A Coluna Prestes: disputas em torno da memória e do patrimônio

Amilcar Vitor, Júlio Quevedo dos Santos

Amilcar Guidolim Vitor é Historiador e Doutor em História, professor da Universidade Regional Integrada do Alto Uruguai e das Missões. Estuda e orienta pesquisas sobre a memória do patrimônio cultural.

Júlio Ricardo Quevedo dos Santos é Historiador e Doutor em História Social e professor na Universidade Federal de Santa Maria. Estuda e orienta pesquisas nas áreas de história da integração latino-americana, história cultural, relações de poder, cultura e história, integração latino-americana e identidade latino-americana.

Como citar esse texto: Como citar este texto: VITOR, A. G.; SANTOS, J. R. Q. A coluna Prestes: disputas em torno da memória e do patrimônio. V!RUS, São Carlos, n. 16, 2018. [online] Disponível em: <http://www.nomads.usp.br/virus/virus16/?sec=4&item=8&lang=pt>. Acesso em: 05 Mar. 2024.


Resumo

Tanto a memória quanto o patrimônio cultural são campos multifacetados e expostos a processos de construção social, especialmente a partir de interesses de pessoas ou grupos. Buscando entendê-los sob uma perspectiva histórica que os reconhecem como um espaço de seleção e disputas do que deve ser lembrado ou esquecido, se expõe e analisa o caso do Memorial Coluna Prestes; localizado no município de Santo Ângelo, na região noroeste do Rio Grande do Sul, onde houveram acontecimentos importantes na década de 1920 que deram origem a marcha da Coluna Prestes. Depois de mais de setenta anos implantou-se um Memorial, gerando disputas e  produção de representações pela legitimidade do passado, o que ocasionou um processo de construção da memória e do lugar de memória criado.

Palavras-chave: Memória, Patrimônio, Disputas, Coluna Prestes

Artigo derivado de pesquisa de Doutorado no Programa de Pós-Graduação em História da Universidade Federal de Santa Maria/RS.


1 Introdução

Tanto a memória quanto o patrimônio, este entendido por François Hartog (2015, p. 193) como seu “alter ego”, são antes de tudo processos de construção social que evidenciam o quanto o passado é transformado não apenas em história, mas em memórias e em lugares de memória criados, que podem vir a ser reconhecidos como expressões do patrimônio cultural.

Neste contexto entendemos os campos da memória e do patrimônio como um universo de disputas ideológicas, políticas, simbólicas e de representações sociais do passado; buscando compreender como a memória e o patrimônio são construídos socialmente a partir de interesses e disputas do presente que colocam em cena grupos sociais com interpretações distintas acerca de acontecimentos ou personagens do passado. Assim, a memória é também um campo de litígio capaz de produzir embates por legitimidade, tendo em vista fazer lembrar e ratificar ou silenciar e negar.

Dessa forma, tratamos dessas questões analisando o caso do Memorial Coluna Prestes, inaugurado no município de Santo Ângelo, na região noroeste do Rio Grande do Sul em 1996, baseado nos acontecimentos da Coluna Prestes na década de 1920, que tiveram nesta cidade e região desdobramentos importantes. A Coluna Prestes foi uma marcha pelo interior do Brasil em oposição aos governos dos presidentes Artur Bernardes e Washington Luís, percorrendo aproximadamente vinte e cinco mil quilômetros em dois anos e três meses, entre outubro de 1924 e fevereiro de 1927.

A idealização e implantação do Memorial Coluna Prestes foi um processo que envolveu disputas entre grupos políticos locais. Esses reconheciam e ao mesmo negavam a importância do passado da Coluna Prestes em Santo Ângelo, especialmente influenciados por suas bases ideológicas que entendiam o passado da Coluna ou da militância política de Luiz Carlos Prestes, sua principal liderança, de maneiras distintas.  

Desse modo, esses grupos representaram o passado da Coluna de Luiz Carlos Prestes e do Memorial Coluna Prestes conforme seus interesses, legitimando o Memorial como um espaço de memória e patrimônio ou negando sua importância para a cidade. Por meio de canais de representação, especialmente meios de comunicação locais, se tinha um passado a ser lembrado e ao mesmo tempo esquecido.

Assim, verificamos que o Memorial Coluna Prestes foi um lugar de memória construído socialmente, baseado em acontecimentos do passado que acabaram por promover disputas pela legitimidade, seja do passado em si ou do próprio Memorial enquanto lugar de memória e patrimônio, evidenciando o quanto a memória se constitui em construção social.

2 A Coluna Prestes na região Noroeste do Rio Grande do Sul e a implantação do Memorial Coluna Prestes

A Coluna Prestes foi um movimento rebelde da década de 1920 importante no processo de desestabilização do sistema político da Primeira República ( período de 1889 à 1930). Na região noroeste do Rio Grande do Sul, especialmente no município de Santo Ângelo, o movimento rebelde que deu origem a Coluna Prestes foi articulado e organizado por Luiz Carlos Prestes. Prestes, o então capitão engenheiro do exército, havia sido transferido para a cidade depois de revoltas militares ocorridas em julho de 1922 no Rio de Janeiro na esteira do Movimento Tenentista. Passariam à história sob a denominação de Tenentismo, pelo fato de seus participantes serem, em sua maioria, Tenentes e Capitães do Exército (PRESTES, 1997, p. 69).

Em Santo Ângelo, Luiz Carlos Prestes liderou as ações rebeldes em outubro de 1924 a partir de outros levantes contra o governo iniciados em julho do mesmo ano, principalmente em São Paulo. Em 1925, rebeldes do Rio Grande do Sul e de São Paulo reuniram-se no Paraná e a partir dali formou-se um movimento de oposição ao presidente Artur Bernardes, que tinha como grande objetivo destituí-lo do poder e promover aquilo que chamavam de moralização da política brasileira. O movimento passou a empreender uma marcha pelo interior do Brasil que teve a duração de dois anos e três meses, entre outubro de 1924 e fevereiro de 1927, percorrendo aproximadamente vinte e cinco mil quilômetros, passando por todas as regiões do país até se exilar na Bolívia (PRESTES, 1997).

Passados mais de 70 anos do fim da marcha da Coluna Prestes, foi inaugurado, em dezembro de 1996, sob iniciativa da administração municipal do Prefeito de Santo Ângelo, Adroaldo Loureiro, do Partido Democrático Trabalhista (PDT), e contando com a colaboração da família do segundo casamento de Luiz Carlos Prestes com Maria do Carmo Ribeiro Prestes, o Memorial Coluna Prestes (Fig.1); espaço dedicado a rememorar, representar e demarcar a cidade de onde teria partido a marcha da Coluna Prestes em 1924.

Fig. 1. Prédio da antiga estação ferroviária de Santo Ângelo, que atualmente abriga o acervo do Memorial Coluna Prestes. Fonte: Amilcar Guidolim Vitor, 2016.

O Memorial e seu acervo foram implantados no prédio da antiga estação ferroviária de Santo Ângelo, inaugurada em 1921. A iniciativa de escolher o prédio para abrigar o Memorial esteve vinculada à ideia de que o espaço já representava uma importância cultural para o município em função de seu tombamento por lei municipal em 1984. Como não haveria recursos para a construção de um prédio próprio para o Memorial, a antiga estação foi reestruturada para receber o acervo sobre a Coluna Prestes e Luiz Carlos Prestes.  

Também foi inaugurado na entrada da cidade um monumento (Fig. 2) em homenagem a Coluna Prestes, de autoria do arquiteto Oscar Niemeyer. A partir de um encontro com o prefeito de Santo Ângelo, Adroaldo Loureiro, no Rio de Janeiro, Niemeyer se comprometeu com o projeto. O fato de um dos maiores arquitetos da história do Brasil ter sido o autor da obra foi um dos argumentos utilizados pelos idealizadores do projeto para ratificar a importância do Memorial Coluna Prestes para Santo Ângelo.

Fig. 2. Monumento em homenagem a Coluna Prestes na entrada do município de Santo Ângelo projetado pelo arquiteto Oscar Niemeyer. Fonte: Amilcar Guidolim Vitor, 2018.

A idealização e criação do Memorial Coluna Prestes tiveram como objetivos, de acordo com os seus idealizadores, rememorar e homenagear os acontecimentos rebeldes de 1924 em Santo Ângelo que deram origem à marcha da Coluna Prestes e a importância histórica da figura política de Luiz Carlos Prestes. Como se divulgava na época:

Este espaço histórico-cultural tem como objetivo homenagear e resgatar um dos fatos mais marcantes na história do Brasil, servindo como referencial para o seu conhecimento e divulgação (TAVARES, 1996, p. 4).

Com a criação do novo espaço de memória do município, havia objetivos econômicos através do turismo, que se pautava em projetar Santo Ângelo nacionalmente.  Prevendo o aproveitamento cultural do Memorial Coluna Prestes, a imprensa santo-angelense já fazia a projeção de como o local seria útil.

Formado pelas duas obras de arte e mais um completo museu, o Memorial santo-angelense se tornará uma visitação obrigatória para uma vasta legião de pessoas que querem conhecer cada vez mais sobre a história de Prestes (JORNAL DAS MISSÕES, 1996, p. 2).

Principalmente o periódico Jornal das Missões, de propriedade da família do Prefeito Adroaldo Loureiro, comemorava os benefícios que o Memorial Coluna Prestes traria para Santo Ângelo. Tais benefícios não estavam relacionados apenas ao desenvolvimento cultural da cidade através da valorização do passado em um novo lugar de memória, mas, fundamentalmente, tratava-se de interesses ou vantagens econômicas com o desenvolvimento do turismo na cidade, agregando novos pontos de referência turística ao município.

A cidade de Santo Ângelo também é conhecida pelo seu passado de missões jesuítico – guarani do século XVIII, com a fundação da Redução de San Angel Custódio em 1707. Apesar de não haver remanescentes arquitetônicos da Redução na cidade, boa parte do turismo gira em torno deste passado.

Inicialmente, eram os acontecimentos do passado jesuítico - guarani de Santo Ângelo que poderiam trazer benefícios, principalmente econômicos, através do turismo. Entretanto, houve a percepção de que as histórias vinculadas à Coluna Prestes e à imagem de Luiz Carlos Prestes em suas passagens pelo município também poderiam ser representadas e rememoradas, especialmente com o estabelecimento de uma expressão patrimonial ligada a essa história. Exemplo disso está exposto a seguir nas palavras de Gládis Pippi Tavares, coordenadora do Museu Municipal de Santo Ângelo, a época da implantação do Memorial Coluna Prestes, e uma das pessoas envolvidas com o projeto.

O Monumento projetado na entrada da cidade, para quem ainda não sabe foi uma doação do arquiteto Oscar Niemeyer, única obra no Sul do país, deste que é considerado por quem entende, um gênio da arquitetura no século XX, motivo que por si só, sem contar o fato histórico que motivou a sua realização, já é um marco arquitetônico para o Rio Grande do Sul, e que com certeza multiplicará a médio e longo prazo o fluxo turístico (engana-se quem pensar que o nosso turismo sobreviverá apenas das referências do período Jesuítico) [...] (TAVARES, 1997, p. 8).

Em seu artigo, Gládis destaca que o monumento projetado por Niemeyer acrescentaria em termos de pontos turísticos a cidade, aumentando o fluxo de turistas e, consequentemente, agregando novas expressões ao patrimônio cultural santo-angelense, visto que somente as histórias e o patrimônio ligado ao passado missioneiro reducional não seriam capazes de alavancar o turismo no município. Esse era um ponto fundamental sob a perspectiva de quem estava idealizando e implantando o Memorial Coluna Prestes.   

Tanto o Memorial quanto o monumento de Niemeyer acabaram por se constituir em instrumentos que proporcionariam não apenas um compromisso com o passado e a memória, mas também com o desenvolvimento econômico através do turismo. Os monumentos e o patrimônio histórico adquirem dupla função – obras que propiciam saber e prazer, postas à disposição de todos; bem como produtos culturais, fabricados, empacotados e distribuídos para serem consumidos. A metamorfose de seu valor de uso em valor econômico ocorre graças à “engenharia cultural”, vasto empreendimento público e privado a serviço do qual trabalham grande número de animadores culturais, profissionais da comunicação, agentes de desenvolvimento, engenheiros e mediadores culturais. Sua tarefa consiste em explorar os monumentos por todos os meios, a fim de multiplicar indefinidamente o número de visitantes (CHOAY, 2006).

De fato, o Memorial Coluna Prestes atualmente se constitui em um dos espaços culturais e turísticos mais visitados de Santo Ângelo, recebendo anualmente cerca de 15 a 17 mil pessoas, principalmente estudantes de todos os níveis educacionais e turistas de todas as regiões do Brasil. Entretanto, mesmo tendo passado-se mais de 20 anos de sua inauguração, e especialmente pelo momento de polarização política que o Brasil vivencia, ainda são muitas as disputas pela memória da Coluna Prestes e da atuação política de Luiz Carlos Prestes, suscitando uma série de interpretações e representações distintas acerca da legitimidade do Memorial.

3 As disputas em torno do Memorial Coluna Prestes

Desde a década de 1980, houve muitas disputas em torno do passado e das memórias ligadas à Coluna Prestes, o que evidencia o quanto são significativas estas questões nas relações entre passado e presente, para que possamos compreender os impactos que isto possui nos discursos, nos imaginários e na criação de espaços voltados para a construção e representação das memórias.

A memória coletiva é amplamente regulada, tanto pela oralidade quanto pela escrita, e possui relevância no que se refere ao entendimento que as pessoas têm acerca do passado. De acordo com a ideia de Halbwachs (2006, p. 32): “É comum que imagens desse tipo, impostas pelo meio em que vivemos, modifiquem a impressão que guardamos de um fato antigo, de uma pessoa outrora conhecida”. A tentativa de influenciar a memória coletiva faz parte de um processo que tem por finalidade atuar no imaginário, através das representações produzidas pelos diferentes grupos da sociedade. Esses aspectos são sentidos frequentemente em relações que fazem parte dos embates pelo poder, principalmente o político.

No que se refere às representações sociais, Chartier (2002, p. 66) afirma que:

[...] representar é fazer conhecer as coisas imediatamente pela ‘pintura de um objeto’, ‘pelas palavras e pelos gestos’, por algumas figuras, por algumas marcas – como os enigmas, os emblemas, as fábulas, as alegorias.

Para o autor, as representações sociais podem ser concebidas como algumas das respostas que as coletividades dão aos seus conflitos, divisões e opiniões manifestadas distintamente, constituindo uma força reguladora da vida cotidiana e coletiva, pois é no centro das representações e dos imaginários que o problema da legitimação do poder e da afirmação dos grupos se encontra. Aqueles grupos que conseguem definir os canais de representação, inclusive a interpretação atribuída ao passado, também detém o poder de impor a visão e a divisão do mundo social que melhor lhes convém (POMMER, 2009).

Tanto o passado da Coluna Prestes quanto a trajetória política de Luiz Carlos Prestes ao longo do século XX, bem como o próprio Memorial Coluna Prestes, foram representados especialmente através dos meios de comunicação impressos de Santo Ângelo, evidenciando os embates pela construção da memória.

Apesar de na década de 1990 a democracia estar restabelecida, havia ainda a manifestação contrária de grupos políticos quanto aos assuntos ligados à Coluna Prestes e a Luiz Carlos Prestes, especialmente pelo fato de Prestes ter sido uma das principais figuras políticas do Partido Comunista Brasileiro (PCB) por quase cinquenta anos.  

Em 1984, Prestes esteve em Santo Ângelo para um evento em rememoração aos 60 anos da Coluna Prestes, o qual ficou marcado por forte embate entre setores políticos que ora apoiavam a figura política de Prestes, ora o repudiavam por sua ligação com o comunismo.

A vinda de Prestes a Santo Ângelo acontecia em um período marcado pelo processo de transição do regime militar para a redemocratização política no Brasil. Desse modo, as disputas entre setores que divergiam estavam acirradas em todo território nacional. A iniciativa de convidar Prestes para um encontro em Santo Ângelo foi idealizada, inicialmente, pela Sociedade dos Engenheiros e Arquitetos de Santo Ângelo (SENASA). Entretanto, tendo em vista o contexto social da época e a importância política de Luiz Carlos Prestes, o evento acabou ganhando proporções maiores e passou a contar com o apoio da Fundação Missioneira de Ensino Superior (FUNDAMES), movimentando também intelectuais e setores progressistas em geral (MEIHY; BIAZO, 2002).

O evento teve como objetivo rememorar os acontecimentos rebeldes de 1924 e que deram origem a Coluna Prestes. Tal evento passou a ser divulgado como “Coluna Prestes – 60 anos depois”. Neste momento, verifica-se a iniciativa de grupos políticos da sociedade santo-angelense em utilizar a representatividade de Prestes, pois:

[...] aquele era um momento em que a presença de Prestes era requisitada em vários lugares do Brasil, por várias instituições, meios de imprensa e intelectuais, preocupados com os desdobramentos políticos do país [...] (MEIHY; BIAZO, 2002, p. 14).

Assim, começaram a ser produzidas as representações em torno das ações políticas de Luiz Carlos Prestes.  Porém:

[...] era um período, pois, ainda desconfortável para a implementação de propostas que pretendiam enfrentar os setores conservadores da sociedade que apoiavam a permanência do regime ditatorial (MEIHY; BIAZO, 2002, p. 14).

Por outro lado, grupos políticos ligados ao Partido Democrático Social (PDS) eram a maioria na Câmara de Vereadores do município em 1984. Dessa forma: “[...] o retorno de Prestes a Santo Ângelo foi, contudo, um evento polêmico em nível local, pois havia sido marcado pela resistência das alas mais conservadoras da cidade [...]” (MEIHY; BIAZO, 2002, p. 14). A negativa deste grupo ficou explícita quando, “[...] a Câmara Municipal de Vereadores negou o título de cidadão santo-angelense a Prestes, durante aquela sua visita a cidade” (MEIHY; BIAZO, 2002, p. 15).

Naquela visita de Prestes a Santo Ângelo ficava claro o quanto sua figura política era interpretada de maneira controversa, e representada conforme grupos políticos identificavam-se ou não com o passado da Coluna Prestes, sua militância política no PCB e com o que ele simbolizava enquanto figura política na situação que o Brasil vivia em 1984.

Passados aproximadamente dez anos da última vinda de Luiz Carlos Prestes a Santo Ângelo, iniciou-se uma nova fase de rememoração e negociação com o passado da Coluna Prestes na cidade. Adroaldo Loureiro, Prefeito de Santo Ângelo pelo PDT, liderou este processo. Cabe destacar que Loureiro havia sido Vereador quando da passagem de Prestes por Santo Ângelo em 1984 e um dos apoiadores a concessão do título de cidadania honorária a Prestes, o qual foi rejeitado na Câmara. No final dos anos 1980, Prestes chegou a declarar apoio a Leonel Brizola, líder histórico do partido, além de ter sido aclamado Presidente de Honra do PDT.

Luiz Carlos Prestes havia falecido em março de 1990, e nessa aproximação que teve em seus últimos anos de vida não apenas com Santo Ângelo, mas com o partido do então Prefeito, em 1996 é que se possibilitou ainda mais a concretização do Memorial Coluna Prestes. Conforme o verificado no periódico Jornal das Missões, em matéria publicada no ano de 2002:

Apesar da relevância histórica, apenas a partir de 1993, na administração do hoje deputado Adroaldo Loureiro, é que a rica história de Prestes começou a ser resgatada no município que viu nascer a Coluna Prestes (JORNAL DAS MISSÕES, 2002, p. 11).

Por outro lado, também houve resistências em relação ao Memorial Coluna Prestes em Santo Ângelo, e essas resistências eram sentidas desde a década de 1980, como já evidenciado anteriormente quando da vinda de Prestes a Santo Ângelo em 1984. Em depoimento ao Jornal das Missões, o professor Valmir Muraro, que fez parte da organização do evento em 1984, relata a ideia que se tinha acerca do comunismo.

Os comunistas eram vistos como pessoas de uma periculosidade até assustadora. Eu lembro que nas escolas depois de 64, antes do início das aulas a gente rezava pedindo a Deus que nos libertasse das ameaças do comunismo. As professoras diziam que o comunismo viria tirar os animais e as terras dos colonos. Certamente esta visão anticomunista associada à figura de Prestes o transforma num vilão (MEOTTI, 2009, p. 5).

O principal argumento utilizado para representar o Memorial Coluna Prestes como algo desnecessário para Santo Ângelo esteve vinculado à ideia de que se estaria desperdiçando dinheiro público para homenagear um comunista. Até hoje, o Memorial Coluna Prestes não é uma unanimidade em Santo Ângelo. Exemplo disso está expresso nos escritos de um colunista do jornal “A Tribuna Regional”, de propriedade da família de Valdir Andres, ex-prefeito de Santo Ângelo e adversário político de Adroaldo Loureiro, em que o mesmo expressa todo o seu descontentamento em relação à figura política de Luiz Carlos Prestes e o Memorial Coluna Prestes.

Para vergonha e repúdio da nação, o nome de Luiz Carlos Prestes, covarde assassino e vendilhão de sua pátria, é dado a logradouros públicos, por indicação de autoridades executivas ou de políticos levianos e oportunistas, sem o menor sentimento de patriotismo. Certamente, desconhecem a verdadeira história ou esposam ainda filosofias sanguinárias e ditatoriais. Em nossa querida Capital Missioneira, usamos e veneramos o nome e a figura de Prestes, para fins turísticos, com o argumento de que quando iniciou a marcha, hoje denominada “Coluna Prestes”, este ainda não era militante do comunismo internacional e defendia ideais, digamos, mais “patrióticos” (MULLER, 2009, p. 6).

Mesmo que o Memorial Coluna Prestes esteja afirmado na cidade de Santo Ângelo enquanto um espaço de memória, de ressignificação do passado, de usos culturais, econômicos ou políticos, ele ainda é um espaço em debate, o que gera e pode gerar representações a favor ou contra o local.

4 A memória como um campo de construção e litígio

A situação do Memorial Coluna Prestes em Santo Ângelo evidencia o quanto a memória é um campo de litígio, de disputas e de batalhas por sua construção que venham a promover a lembrança ou o esquecimento. Ao mesmo tempo em que se ativou a memória do passado da Coluna Prestes e se construiu um lugar de memória, também se negou tudo isso.

Assim, a memória que se constrói acerca de eventos ou personagens do passado acaba por assumir uma posição fundamental no processo de estabelecimento e representações de acontecimentos, personagens ou expressões do patrimônio cultural. Sendo amplamente assediada através de discursos de diferentes grupos ou instituições, a memória pode afirmar, alterar ou criar concepções que dizem respeito a eventos do passado rememorados no presente, estabelecendo, dessa forma, a relação entre passado e presente. (LE GOFF, 1996).

Conforme Le Goff (1996, p. 426), “a memória coletiva foi colocada como um importante instrumento na luta das forças sociais pelo poder”. Tornarem-se senhores da memória e do esquecimento é uma das grandes preocupações dos grupos sociais, e as ativações ou esquecimentos são mecanismos da memória coletiva. Mais do que falar em memória individual ou coletiva, também é importante refletir sobre a ideia de que falamos de apropriações do passado e seus usos sociais no presente (FERREIRA, 2012).

Na época de implantação do Memorial Coluna Prestes, entre 1994 e 1996, o passado da Coluna Prestes foi utilizado como referência para a construção de um lugar de memória que pudesse não apenas se constituir em um marco relacionado ao fato de que aquilo que viria a ser a Coluna Prestes a partir de 1925 teve seu embrião em Santo Ângelo, sob a liderança de Luiz Carlos Prestes, mas também que pudesse ser um novo ponto turístico para a cidade e região, sendo explorado o turismo como alternativa ao desenvolvimento econômico local. Construía-se naquele momento não apenas a memória, mas também o patrimônio.

Na relação que se estabelece entre memória e patrimônio, Guillaume apud Candau (2016, p. 158-159) defende que o patrimônio funciona como um aparelho ideológico da memória, pois a conservação sistemática dos vestígios serve de reservatório para alimentar as ficções da história que se constrói a respeito do passado. Na mesma linha, Poulot apud Candau (2016, p. 159) afirma que a história do patrimônio é a história da construção do sentido de identidade e dos imaginários de autenticidade que inspiram as políticas patrimoniais. Assim, o relicário da memória se transforma em um relicário de identidade que se busca no passado. (CANDAU, 2016).

De acordo com Dias (2006, p. 50), o patrimônio cultural simboliza a identidade cultural de uma comunidade, sendo a expressão mais explícita desta, pois ao se identificarem com determinada expressão do patrimônio, os membros de um grupo social se filiam a um mesmo agrupamento, compartilhando significados e símbolos, facilitando a produção de identidades coletivas. A memória é instância construtora e cimentadora de identidades mediante a seleção do que se recorda e do que, consciente ou inconscientemente, se silencia (CATROGA, 2015).

Durante décadas o passado da Coluna Prestes foi silenciado em Santo Ângelo, mas nos anos 1990 ele foi lembrado; e mais do que isso, com a construção do Memorial, demarcado enquanto um lugar de memória. Pierre Nora vem afirmar que estes lugares são criados porque não há memória espontânea. Eles são construídos, pois o que defendem apresenta-se ameaçado e sem vigilância comemorativa. A história rapidamente os varreria. Para o autor, se realmente vivêssemos as lembranças que os lugares de memória envolvem, eles seriam inúteis. E  se a história também não se apoderasse deles para transformá-los, eles não se tornariam lugares de memória (NORA, 1993).

Cabe ao Historiador encontrar os lugares ativos para reencontrar os discursos dos quais estes lugares foram os suportes. O que faz o lugar de memória é que ele seja um entroncamento onde se cruzaram diferentes caminhos de memória, de modo que somente ainda estão vivos os lugares retomados, revisitados, remodelados (HARTOG, 2015).

De acordo com Llorenç Prats (1997, p. 20), o patrimônio não existe na natureza, não é algo dado e nem um fenômeno universal, mas um artifício idealizado por alguém em lugar e momento para determinados fins. Em se tratando da construção da memória e do patrimônio, Prats destaca que não são processos antagônicos, opostos, mas fases complementares. A invenção refere-se, sobretudo, a processos pessoais e conscientes de manipulação, enquanto a construção social se associa a processos inconscientes e impessoais de legitimação.

Nesse caso, a invenção para se arraigar e perpetuar necessita converter-se em construção social. Reside aí o papel importantíssimo que desempenham as representações sociais como postulou Roger Chartier, na medida em que são capazes de tornar presente um objeto ausente, principalmente no que se refere ao passado, legitimando-o como parte essencial de um projeto de nação, de identidade ou como trata Llorenç Prats, de patrimônio cultural.

5 Considerações finais

Os campos da memória e do patrimônio são multifacetados e envolvem uma série de elementos que devem ser levados em consideração, tendo em vista a abordagem que se faz acerca desses campos semânticos. Nossa proposta foi buscar compreender esses campos a partir de uma perspectiva histórica que pudesse evidenciar o quanto o passado pode ser interpretado, reinterpretado e representado a partir de interesses específicos, seja de pessoas, grupos sociais e instituições, e o quanto isso pode vir a transformar o campo da memória e do patrimônio em alvos de disputa por legitimidade.

Assim, entendemos que no caso do passado da Coluna Prestes e do Memorial Coluna Prestes, implantado mais de setenta anos depois dos acontecimentos, as questões relacionadas à memória histórica da Coluna e da atuação política de Luiz Carlos Prestes suscitaram diferentes interpretações e representações acerca deste passado, tendo em vista fazer lembrar ou esquecer, tudo isso motivado por ideologias e interesses distintos na memória e no patrimônio que pudesse ser construído socialmente, tendo como referência o passado da década de 1920.

A memória e o patrimônio ligado à Coluna Prestes em Santo Ângelo constituem-se num campo litigioso, onde as representações sociais assumiram um papel importante no sentido de legitimar o que deveria ser lembrado ou esquecido, o que poderia ou não se tornar patrimônio. Situações desse tipo são recorrentes na medida em que a memória e o patrimônio são construídos e selecionados a partir de um processo de negociação com o passado; e na mesma proporção em que existem memórias e expressões patrimoniais valorizadas, dimensionadas e espetacularizadas; existem outras silenciadas, escamoteadas e esquecidas.

Além disso, mais importante do que hierarquizar memórias e expressões do patrimônio cultural, é necessário entender como se dá o processo de seleção dessas memórias e desses patrimônios, o que está por trás disso, quem está por trás disso, e quais impactos isso possui na construção das identidades e na maneira como as sociedades enxergam seu passado. Mais do que romantizar a memória e o patrimônio, é fundamental entender sua complexidade enquanto resultado de um processo de construção, seleção e disputa.


Referências

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The Prestes Column: disputes around memory and heritage

Amilcar Vitor, Júlio Quevedo dos Santos

Amilcar Guidolim Vitor is a Historian and Doctor in History, and teaches at the Integrated Regional University of Alto Uruguay and the Missions. He studies and guides research on the memory of cultural heritage.

Júlio Ricardo Quevedo dos Santos is a Historian, Doctor in Social History and teaches at the Federal University of Santa Maria. He studies and guides research in the areas of Latin American integration history, Cultural history, Power relations, Culture and history, Latin American integration and Latin American identity.

How to quote this text: How to quote this text: Vitor, A. G.; Santos, J. R. Q. Prestes’ column: disputes around the memory and heritage. V!RUS, São Carlos, n. 16, 2018. [e-journal] [online] [online] Available at: <http://www.nomads.usp.br/virus/virus16/?sec=4&item=8&lang=en>. [Accessed: 05 March 2024].


Abstract

Memories as well as cultural patrimony are multifaceted fields and they are exposed to social construction processes, especially from people’s and group’s interests. Seeking to understand them from a historical point of view that recognizes them as a space for selection and disputes of what should be remembered or forgotten, we expose and analyze the case of the Prestes Column Memorial; located in Santo Angelo district in the Northwest region of Rio Grande do Sul, where important events happened in the 1920´s decade that gave origin to the Prestes Column march. After more than 70 years a Memorial was implanted, generating disputes and production of representations for the legitimacy of the past, which resulted in a construction process of the memory and of the created memory place.

Keywords: Memory, Heritage, Disputes, Prestes Column

This paper is based on the author's Doctoral research in History at the Federal University of Santa Maria, Brazil.


1 Introduction

Memory as well as heritage, the latter one understood by François Hartog (2015, p.193) as its alter ego, are above all processes of social construction that evidence how much the past is turned not only into history, but also into memories and created memory places that can be recognized as expressions of the cultural heritage.

In this context, we understand the fields of memory and heritage as an universe of ideological, political and symbolical disputes and of social representations of the past; attempting to comprehend how memory and heritage are socially constructed from interests and of the present that bring into scene social groups that have different interpretations in concern to events and characters of the past. Thus, memory is also a field of litigation capable of producing clashes for legitimacy, aiming to remind and ratify or to make silent and deny it.

This way, we treat these matters analyzing the case of the Memorial Prestes Column, launched at the district of Santo Angelo, in the northwest region of Rio Grande do Sul in 1966, based on the events of Prestes Column in the 1920’s decade, that had important outcomes in this city and region. The Prestes Column was a march throughout the countryside in opposition to the leading of the presidents Artur Bernardes e Washington Luís, moving for about twenty five thousand kilometers in two years and three months, in between October 1924 and February 1927.

The idealization and implantation of the Prestes Column Memorial was a process that involved disputes among local political groups. These, at the same time recognized and denied the importance of Prestes Column in Santo Angelo, especially influenced by their ideological basis that understood the past of Prestes Column or of Luiz Carlos Prestes militancy, his main leadership, in distinct ways.

That being so, these groups represented the past of both Luiz Carlos Prestes Column and of the Prestes Column Memorial according to their interests, legitimizing the Memorial as a space of memory and heritage or denying its importance for the city. Through means of representation, especially local means of communication, there was a past to be remembered and at the same time to be forgotten.

Thus, we verified that the Prestes Column Memorial was a socially constructed place of memory, based in facts from the past that ended up promoting disputes for legitimacy, being it of the past itself or of the Memorial’s as a place of memory and heritage, evidencing how much the Memory constitutes itself in social construction.

2 The Prestes Column in Northwestern Rio Grande do Sul and the implantation of the Prestes Column Memorial

The Prestes Column was an important rebel movement in the 1920s during the destabilization process of the political system of the First Republic (1889 - 1930). In the Northwestern region of the Rio Grande do Sul state, especially in the district of Santo Angelo, the rebel movement which gave origin to the Prestes Column was articulated and organized by Luiz Carlos Prestes. Prestes, who was then a captain engineer of the Army, had been moved to the city after the military riots that occurred in July of 1922 in Rio de Janeiro, during the Tenant Movement. Such movement is historically known as Tenentism, since its participants were mostly Army Tenants and Captains (PRESTES, 1997, p. 69).

In Santo Angelo, Luiz Carlos Prestes took the leadership of the rebel actions in October of 1924, as of other uprisings against the government that began in July of the same year, especially in São Paulo. In 1925, rebels from Rio Grande do Sul and from São Paulo got together in Parana and from then on a movement against president Artur Bernardes was formed. It had as its main objective to dismiss him from power and promote what they so called the moralization of the Brazilian politics. The movement started out a march through the countryside of Brazil, which lasted for two years and three months, in between October of 1924 to February of 1927 - wandering through twenty five thousand kilometers and going through all regions of the country until it went into exile in Bolivia (Prestes, 1997).

After more than seventy years from the end of Prestes Column, it was launched in December of 1996, by the initiative of the public administration of the major of Santo Angelo, Adroaldo Loureiro, who belonged to the Democratic Workers Party (PDT in Brazil) and counting with the collaboration of the family of Luiz Carlos Prestes second marriage to Maria do Carmo Ribeiro Prestes, the Prestes Column Memorial (Fig. 1); a space dedicated to reminding, representing and demarcating the city from where the Prestes Column had left in 1924.


Fig. 1. Santo Angelo’s former train station building which holds nowadays the collection of the Prestes Column Memorial. Source: Amilcar Guidolim Vitor, 2016.

The Memorial and its collection were implanted in the old building of Santo Angelo’s train station launched in 1921. The initiative of choosing the building to hold the Memorial was linked to the idea that the space already represented a cultural importance to the district due to its heritage-listing by a district law in 1984. As there wouldn’t be any resources for the construction of a proper building for the Memorial, the old station was restructured to receive the Prestes Column and Luiz Carlos Prestes collection.

A monument was also inaugurated in the entrance of the city (Fig. 2) in honor to Luiz Carlos Prestes, designed by the architect Oscar Niemeyer. Inspired by a meeting with the major of Santo Angelo, Adroaldo Loureiro, in Rio de Janeiro, Niemeyer committed himself to the project. The fact that one of the greatest architects of Brazil’s history was the author of that work was one of the arguments used by the idealizers of the project to reinforce the importance of the Prestes Column Memorial for the city of Santo Angelo.


Fig. 2. Monument honoring the Prestes Column at the Santo Angelo district entrance, designed by the architect Oscar Niemeyer. Source: Amilcar Guidolim Vitor, 2018.

The idealization and creation of the Prestes Column Memorial, had as its objectives according to its idealizers, to remind and to honor the rebel events of 1924 in Santo Angelo that gave origin to the Prestes Column and the political importance of Luiz Carlos Prestes as a political figure. As it was divulged at that time:

this historical and cultural space has as its objective to honor and to rescue one of the most striking facts in the history of Brazil, serving as a reference for its knowledge and promotion (Tavares, 1996, p. 04, our translation).

Also with the creation of the new place of memory in the district, there were economic objectives by means of tourism believing it would project Santo Angelo nationally. Predicting the cultural advantages of the Prestes Column Memorial, the press from Santo Angelo made a projection of how the location would be useful.

Formed by the two works of art and a complete museum, Santo Angelo’s Memorial will become a compulsory visit for a great number of people who wish to know more and more about Prestes history (Jornal das missões, 1996, p. 02, our translation).

Especially the newspaper ‘Jornal das Missões’, owned by Mayor Adroaldo Loureiro's family, celebrated the benefits the Prestes Column Memorial would bring to the city of Santo Angelo. These benefits were not only related to the city’s cultural development through the valorization of the past in a new place of memory, but, essentially, it was about economic advantages and interests due to the development of tourism in the city, adding new points of touristic references to the district.

The city of Santo Angelo is also known by its past of Jesuit-Guarani missions from the XVIII century, with the foundation of the San Angel Custodio Reduction in 1707. Despite the fact that there are no architectural remainings of the Reduction in the city, great part of tourism rotates around this past.

At first, the Jesuit-Guarani events from Santo Angelo’s past were the ones that could bring benefits, especially economic ones, through tourism. However, there was the perception that the histories linked to the Prestes Column and to the image of Luiz Carlos Prestes, at his passings through the district, could also be represented and reminded, especially with the establishment of a patrimonial expression attached to this history. An example of this fact is given by Gládis Pippi Tavares, coordinator of the district Museum of Santo Angelo at the time of the PrestesColumn Memorial implementation and one of the people involved in the project.

The Monument architectural design at the city's entrance, for those who still don´t know it, was a donation of the architect Oscar Niemeyer, the only work in the south of this country from someone who is considered by whoever understands about it a genius of architecture in the XX century. A reason that for itself, without considering the historical fact that motivated its realization, is already an architectural landmark for the Rio Grande do Sul and for sure it is going to multiply, in a medium and long term, the touristic flow (whoever thinks that our tourism will survive just from the references of the Jesuit period is totally mistaken […] (Tavares, 1997, p. 8, our translation).

In her article, Gladis highlights that the monument projected by Niemeyer would add in terms of touristic points to the city, increasing the flow of tourists and consequently adding up new expressions to Santo Angelo’s cultural heritage, due to the fact that only the histories and the heritage attached to the reduction’s missionary past wouldn’t be able to boost tourism in the district. This was a fundamental point in the perspective of those people who were idealizing and implementing Prestes Column Memorial.

The Memorial as well as the monument of Niemeyer ended up constituting themselves as instruments that would promote not only a commitment to the past and to the memory but also to the economic development through tourism. The monuments and the historical heritage acquire a double function – works that promote knowledge and pleasure and are made available to everyone; as well as cultural products, fabricated, packed and distributed to be consumed. The metamorphosis of its usage value in economic value occurs due to the “cultural engineering”, a wide public and private enterprise, at the service of which a great number of cultural entertainers, communication professionals, development agents, engineers and cultural mediators work. Its task consists in exploring the monuments by all means in order to multiply indefinitely the visitors number (Choay, 2006).    

In fact, Prestes Column Memorial nowadays constitutes itself in one of the most visited cultural and touristic locations of Santo Angelo, receiving annually about 15 to 17 thousand people, mainly students of all educational levels and tourists of all regions of Brazil. However, even after having passed by over 20 years of its inauguration and especially for the moment of political polarization that Brazil is going through, there are still many disputes for the memory of Prestes Column and of Luiz Carlos Prestes political actions, bringing up a series of distinct interpretations and representations about the Memorial legitimacy.

3 Disputes concerning the Prestes Column Memorial

Since the 1980s, there were many disputes concerning the past and the memories related to Prestes Column what turns evident how much these issues of relation between past and present are significant, so that we can understand the impacts that these have in the speeches, in the imaginaries and in the creation of spaces dedicated to the construction and representation of memories.

The collective memory is widely regulated by the oral speech as well as by the writing and has its relevance concerning the understanding that people have about the past. According to the idea of Halbwachs (2006, p.32): “It’s common that images of this kind, imposed by the environment we live in, modify the impression we keep of an old fact, of a person once known in the past.” The attempt of influencing the collective memory is part of a process that has as its purpose to act in the imaginary through the representations produced by different groups of society. These aspects are often felt in relations that belong to the clashes for power, especially the political ones.

[...] to represent is to make things known immediately by the ‘picture of an object’, ‘by the words and by the gestures’, by some figures, by some features - such as the puzzles, the badges, the fables, the allegories.

For the author, the social representations can be conceived as some of the answers that the collectivities give to their conflicts, divisions and opinions expressed distinctively, constituting a regulating force of daily and collective life; as it is in the center of representations and the imaginaries that the problem of power legitimization and affirmation of groups is found. Those groups that can define the representation networks, including the interpretation assigned to the past, also detain the power of imposing the vision and the division of the social world that better suits them (Pommer, 2009).

The past of the Prestes Column as well as Luiz Carlos Prestes political trajectory throughout the 20th century and Prestes Column Memorial itself were represented especially through the printed means of communication of Santo Angelo, making evident the clashes for the construction of memory.

Despite the fact that in the 1990s decade the democracy was reestablished, there was still the opposing manifestation of political groups on the matters related to the Prestes Column and to Luiz Carlos Prestes; especially by the fact that Prestes had been one of the main political figures of the Brazilian Communist Party (PCB in Brazil) for almost fifty years

In 1984, Prestes was in Santo Angelo for an event in recall of the sixty years of Prestes Column, event which became marked by a strong dispute among political sectors that at one moment supported the political figure of Prestes and at the other rejected him for his attachment to communism.

The arrival of Prestes to Santo Angelo happened in a period marked by the transition process from the military system to the political redemocratization in Brazil. This way, the disputes among divergent sectors were fierced in the whole national territory. The initiative of inviting Prestes for an encounter in Santo Angelo was idealized initially by the Engineers and Architects Society of Santo Angelo (SENASA in Brazil). However, taking into consideration the social context of the time and the political importance of Luiz Carlos Prestes, the event ended up gaining greater proportions and started counting on the support of the Missionary Foundation of Higher Education (FUNDAMES in Brazil), involving also intellectuals and progressive sectors in general (Meihy; Biazo, 2002).

The event had as its objective to remind the rebel happenings of 1924 which gave origin to the Prestes Columns. Such event was spread as “ Prestes Column - sixty years after”. At this moment we can verify the initiative of political groups of Santo Angelo’s society in using the representativeness of Prestes, as:

[…] that was a moment in which the presence of Prestes was demanded by many places in Brazil, by many institutions, by press and intellectuals worried about the political unfolding of the country [...] (Meihy; Biazo, 2002, p. 14, our translation).

Thus, the representations concerning Luiz Carlos Prestes political actions started to be produced. However:

[...] it was still an uncomfortable period for the implementation of proposals that intended to face the conservative sectors of society that supported the permanence of the dictatorial regime (Meihy; Biazo, 2002, p. 14, our translation).

On the other hand, political groups related to the Social Democratic Party (PDS) were the majority in the Chamber of Councilors of the district in 1984. Being so, “[...] the return of Prestes to Santo Angelo was yet a locally polemic event as it had been marked by the resistance of the most conservative sides of the city [...]” (Meihy; Biazo, 2002, p. 14). This groups’ rejection became explicit when, “[...] a District Chamber of Councilors denied the title of Santo Angelo’s citizen to Prestes during his visit to that city” (Meihy; Biazo, 2002, p. 15, our translation).

At that Prestes visit to Santo Angelo, it became clear how much his political figure was interpreted in a controversial way and represented according to the identification or not of political groups to Prestes past in Prestes Column, his political militancy in PCB and with what he symbolized as a political figure in the situation that Brazil was going through in 1984.

After around ten years of Luiz Carlos Prestes last coming to Santo Angelo, a new phase of rememoring and negotiation with Prestes Column past in the city got started. Adroaldo Loureiro, mayor of Santo Angelo in PDT headed this process. We should point that Loureiro had been a Councilor at the time Prestes passed by Santo Angelo in 1984 and one of the supporters to the concession of his honorary citizenship title, which was rejected in the Chamber. At the end of the 1980’s, Prestes highlighted his support to Leonel Brizola, the party’s historical leader, besides having been acknowledged as PDT’s President of Honor.

Luiz Carlos Prestes had died in March of 1980 and this approximation he had not only with Santo Angelo but also with the major’s party in 1996 on his last days made even more possible the concretization of Prestes Column Memorial. According to what was verified by the periodical ‘Jornal das Missoes’ in a report published in the year of 2002:

Despite its historical relevance, only from 1993 on in the administration of today’s deputy Adroaldo Loureiro, was that Prestes rich history started to be rescued in the district that saw Prestes Column get born (Jornal das Missões, 2002, p. 11, our translation).

On the other hand, there were also resistances related to the Prestes Column Memorial in Santo Angelo which were remarked since the 1980s, as it was already made evident before, when Prestes came to Santo Angelo in 1984. In a testimony to the ‘Jornal das Missoes’ newspaper, professor Valmir Muraro, who was part of the organization of the event in 1984, reports the idea that people had about communism.

Communists were seen as people of high danger being even scary people. I remember that in schools after 1964, before the beginning of classes we used to pray for God for him to release us from communism threats. The teachers said that communism was going to take away animals and lands from farmers. Certainly, this anticommunist vision associated to the figure of Prestes turns him into a villain. (Meotti, 2009, p. 05, our translation).

The strongest argument used to represent Prestes Column Memorial as something unnecessary for Santo Angelo was the idea it would be an act of throwing away public money to honor a communist. Even today, Prestes Column Memorial is not a unanimity in Santo Angelo. Such examples are expressed in the writings of a newspaper columnist “A Tribuna Regional”, owned by Valdir Andres’ family, former major of Santo Angelo and political opponent of Adroaldo Loureiro, where he expresses all his displeasure in relation to the political figure of Luiz Carlos Prestes and the Prestes Column Memorial.

For Nation's shame and disapproval, the name of Luiz Carlos Prestes, a coward murderer, merchant of his Homeland, is given to public places, which suggests executive authorities or frivolous politicians and opportunists with not even the least patriotism feeling who do not know the true history or yet support bloody and dictatorial philosophies. In our dearest Missionary Capital, we use and worship the name and figure of Prestes for touristic ends, using the argument that when the Column started, today known as ‘Prestes Column’, he was not yet a militant of the international communism and defended, let’s say, more “patriotics” ideals (Muller, 2009, p. 06, our translation).

Even though the Prestes Column Memorial is recognized in the city of Santo Angelo as a space of memory reframing the past, for cultural, economic and political uses, it is still a space of debate, which generates and can generate representations in favor or against the location.

4 Memory as a field for construction and litigation

The Prestes Column Memorial situation in Santo Angelo turns evident how much memory is a field of litigation, of disputes and of battles for its construction that can promote either memory or oblivion. At the same time, that memory of the past of Prestes Column was activated and a place of memory was constructed, everything was also denied.

Thus, the memory that is constructed concerning events or characters of the past ends up assuming a fundamental position in the process of establishment and representations of happenings, characters or expressions of cultural heritage. Being widely harassed through speeches of different groups or institutions, the memory can state, modify or create conceptions concerning events from the past remembered in the present, establishing, in this way, a relation between past and present. (Le Goff, 1996).

According to Le Goff (1996, p. 426), the collective memory was put as an important instrument in the fight of social forces for power. Becoming lords of memory and oblivion is one of the worries of the social groups and the activations or forgetfulness are mechanisms of collective memory. More than speaking of individual or collective memory, it is also important to reflect about the idea that we speak of past appropriations and its social uses in the present (Ferreira, 2012).

At the time of the Prestes Column Memorial implementation, between 1994 and 1996, Prestes Column’s past was used as a reference for the construction of a memory place that would not only be able to constitute itself as a landmark, related to the fact that whatever would turn out to be the Prestes Column, from 1925 on, had its germ in Santo Angelo by the leadership of Luiz Carlos Prestes, but could also be a new touristic point for the city and region, exploring the filed as an alternative to the local economic development. At that moment not only memory was constructed, but also heritage.

In the relationship constructed between memory and heritage, Guillaume apud Candau (2016, p. 158-159) argues that the heritage work as an ideological apparatus of memory, as the systematic conservation of the trace elements serves as a tank to feed the fictions of history which are built about the past. In the same line, Poulot apud Candau (2016, p. 159) states that the heritage’s history is the construction history of a sense of identity and of the authenticity imaginaries that inspire the patrimonial politics. Thus, the reliquary of memory changes into a reliquary of identity that seeks itself in the past (Candau, 2016).

According to Dias (2006, p. 50), the cultural heritage symbolizes a community's cultural identity, being the most explicit expression of that; as when identified with an specific expression of heritage, the members of a social group become affiliated to the same cluster, sharing meanings and symbols and facilitating the production of collective identities. Memory is an identity constructor and solidifier instance, by the selection of what we remember of and what, consciously or unconsciously, we make silent (Catroga, 2015).

Even though, for decades, the past of Prestes Column was made silent in Santo Angelo, in the 1990s it was remembered; and more than this, with the construction of the Memorial, it was demarcated as a memory place. Pierre Nora comes to state that these places are created because there is no spontaneous memory. They are constructed, for what they defend is threatened and without celebrating vigilance. The history quickly would wash them out. For the author, if we really lived the memories that the places of memory involve, those places would be useless. And, also, if History hadn’t appropriated of them for transformation, they would not become memory places (Nora, 1993).

It is the Historian duty to find the active places to reencounter the speeches for which these places were the support. What makes a memory place be is the factor of being a junction where different memory paths encounter, in a way that only the recalled, revisited and remodeled places are alive (Hartog, 2015).

According to Llorenç Prats (1997, p. 20), the heritage doesn’t exist in nature, it’s not something given and neither an universal phenomenon, but a device idealized by someone in place and moment for specific ends. Considering the construction of memory and heritage, Prats highlights that they are not antagonist and opposed processes but complementary phases. Overall, the invention refers to personal and conscient processes of manipulation, whereas the social construction associates itself to unconscious and impersonal legitimation processes.

In this case, the invention, to get rooted and perpetuated, needs to convert itself into social construction. That’s where we can situate the very important role that the social representations perform, as Roger Chartier postulated; in the sense that they are capable of turning an absent object into present, mainly in what past is concerned, legitimating it as an essential part of a nation project of identity, or as Llorenç Prats states, of cultural heritage.

5 Final considerations

Memory and heritage fields are multifaceted and involve a series of elements that should be taken into consideration, considering the approach we take around these semantic fields. Our proposal was to seek to comprehend these fields from a historical perspective, that should make evident how much the past can be interpreted, reinterpreted and represented from specific interests, either from people, social groups or institutions, and how much this can turn the field of memory and heritage into targets of dispute for legitimization.

Thus, we understand that in the case of Prestes Column past and the Prestes Column Memorial, implemented more than seventy years after the happenings, the matters related to the historical memory of the Column and to Luiz Carlos Prestes political actions brought up different interpretations and representations concerning this past. Aiming to make it reminded or forgotten, all this was motivated by distinct ideologies and interests in memory and in heritage that could be socially constructed, having as a reference the 1920’s past.

The memory and the heritage connected to Prestes Column in Santo Angelo constitutes itself in a litigious field, where the social representations assumed an important role in the sense of legitimating what should be remembered or forgotten and what could or not become heritage. These kind of situations are common if we consider that memory and heritage are constructed and selected from a negotiation with the past process; and in the same proportion in which there are memories and patrimonial expressions valued, dimensioned and glamorized, there are others that are made silent, hidden and forgotten.

Besides that, more important than putting memories and expressions of cultural heritage in an hierarchical order, it is necessary to understand how the selection process of these memories and patrimonies occurs, what lies behind it, who is behind it and which impacts it has in the construction of identities and in the way how societies view their past. Beyond romanticizing the patrimony and memory, it is critical to understand its complexity as the result of a construction, selection and dispute process.



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