinar em todas as suas carreiras são ainda tímidos, apesar de notáveis. Quando há desaceleração da transição do analógico ao digital, a responsabilidade não é, a meu ver, da tecnologia, nem da infraestrutura: ela é humana, e cultural (PRATSCHKE, 2018, p. 60).

4 Colaboração revisada

Quando se aprende a ler e escrever, o domínio técnico não basta! Para sair do analfabetismo funcional, é preciso entender, analisar e sintetizar. Concordamos que o acesso e livre uso da Internet promovem trocas entre atores, sem, portanto, garantir uma colaboração. São fundamentais o desenvolvimento de estruturas organizacionais, a preparação do indivíduo no uso de tecnologias e a disponibilização de roteiros.

Procedimento central na forma de trabalho do arquiteto, a colaboração também constitui um dos principais conceitos da cultura digital. A organização dos fluxos de informação e as formas de comunicação no ambiente digital, através de múltiplas plataformas, possibilitam, como se sabe, a conexão entre pessoas distantes fisicamente e o registro de atividades em tempo real ou não. Particularmente, no caso da comunicação via Internet, o desenvolvimento de dispositivos móveis e de tecnologias de informação e comunicação permitiram ampliar e complexizar os modos de conexão entre as pessoas, de forma glocal, ou, como apontam Tramontano e Santos (2013), constituindo territórios híbridos de comunicação e trocas (PRATSCHKE, 2018, p. 114).

Com a evidência de possibilidades de manipulação de indivíduos despreparados, atualmente o desafio está em aprofundar o conhecimento contextual e de conteúdo. No caso da Arquitetura, pode-se observar uma conexão entre plataformas e subsistemas de simulação dos diversos aspectos projetuais e de execução, permitindo uma visão da proposta através de dados de simulação.

Nos últimos anos, pude constatar que a questão da colaboração vem se tornando um elemento central na produção digital em Arquitetura, com a difusão da Modelagem da Informação de Edifícios (BIM) e a comunicação e integração do processo produtivo às decisões de projeto, através da fabricação digital. Diferentemente de muitos arquitetos e mesmo de pesquisadores em BIM, minha aproximação ao BIM não se fez através do CAD, mas da investigação sobre métodos de organização da informação e comunicação. A estrutura de organização de dados relacionados, visualizados e acessíveis em um arquivo único, permitindo que o projeto seja desenvolvido e alterado pelos diversos atores autorizados, também em tempo real, através de uma plataforma de conversão, é inegavelmente cibernética. O que permite - e estimula - que outros métodos e teorias sejam associados ao uso do BIM, na definição de roteiros e na coordenação das colaborações (PRATSCHKE, 2018, p. 114).

5 Plataformas para o processo de projeto

A alteração no processo de projeto usando plataformas colaborativas permite a aproximação entre projeto e tecnologia.

O conceito BIM [...] altera drasticamente o modo de organizar o processo de projeto. Uma equipe multidisciplinar pode trabalhar conjuntamente no mesmo modelo digital e na alimentação dos metadados, espelhando as características de um sistema. Mas talvez o diferencial mais expressivo e inovador do BIM é que seus produtos são também sistemas de informação, utilizáveis e atualizáveis não apenas durante as fases de projeto e construção, mas em todo o ciclo de vida do edifício, e que, dentre essas muitas informações, estão também as peças gráficas referentes ao objeto arquitetônico. [...] Os programas em BIM solicitam informações sobre materiais e soluções técnicas pois, sem tais precisões, não é possível iniciar a modelagem dos elementos da edificação. Essa relação com as questões técnicas torna esses modos de projetar vetores de aproximação entre as áreas de Projeto e Tecnologia, pressupondo estreitas colaborações que podem ser de grande interesse para os aspectos didático-pedagógicos da formação de arquitetos (PRATSCHKE, 2018, p. 116).

A colaboração não é entendida somente entre indivíduos, mas também entre sistemas e subsistemas, usando-se Inteligência Artificial e novos estudos em Cognição. Processos de projeto e seus produtos se inserem no que é chamado de Sistema Ciber-Físico, unindo os diferentes níveis e camadas de colaboração.

Por fim, [...] admite o uso de aplicativos e programas de análises variadas, facilitando a relação sistêmica com informações sobre o ambiente em que se inserirá a edificação. Através desses programas complementares pode-se simular e retificar comportamentos, visando melhorar a performance da construção em relação ao contexto. Pesquisas em curso no Nomads.usp têm procurado ampliar a noção de ambiente nesses processos, investigando a possibilidade de uso de aspectos históricos, comportamentais e de fluxos como parâmetros aos quais se possam atribuir valores numéricos e inserir na programação (PRATSCHKE, 2018, p. 116).

6 Considerações finais

A colaboração no processo produtivo arquitetônico contemporâneo tem muitas vantagens e enriquece resultados. Mas o andamento do processo e os resultados dependem da estrutura dos colaboradores, suas especialidades, sua qualidade de formação e sua capacidade de interagir. Os colaboradores precisam estar a par dos desenvolvimentos e desafios contemporâneos, como elemento motivador coletivo. Para passar de participante a colaborador, a postura deve ser proativa e o entendimento dos objetivos e das ligações com os outros atores deve ser sistematicamente revisado. O processo é sistêmico e envolve recursividade, feedback e correções permanentes. Ele pressupõe a capacidade de aceitação de críticas e de modificações, que acontecem durante o processo. Além disso, ele necessita de uma estrutura de gestão descentralizada, como pode ser visto, por exemplo, no Modelo do Sistema Viável, proposto por Stafford Beer (1972). O processo certamente e inicialmente é mais demorado, por causa de retornos e revisões. Avaliando os prós e contras, pode-se concluir que: A colaboração enriquece o resultado; A colaboração permite perceber erros já em fases iniciais; A colaboração familiariza o especialista com outras metodologias usadas por outros especialistas; A colaboração é fundamental em projetos complexos; A colaboração nos torna mais tolerante; A colaboração promove emergência e inovação; A colaboração desafia de forma transdisciplinar projetos complexos. [a continuar]

Referências

ASCOTT, R. Telematic Embrace: Visionary Theories of Art, Technology, and Consciousness. Berkley: University of California Press, 2003.

BEER, A. S. Platform for Change. Nova Jersey: Wiley, 1972.

BURNHAM, J. Systems Esthetics. Artforum, p. 31-35, 1968.

PASK, G. The Architectural Relevance of Cybernetics. Architectural Design, v. 7/6, Setembro 1969. p. 494-496.

PRATSCHKE, A. O Barco, o Mar e o Timoneiro: Processos de Projeto e Cibernética na Cultura Digital. v. 1. 2018a. Texto sistematizado (Livre docência) Instituto de Arquitetura e Urbanismo, Universidade de São Paulo, São Carlos, 2018.

TRAMONTANO, M.; MÔNACO, D. (Ed.). Territórios Híbridos: ações culturais, espaço público e meios digitais. São Carlos: Nomads.usp, 2013.

Collaboration as a systemic strategy

Anja Pratschke

Anja Pratschke is an Architect and Doctor in Computer Science. She is an Associate Professor and researcher at the Institute of Architecture and Urbanism of the University of Sao Paulo, Brazil, and a co-coordinator of Nomads.usp. She develops and guides research on design processes, Cibernetics and information organization.


How to quote this text: Pratschke, A., 2018. Collaboration as a systemic strategy. V!RUS, São Carlos, n. 17. [e-journal][online] [online] Available at: <http://www.nomads.usp.br/virus/virus17/?sec=6&item=1&lang=en>. [Accessed: 21 February 2020].

INVITED ARTICLE


Abstract

The commented content of the following article was produced in the context of the systematized text: “The Boat, the Sea and the Steersman: Design Processes and Cybernetics in Digital Culture” (Pratschke, 2018), presented as part of the requirements for obtaining the title of Associate Professor at the Institute of Architecture and Urbanism, University of São Paulo, in September 2018. The text contextualized eight articles published by me or in co-authorship over the last 18 years, dealing with the development of the organization of information and communication, linked to digital culture, in architectural design processes.

Keywords: Collaboration, System, Design process, Nomads.usp


1 Visualization, organization and integration of information and its forms of communication

The first section contextualizes the transition to the digital culture, that implies profound social and organizational changes, highlighting an increasing need for collaboration between disciplines to respond to contemporary challenges.

To the questions of the 1990s on the need to solve computationally the visualization, organization and integration of information and its forms of communication, today, are added new questions about the benefit of such computational facilities for humanity as a whole. The question of consciousness, which Roy Ascott (2003) relates to computational development, is not only about the self, but about the continuity and expansion of the nodes. It is also a question of survival and responsibility that implies in what we produce in physical spaces and environments, and in what way we do it. It includes, finally, the need for greater interaction and collaboration among areas of knowledge, traditionally in our case, with little or no connection with Architecture, such as Biology and Ecology, among others (Pratschke, 2018, p.13).

Architectural production, according to Gordon Pask (1969), is systemic in its organizational structure, demanding a collaborative stance in the process.

The introduction of scientific methods from the 1960s on, derived from the interest and collaboration of scientists, such as the cyberneticist Gordon Pask, in Architecture courses - for example, the Architectural Association or the Ulm School - resulted in the formation of a group of professionals who have systematically used Cybernetic, Systems and Complexity theories in their design processes and in the definition of interaction with users. Cedric Price, the Archigram group, Metabolists, Frei Otto, Christopher Alexander, Yona Friedman, Gui Bonsiepe, and Ranulph Glanville are some architects, designers, and urban planners who have built little but contributed greatly to the methodological formulations of design processes and their relation to information and communication. Their thoughts and works should, therefore, be recovered within the current context of theoretical-methodological and architectural design production, since they enunciated and explored concepts such as architecture as a network, defined by actions and activities. Their ideas dialogue with notions such as uncertainty and impermanence, inviting us to view architecture as a set of actions (Pratschke, 2018, p.33).

The development of computing, information and communication technologies of the twentieth century invites us to revise the design process.

It can be noticed that the methods of organization of information and communication, such as Cybernetics, evolve pari passu with computational and informatics development, shifting the focus from the object - object oriented, in our case, architectural, to "on the system” - system oriented (Burnham, 1968 cited in Pratschke, 2018, p.55).

2 Technological and methodological development

The collaboration in Architecture is constantly reviewed, with the increase of the number of actors in the process and the functional and ecological revaluation of the products. The development of digital platforms for the organization of information and communication, such as BIM (Building Information Modeling) for example, allow transparency and access to the registered information. In this scenario, the actors involved can modify and supplement the project from the start, and at any time during its life-cycle.

In addition to obtaining important products, the introduction of digital media in the processes of in loco knowledge building stimulated and made possible the interlocution between [professionals and] researchers, allowing, in a much more effective way, to verify the limits and potential of the use of these means in this type of project. Despite the still limited possibilities of collaboration through computational platforms, I was able to perceive, on the one hand, clear relationships between structured work, in part, according to computational logic and, on the other hand, to glimpse the need - and the wealth - of thinking and designing platforms for collaborative construction of digital models of diverse natures (Pratschke, 2018, pp.44-45).

The transparency of the management and the individual contribution to the collective has been introduced in society in general, for example, in the context of education, work and creative production.

The resolution of the problems of connectivity between users and the emergence of new computational paradigms allow us today to understand the digital environment as a locus of organization of information and communication. A good example of this is what has been happening at the University of São Paulo since 2017, when the Presidency signed a cooperation agreement with the multinational company Google LLC. Through this agreement, dispersed organizational systems - from the university - migrated to a central system - of Google’s - that hosts and makes available free organizational services to all academic activities, for all USP faculty members, students and technical staff. Among the various services offered, citing only a few, are an email manager, individual cloud drive with unlimited storage capacity and various associated services, integrated calendars, access to various support systems, forming a unique system with the existing systems at USP. The individual availability of this environment depends on a request from each user, who is ultimately required to join it if they want access to their own information (Pratschke, 2018, p.53).

The contribution on the platforms depends on the knowledge and expertise of the actors and needs be stimulated through professional training.

Similarly, regarding design processes, we have been using the collaborative platforms built according to the BIM (Building Information Modeling) concept for some years now. Software developers themselves allow the use of such platforms free of charge for educational purposes, enabling the future architects to explore and familiarize themselves with them early in the undergraduate course. In the first classes under my responsibility, at the IAU-USP, we began a few years ago to use the Revit Architecture program. The paradigms of this platform presupposes quite different design processes from the usual ones, since already from the beginning of the process, in the first operations with the program, the system requests several informations, relatively precise, so that it is possible to model the project. The use of this platform in design disciplines, in the following years, contributed to deepen the knowledge about the specificities of the system, allowing the organization of the information and its communication in a collective way. The collective contribution in the project process demands, in turn, a methodological structuring that values the role of the observer, aiming to guarantee quality, viability and performance of the elaborated system, as well as making the best use of the specific knowledge of each of the contributing actors to power the system (Pratschke, 2018, p.54).

The process includes different actors, specialists, that collaborate horizontally and transversally in the platform. Two forms of interaction are highlighted, identified by Cybernetics as First and Second order.

First Order Observation, as defined by Cybernetics, refers to the relationship between an observer and his object, making it clear that the result of the observation depends on the characteristics of the observer. The Second Order Observation, also called Observation of Observation, considers the increase in the number of observers since the beginning of the process, which allows multiple glances on the observed object or system, whose result depends on the different characteristics of those who participate in the process (Pratschke, 2018, p.4).

In this sense, the Cybernetics, among other theories with its collaborative routines, can assist in the selection of best proposals. Decision-making, structuring and mediation techniques are necessary to break with conventional hierarchies, leaving space for emergencies.

In the context of a project process, this collaborative mode confirms a greater need to integrate disciplines, preferably in a transdisciplinary way, so that many variables are available to help select the best solutions. Swiss-American linguist Marie-Laure Ryan (2005) reminds us that digital media must be integrated as "[...] an art of compromise between the possibilities of the system and the demands of narrative meaning" (Pratschke, 2018, p.55).

3 Teaching and training in digital culture

The use of digital media in education and professional training presupposes a greater integration of the areas of knowledge through continuous education and training of teachers and students.

Architecture Computing is still, in many institutions, introduced through a specific discipline. The duration and the workload of a discipline in a course grade, however large, are insufficient for students to be fully qualified. Knowing digital technologies, but also understanding their impacts on the design process, is, today, critical for architects. This vast and complex knowledge, which presupposes the construction of critical visions, approaching new ways of learning, designing and organizing information, and includes the understanding of new productive arrangements, must be introduced from the beginning of the formation and included as a cultural principle in all disciplines. This is because modern, analogical design methods by virtue of the time when they were formulated are usually taught in computer science disciplines - via CAD programs - and in design workshops, but also extensively discussed and approached in disciplines of history, representation, and technology. Digital and collaborative processes, however, lack teachers who help construct their critique, contextualize culturally their emergence and contribute to the insertion of future professionals in the new productive arrangements in architecture. In architecture courses of our time, interdisciplinarity and collaboration need to be stimulated, trained, experienced in the use of the various platforms, if one wants to form propositional architects and innovate in the academic environment (Pratschke, 2018, pp.58-59).

Digital thinking as an information and communication organizing background requires a broader revision of didactic formats, even though some isolated examples of exploratory possibilities were already registered.

However, for many university professors, there has been a search for differentiated didactic forms, which include digital thinking in the academic environment, signifying approximations between research groups and institutions, and even creating new interdisciplinary or specialized undergraduate courses. This tendency helps to explain the interest that the Pinhal Digital extension course aroused in the past, as well as its subsequent reverberations, which revealed to us the enormous didactic potential of transdisciplinary observation. Exercises in the context of a discipline, which stimulate the collaboration and understanding of the potential of a platform like BIM, should be used for the architecture course as a whole, because they affect several understandings, useful for the whole of the training. From my point of view, the efforts of the University of São Paulo in the introduction, defense and dissemination of a transdisciplinary culture in all their careers are still timid, although remarkable. When there is a slowdown in the transition from analog to digital, the responsibility is not, in my view, of the technology or the infrastructure: it is human, and cultural (Pratschke, 2018, p.60).

4 Collaboration, revised

When learning to read and write, technical mastery is not enough! To get out of functional illiteracy, one must know how to understand, analyze, synthesize. We agree that free access and free use of the Internet promotes exchanges between actors, without, therefore, guaranteeing collaboration. The development of organizational structures and the preparation of the individual in the use of available technologies and scripts are fundamental.

Central to the architect's work, collaboration is also one of the key concepts of digital culture. The organization of information flows and forms of communication in the digital environment, through multiple platforms, make it possible to connect physically distant people and record activities, in real time or not. In the case of Internet communication, the development of mobile devices and of information and communication technologies has allowed the expansion and complexzation of modes of connection between people, in a “glocal” way, or in the formulation of Tramontano and Santos (2013), by constituting hybrid territories of communication and exchanges (Pratschke, 2018, p.114).

With the evidence of possibilities of manipulation and abuse of unprepared individuals, the challenge is from now on to deepen contextual and content knowledge. In the case of Architecture, it is possible to observe a connection between platform and simulation subsystems of the various design and execution aspects, allowing to have a view of the proposal through simulation data.

In recent years, I have noticed that the issue of collaboration has become a central element in the digital production in Architecture, with the diffusion of Building Information Modeling (BIM) and the communication and integration of the production process to the design decisions, through manufacturing. Unlike many architects and even researchers at BIM, my approach to BIM was not through CAD but through organization methods of information and communication. The organization structure of related data, viewed and accessible in a single file, allowing the project to be developed and modified by the various authorized actors, also in real time through a conversion platform, is undeniably cybernetic. This allows - and encourages - that other methods and theories are associated with the use of BIM, in the definition of scripts and in the coordination of collaborations (Pratschke, 2018, p.144).

5 Platforms for the design process

The change in the design process, using collaborative platforms allows the approximation of design with technology.

The BIM concept [...] drastically changes the way the design process is organized. A multidisciplinary team can work together on the same digital model and on the metadata feed, mirroring the characteristics of a system. But perhaps the most expressive and innovative differential of BIM is that its products are also information systems, usable and updatable not only during the design and construction phases, but throughout the life cycle of the building, and among these there are also the technical drawings referring to the architectural object. [...] The programs in BIM request information on materials and technical solutions because, without such precision, it is not possible to begin the modeling of the elements of the building. This relationship with technical issues transforms the design process as a approximation between the areas of Design and Technology, presupposing close collaborations that may be of great interest for the didactic-pedagogical aspects of the training of architects (Pratschke, 2018, p.116).

Collaboration is not only understood between individuals, but also between systems, subsystems, using Artificial Intelligence and new studies in Cognition. Design processes and their products fit into what is called nowadays a Cyber-Physical System, unifying the different layers of collaboration.

Finally, [...] it admits the use of applications and programs for varied analysis, facilitating the systemic relation with information about the environment in which the building will be inserted. Through these complementary programs one can simulate and rectify behaviors, aiming to improve the performance of the construction in relation to the context. Current research in Nomads.usp has sought to broaden the notion of the environment in these processes by investigating the possibility of using historical, behavioral and flow aspects as parameters to which numerical values can be assigned and inserted into programming (Pratschke, 2018, p.116).

6 Final considerations

Collaboration in the contemporary architectural production process, has many advantages and enrich the results, but the progress of the process and the results depend on the structure of the employees, their specialties, their quality of training and ability to interact. Participants need to be aware of contemporary developments and challenges as a collective motivating element. To move from a participant to a collaborator, the stance must be proactive and the understanding of the goals and connections with the other actors systematically reviewed. The process is systemic and involves recursion, feedback, and permissive corrections. The person has to be able to accept criticisms and modifications that happen during the process. It still needs a decentralized management structure as can be seen for example in the feasible system model, proposed by Stafford Beer (1972). Initially, the process is more time consuming, because of feedbacks and revisions. Evaluating the pros and cons, it can be concluded that: Collaboration enriches the result; Collaboration allows you to perceive mistakes already in the initial stages; Collaboration familiarizes the expert with other methodologies used by other specialists; Collaboration is fundamental in complex projects; Collaboration makes us more tolerant, Collaboration promotes emergency and innovation, Collaboration transdisciplinary challenges complex projects [to be continued]

Referências

Ascott, R., 2003. Telematic Embrace: Visionary Theories of Art, Technology, and Consciousness. Berkley: University of California Press.

Beer, A. S., 1972. Platform for Change. Nova Jersey: Wiley.

Burnham, J., 1968. Systems Esthetics. Artforum, pp.31-35.

Pask, G., 1969. The Architectural Relevance of Cybernetics. Architectural Design, 7/6. pp.494-496.

Pratschke, A., 2018. O Barco, o Mar e o Timoneiro: Processos de Projeto e Cibernética na Cultura Digital. Livre docência. Universidade de São Paulo.

Tramontano, M. and Mônaco, D. ed.s., 2013. Territórios Híbridos: ações culturais, espaço público e meios digitais. São Carlos: Nomads.usp.