Assessoria técnica e imaginários espaciais de grupos sócio-espaciais

Alexandre Bomfim

Alexandre Bomfim é Arquiteto e Urbanista e Mestre em Arquitetura e Urbanismo. É pesquisador do Grupo MOM - Morar de Outras Maneiras, do Programa de Pós-graduação em Arquitetura e Urbanismo da Universidade Federal de Minas Gerais. Estuda relações entre o imaginário espacial e a produção do espaço.


Como citar esse texto: BOMFIM, A. M. S. Assessoria técnica e imaginários espaciais de grupos sócio-espaciais. V!RUS, São Carlos, n. 19, 2019. [online] Disponível em: <http://www.nomads.usp.br/virus/virus19/?sec=4&item=5&lang=pt>. Acesso em: 18 Mai. 2021.

ARTIGO SUBMETIDO EM 18 DE AGOSTO DE 2019


Resumo

Este artigo aborda a relação entre os imaginários espaciais de grupos sócio-espaciais e a atuação da assessoria técnica. Sugere-se que o agenciamento político desses grupos e sua autonomia dependem de um exercício crítico diretamente conectado aos processos de construção de informações sobre as relações sociais de seus membros e de seus respectivos espaços, afinal, a crítica da sociedade e de seu espaço produzido tem como base as informações sobre ele produzidas, e estas construídas a partir de um imaginário espacial socialmente partilhado. O imaginário espacial consiste na espacialização do imaginário social teorizado por Castoriadis, que é a matriz de sentido com base na qual a sociedade institui imaginariamente a si mesma. As instituições criadas com fundamento nesta matriz não independem da dimensão espacial; de fato, elas se manifestam em espaço social. Portanto concluiu-se que não apenas as relações sociais são instituídas de acordo com um modo o qual façam sentido, mas como também o espaço é produzido segundo uma interpretação da realidade. Com isso, para que a assessoria técnica contribua para o exercício da autonomia dos grupos assessorados, cabe a ela criar instrumentos que viabilizem a produção de informações por esses grupos, para que estes, no exercício de sua autonomia e sem criar uma relação de dependência para com os assessores, possam submeter seus imaginários espaciais à críticas por si mesmos.

Palavras-chave: Imaginário espacial, Assessoria técnica, Grupos sócio-espaciais, Autonomia



1 Imaginário social e projeto de autonomia

Cornelius Castoriadis foi um pensador grego que viveu de 1922 a 1997 e, durante toda sua vida, teve grande envolvimento com a política e a crítica da sociedade. Ainda jovem, ingressou na Juventude Comunista Ateniense, e, já em idade mais avançada, rompeu com o marxismo, fundando, junto com outros pensadores que se separaram do braço francês da Quarta Internacional, o grupo e periódico ‘Socialismo ou Barbárie, órgão de crítica e de orientação revolucionária’ (CURTIS, 1988). 

Castoriadis, como explica Souza (2017), era um pensador da autonomia. Para ele, a autonomia era a essência da práxis, do desenvolvimento histórico de uma sociedade justa. Isso porque somente o exercício da autonomia viabilizaria a abertura da sociedade à reformulação de si mesma, em busca da realização de seus objetivos e daqueles de seus membros, ao longo do tempo (CASTORIADIS, 1982).

No desenvolvimento de sua teoria e de sua crítica sobre a sociedade, Castoriadis (1982) elaborou uma tese sobre a formação e a existência desta última, consolidada em um texto de 1975, intitulado “A instituição imaginária da sociedade”. Segundo ele, a sociedade é imaginariamente instituída por seus membros, não existindo como simples consequência natural da agregação de indivíduos. Assim, ela não existe como algo que se anteceda ao consenso social que a institui; é preciso que haja uma matriz de sentido comum partilhada pelos seus membros para que ela se constitua e, a essa matriz, Castoriadis (1982) dá o nome de imaginário social.

O imaginário social é um núcleo a partir do qual a sociedade compreende e institui a si mesma. Ele é a fonte para a construção de informações sobre a sociedade pelos seus membros. Tendo em vista o projeto de autonomia castoriadiano, é seguro afirmar que uma sociedade só pode se dizer autônoma – isto é, aberta à reformulação de si mesma – se os seus membros forem capazes de compreender e criticar a matriz de sentido de mundo socialmente instituída. Nessa linha, relacionar a produção de informações e o imaginário pode auxiliar no estudo do exercício político na sociedade e sua espacialização. Serve também para compreendermos as possibilidades de exercício da autonomia pela sociedade, seus membros e os grupos que a ela pertencem, contribuindo para repensarmos a atuação de assessores técnicos nos processos de assessoria na produção do espaço. 

É importante saber que imaginário não é sinônimo de simbólico, por mais que o uso corrente tenda a fazer essa equivalência. O imaginário é a matriz social de sentido que possibilita à sociedade reunir-se em torno de uma interpretação da realidade que a institua; já o simbólico é o modo de expressão dessa matriz (CASTORIADIS, 1982), mas isso não significa a antecedência de um ou de outro: o imaginário não se realiza sem sua expressão simbólica, e o simbólico não existe sem uma matriz socialmente partilhada de significação. Uma das formas de expressão do imaginário é o discurso, o qual, sendo uma modalidade de manifestação simbólica dessa concepção de realidade. Consequentemente, o discurso permite acessar as informações da matriz subjacente que guia a instituição da sociedade. 

Portanto, o conceito de imaginário social elaborado por Cornelius Castoriadis (1982) indica um caminho interessante para a compreensão da sociedade. Em sua teoria, o imaginário não aparece como algo abstrato, irreal ou idealizado, mas sim como um modo concreto de interpretar o mundo e instituir a sociedade. A seu ver, as relações sociais porventura travadas entre os membros de uma sociedade são fundamentadas nessa interpretação partilhada, o imaginário social, e possuem características funcionais e simbólicas. Afinal, segundo Castoriadis (1982, p. 159), o imaginário “deve-se entrecruzar com o simbólico, do contrário a sociedade não teria podido ‘reunir-se’, e com o econômico-funcional, do contrário ela não teria podido sobreviver”, o que ocorre por meio das instituições. 

A instituição, fenômeno que revela o imaginário social e constitui a sociedade é “uma rede simbólica, socialmente sancionada, onde se combinam em proporções e em relações variáveis um componente funcional e um componente imaginário” (CASTORIADIS, 1982, p. 159). As instituições estão ligadas à sobrevivência material e funcional do grupo social e ao mesmo tempo, a significados que o grupo lhes confere, de tal maneira que façam sentido para a sociedade e seus membros (CASTORIADIS, 1982). 

Para Castoriadis, uma sociedade só existe (não no sentido da existência meramente ‘física’ ou ‘biológica’, mas enquanto existência humano-social, o que implica a construção de sentido para as coisas e o mundo e a geração de novos sentidos) ao criar (verdadeiramente ex nihilo) uma matriz de ‘significações imaginárias sociais’. Essas significações não têm ou não se esgotam (especialmente no caso das significações centrais e fundamentais, em contraste com as significações ‘derivadas’) em referentes ‘reais’ e ‘racionais’; elas compreendem os valores, as ‘visões de mundo’ (Weltanschauungen), as crenças, os mitos e os tabus (‘Deus’, ‘Razão’, ‘Capital’...) que dão sentido ao mundo e aos quais o aspecto funcional se acha submetido/subordinado, por literalmente não ter sentido fora do plano simbólico (para além, obviamente, da banalidade que é, no plano da sobrevivência individual e da espécie, o fato de que não se pode subsistir sem comer, sem se proteger das intempéries, sem reproduzir a espécie etc.). (SOUZA, 2017, p. 37-38, nota 12, grifo do autor).

Porém, apesar do que afirma Souza (2017) no trecho acima, a criação do imaginário não é “verdadeiramente ex nihilo”. Ele não se dá a partir do nada. É importante ter em vista que as relações sociais instituídas, tal como propõe Henri Lefebvre (2008), manifestam-se em espaço social. Este último, então, afeta o imaginário, ao mesmo tempo em que é por ele afetado. Por essa razão, a tensão entre a teoria da produção do espaço e a teoria castoriadiana pode ensejar um novo conceito, capaz de incluir tanto as considerações sobre o imaginário quanto aquelas sobre o espaço: o imaginário espacial.

2Imaginário espacial: uma espacialização de Castoriadis

Apesar da ontologia da sociedade formulada por Castoriadis (1982) auxiliar no entendimento das relações sociais instituídas, esse autor não é figura muito presente nas discussões sobre o espaço. Em parte, isso deriva de seu posicionamento quanto à relevância – ou melhor, quanto à irrelevância, a seu ver – da dimensão espacial. Para Souza (2017, p. 321, grifo do autor), Castoriadis “secundarizou e subestimou o espaço em favor do tempo, em favor da história, ao menos no plano da reflexão (própria e fortemente) filosófica”.

A desconsideração do espaço não é uma particularidade de Castoriadis. De acordo com Souza (2017), à época em que Castoriadis elaborou seu pensamento sobre a sociedade, era comum que teóricos que discutiam a sociedade recusassem a relevância dessa dimensão, opondo-se ao determinismo espacial e, consequentemente, entendendo a sociedade e seus conflitos somente a partir da história. Assim, para Castoriadis, o espaço é simples substrato natural, do qual somente podem derivar trivialidades para a sociedade, não suas instituições constituintes (SOUZA, 2017). 

Entretanto, a sociedade não é somente histórica. A dimensão espacial não é tão somente o palco sobre o qual a sociedade se desenvolve. 

A sociedade concreta, se existe somente na história, e tendo a história como seu modo de existência em sentido forte (criação de ‘significações imaginárias sociais’), também, complementarmente, só existe ‘com’ o espaço e ‘sendo’ espaço, na medida em que as relações sociais só se concretizam ‘no’ espaço, pelo espaço e por meio do espaço, referenciadas e condicionadas pelo espaço (o qual, aliás, também influencia a psique). (SOUZA, 2017, p. 53, grifo do autor).

Nessa linha, importa trazer à tona a discussão apresentada por Lefebvre (2008) acerca da produção do espaço. Há uma tensão entre a posição defendida por Lefebvre (2008), para quem o espaço é a manifestação das relações sociais, e Castoriadis (1982), para quem a instituição da sociedade é histórica e o espaço, a seu turno, não teria relevância. Essa, porém, é uma tensão constitutiva. É a partir da contraposição dessas duas teorias da sociedade e da identificação da referida tensão que podemos falar do conceito de imaginário espacial: uma matriz de sentido socialmente partilhada que não se manifesta apenas como construção histórica, mas também se manifesta na produção do espaço. Não se trata de um sub-ramo do imaginário social, mas do reconhecimento de que a concretização do imaginário defendida por Castoriadis (1982) precisa levar em conta a manifestação das relações sociais, que é, nos dizeres de Lefebvre (2008), o espaço social. E essa é uma via de mão dupla: de um lado, o imaginário espacial confere sentido a certas práticas espaciais em conformidade com relações sociais instituídas, e, de outro, essas relações manifestam-se em práticas que instituem o imaginário espacial em que se baseiam. Ter isso em mente é vislumbrar a realidade concreta e a manifestação das práticas e dos conflitos constitutivos da sociedade.

Segundo Lefebvre (2008), a produção do espaço está estreitamente conectada à disputa estratégica pelo controle das relações sociais: é no e pelo espaço que essas relações são produzidas e reproduzidas porque é no e pelo espaço que elas se realizam (LEFEBVRE, 2008). Dessa forma, mesmo se aceitarmos, com Castoriadis (1982), que as instituições sociais – incluídas aqui, portanto, as relações sociais instituídas – são fundamentadas em uma matriz de sentido socialmente partilhada, essa matriz não pode simplesmente ignorar a dimensão espacial. As relações sociais não ocorrem sobre o espaço social; as relações sociais são espaço social (LEFEBVRE, 2008). 

Nesse sentido, falar somente de um imaginário social é correr o risco de ignorar parcela importante da manifestação real, no mundo, dos conflitos e relações instituídas, porque o desenvolvimento da sociedade na história é indissociável da manifestação em espaço desse desenvolvimento (MASSEY, 2008). Por isso, a partir de Castoriadis (1982) e Lefebvre (2008), talvez seja adequado falarmos de um imaginário espacial: não somente as instituições fazem sentido graças a uma matriz interpretativa da realidade, mas também faz sentido que o espaço social, que é a manifestação dessas instituições, seja produzido de determinada maneira, que aparenta ser ‘natural’ pelo sentido que faz para os membros da sociedade. 

O grande problema está em que essa mesma matriz pode ser responsável pela perpetuação de desigualdades e pela alienação de grupos fragilizados, cujas vozes, no que diz respeito à produção do espaço – consequentemente, da sociedade –, são emudecidas. Esses grupos, então, tornam-se reféns de representações do espaço ditadas de cima para baixo. Essas representações escondem os conflitos e as estratégias de dominação empregadas, aparentando ser as melhores ou mesmo as únicas possíveis. De fato, mesmo se não aderirem à matriz de sentido hegemônica, os grupos em questão sofrem a repressão violenta de um aparato estatal institucionalizado baseado nessa matriz. Isso porque o Estado para garantir a manutenção das relações sociais existentes, ataca violentamente as alternativas. Como informa Kapp (2014), o Estado, ainda que com níveis de rigor variáveis, busca controlar e planejar a sociedade para garantir a coesão necessária para a reprodução das relações sociais estabelecidas, e o faz tanto funcional quanto simbólica e discursivamente. Assim, por não corresponderem às representações institucionalmente estabelecidas, práticas de resistência colocadas em ação por esses grupos são combatidas pelo Estado.

3Projeto de autonomia e assessoria técnica a grupos sócio-espaciais

Mesmo que Castoriadis não tenha conferido a devida importância ao espaço na sua teoria sobre a sociedade, “nada nos impede de ‘espacializar’ o ‘projeto de autonomia’ – condição sine qua non, aliás, para que a poderosa reflexão de Castoriadis adquira maiores concretude e potencial operacional” (SOUZA, 2017, p. 331, grifo do autor). Portanto, talvez seja positivo que as discussões sobre a transformação da sociedade considerem como esta última produz seu espaço e como acredita que deve fazê-lo.

Para Castoriadis (1982), é o exercício da autonomia que permite a auto-superação permanente da sociedade sobre si mesma, definindo e redefinindo seus objetivos e instituições, bem como orientando-se para a realização destes. Esse tema adquire ainda maior relevância quando consideramos grupos sócio-espaciais fragilizados, cujas possibilidades de tomar parte nesses processos de instituição de si e de seus espaços são mínimas – quando não são inexistentes. 

Grupos sócio-espaciais são aqueles cujas características constitutivas estão intrinsecamente relacionadas a práticas espaciais que lhes são próprias, isto é, “um grupo de pessoas que se relacionam entre si num espaço, sendo esse espaço constitutivo do grupo e, inversamente, constituído por ele” (KAPP, 2018, p. 223). Normalmente, esses são os grupos a que se dedicam os serviços de assessoria técnica na produção do espaço (KAPP, 2018).

Neste ponto, é importante destacar a diferença entre assistência e assessoria técnica. Consoante Kapp (2018, p. 222), “assistência conota uma adesão acrítica ao pressuposto da inferioridade social dos assistidos, esbarrando no assistencialismo e na filantropia, enquanto assessoria condiz mais com uma perspectiva crítica dessas relações de dominação”. Dessa forma, ao passo que, na assistência, um serviço é prestado por especialistas a grupos ou indivíduos tidos como incapazes de produzir seu próprio espaço, na assessoria o que existe é uma relação de colaboração entre assessorados e assessores, de tal forma que haja, inclusive, promoção da capacidade dos primeiros de exercerem sua autonomia. 

Contudo, essa distinção conceitual não é tão simples de ser colocada em prática. Segundo Kapp (2014), em regra existe uma disparidade entre as concepções dos técnicos prestadores dos serviços de assessoria e os grupos aos quais esses serviços são prestados. Existe “uma diferença de representações e discursos que é difícil de admitir e mais difícil ainda de superar” (KAPP, 2014, p. 122). Disso decorre que entender o imaginário espacial dos grupos assessorados não é tarefa fácil para os assessores.

Para que isso fosse possível, caberia à assessoria técnica auxiliar os grupos sócio-espaciais a produzirem informações sobre o espaço e sobre a sociedade sem que a primeira supusesse correspondências automáticas. Esses pressupostos – ou pré-conceitos – são típicos do assistencialismo paternalista que prescreve o que é melhor para os grupos, como se estes não fossem capazes de decidir por si mesmos. Ora, se a intenção é a promoção da autonomia, a assessoria deve procurar compreender as demandas e necessidades do grupo, não pressupô-las (KAPP, 2018). Assim, o serviço de assessoria técnica deve criar ferramentas para que os grupos sócio-espaciais possam produzir o espaço e a sociedade, bem como as informações pertinentes sobre esses temas, por si mesmos, sem uma relação de dependência para com os assessores. Tais grupos somente poderão agir em prol da transformação de sua condição sócio-espacial se estiverem dotados das informações necessárias para o seu agenciamento político autônomo. 

Isso significa que a assessoria técnica a um grupo sócio-espacial deve ajudar na construção de informações sobre o espaço e a sociedade pelos membros do grupo assessorado, e não lhe informar sobre o que é mais adequado para ele. Como uma das formas de construção dessas informações pelos grupos são os discursos que eles e seus membros produzem, podemos supor que tais discursos são instrumentos relevantes para a obtenção de informações que contribuem para a prestação de assessoria técnica. 

Certamente, os grupos sócio-espaciais assessorados não acolhem passivamente as recomendações dos assessores sem questionamentos. Mas, dada a possível assimetria técnica (real ou pressuposta) entre assessores e assessorados, o cuidado pela parte dos técnicos é necessário para evitar o risco de determinar decisões que, no exercício da autonomia, devem ser tomadas pelos assessorados. Assim, a criação de ferramentas que instiguem a elaboração desses discursos e das representações do espaço pelos grupos sócio-espaciais assessorados pode permitir a sua emancipação e o exercício de sua autonomia, afinal isso contribui para revelar e submeter à crítica o modo como eles atribuem sentido à produção do espaço e às relações sociais instituídas.

4Discursos e representações do espaço como instrumentos para a autonomia

Discursos sobre o espaço porventura produzidos por grupos sócio-espaciais e por seus membros são fontes de informação importante para compreender como o espaço é concebido e representado por esses grupos. O exercício quase terapêutico de revelação da matriz de sentido da instituição do espaço e da sociedade pelos grupos é o que torna possível que estes últimos possam produzir informações relevantes para si e, por conseguinte, elaborar críticas necessárias para exercício político informado. Isso torna possível tanto a luta institucional por melhorias no interior do Estado, quanto a busca pela concretização de um projeto transformador mais amplo.

Ao mesmo tempo, porém, é importante lembrar que os discursos podem servir como instrumentos de disseminação de um determinado imaginário espacial e de suas instituições, com consequências negativas para a sociedade e, principalmente, para grupos sócio-espaciais fragilizados. Afinal, um determinado imaginário espacial pode conter princípios interpretativos que corroboram aspectos como segregação espacial e reprodução da desigualdade de acesso, apropriação e transformação dos espaços urbanos. Esse imaginário, então, expressado em discursos e manifestado em instituições e, consequentemente, na configuração do espaço social pode ser veiculado como a melhor opção possível ou única adequada – inclusive com assessores técnicos desatentos contribuindo para isso. 

Neste ponto, vale nos perguntarmos se os discursos podem realmente servir como instrumento para chegar ao imaginário espacial. Como afirma Bakhtin (2006, p. 34-35), “[...] a própria consciência individual está repleta de signos. A consciência só se torna consciência quando se impregna de conteúdo ideológico (semiótico) e, consequentemente, somente no processo de interação social”. Isso quer dizer que há um conteúdo interpretativo que afeta a manifestação do pensamento; esse conteúdo, a seu turno, é a matriz de sentido partilhada, o imaginário. 

A manifestação do pensamento está relacionada à linguagem, uma faculdade intelectual. Mas a linguagem não deve ser concebida apenas formalmente, como língua, um sistema de símbolos. Ainda que possa existir abstratamente como esse sistema, a concretização da língua e da faculdade da linguagem se dá, consoante Bakhtin (2006), pelo discurso. Sem a manifestação em discurso, a linguagem, como capacidade humana, permanece latente, e a língua, como sistema de símbolos, permanece abstrata. E o discurso não é apenas uma produção individual: ele deriva das significações que o indivíduo constrói nos processos de interação social – tanto que Bakhtin (2006, p. 34, grifo do autor) afirma categoricamente que “[a] consciência individual é um fato socioideológico”. Portanto, se o imaginário espacial é uma matriz de sentido socialmente partilhada que se expressa mediante símbolos socialmente construídos, uma das formas de se chegar a essa matriz é a análise dos discursos. Revelar o conteúdo ideológico subjacente ao discurso sobre o espaço, por exemplo, pode auxiliar a entender os princípios que regem o modo como os indivíduos interpretam a produção do espaço. 

Isso não significa, todavia, que as representações construídas, mesmo que através de discursos sobre o espaço, tenham apenas conteúdo ideológico. Para Lefebvre (2008, p. 45, tradução nossa), a representação “suplanta o conceito de ideologia e se torna uma ferramenta útil (operacional) para a análise de espaços, assim como daquelas sociedades que tenham dado origem a eles e reconhecido a si mesmas neles”. 

As representações construídas, seja por discursos ou não, revelam características objetivas. Por essa razão, elas podem servir como um instrumento de análise e compreensão das relações sociais por trás da produção do espaço. Assim, além de garantirem acesso ao conteúdo ideológico, elas possibilitam o acesso a elementos concretos acerca da configuração das instituições sociais, permitindo a produção de informações sobre a sociedade. Ainda que a dimensão ideológica dos discursos e das representações construídas a partir deles não determine, por si mesma, o espaço social, ela ajuda a desvelar a disputa estratégica na produção do espaço, no controle da configuração das relações sociais instituídas, o que é algo bastante real e concreto.

A efetividade da ideologia é inegável, mas é limitada: ela mascara as contradições para e na consciência (nas representações). Na pior das hipóteses, ela adia os efeitos dessas contradições. Não pode suprimi-las. Claramente, sem o crescimento das forças produtivas e da população, a ideologia jamais seria capaz de manter as relações de produção; pode apenas esconder sua reprodução. (LEFEBVRE, 1976, p. 68, tradução nossa).

Consequentemente, os discursos sobre o espaço não podem ser supostos como simples objetos ideológicos: eles podem ser instrumentalizados. Por conta disso, os serviços de assessoria técnica precisam estar preparados para analisar os discursos produzidos pelos assessorados e auxiliá-los, mediante a criação de instrumentos utilizáveis pelos grupos, a fazerem-no por si mesmos, pois tais discursos são ferramentas úteis para a construção de informações objetivas sobre a produção do espaço social e das relações instituídas manifestadas nesse espaço. Isso ajudará na abertura dessas informações à reflexão crítica pelos próprios grupos sem que se crie um vínculo de dependência assistencialista para com o corpo técnico. 

5Considerações finais 

A busca pelo imaginário espacial de grupos sócio-espaciais não é simples preciosismo teórico. Não se trata apenas de uma coleta de dados para entender como esses grupos imaginam que devem ser seus espaços. O imaginário espacial é, a exemplo do imaginário social castoriadiano, algo concreto. E, ainda que os discursos sobre o espaço possam auxiliar na identificação desse imaginário, este último ultrapassa a mera construção de imagens, representações e discursos propriamente ditos. Trata-se de uma matriz que institui as relações sociais praticadas e, por conseguinte, sua manifestação como espaço social. Os discursos servem como instrumentos de acesso ao imaginário espacial, pois, de certa forma, eles são construídos tendo em vista o modo como acreditamos fazer sentido que o espaço seja produzido. Como lembra Massey (2008, p. 250), “o espaço é uma dimensão implícita que molda nossas cosmologias estruturantes. Ele modula nossos entendimentos do mundo, nossas atitudes frente aos outros, nossa política”. 

Dessa forma, quando pensamos a possibilidade de uma assessoria técnica para grupos sócio-espaciais fragilizados, a investigação do imaginário espacial pode servir para identificar concepções e instituições sociais que digam respeito à matriz de sentido desses grupos, inclusive para investigar quais são os traços concernentes às suas características singulares e quais são aqueles derivados de imposições heterônomas sobre eles. Vários desses grupos, submetidos aos ditames de um pensamento hegemônico que lhes subjuga, podem estar em uma situação na qual as informações que produzem e as interpretações do espaço e da sociedade que fazem estejam comprometidas por uma agenda que não diga respeito a seus interesses autênticos. 

É com base nas informações produzidas que os grupos podem questionar e produzir as relações sociais de que tomam parte e o espaço social que habitam. Por conseguinte, se a construção dessas informações sobre a cidade e sobre a sociedade for determinada por imaginários impostos, o exercício da autonomia pelos grupos sócio-espaciais resta, de pronto, prejudicado. Nesse sentido, o seu agenciamento político e a sua capacidade de produção de informações sobre o espaço podem estar condicionados por uma fonte externa: é-lhes dito como o espaço deve ser, impondo-se sobre eles um imaginário espacial que os atrapalha a produzir seu espaço e suas relações sociais autonomamente, de acordo com seus interesses reais. E, algumas vezes, são os próprios arquitetos e urbanistas que o fazem, a partir de uma ‘assessoria’ – muito mais próxima do assistencialismo paternalista do que do assessoramento propriamente dito – que ‘ensina’ o que é melhor para a produção do espaço pelo grupo. É preciso que os assessores técnicos tenham o cuidado de não criar situações que comprometam a construção de informações pelos grupos assessorados, cujos membros muitas vezes podem se sentir na obrigação de apresentar informações que não correspondem aos seus interesses reais.

Talvez [os membros do grupo sócio-espacial assessorado] tentem avaliar a situação e descobrir qual resposta os interlocutores [assessores técnicos] esperam ou que resposta será mais vantajosa para o próprio grupo. Ou talvez apenas dirão qualquer coisa para se livrar daquela situação incômoda. Sem perceber, os arquitetos se aproveitam disso e induzem um monte de confirmações daquilo que eles próprios pensam. Enfim, há nessa situação um potencial inimaginável de mal entendidos e frustrações. (KAPP, 2014, p. 123).

Como afirma Souza (2017, p. 61, grifo do autor), a autonomia será parâmetro fundamental para julgar processos concretos de transformação sócio-espacial, tendo em vista “justiça social (considerando-se o aumento, ou não, da justiça social, em sentido distributivo ou outro) e a qualidade de vida (considerando-se a elevação, ou não, da qualidade de vida para o maior número possível de pessoas)”. E isso é ainda mais marcante na crítica do trabalho do assessor técnico. Afinal, ele contribui para o exercício da autonomia ou apenas cria uma relação de dependência do grupo para consigo? Ou pior: será que ele não está simplesmente mascarando um processo heterônomo com o véu da ‘participação’? Essas são perguntas que precisam estar na mente dos arquitetos e urbanistas sempre que se propuserem ao trabalho de assessoria técnica. 

Além disso, é preciso estar alerta para o fato de que as representações do espaço porventura construídas a partir dos discursos dos membros dos grupos sócio-espaciais não são o espaço social propriamente dito. Como Massey (2008) alerta, representações do espaço são sempre construções limitadas, leituras restritas do espaço social. Portanto, uma investigação do conteúdo informacional construído pelos grupos assessorados precisa estar atenta para não tratar essas representações como correspondentes exatos de todas as características do espaço social. Supor isso significaria um engessamento do espaço em uma representação estática e insuficiente (MASSEY, 2008).

De fato, quando pensamos em contextos periféricos como o nosso, latino-americano, é preciso ter em vista que a espacialização – portanto, a manifestação em espaço social – desse projeto de autonomia é bastante complexa e dificultada por uma cultura de subjugação violenta de certos grupos sócio-espaciais a regramentos heteronomamente estabelecidos e ‘justificados’ pela autoridade imaginariamente instituída do Estado. A autoridade estatal, dentro de uma matriz de sentido com base na qual cabe ao poder público definir como deve ser o espaço, aparece como fenômeno estritamente racional e lógico, como se o Estado definir em todos os pormenores o espaço urbano fosse essencialmente a única alternativa viável. 

Diante dessa realidade heterônoma que afeta as relações sociais instituídas e, por conseguinte, a sua manifestação em espaço social, os arquitetos e urbanistas precisam se indagar sobre o seu método de obtenção de informações e sobre como podem viabilizar que os grupos assessorados consigam produzi-las na ausência dos assessores. Se não houver oportunidade para a manifestação pelos membros do grupo sócio-espacial e a consequente identificação dos traços e princípios definidores do imaginário espacial desse grupo, a assessoria técnica pode ver seu trabalho comprometido. Afinal, se ela não contribuir para que o grupo possa fazer a crítica por si mesmo dos traços de seu imaginário espacial, como garantir que a assessoria não está apenas perpetuando uma situação com base na matriz de sentido dos próprios assessores, externos ao grupo assessorado? Salvo se houver um cuidado na investigação do imaginário espacial, as características singulares do grupo podem ser descartadas de imediato pelo planejamento urbano padrão. Ora, se considerarmos que o exercício da autonomia é necessário para que esses grupos possam, enfim, ter o direito à cidade – o direito de mudar a cidade e, por conseguinte, mudar a si mesmos (HARVEY, 2008) –, serviços de assessoria técnica que pretendam contribuir para a emancipação de grupos subjugados têm uma tarefa e tanto a desempenhar.

Portanto, uma assessoria técnica que pretenda realmente servir aos interesses desses grupos não deve ditar representações do que seria melhor para eles. A assessoria precisa, antes, auxiliar esses grupos a buscarem a sua matriz de sentido do mundo social, seu imaginário espacial, e, a partir disso, tornar possível que tais grupos submetam esse imaginário à crítica e decidam, por si mesmos, no exercício de sua autonomia, os rumos que querem dar à produção de seu espaço, de sua realidade. Afinal, como lembra Kapp (2018, p. 233), a meta da assessoria técnica “não é um objeto arquitetônico íntegro e sim um grupo sócio-espacial ativo”. O estudo do imaginário espacial, assim, pode contribuir para que os assessores técnicos consigam instigar os grupos assessorados a produzirem as informações necessárias para abastecerem, por si mesmos, as discussões políticas de que tomem parte, e trabalhar, autônoma e ativamente, em prol das transformações que considerem cabíveis.

Referências

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HARVEY, D. The right to the city. New Left Review, Londres, 53, p. 23-40, Set./Out. 2008.

KAPP, S. Experiências em AT e suas questões. In: SALAZAR, J.; STROHER, L.; DE GRAZIA, G. Assistência Técnica e Direito à Cidade. Rio de Janeiro: FNA/ CAU-RJ, 2014. p. 113-122.

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SOUZA, M. L. Por uma geografia libertária. 1. ed. Rio de Janeiro: Consequência Editora, 2017.

Technical advisory and spatial imaginaries of socio-spatial groups

Alexandre Bomfim

Alexandre Bomfim is an Architect and Urbanist and holds a Master degree in Architecture and Urbanism. He is a researcher at the MOM Group – Living in Other Ways, at the Graduate Program in Architecture and Urbanism at the Federal University of Minas Gerais, Brazil. He studies relations between the spatial imaginaries and the production of space.


How to quote this text: Bomfim, A. M. S., 2019. Technical advisory and spatial imaginaries of socio-spatial groups. V!rus, Sao Carlos, 19. [e-journal] [online] Available at: <http://www.nomads.usp.br/virus/virus19/?sec=4&item=5&lang=en>. [Accessed: 18 May 2021].

ARTICLE SUBMITTED ON AUGUST 18, 2019


Abstract

This article discusses the relationship between the spatial imaginary of socio-spatial groups and the role of technical advisory practices. It suggests that the political agency of these groups and their autonomy depend on a critical exercise, which is directly connected to the processes of construction of information by the groups' members, regarding social relations and space. After all, the critique of society as well as of the space thus produced is based on information produced about them. Such information is built from a socially shared spatial imaginary. The spatial imaginary consists of the spatialization of the social imaginary theorized by Castoriadis: it is the matrix of meaning on which society imaginatively institutes itself. The institutions grounded on this matrix are not independent of the spatial dimension; instead, they manifest as social space. Therefore, not only are social relations instituted according to a way in which they make sense, but space is also produced according to a particular interpretation of reality. Thus, the technical advisory should create instruments that enable the production of information of the advised groups to contribute to the exercise of their autonomy. The goal is that such groups can expose their spatial imaginary to their own criticism, in the exercise of their autonomy and without creating a relationship of dependence on their advisers.

Keywords: Spatial imaginary, Technical advisory practices, Socio-spatial groups, Autonomy


1 Social imaginary and the project of autonomy

Cornelius Castoriadis was a Greek thinker who lived from 1922 to 1997 and got deeply involved with politics and the critique of society throughout his life. As a young man, he joined the Athenian Communist Youth. He later broke with Marxism and created the journal 'Socialism or Barbarism, an organ of criticism and revolutionary orientation', along with other thinkers who had split from the French arm of the Fourth International (Curtis, 1988). 

As explained by Souza (2017), Castoriadis was a thinker of autonomy. For him, autonomy was the essence of praxis, and of the historical development of a just society. He argued that only the exercise of autonomy would make it possible for society to be open to self-reform in pursuit of its goals over time, as well as the goals of its members (Castoriadis, 1982).

While developing his theory and critique of society, Castoriadis (1982) elaborated a thesis on the formation and existence of the latter, consolidated in a 1975 text entitled ‘The imaginary institution of society’. According to him, society is not simply a natural consequence of the aggregation of individuals. Instead, it is imaginatively instituted by its members. Therefore, society does not exist prior to the social consensus that institutes it. For Castoriadis (1982), there must be a matrix of common meanings shared by the members of society so that society can constitute itself. He calls this matrix the social imaginary.

The social imaginary is a core from which society comprehends and institutes itself. It is a source for the construction of information about society by its members. In view of Castoriadis’ project of autonomy, it is safe to say that a society can only claim to be autonomous – that is, open to self-reform – if its members can understand and criticize the world’s socially instituted matrix of meaning. Thus, relating the production of information to the imaginary can be of aid to study political exercise in society and its spatialization. It also serves to understand how society, its members, and the groups that belong to it can exercise autonomy. This way, it contributes to rethinking the performance of technical advisers in the processes of advising the production of space.

It is important to say that imaginary is not synonymous with symbolic, even though the common use tends to make that equivalence. The imaginary is the social matrix of meaning that enables society to institute itself by gathering around an interpretation of reality; whereas the symbolic is the way this matrix expresses itself (Castoriadis, 1982). However, this does not mean precedence of one or another: the imaginary does not become reality without its symbolic expression, and the symbol does not exist without a socially shared matrix of meaning. One of the forms of expression of the imaginary is discourse, which is a modality of symbolic manifestation of a particular conception of reality. Consequently, discourse grants access to the information of the subjacent matrix that guides the institution of society.

Therefore, the concept of social imaginary created by Cornelius Castoriadis (1982) indicates an interesting path for the understanding of society. In his theory, the imaginary does not appear as something abstract, unreal or idealized, but as a concrete way of interpreting the world and instituting society. For him, the social relations that may arise between the members of a society are based on this shared interpretation, which is the social imaginary, and have functional and symbolic characteristics. After all, according to Castoriadis (1982, p.159, our translation), the imaginary “must intersect with the symbolic, otherwise, society could not have ‘reunited’, and with the economic-functional, otherwise it could not have survived”. This occurs through the institutions.

Institutions are phenomena that reveal the social imaginary and constitute society. Thus, they are “a symbolic, socially sanctioned network, where a functional component and an imaginary component are combined in varying proportions and relationships” (Castoriadis, 1982, p.159, our translation). Therefore, institutions are linked to the material and functional survival of the social group. At the same time, they are connected to meanings that the group gives them. Institutions must exist in a way that makes sense to society and its members (Castoriadis, 1982). 

For Castoriadis, a society only exists (not in the sense of a merely ‘physical’ or ‘biological’ existence, but as human-social existence, which implies the construction of meaning for things and the world, and the generation of new meanings) by creating (truly ex nihilo) a matrix of ‘social imaginary meanings’. These meanings do not have or are not exhausted by (especially in the case of central and fundamental meanings, in contrast to ‘derived’ meanings) ‘real’ and ‘rational’ referents; they comprise the values, the ‘worldviews’ (Weltanschauungen), the beliefs, the myths, and the taboos (‘God’, ‘Reason’, ‘Capital’...) which give meaning to the world and to which the functional aspect is subjected/subordinated, because it literally has no meaning outside the symbolic plane (apart, of course, from the banality that is, in the plane of individual and species survival, the fact that one cannot subsist without eating, without protecting oneself from weather, without reproducing the species, etc.). (Souza, 2017, p.37-38, note 12, emphasis added by the author, our translation).

Yet, despite what Souza (2017) states in the passage above, the creation of the imaginary is not “truly ex nihilo”. It does not come from anything. It is important to bear in mind that, such as proposed by Henri Lefebvre (2008), the instituted social relations manifest themselves as social space. Therefore, social space affects the imaginary at the same time it is affected by it. For this reason, the tension between the theory of the production of space and Castoriadis’ theory may give rise to a new concept capable of including both considerations about the imaginary and space: the spatial imaginary. 

2 Spatial imaginary: a spatialization of Castoriadis

Although the ontology of society formulated by Castoriadis (1982) assists in the understanding of instituted social relations, this author is not usually present in discussions about space. In part, this stems from his position on the relevance – or rather the irrelevance, in his view – of the spatial dimension. For Souza (2017, p.321, emphasis added by the author, our translation), Castoriadis “seconded and underestimated space in favor of time, in favor of history, at least in the plane of a (proper and strongly) philosophical reflection”.

The disregard of space is not a particularity of Castoriadis. According to Souza (2017), at the time Castoriadis elaborated his thinking about society it was common for theorists who discussed society to refuse the relevance of this dimension, opposing spatial determinism. They used to try and understand society and its conflicts only from the perspective of history. Thus, for Castoriadis, space is simply a natural substrate, which is why only trivialities of society could be derived from it, not its constituent institutions (Souza, 2017).

Nevertheless, society is not only historical. The spatial dimension is not just the stage on which society develops itself.

If concrete society exists only in history and having history as its mode of existence in a strong sense (creation of ‘social imaginary meanings’), also, in a complementary way, it exists only ‘with’ space and ‘being’ space, since social relations only materialize ‘in’ space, through space and by mean of space, referenced and conditioned by space (which, in fact, also influences the psyche). (Souza, 2017, p.53, emphasis added by the author, our translation).

In this regard, it is important to point out the discussion presented by Lefebvre (2008) regarding the production of space. There is a tension between the position defended by Lefebvre (2008), for whom space is the manifestation of social relations, and Castoriadis (1982), for whom the institution of society is historical, and the spatial dimension would be irrelevant. However, this is a constitutive tension. It is from the contrast between these two theories of society and thanks to the identification of that tension that we can speak of the concept of spatial imaginary: a socially shared matrix of meaning that manifests itself not only as a historical construction but also in the production of space. This is not a sub-branch of the social imaginary. Instead, it is the recognition that the realization of the imaginary defended by Castoriadis (1982) must consider the manifestation of social relations. As Lefebvre (2008) states, these relations manifest as social space. And this is a two-way street: on the one hand, spatial imaginary gives meaning to certain spatial practices according to established social relations, and, on the other, these relations manifest themselves in practices that institute the spatial imaginary on which they are based. To bear this in mind is to glimpse the concrete reality and the manifestation of society's constitutive practices and conflicts.

According to Lefebvre (2008), the production of space is closely connected to the strategic dispute for the control of social relations: it is in and through space that these relations are produced and reproduced because it is in and through space that they are realized (Lefebvre, 2008). Thus, even if we accept, with Castoriadis (1982), that social institutions – therefore included here the instituted social relations – are grounded in a socially shared matrix of meaning, this matrix cannot simply ignore the spatial dimension. Social relations do not occur over social space; social relations are social space (Lefebvre, 2008).

This way, to speak only of a social imaginary is to risk ignoring an important part of the real manifestation of the conflicts and instituted relationships in the world because the development of society in history is inseparable from the manifestation of this development in space (Massey, 2008). Therefore, taking from Castoriadis (1982) and Lefebvre (2008), it may be appropriate to speak of a spatial imaginary: not only do institutions make sense thanks to an interpretative matrix of reality, but it also makes sense that the manifestation of those institutions entails the production of space in a particular and apparently ‘natural’ way. And it seems natural because of the meaning it has to the members of society.

The big problem is that this same matrix can be responsible for the perpetuation of inequalities, and the alienation of fragilized groups, whose voices are muted regarding the production of space – consequently, of society. These groups then become hostage to top-down representations of space. These representations conceal the conflicts and strategies of domination employed, appearing as the best or even the only possible ones. Even if these groups do not adhere to the hegemonic matrix of meaning, they suffer the violent repression of an institutionalized State apparatus based on this matrix. This is because the State violently attacks the alternatives to the existing social relations in order to ensure their continuity. As reported by Kapp (2014), the State, although with varying levels of rigor, seeks to control and plan society to ensure the necessary cohesion for the reproduction of established social relations, and does it functionally, symbolically, and discursively. Thus, resistance practices put into action by these groups are opposed by the State because they do not correspond to the institutionally established representations.

3 The project of autonomy and technical advisory practices to socio-spatial groups

Even though Castoriadis did not give due importance to space in his theory of society, “nothing prevents us from ‘spatializing’ the ‘project of autonomy’ – a sine qua non condition, in fact, for Castoriadis’ powerful reflection to gain greater concreteness and operational potential” (Souza, 2017, p.331, emphasis added by the author, our translation). Therefore, it may be positive that discussions about society’s transformation consider how society produces its space and how it believes it should do so.

For Castoriadis (1982), it is the exercise of autonomy that allows the permanent self-overcoming of society over itself, defining and redefining its goals and institutions as well as orienting itself towards their realization. This theme becomes even more relevant when we consider fragilized socio-spatial groups. Their possibilities to take part in these processes of an institution of themselves and their spaces are minimal – when those possibilities even exist.

Socio-spatial groups are those whose constitutive characteristics are intrinsically related to their own spatial practices. In other words, it is “a group of people that relate to one another in a space, which is constitutive of the group and, conversely, constituted by the group” (Kapp, 2018, p.223). Typically, these are the groups to which technical advisory practices are dedicated in the production of space (Kapp, 2018). 

At this point, it is important to highlight the difference between assistance and technical advisory practices. According to Kapp (2018, p.222), “assistance connotes uncritical adherence to the assumption of social inferiority of those being assisted, bordering on welfare and philanthropy, whereas advisory complies more with a critical perspective of these relations of domination”. Thus, in assistance, a service is provided by specialists to groups or individuals who are deemed unable to produce their own space, whereas in advisory what exists is a collaborative relationship between advised and adviser. The ability of the advised to exercise their autonomy is encouraged in advisory relations. 

Nevertheless, this conceptual distinction is not so simple to be put into practice. According to Kapp (2014), as a rule, there is a disparity between the views of the technicians who provide the technical advisory service, and the groups to which are provided such services. There is “a difference of representations and discourses that is difficult to admit and even more difficult to overcome” (Kapp, 2014, p.122, our translation). For this reason, it is not an easy task for advisers to understand the spatial imaginary of advised groups.

For this to be possible, it would be up to the technical advisory services to assist the socio-spatial groups to produce information about space and society without the advisers assuming automatic correspondences. Such assumptions – or preconceptions – are typical of paternalistic welfare that prescribes what is best for groups, as if these groups were unable to decide for themselves. Now, if the intention is to promote autonomy, technical advisory practices should seek to understand the demands and needs of the group, not to assume which are these needs (Kapp, 2018). Thus, technical advisory practices should create tools to help socio-spatial groups produce space and society. These tools should also aid the groups on producing information about those issues by themselves, without depending on the advisers. Such groups can only act to change their socio-spatial condition if they are equipped with the information necessary for their autonomous political agency.

This means that technical advisory services provided to a socio-spatial group should aid in the construction of information about space and society by the members of the advised group. The advisers should not simply inform the groups about what is best suited for them. Since one of the ways in which this information is constructed by the groups is the discourses that they and their members produce, we can assume that such discourses are relevant tools for obtaining information that contributes to the provision of technical advisory services.

Certainly, advised socio-spatial groups do not passively accept the recommendations of the advisers without question. But it is necessary for the technicians to be careful. Since there is a possible technical asymmetry (actual or presumed) between advisers and advised, the technical advisers must avoid determining decisions. For the group to exercise its autonomy, those decisions should be made by the advised, not the advisers. Thus, the creation of tools that instigate the elaboration of these discourses and the representations of space by the advised socio-spatial groups can allow their emancipation and the exercise of their autonomy. After all, this contributes to reveal and submit to critic both the way they attribute meaning to the production of space, and the way they conceive how instituted social relations should be.

4 Discourses and representations of space as instruments for autonomy 

Discourses about space may be produced by socio-spatial groups and their members. They are important sources of information for understanding how space is conceived and represented by such groups. The quasi-therapeutic exercise of revealing the matrix that gives meaning to how space and society are instituted enables these groups to produce relevant information for themselves is. Therefore, this helps them elaborate on the critiques necessary to inform their political exercise. This makes possible both the institutional struggle for improvements within the State and the search for the realization of a broader transformative project.

At the same time, it is important to remember that discourses can serve as instruments to disseminate a given spatial imaginary and its institutions. This can have negative consequences on society and especially to fragilized socio-spatial groups. After all, a given spatial imaginary may contain interpretive principles that corroborate aspects such as spatial segregation and reproduction of inequality of access to urban space, its appropriation, and transformation. Thus, once expressed in speeches, manifested in institutions, and, consequently, realized as social space, this imaginary can be conveyed as the best possible option or even the only appropriate one. Inattentive technical advisers can even contribute to that notion.

At this point, it is worth asking if discourses can really serve as an instrument to reach the spatial imaginary. As Bakhtin (2006, p.34-35, our translation) states, “[...] individual consciousness itself is full of signs. Consciousness only becomes consciousness when it is impregnated with ideological (semiotic) content and, consequently, only in the process of social interaction”. This means that there is interpretive content that affects the manifestation of thought; this content, in turn, is the matrix of shared meanings, the imaginary.

The manifestation of thought is related to language, an intellectual faculty. But language must not be conceived only formally, as an idiom, a system of symbols. Although it may exist abstractly as this system, both the concretization and the faculty of language occur through discourse, as stated by Bakhtin (2006). If the human capacity of language does not manifest as discourse, it remains latent. If the system of symbols that is the idiom does not manifest as discourse, it remains abstract. Discourse is not just an individual production: it derives from the meanings that the individual constructs in the processes of social interaction – so much so that Bakhtin (2006, p.34, emphasis added by the author, our translation) categorically states that “individual consciousness is a socio-ideological fact”. Therefore, if the spatial imaginary is a shared matrix of social meanings that expresses itself by socially constructed symbols, one of the ways to reach this matrix is ​​the analysis of discourses. Thus, to reveal the ideological content underlying the discourse on space may help in understanding the principles that govern the way individuals interpret the production of space.

Nevertheless, this does not mean that constructed representations have only ideological content, even when they are discourses on space. For Lefebvre (2008, p.45), representation “supplants the concept of ideology and becomes a serviceable (operational) tool for the analysis of spaces, as of those societies which have given rise to them and recognized themselves in them”. 

Constructed representations, whether they are discourses or not, reveal objective characteristics. For this reason, they can serve as an instrument of analysis and understanding of the social relations behind the production of space. Thus, they guarantee access to ideological content, and enable access to concrete elements regarding the configuration of social institutions, allowing the production of information about the society. Although the ideological dimension of discourses and of their representations does not determine by itself the social space, it helps to unveil the strategic dispute in the production of space. It also aids in revealing the dispute to control the configuration of the instituted social relations, which is something quite real and concrete.

The effectiveness of ideology is undeniable, but it is limited: it masks the contradictions for and in consciousness (in representations). At worst, it postpones the effects of these contradictions. It cannot suppress them. Clearly, without the growth of productive forces and population, ideology would never be able to maintain the relations of production; it can only conceal their reproduction. (Lefebvre, 1976, p.68).

Consequently, discourses on space cannot be assumed as mere ideological objects: they can be instrumentalized. Because of this, the technical advisory services need to be prepared to analyze the discourses produced by the advised. The advisers must also help the groups by creating tools that the latter can use to analyze these discourses by themselves. After all, such discourses are tools useful to construct objective information about the production of social space and about the instituted relations manifested as such space. This will aid in submitting this information to critical reflection by the groups themselves without creating a link of dependence on the technical staff.

5 Final thoughts

The search for the spatial imaginary of socio-spatial groups is not simply theoretical preciousness. It is not just a gathering of data to understand how these groups imagine their spaces should be. The spatial imaginary is, like Castoriadis’ social imaginary, something concrete. Even though discourses about space may help in identifying this imaginary, the latter goes beyond the mere construction of images, representations, and discourses themselves. It is a matrix that institutes established social relations. Therefore, a matrix that institutes their manifestation as social space. In a way, the discourses serve as instruments to access the spatial imaginary because they are constructed according to the ways we believe space should be produced. As Massey (2008, p. 250, our translation) recalls, “space is an implicit dimension that shapes our structuring cosmologies. It modulates our understandings of the world, our attitudes toward others, our politics”. 

Thus, when we consider the possibility of technical advisory services for fragilized socio-spatial groups, the investigation of spatial imaginary can serve to identify conceptions and social institutions that are related to the matrix of the meaning of these groups. It can also serve to investigate which are the traits concerning the unique characteristics of these groups and which are those derived from heteronomous impositions upon them. Since they might be subjected to the dictates of a hegemonic thought that subdues them, several of these groups may be in a situation in which the information they produce and the interpretations of space and society they make are compromised by an agenda that does not concern their authentic interests.

Groups can question and produce their social relations and their social space based on the information they produce. Therefore, the exercise of autonomy by socio-spatial groups is immediately impaired if the construction of this information about the city and society is determined by imposed imaginaries. If this happens, their political agency and their capacity to produce information about space may be conditioned by an external source: it is imposed upon them a spatial imaginary that tells these groups how their space should be. This hinders the ways they produce their own space and the autonomous production of their social relations according to their real interests. And sometimes the architects and urban planners themselves are the ones who do it, with an ‘advisory practice’ that ‘teaches’ the group the best way to produce space. This is much closer to paternalistic welfare than to technical advisory practices. Technical advisers need to be careful not to create situations that compromise the construction of information by the advised groups, whose members may often feel obligated to present information that does not correspond to their real interests.

Perhaps [members of the advised socio-spatial group] try to assess the situation and find out what response the interlocutors [technical advisers] expect or which answer will be most beneficial to the group itself. Or maybe they’ll just say anything to get rid of that awkward situation. Without realizing it, architects take advantage of it and induce a lot of confirmations of what they themselves think. Ultimately, there is an unimaginable potential in this situation for misunderstandings and frustrations. (Kapp, 2014, p.123, our translation)

As Souza (2017, p.61, emphasis added by the author, our translation) states, autonomy will be a fundamental parameter for judging concrete processes of socio-spatial transformation, having in mind “social justice (considering the increase or not of social justice in a distributive or other sense) and the quality of life (considering the increase or not of the quality of life for as many people as possible)”. And this is even more striking in criticizing the work of the technical adviser. After all, does he contribute to the exercise of autonomy or does he just create a dependency relationship of the group on him? Or worse: isn’t he simply masking a heteronomous process with the veil of ‘participation’? These are questions that need to be asked by architects and urban planners whenever they set out to do technical advisory work.

Moreover, one must be aware that the representations of space that may be built from the discourses of members of socio-spatial groups are not the social space itself. As Massey (2008) warns, representations of space are always limited constructions, restricted readings of social space. Therefore, an investigation of the informational content constructed by the advised groups needs to be careful not to treat these representations as exact correspondents of all characteristics of the social space. This assumption would imply a space solidified in a static and insufficient representation (Massey, 2008).

In fact, when we think of peripheral contexts like ours in Latin America, we must bear in mind that the spatialization of this project of autonomy – its manifestation as social space – is quite complex and hampered by a culture of violent subjugation of some socio-spatial groups. Heteronomously established rules are imposed upon these groups, and those rules are ‘justified’ by the imaginatively instituted authority of the State. Within a matrix of meaning where the State defines what space should be like, its authority appears as a strictly rational and logical phenomenon, as if the definition of every detail of urban space by the State was essentially the only viable alternative.

Faced with this heteronomous reality that affects instituted social relations and its manifestation as social space, architects and urban planners need to inquire about their method of obtaining information and about how they can make it possible for the advised groups to produce this information in the absence of the advisers. If the members of the socio-spatial group cannot manifest themselves and identify the defining traits and principles of their spatial imaginary, the technical advisory practices may be compromised. After all, if the technical advisory services do not help the group to independently critique the traces of its spatial imaginary, how can we be sure that the technical advisory services are not only perpetuating a situation based on the advisers’ own matrix of meaning, external to the advised group? Unless caution is taken in investigating the spatial imaginary, the unique characteristics of the group might be immediately dismissed by standard urban planning. Now, if we consider that the exercise of autonomy is necessary for these groups to finally have the right to the city – the right to change the city and, therefore, change themselves (Harvey, 2008) –, technical advisory services that seek to contribute to the emancipation of subjugated groups have quite a task to perform.

Thus, technical advisory practices that really intend to serve the interests of these groups should not dictate representations of what would be best for them. Instead, the advisory services must aid these groups in the search for their own matrix of the meaning of the social world and their own spatial imaginary. This way, technical advisory could help such groups to subject their imaginary to criticism and decide by themselves the directions they want to give to the production of their space and their reality, exercising their autonomy. After all, as Kapp (2018, p.232) points out, the goal of the technical advisory practices “is not an integral architectural object, but an active socio-spatial group”. Thus, the study of the spatial imaginary can help technical advisers instigate advised groups to produce the information they need to fuel, by themselves, the political discussions in which they take part. With that, the technical advisory practices could aid these groups to work autonomously and actively to make the transformations they consider appropriate.

References

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