Mudanças Climáticas e Ciências Sociais: uma análise bibliométrica

Flávio Campopiano Dias de Moraes, Ana Lia Leonel, Pedro Henrique Campello Torres, Pedro Roberto Jacobi, Sandra Momm

Flávio Campopiano Dias de Moraes é físico e Doutor em Física, realizando atualmente pesquisa de Pós-doutorado em Dispositivos Fotônicos Integrados no Instituto de Física Gleb Wataghin, da Universidade Estadual de Campinas - UNICAMP, onde estuda inteligência artificial e redes neurais. fmoraes@if.usp.br

Ana Lia Leonel é bacharel em Ciências Sociais e Mestre em Planejamento e Gestão do Território. É pesquisadora do programa de Pós-graduação em Planejamento e Gestão do Território da Universidade Federal do ABC, São Bernardo do Campo, com pesquisas nas áreas de planejamento ambiental, planejamento territorial, governança metropolitana, políticas públicas e sociologia ambiental face às mudanças climáticas. analia@ufabc.edu.br

Pedro Henrique Campello Torres é cientista social, Doutor em Ciências Sociais e realiza pesquisa de Pós-Doutorado em Ciência Ambiental no Instituto de Energia e Ambiente da Universidade de São Paulo. Seus temas de pesquisa são planejamento urbano e meio ambiente, sociologia ambiental, sociologia urbana, mudanças climáticas e justiça ambiental. pedrotorres@usp.br

Pedro Roberto Jacobi é cientista social e Doutor em Sociologia. É Professor Titular Sênior do Programa de Pós-graduação em Ciência Ambiental do Instituto de Energia e Ambiente da Universidade de São Paulo. Conduz pesquisas sobre Governança ambiental, Educação para a sustentabilidade e Mudanças climáticas. prjacobi@gmail.com

Sandra Momm é arquiteta e urbanista e Doutora em Ciência Ambiental. É Professora Adjunta da Universidade Federal do ABC e coordenadora do Programa de Pós Graduação em Planejamento e Gestão do Território da mesma instituição. Desenvolve pesquisas sobre planejamento territorial em interface com temas ambientais como: mudanças climáticas, recursos hídricos e áreas protegidas. sandra.momm@ufabc.edu.br


Como citar esse texto: MORAES, F. C. D.; LEONEL, A. L.; TORRES, P. H. C.; JACOBI, P. R.; MOMM, S. Mudanças climáticas e Ciências Sociais: uma análise bibliométrica. V!RUS, São Carlos, n. 20, 2020. Disponível em: <http://www.nomads.usp.br/virus/virus20/?sec=4&item=17&lang=pt>. Acesso em: 11 Dez. 2023.

ARTIGO SUBMETIDO EM 10 DE MARÇO DE 2020


Resumo

A dificuldade em se lidar com problemas complexos emergentes, tais como as mudanças climáticas, impulsionaram uma reformulação sobre como nós pensamos a sociedade e mobilizaram cientistas de diferentes áreas na busca por soluções e novas perspectivas desses problemas. De um ponto de vista epistemológico, estudos sobre como tais tópicos são desenvolvidos dentro de uma área acadêmica são extremamente importantes, mas suas realizações exigem uma análise complexa de um número enorme de publicações acadêmicas recentes. Neste trabalho, discutimos como o assunto mudanças climáticas vem sendo tratado na prática dentro da área de ciências sociais. É possível observarmos o desenvolvimento de uma nova epistemologia a partir do surgimento do debate a respeito das mudanças climáticas? Existem contribuições em jornais acadêmicos especificamente da área de ciências sociais voltados para mudanças climáticas? Que jornais são esses? Quem são os autores? Para responder essas questões, nós desenvolvemos um método inovador que combina diferentes ferramentas para buscar, filtrar e analisar o impacto da produção acadêmica relacionada a mudanças climáticas em ciências sociais nos periódicos mais relevantes.

Palavras-chave: Análise bibliométrica, Algoritmos, Mudanças climáticas, Ciências Sociais, Ciências Naturais



1 Introdução

A ideia de que as ciências sociais devem ser consideradas em processos notoriamente marcados pela produção de conhecimentos específicos das ciências naturais tem sido cada vez mais difundida e essa agenda tem um peso ainda maior na academia, nas políticas públicas, em fóruns internacionais e em agências das Nações Unidas e seus respectivos relatórios científicos, como o Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC, sigla do inglês, 1990, 1995, 2001, 2007, 2013).

Em 4 de julho de 2018, houve uma reunião histórica em Paris (França), que levou à fusão do Conselho Internacional de Associações Científicas (ICSU, sigla do inglês) e o Conselho Internacional de Ciências Sociais (ISCC, sigla do inglês), resultando no Conselho Internacional de Ciência (ISC, sigla do inglês), um fórum interdisciplinar com o objetivo de reunir especialistas de todos os continentes, promovendo uma integração entre ciências naturais e ciências sociais. Na inauguração do ISC, a presidente da antiga ICSU e secretária da Academia Francesa de Ciências, Catherine Brechignac, afirmou que "as ciências naturais não deveriam mais ditar sozinhas a agenda de pesquisa das ciências do sistema da Terra, as ciências sociais devem ter pelo menos a mesma influência das ciências naturais”1(2018, on-line, tradução nossa).

Já não é mais uma discussão sobre se as contribuições do campo das ciências sociais são importantes para lidar com mudanças climáticas, mas sobre como elas são construídas, recebidas e circulam na área acadêmica, especialmente dentro do espectro da nossa área. Nesse sentido, a busca por um diálogo claro e imperativo para a construção de novos “entendimentos híbridos” (JACOBI, ROTONDARO, TORRES, 2019), em um “mundo em metamorfose” (BECK, 2018), é uma contribuição para o campo das ciências sociais. Como isso ocorre na prática? A produção de conhecimento no campo das ciências sociais está acompanhando essas demandas? Para identificar essas mudanças, propomos uma análise profunda da produção científica atual relacionada às mudanças climáticas, publicada nos periódicos mais relevantes com estudos em ciências sociais.

A ideia inicial deste trabalho era a de combinar ciências sociais e ambientais e planejamento territorial para uma análise interdisciplinar sobre a produção relacionada com mudanças climáticas. Porém, a dificuldade em encontrar ferramentas apropriadas para filtrar e analisar as produções mais relevantes para a pesquisa levantou a necessidade de combinar ciências da computação e análise de dados para desenvolver um método próprio que permitisse a condução da pesquisa. Dado que a falta de ferramentas é um tema relevante por si só e que limita o processo de pesquisa, o desenvolvimento desse método se tornou o principal foco deste trabalho. Este artigo descreve as ferramentas e procedimentos que compõem um método novo, desenvolvido especificamente para uma análise voltada para a organização do conhecimento produzido pela comunidade das ciências sociais dentro do diálogo interdisciplinar sobre mudanças climáticas.

2 Materiais e Métodos

Dado que o assunto em discussão é recente e que não existem, ainda, linhas teóricas nem tradição acadêmica, o método de pesquisa bibliográfica (revisão do estado da arte, análise de citações e outros) foi considerado o mais apropriado (FERREIRA, 2002; MATSUOKA, KAPLAN, 2008; CRESWELL, 2010; LECY, BEATTY, 2012; SANCHEZ, 2017). A análise da produção científica atual relacionada às mudanças climáticas e ciências sociais em periódicos de alto impacto requer, primeiramente, determinar quais são os periódicos mais relevantes que publicam artigos em ciências sociais. A ausência de trabalhos relacionados às mudanças climáticas nesses meios é, por si só, um dado relevante.

O fator de impacto (FI), que é publicado anualmente no Relatório de Citações de Periódico (JCR, sigla do inglês), foi usado como parâmetro para determinar a relevância dos periódicos. Entretanto, devido à interdisciplinaridade, a classificação da área principal dos periódicos não é suficiente para determinar se estes publicam ou não estudos relacionados às ciências sociais com alguma frequência. Se filtramos a busca pela área de atuação dos periódicos, podemos estar descartando, não intencionalmente, artigos relevantes que foram publicados como exceção em jornais de áreas diferentes. O Web of Science, base de buscas da Clarivate Analytics, não considera, para os filtros, a área de cada documento, mas apenas a área principal do periódico no qual eles foram publicados. Portanto, utilizamos a base de dados do Scopus para verificar quantos estudos de ciências sociais foram publicados por cada periódico dentro de um período de tempo específico. O Scopus considera, para cada periódico, quantos artigos foram indexados dentro de cada área e um artigo pode ser indexado em mais de uma área.

A combinação das informações do JCR e da base do Scopus é suficiente para ranquear quais jornais publicam, com frequência, estudos de ciências sociais. Entretanto, o processo de combinação dessas informações é complicado, uma vez que ele requer a busca de cada periódico do ranque do FI na base de dados do Scopus. A compilação de dados para o novo ranqueamento foi obtida por meio de um programa desenvolvido para realização automática de centenas de buscas na base do Scopus. Os primeiros periódicos do ranque foram analisados com o programa VOSviewer para que, então, se verificasse a presença da discussão de mudanças climáticas em comparação com outros assuntos dentro deles.

Explicações mais detalhadas do programa de busca e da análise realizada no VOSviewer estão descritas a seguir. O método descrito neste trabalho foi originalmente utilizado para analisar dados entre 2006 e 2018. O ano de 2006 foi escolhido como marco cronológico para que fossem incluídos trabalhos do ano anterior à publicação do quarto relatório do IPCC, que teve grande impacto nas publicações subsequentes. Uma atualização dos resultados foi incluída na sessão de discussões.

2.1 Filtro de dados

O método para filtragem de dados consiste no uso de um robô para filtrar quais periódicos do ranque da JCR que, de acordo com o Scopus, publicaram estudos indexados como sendo de ciências sociais, durante o período estabelecido. O ranque foi baixado diretamente da página da Clarivate Analytics2 em formato CSV. O robô foi desenvolvido em Python para buscar, na base do Scopus, cada periódico do ranque como título da fonte e verificar se encontrava, ao menos, um documento indexado como sendo de ciências sociais.

A busca no Scopus foi feita utilizando os parâmetros: título do periódico e restrição de data, diretamente na URL do Scopus. Porém, alguns cuidados tiveram que ser tomados para garantir a confiabilidade dos resultados: por estarmos lidando com um processo automatizado, temos que ter certeza de que todos os documentos encontrados pelo Scopus são realmente do periódico buscado. Para evitar a contaminação dos dados com documentos de outros periódicos com nomes similares, a busca deve ser limitada pelo título exato da fonte. Esse processo, entretanto, aumenta a chance de um periódico não ser encontrado. Nos casos em que os periódicos não foram encontrados em uma primeira tentativa, alguns procedimentos mais complexos precisaram ser adotados para repetir a busca sem comprometer a confiabilidade do resultado. A Figura 1 ilustra os principais procedimentos e o fluxo de decisão do procedimento de busca, que são:

1 Obtenção do nome dos periódicos do ranque de fator de impacto: os nomes dos periódicos foram obtidos de um arquivo CSV que foi exportado do JCR de 2017 e acessado pelo programa através da biblioteca pandas;

2 Ajuste do título do periódico: o Scopus não aceita caracteres que não sejam alfanuméricos como título de periódicos. Ele usa ‘and’ ao invés de ‘&’ e espaço no lugar de hifens e barras;

3 Criação da URL para a busca com título exato da fonte: no primeiro procedimento de busca, definimos a busca com título exato da fonte ao adicionar s=EXACTSRCTITLE(Journal+Name) ao URL. A janela de tempo foi limitada adicionando o termo +AND+PUBYEAR+>+2005. A limitação dos resultados ao título exato, necessária para evitar contaminação de dados, é garantida pela adição do termo cluster=scoexactsrctitle,"Journal+Name",t. A busca no Scopus, únicamente para este último termo, diferencia maiúsculas de minúsculas, o que implica em algumas dificuldades extras, já que a lista do ranque do JCR não segue nenhuma regra discriminatória para o uso de letras maiúsculas ou minúsculas. Esse problema pôde ser resolvido na maior parte dos casos usando o método .title(), da classe string do Python, como no caso da revista Energy & Environmental Science, com a URL: results.uri?src=s&sot=a&s=EXACTSRCTITLE(energy+and+environmental+science)+AND+PUBYEAR+>+2005&cluster=
scoexactsrctitle,"Energy+And+Environmental+Science",t.

Entretanto, essa solução falha para casos como JAMA-Journal of the American Medical Association, para o qual o nome JAMA deveria ser mantido em maiúsculo na busca. A impossibilidade de se programar soluções individuais para cada caso faz com que o programa não consiga encontrar documentos em alguns periódicos. Porém, este problema pode ser contornado com alguns procedimentos especiais, descritos mais adiante;

4 Verificação de indexação de área: quando uma busca é bem sucedida, é necessário verificar se existem documentos indexados como sendo da área de ciências sociais. Isso pode ser feito buscando, no código HTML, os elementos de span com classe “bntText”, que são filhos do elemento de lista não ordenada com id “cluster\_SUBJAREA”. Se nenhum documento estiver indexado como de ciências sociais, o periódico buscado é descartado;

5 Procedimentos especiais: os procedimentos especiais são aplicados apenas para os jornais que não foram encontrados no primeiro processo de busca. Neste caso, o programa realiza uma segunda busca, sem a restrição do resultado para o título exato da fonte, e lista a área de publicação dos documentos. Caso a busca não resulte em nenhum documento, o jornal recebe a etiqueta de “não encontrado”, para ser verificado manualmente no futuro. Caso documentos sejam encontrados, é necessário considerar que pode existir contaminação de dados. O programa, então, verifica se existem documentos indexados como de Ciências Sociais. Se não há nenhum, o periódico é descartado da lista independente da possibilidade de contaminação. Porém, caso haja documentos da área das ciências sociais, outros procedimentos adicionais são aplicados:

a Verificação do título da fonte: o programa verifica se todos os documentos encontrados provêm de um mesmo periódico ou não. Caso sim, então o periódico buscado contém documentos indexados como de ciências sociais. Se não, é preciso olhar para o título de cada periódico encontrado;

b Comparação entre o título do periódico buscado com os títulos encontrados na busca: no caso de haver múltiplos títulos de fonte encontrados, o programa compara cada título com o título buscado. Se a intersecção entre as palavras do título encontrado e o título buscado tiver mais do que 75% das palavras de ambos os títulos, o programa considera o título encontrado como correto (embora a intersecção entre Nature Materials e Nature contenha 100% das palavras de Nature, ela contém apenas 50% de Nature Materials, e, portanto, o título não é considerado como correto). Esta comparação é feita utilizando-se apenas letras minúsculas para evitar discriminação entre maiúsculas e minúsculas. No caso do programa encontrar um título considerado correto, ele realiza uma terceira busca, usando o título encontrado como título exato da fonte. Essa busca sempre encontra documentos que podem ou não ser indexados como de ciências sociais. Dependendo do caso, o periódico é etiquetado como “provavelmente correto” ou “provavelmente falso” e o título utilizado na terceira na busca é adicionado no arquivo de saída. Caso o programa não encontre um título concordante com o título buscado, o periódico é etiquetado como “incerto” para uma futura verificação manual.

Fig. 1: Diagrama de fluxo representando os processos principais de operação do algoritmo de busca para um título de periódico. Fonte: Autores, 2020.

2.2 Pós-filtro e método de análise

A análise da relevância das ciências sociais para cada periódico filtrado começa com o levantamento do número de artigos indexados por cada periódico como sendo de ciências sociais. Isso foi feito através da análise, no Scopus, de todos os documentos de cada periódico. Os periódicos com menos de 1% dos documentos indexados como de ciências sociais foram descartados para as análises subsequentes, já que eles não podem ser considerados como métrica para a comunidade das ciências sociais. Embora 1% possa aparentar ser um número pequeno, pode representar um número absoluto alto de documentos, quando consideradas todas as publicações de um periódico em um intervalo grande de tempo.

A lista resultante foi limitada a 15 periódicos com os fatores de impacto mais altos. Então, o número de documentos publicados em cada um desses periódicos, indexados como sendo da área de estudos das ciências sociais, foi comparado com o número de documentos indexados como sendo de todas as outras áreas. consequentemente, gerou-se um índice relativo que diz respeito à importância do jornal para a comunidade científica das ciências sociais, bem como a influência dessa comunidade para o periódico.

O Scopus foi utilizado mais uma vez para analisar quantos artigos de cada um desses 15 periódicos continham mudanças climáticas como palavra-chave. Essa informação, bem como as outras informações previamente discutidas, obtidas desses periódicos, foram compiladas na Tabela 1. O programa VOSviewer3 foi, então, utilizado para analisar as palavras-chave dos jornais que continham mais de 10 documentos indexados como de ciências sociais e que continham como palavra-chave mudanças climáticas. O VOSviewer gera uma nuvem de palavras a partir de uma lista de palavras, de forma que as palavras com maior ocorrência são representadas com um tamanho maior e as palavras relacionadas aparecem em clusters. Essa organização permite a visualização da relevância de mudanças climáticas como assunto para cada um desses periódicos, de quais palavras-chave estão relacionadas com mudanças climáticas e de quais são as outras palavras-chave relevantes para os periódicos que não estão diretamente relacionadas com mudanças climáticas.

Finalmente, utilizamos o Scopus para obter informações dos documentos publicados pelos 15 periódicos selecionados, entre 2007 e 2018, que foram indexados como de ciências sociais e continham como palavra-chave mudanças climáticas. O resultado desta análise está descrito na seguinte seção.

3 Resultados e discussão: a relevância e relações de mudanças climáticas nos principais periódicos

O mecanismo de filtragem foi ajustado para parar após etiquetar 50 periódicos na lista de saída, o que ocorreu após a busca de 804 periódicos do ranque da JCR. Dos 50 jornais que não foram descartados, 31 foram encontrados corretamente, 17 não foram encontrados e 2 foram etiquetados como incertos. Embora ter que buscar 17 periódicos manualmente possa parecer um trabalho árduo, é um trabalho factível, enquanto ter que buscar mais de 800 periódicos não é. O resultado dos procedimentos descritos na seção de materiais e métodos está compilado na Tabela 1. A tabela contém os 15 periódicos com o fator de impacto mais alto que possuíam mais de 1% de publicações indexadas como das ciências sociais.

Tabela 1: Periódicos mais relevantes nas ciências sociais. FI: Fator de Impacto | Número de Publicações: número de artigos publicados entre 2006 e a data da pesquisa | Número de Publicações CS: número de artigos indexados como das ciências sociais publicados pelo periódico entre 2006 e a data da pesquisa | Índice Relativo CS: relação entre o número de indexações em ciências sociais com indexações em outras áreas | Ocorrência de “Mudanças Climáticas”: número de vezes que a palavra-chave mudanças climáticas aparece em publicações do periódico entre 2006 e a data da pesquisa | Nulo: informação não disponível. Fonte: Autores, 2018.

3.1 Número de publicações indexadas em ciências sociais

A possibilidade de indexar artigos em diferentes áreas do conhecimento, independentemente da área principal do periódico, não apenas ajuda os pesquisadores a encontrar e filtrar melhor a bibliografia em uma revisão sistemática, mas também traz informações valiosas sobre o desenvolvimento de uma área específica. Essa questão se torna ainda mais importante devido à interdisciplinaridade. Brint (2005) destaca o interesse das universidades americanas em seguir “novas direções” buscando “criatividade interdisciplinar”. Segundo este autor, enquanto as universidades públicas adotam estratégias interdisciplinares “particularmente atraídas para projetos que servem ao desenvolvimento econômico de seus respectivos Estados”, as universidades privadas “têm maior probabilidade de enfatizar a excitação intelectual associada a novos campos” (Brint, 2005, p. 29, tradução nossa). Os esforços para promover a interdisciplinaridade tiveram muitos impactos sobre a produção científica e a “difusão de pesquisa entre disciplinas nas humanidades e ciências sociais” (JACOBS, FRICKEL, 2009, p. 43, tradução nossa). As consequências afetam diretamente os indicadores dos periódicos com base em citações: autores que trabalham com problemas interdisciplinares tendem a publicar menos artigos, mas recebem mais citações (LEAHEY, BECKMAN, STANKO, 2017). Problemas interdisciplinares são desafiadores e atraem o interesse de muitos pesquisadores de diferentes áreas. Ao mesmo tempo, os periódicos mais influentes, já bem estabelecidos em seus campos, podem perder influência sobre suas áreas e iniciar competições indesejáveis, concentrando-se em estudos interdisciplinares. Assim, eles preferem limitar a indexação de suas publicações a seus campos.

A Tabela 1 mostra que alguns periódicos indexam todos os trabalhos na mesma área do conhecimento. Os artigos da Nature Climate Change, por exemplo, não são indexados individualmente. Em vez disso, todos eles são indexados em ciências sociais e ciências ambientais. Outros periódicos, como Progress in Human Geography e Annual Review of Sociology, indexam todas as publicações somente em ciências sociais. No entanto, artigos do Behavioral and Brain Sciences e do ISPRS Journal of Photogrammetry and Remote Sensing não seriam considerados se não fossem indexados individualmente, uma vez que nenhum desses periódicos é da área de ciências sociais, quando ambos apresentam um número relativamente alto de publicações sobre ciências sociais, sendo que muitas dessas publicações do ISPRS discutem mudanças climáticas. Porém, esses resultados foram obtidos em 2018. Se essa pesquisa fosse repetida agora, o resultado não conteria esses dois periódicos, que mudaram sua estratégia de indexação para a mesma adotada pelos periódicos mais influentes. A Tabela 2 mostra os dados atualizados para os mesmos 15 periódicos. As alterações mais significativas, além da mencionada, são as alterações no FI e, consequentemente, a posição no ranque de alguns periódicos.

Tabela 2: Atualização dos dados dos periódicos listados na Tabela 1. Fonte: Autores, 2020.

3.2 Ocorrência da palavra-chave “mudanças climáticas”

Para responder como as ciências sociais estão lidando com a questão das mudanças climáticas, o primeiro procedimento adotado foi a análise da relevância e das conexões da palavra-chave mudanças climáticas com as demais nos periódicos da Tabela 1. O periódico Dialogues in Human Geography, de 2006 a 2018, indexou todos os seus artigos somente em ciências Sociais e destes, apenas 4 artigos contém a palavra-chave mudanças climáticas, que possuem 16 conexões para outras palavras-chave. Suas palavras-chave mais comuns e sua frequência são: Estudo Teórico (62), Geografia Humana (55) e Geografia Econômica (28). As principais palavras-chave do periódico Journal of Photogrammetry and Remote Sensing são: Sensoriamento Remoto (615 ocorrências), Algoritmo (390), Avaliação de Precisão (356) e Conjunto de Dados (350). Neste periódico, a área de ciências sociais tem menos relevância. Os 41 trabalhos sobre mudanças climáticas são indexados nas áreas: ciência da computação; ciências da Terra e do planeta; engenharia; e física e astronomia. Apenas 9, desses 41, também são indexados como de ciências sociais. Esses 41 artigos foram produzidos principalmente nos Estados Unidos (14) e na China (11).

Cinco revistas da Tabela 1 foram selecionadas por conterem ao menos 10 artigos indexados em ciências sociais com a palavra-chave mudanças climáticas. As nuvens de palavras abaixo (Figuras 2-6) ilustram as palavras-chave desses periódicos, de 2006 a 2018. Elas foram produzidas com o programa VOSviewer, selecionando todas as palavras-chave com um mínimo de 5 ocorrências. Sua escala de cores representa a evolução dos termos no tempo.

I. Nature Climate Change

Nature Climate Change é o periódico com a melhor classificação e aquele com mais ocorrências de mudanças climáticas como palavra-chave. Das 2381 palavras-chave com no mínimo cinco ocorrências, mudanças climáticas é a primeira da lista, com 676 ocorrências e 491 conexões com outras palavras-chave. Todos os trabalhos sobre mudanças climáticas são indexados em ciências sociais e ciências naturais. A Figura 2 mostra a relação entre todas as palavras-chave indexadas no periódico Nature Climate Change de 2006 a 2018.

Fig. 2: Nuvem de palavras das palavras-chave dos artigos do periódico Nature Climate Change, de 2006 a 2018. Fonte: Autores, 2018.

II. Land Degradation & Development

O periódico Land Degradation & Development tem 108 ocorrências da palavra-chave mudanças climáticas. Essa nuvem de palavras (Figura 3) possui 231 palavras-chave e mudanças climáticas possui 190 conexões. De acordo com o banco de dados Scopus, todos esses 108 artigos são indexados simultaneamente nas áreas de ciências biológicas e agrícolas, ciências ambientais, e ciências sociais, e a maioria foi publicada recentemente (50 publicações em 2018). Nesta revista, a China é o país com mais artigos sobre mudanças climáticas, com 25 publicações desde 2006.

Fig. 3: Nuvem de palavras das palavras-chave dos artigos do periódico Land Degradation & Development, de 2006 a 2018. Fonte: Autores, 2018.

III. Progress in Human Geography

A Figura 4 mostra as palavras-chave do periódico Progress in Human Geography. A palavra-chave mudanças climáticas ocorre 20 vezes e ocupa a 15ª posição na lista de ocorrências de palavras-chave. O ano com mais publicações, dessas 20, foi 2012 (6) e os países com mais publicações são o Reino Unido (6), Austrália (5) e Estados Unidos (4).

Fig. 4: Nuvem de palavras das palavras-chave dos artigos do periódico Progress in Human Geography, de 2006 a 2018. Fonte: Autores, 2018.

IV. Global Environmental Change – Human and Policy Dimensions

Outro periódico no qual mudanças climáticas é a palavra-chave mais frequente é Global Environmental Change – Human and Policy Dimensions, com 638 menções. Em 36 dessas ocorrências, as publicações são indexadas apenas em ciências ambientais. Nos outros 602 casos, eles são indexados nas áreas de ciências ambientais e ciências sociais. O pico de publicações dos 638 artigos foi em 2014 (88), mas, desde 2006, representam um valor expressivo por ano. Nesta revista, os Estados Unidos (244), Reino Unido (194) e Austrália (101) lideram o ranque de publicações por país. A Figura 5 mostra a relação entre todas as palavras-chave indexadas no periódico de 2006 a 2018.

Fig. 5: Nuvem de palavras das palavras-chave dos artigos do periódico Global Environmental Change – Human & Policy Dimensions, de 2006 a 2018. Fonte: Autores, 2018.

V. Tourism Management

No periódico Tourism Management, a palavra-chave mudanças climáticas possui 31 ocorrências com 71 conexões com outras 334 palavras-chave do periódico entre 2006 e 2018, conforme apresentado na nuvem de palavras da Figura 6. Todos esses 31 artigos são indexados nas áreas de Negócios, Gerenciamento e Contabilidade e Ciências Sociais. Eles foram produzidos principalmente no Canadá (9), Austrália (7) e Estados Unidos (7).

Fig. 6: Nuvem de palavras das palavras-chave dos artigos do periódico Tourism Management, de 2006 a 2018. Fonte: Autores, 2018.

3.3 Produção sobre mudança climática nas ciências sociais

O último passo para a compreensão da produção de conhecimento sobre mudanças climáticas e ciências sociais foi analisar todos os artigos, de 2007 a 2018, indexados em ciências sociais que contém a palavra-chave mudanças climáticas publicados nesses periódicos listados4, totalizando 1.452 artigos. As 10 palavras-chave mais citadas nessas publicações foram: Mudanças Climáticas (1452 ocorrências); Efeito Climático (219); Política Ambiental (194); Adaptação (181); Vulnerabilidade (171); Gerenciamento Adaptativo (170); Estados Unidos (149); Gás de efeito estufa (141); Efeito antropogênico (123); Modelagem Climática (112).

Até 2013, as publicações seguiam uma linha crescente, com queda em 2014, uma flutuação estável a partir de então e atingindo o pico em 2016 com 192 publicações, como mostra a Figura 7. A classificação das publicações por país (Figura 8) é liderada pelos Estados Unidos (617); seguido pelo Reino Unido (432); Austrália (221); Alemanha (160); Holanda (135); e Canadá (117). O Sul Global tem menos representação como o esperado, com a África do Sul (36) na 16ª posição e o Brasil ocupando a 21ª posição com 22 publicações.

Fig. 7: Número total de publicações por ano. Fonte: Autores, 2018.

Fig. 8: Países com maior número dos artigos publicados. Fonte: Autores, 2018.

Quando olhamos para os autores mais citados nos trabalhos selecionados (Figura 9), é notável que nenhum deles seja estritamente do campo das ciências sociais ou afiliado a um departamento de ciências sociais, e eles têm, em geral, um grande número de obras5. Os melhores exemplos são os casos dos professores Reto Knutti, Detlef van Vuuren e Keywan Riahi, do campo das ciências naturais/ciências ambientais. O professor Neil Adger, do Departamento de Geografia, representa um caso raro de exponente da ciência social-humana entre os autores altamente citados na plataforma Clarivate Analytics.

Em termos de gênero, há um equilíbrio entre os autores. Em relação às afiliações, o maior número de contribuições veio da Universidade de East Anglia (67 artigos); Universidade e Centro de Pesquisa de Wageningen (56); Universidade de Exeter (55); Universidade de Oxford (47); e Universidade de Leeds (38), o que significa que, das 5 principais universidades que publicam sobre mudanças climáticas em ciências sociais, 4 são do Reino Unido. Isso explica, em parte, a posição do Reino Unido como o segundo país com mais contribuições (Figura 8).

Embora o Brasil esteja classificado apenas em vigésimo primeiro da lista, é notável a presença de uma autora brasileira, Maria Carmem Lemos, filiada à Universidade de Michigan, no ranque de autores com o maior número de documentos publicados (Figura 9).

Fig. 9: Autores com o maior número de artigos publicados. Fonte: Autores, 2018.

Uma descoberta importante de nossa pesquisa é que a grande maioria dos artigos sobre mudança climática indexados em ciências sociais também são indexados em ciências ambientais (Figura 10).

Fig. 10: Área de estudos: Ciências sociais e ciências ambientais. Fonte: Autores, 2018.

4 Conclusão

O surgimento desses novos “entendimentos híbridos” (JACOBI, ROTONDARO, TORRES, 2019) em um campo interdisciplinar mais desejável poderia ser o resultado do crescimento contínuo de um diálogo ambiental (especialmente sobre as mudanças climáticas), por exemplo, dentro do campo das ciências sociais. As dificuldades para excluir apenas informações consideradas/indexadas em ciências sociais são descritas nesta pesquisa. Algumas revistas, e também alguns pesquisadores acadêmicos, já são mais interdisciplinares em seus trabalhos atuais.

A necessidade de encontrar mecanismos que nos permitam ter uma visão menos fragmentada da realidade impõe o desafio de fortalecer práticas interdisciplinares ao lidar com problemas como a "crise" ambiental que está surgindo em uma escala planetária nunca antes vista.

Como consequência, o desafio de romper com a compartimentalização e a marginalização da diversidade do conhecimento é uma questão relevante que envolve um conjunto de atores do universo educacional em todos os níveis. Reforça a possibilidade de promover outras racionalidades para o engajamento de diferentes sistemas de conhecimento, treinamento e profissionalização e, consequentemente, empodera o conhecimento com base em valores e práticas indispensáveis para estimular o interesse, o engajamento e a responsabilidade pública (JACOBI, GIATTI, AMBRIZZI, 2015).

A produção de conhecimento deve, necessariamente, contemplar as inter-relações entre ambientes naturais e sociais, sua subsistência e conflitos com os meios dominantes de produção. Isso inclui a análise dos determinantes do processo, o papel dos vários atores envolvidos e as formas de organização social que aumentam o poder de ações alternativas. Essa é uma perspectiva que fortalece uma lógica baseada na transversalidade entre o conhecimento, com ênfase na sustentabilidade socioambiental, e o gerenciamento de recursos comuns do ponto de vista ético-moral.

Para a construção efetiva de práticas capazes de estruturar os fundamentos das sociedades sustentáveis, é necessário fortalecer as comunidades de prática (WENGER, 1998) e a aprendizagem social (JACOBI, 2011). São processos que permitem aumentar o número de pessoas no exercício de construção do conhecimento e fortalecer canais de comunicação democráticos para criar e aprimorar interações que tragam avanços substanciais na produção de novos repertórios de mobilização social e práticas para a sustentabilidade.

A recente fusão do ICSU e ISCC no ISC será uma arena importante para observar os movimentos e caminhos adotados para a contribuição – ou não – do campo das ciências sociais no debate sobre mudanças climáticas, bem como as redes e projetos, por exemplo, a Future Earth Networks6 e a Earth System Governance7. A contribuição provavelmente crescerá de maneira mais híbrida e interdisciplinar, impulsionada pelas redes transnacionais mais do que pelas revistas acadêmicas, o que é muito desejável.

Finalmente, junto com a crescente presença da interdisciplinaridade na produção científica, surge a necessidade de desenvolver novos métodos e ferramentas para entender e analisar como a interdisciplinaridade está presente em um diálogo e como o conhecimento de uma área específica contribui para um diálogo interdisciplinar. Este trabalho apresenta uma maneira de avaliar a contribuição do campo das ciências sociais para a construção de novos entendimentos híbridos para o diálogo sobre mudanças climáticas, por meio de um método inovador de pesquisa bibliométrica.

Agradecimentos

Os autores agradecem o financiamento da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP), através dos processos nº 2018/06685-9, 2019/05644-0, e 2019/18462-7, que fazem parte do Projeto Temático FAPESP “Governança Ambiental na Macrometrópole Paulista face a variabilidade Climática” (processo nº 2015/03804-9).

Referências

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2 Disponível em: https://jcr.clarivate.com/JCRLandingPageAction.action. Acessado em: 8 mar. 2020.

4 Algumas publicações da Global Environmental Change-Human and Policy Dimensions e do ISPRS Journal of Photogrammetry and Remote Sensing não foram indexados como sendo das ciências sociais e não foram considerados.

5 Base de dados do Google Scholar.

Climate Change and Social Sciences: a bibliometric analysis

Flávio Campopiano Dias de Moraes, Ana Lia Leonel, Pedro Henrique Campello Torres, Pedro Roberto Jacobi, Sandra Momm

Flávio Campopiano Dias de Moraes is a physicist and Ph.D. in Physics, currently conducting Postdoctoral Research in Integrated Photonic Devices at the Gleb Wataghin Physics Institute, of the State University of Campinas - UNICAMP, Brazil, where he studies artificial intelligence and neural networks. fmoraes@if.usp.br

Ana Lia Leonel has a bachelor's degree in Social Sciences and a Master's in Territory Planning and Management. She is a researcher in the Graduate Program in Territory Planning and Management at the Federal University of ABC, São Bernardo do Campo, Brazil, developing research in the areas of environmental planning, territorial planning, metropolitan governance, public policies and environmental sociology regarding climate change. analia@ufabc.edu.br

Pedro Henrique Campello Torres is a social scientist and Ph.D. in Social Sciences and conducts Postdoctoral research in Environmental Science at the Institute of Energy and Environment at the University of São Paulo, Brazil. His research topics are urban planning and the environment, environmental sociology, urban sociology, climate change, and environmental justice. pedrotorres@usp.br

Pedro Roberto Jacobi is a social scientist and Ph.D. in Sociology. He is a Senior Professor of the Graduate Program in Environmental Science at the Institute of Energy and Environment of the University of Sao Paulo, Brazil. He conducts research on environmental governance, education for sustainability, and climate change. prjacobi@gmail.com

Sandra Momm is an architect and urbanist and has a Ph.D. in Environmental Science. She is an Adjunct Professor at the Federal University of ABC where she coordinates the Postgraduate Program in Territory Planning and Management. She conducts research on territorial planning in interface with environmental issues such as climate change, water resources, and protected areas. sandra.momm@ufabc.edu.br


How to quote this text: Moraes, F. C. D., Leonel, A. L., Torres, P. H. C., Jacobi, P. R., Momm, S., 2020. Climate Change and Social Sciences: a bibliometric analysis. V!rus, Sao Carlos, 20. [online] Available at: <http://www.nomads.usp.br/virus/virus20/?sec=4&item=17&lang=en>. [Accessed: 11 December 2023].

ARTICLE SUBMITTED ON 10 MARÇO, 2020


Abstract

The complexity of emergent wicked problems, such as climate change, culminates in a reformulation of how we think about society and mobilize scientists from various disciplines to seek solutions and perspectives on the problem. From an epistemological point of view, it is essential to evaluate how such topics can be developed inside the academic arena but, to do that, it is necessary to perform complex analysis of the great number of recent academic publications. In this work, we discuss how climate change has been addressed by social sciences in practice. Can we observe the development of a new epistemology by the emergence of the climate change debate? Are there contributions in academic journals within the field of social sciences addressing climate change? Which journals are these? Who are the authors? To answer these questions, we developed an innovative method combining different tools to search, filter, and analyze the impact of the academic production related to climate change in social sciences in the most relevant journals.

Keywords: Bibliometric analysis, Algorithms, Climate change, Social Sciences, Natural Sciences



1 Introduction

There has been an increasingly widespread idea that social sciences should be considered in processes notoriously marked by the production of specific knowledge from natural sciences. This agenda has become more relevant in academia, public policies, international forums, and agencies of the United Nations and their scientific reports, such as the Intergovernmental Panel on Climate Change (IPCC, 1990, 1995, 2001, 2007, 2013).

On July 4th, 2018, a historic meeting took place in Paris (France) leading to the merger of the International Council for Science (ICSU) and the International Social Science Council (ISSC). It launched the International Science Council (ISC), an interdisciplinary forum that aims to bring together experts from all continents, looking for an integration between natural and social sciences. At the ISC launch, the president of the former ICSU and Secretary of the French Academy of Sciences, Catherine Brechignac, stated that "natural sciences should no longer dictate the research agenda of the earth system sciences, the social sciences must have at least the same role of the natural sciences1.

It is no longer a matter of discussing whether the contributions from the social sciences field are important to address climate change but how is their construction, reception, and circulation in the academic arena, especially within the spectrum of our field. In this sense, the search for a clear and imperative dialogue for the construction of new “hybrid understandings” (Jacobi, Rotondaro and Torres, 2019, our translation) in a contemporary “world in metamorphosis” (Beck, 2018, our translation) is a contribution from the social sciences field. How is this happening in practice? Is the production of knowledge in the Social Sciences field moving along with these demands? To identify these changes, we propose a profound analysis of the current scientific production related to climate change published in the most relevant journals with studies in social sciences.

The initial idea of this work was to combine social sciences, environmental sciences, and territorial planning to perform an interdisciplinary analysis of the production on climate change. The difficulty of finding appropriate tools to filter and analyze the most relevant productions for the research led to the necessity of combining computer science and data analyses to develop a new method for conducting these processes. Since the lack of tools itself is a truly relevant subject that limits the research process, the developed method became the central focus of this work. This article describes a set of tools and procedures for a new method specifically developed for an analysis focused on organizing the knowledge produced by the social science community within the interdisciplinary dialogue about climate change.

2 Materials and Methods

Considering that the subject under discussion is recent and has not clearly defined theoretical lines or academic tradition, the bibliographic research method (State of the art review; Citation Analysis and others) was considered the most appropriate (Ferreira, 2002; Matsuoka and Kaplan, 2008; Creswell, 2010; Lecy and Beatty, 2012; Sanchez, 2017). The analysis of the current scientific production related to climate change and social science in high impact journals demands determining the most relevant journals that are publishing in the social sciences. The absence of works related to climate change in such journals is also a relevant data.

The Journal Impact Factor (JIF), which is published annually in the Journal Citation Reports (JCR), was used as a parameter to determine the journal’s relevance. However, due to interdisciplinarity, the evaluation of the journal’s main subject is not enough to determine if it frequently publishes studies related to social sciences. If we filter a survey by the journal subject area, we could undesirably neglect important papers published as exceptions in journals from different areas. The Clarivate Analytics search base, Web of Science, does not consider the area of individual documents but only the journal’s main subject area. Therefore, we used the Scopus search database to verify how many studies of social science were published by each journal in a specific time window. Scopus considers, for each journal, how many articles are indexed in the subject areas, and there are cases in which one article can belong to more than one subject area.

The combined information of the JCR and Scopus database is enough to rank the most relevant journals that frequently publish social science studies. However, the obtainment of this kind of information can be tricky as it requires the search of each journal on JIF ranking through the Scopus database. The data compilation for the new ranking was retrieved by using a computer bot developed to automatically perform hundreds of searches in the Scopus database. The first journals from the reduced ranking were individually analyzed with VOSviewer to verify the importance of climate change in comparison with other subjects.

A more detailed explanation of the search bot and the VOSviewer analysis is described further in this section. We initially used the method presented in this work to analyze data from 2006 to 2018. The year 2006 was chosen as a chronological framework to include works from a year before the publication of the fourth report of the Intergovernmental Panel on Climate Change (IPCC), which had a great impact on subsequent publications. We include an update of the results in the discussion session.

2.1 Data Filtering

The data filtering method consists of using a bot to filter the journals from JCR ranking which, according to Scopus, have published studies indexed in the Social Science subject area during the selected time window. The rank was directly downloaded from the Clarivate Analytics webpage2 in CSV format. The bot was developed in Python to search in Scopus for every journal from the rank as source title, and to verify if there was at least one document in the Social Science subject area.

Since the Scopus webpage uses JavaScript to render the required information, it was necessary to use automated test software to control the web browser. We used the ChromeDriver software, controlled by the selenium web driver. The unrestricted access to Scopus was guaranteed by the VPN network of the University of São Paulo (USP). The result of the program was compiled in a file with a CSV list containing the journal’s name, its position in the JCR rank, the JIF, and the search result tag, which we explain further.

The bot searched on Scopus by directly filling the search parameters (periodic name and date restrictions) in the Scopus search URL. However, it needed to take some care to ensure the reliability of the results: since we are dealing with automatized processes, we have to be sure that all the documents Scopus may find are from the correct journal. To avoid data contamination from other journals with similar names, the search must be limited to the exact source title. This procedure, however, increases the probability of not finding a journal. A series of more complex procedures were necessary to repeat the search of journals that were not found in the first attempt and increase search success without losing reliability. Figure 1 illustrates the main steps and decision flow of the whole search procedure, which are:

1 Retrieving the journal name from the JIF rank: we took the journal name from a CSV file exported from the 2017 JCR and accessed it via pandas library;

2 Adjusting the journal name: Scopus does not accept non-alphanumeric characters on journal names. It uses ‘and’ instead of ‘&’ and empty spaces instead of hyphens and slashes;

3 Creating an URL for the exact source name search: in the first search process, the bot defined the search as the exact source title by adding s=EXACTSRCTITLE(Journal+Name). It restricted the time through the term+AND+PUBYEAR+>+2005. It was also necessary to limit results to the exact source title to ensure there was no data contamination, which was done by the addition of the termcluster=scoexactsrctitle,"Journal+Name",t. It is important to consider, for this last procedure, that Scopus search is case sensitive, which introduces some difficulties to the search because JCR rank does not follow any rule to discriminate the use of capital or small letters. The use of Python .title() string method may solve this problem in most cases, as in “Energy & Environmental Science”, with the URL: results.uri?src=s&sot=a&s=EXACTSRCTITLE(energy+and+environmental+science)+AND+PUBYEAR+>+2005&cluster=
scoexactsrctitle,"Energy+And+Environmental+Science",t.

However, this solution fails for cases as the “JAMA-JOURNAL OF THE AMERICAN MEDICAL ASSOCIATION”, in which the name JAMA should be kept with all uppercase letters. The impossibility of programming solutions for each case makes the program unable to find some of the journals during this first search process. This problem can be fixed by some search special procedures;;

4 Checking for subject area indexing: when the search is successful, it is necessary to verify if there are any documents indexed in the Social Science subject area. The bot does this by searching, in the HTML code, for all span elements with class equals to “btnText”, which are child from the HTML unordered list element with id equals to “cluster\_SUBJAREA”. If no document is indexed in Social Science, the journal can be dismissed;

5 Special procedures: the special procedures are applied only for journals that were not found during the first search process. The bot carried out a second search without limiting results to the exact source title and then extracted the subject area of the results. If the search does not find any document, the journal is tagged as “not found” for further manual check. If it finds, it is necessary to consider that there may be data contamination. The program then checks if there are documents indexed in Social Science. If there are not, the journal is dismissed despite the possibility of data contamination. However, if there are documents of Social Science, additional procedures are applied:

a Checking for source title: it verifies whether the documents are all from the same journal or not. In case of a positive result, the journal does contain documents indexed in Social Science. If negative, we have to look for different source titles.

b Comparing journal names with source title list: in case of multiple source titles, the bot compares each title with the journal name we want to check. If the intersection between the words from the source title and the words from the journal name has more than 75% of the words for both names, it is considered a match (even though the intersection between Nature Materials and Nature contains 100% of the words from Nature, it contains only 50% from Nature Materials, thus it is not considered as a match). The comparison was conducted by using small letters only to avoid case-sensitivity. In case of matches, the bot performs a third search by using the source title exactly as it is in Scopus source title list. This search always gives a result which can contain or not documents indexed in Social Science. Depending on the case, the journal was tagged as “Probably OK” and “Probably False” and the name of the searched journal is added to the output data. In case of mismatch, the journal was tagged as “Unsure” for further manual check.

Fig. 1: Flowchart diagram representation of the main operation processes of the bot search algorithm for a journal name. Source: The authors, 2020.

2.2 Post-filtering and analysis method

The analysis of the relevance of the Social Science subject for the filtered journal began by collecting information on how many papers from the journal were indexed in the Social Science subject area. We did this through a Scopus analysis of all documents from each filtered journal. The journals with less than 1% of documents indexed in Social Science were discarded from further analysis because they cannot be considered as a metric for the social science research community. One percent may seem a small number but it represents a high absolute number of documents when considering the whole number of publications from a journal over a large time.

The result list was limited to the 15 journals with the highest impact factor. Then, the number of documents, published in each of these journals, indexed in Social Science was compared with the number of documents indexed to all other areas. It consequently created a relative index regarding the importance of the journal for the social science scientific community and the influence of the social science community to the journal.

Scopus was once again used to analyze how many articles of each journal from the resulting list contained Climate Change as a keyword. This information, along with the previously discussed information retrieved from the journals, were compiled in Table 1. Then, the VOSviewer3application was applied to analyze the keywords of journals with more than 10 documents indexed to Social Science and which contained Climate Change as a keyword. The VOSviewer generated a word cloud from a list of words. In this cloud, the words with higher occurrence are represented with a larger size and the related words appear in clusters. This organization allows us to analyze the relevance of Climate Change as a subject for these journals, which keywords are related to Climate Change, and also which are the other relevant keywords to journals not related to Climate Change.

In a final step, we used Scopus to analyze documents published by the 15 selected journals, between 2007 and 2018, which were indexed in Social Science and contained Climate Change as a keyword. We discuss the result of this analysis in the following section.

3 Results and discussion: the relevance and connections of climate change in top-ranked journals

The filtering mechanism was set to stop after tagging 50 journals in the output list, which happened after the bot searched for 804 journals from the JCR rank. From these 50 journals, 31 were correctly found, 17 were tagged as not found, and 2 were tagged with unsure results. It may seem that manually searching for 17 journals is hard work, but it is feasible in contrast with searching through more than 800 journals. The results of the procedures described in the material and methods section are compiled in Table 1. The table describes the 15 journals with the highest impact factors containing more than 1% of papers indexed to Social Science.

Table 1: Most relevant journals in social science. JIF: Journal Impact Factor | Paper Number: the total number of papers in the journal from 2006 to current days | SS Paper Number: the total number of papers indexed in the social sciences subject area of the journal from 2006 to current days | SS Relative Index: number of social sciences indexations in relation to other subject areas | Occurrence of “Climate Change”: number of times the keyword “Climate Change” appears in the journal from 2006 to 2018 (inclusive) | Null: non-available information. Source: The authors, 2018.

3.1 Number of publications indexed as from social science

The possibility of indexing articles on different subject areas, regardless of the journal’s main subject area, not only helps researchers to better find and filter bibliography in a systematic review but also brings valuable information about the development of a specific area. This question becomes even more important due to interdisciplinarity. Brint points out the interest of American universities in following “new directions” by seeking “interdisciplinary creativity” (Brint, 2005). According to him, while public universities adopt interdisciplinary strategies “particularly drawn to projects that serve the economic development of their respective States”, private universities “are more likely to emphasize the intellectual excitement associated with new fields” (Brint, 2005, pp. 29). The efforts to promote interdisciplinarity had many impacts over scientific production and the “diffusion of research across disciplines in the humanities and social sciences” (Jacobs and Frickel, 2009, pp. 43). The consequences directly affect the journal indicators based on citations: authors that work on interdisciplinary problems tend to publish less papers but receive more citations (Leahey, Beckman and Stanko, 2017). Interdisciplinary problems are challenging and attract the interest of many researchers from different areas. At the same time, the most influential journals, already well-established in their fields, may lose influence over their areas and start undesirable competitions by focusing on interdisciplinary studies. Thus, they prefer to limit the indexation of their publications to their fields.

Table 1 shows that some journals index all papers in the same subject area. The documents from Nature Climate Change, for example, are not individually indexed. Instead, they are all indexed in Social Science and Environmental Science. Other magazines, like Progress in Human Geography and Annual Review of Sociology, index all publications in Social Science only. However, documents from the Behavioral and Brain Sciences and the ISPRS Journal of Photogrammetry and Remote Sensing would not have been considered if they were not individually indexed since none of those journals are from Social Science. Both journals present a relatively high number of publications on Social Science. The ISPRS also has many of these publications discussing climate change. However, we obtained these results in 2018. If someone tries to repeat this survey now, the result would not contain these two journals since both changed the indexing strategy to the same one adopted by the most influential journals. Table 2 shows the updated data for the same 15 journals. The most significant alterations beyond the aforementioned are the change on JIF and, consequently, the ranking position of some journals.

Table 2: Information update about the journals in Table 1. Source: The authors, 2020.

3.2 Occurrence of the “Climate Change” keyword

To answer how Social Sciences are dealing with the Climate Change issue, the first procedure adopted was the analysis of the relevance and connections of Climate Change with the other keywords in the journals from Table 1. Dialogues in Human Geography journal indexed all its papers in Social Sciences only. It has also published only 4 Climate Change papers since 2006, which have 16 links to other keywords. Its most common keywords and their frequency are Theoretical Study (62), Human Geography (55), and Economic Geography (28). The Journal of Photogrammetry and Remote Sensing keywords are mostly about Remote Sensing (615), Algorithm (390), Accuracy Assessment (356), and Data Set (350). The Social Sciences area has less significance. The 41 papers about Climate Change are indexed in Computer Science, Earth and Planetary Sciences, Engineering, and Physics and Astronomy, and only 9 are also indexed as Social Sciences. These 41 papers were produced mostly in the United States (14) and China (11).

Five journals of Table 1 were selected for containing, at least, 10 papers indexed in Social Science with Climate Change as a keyword. The word clouds below (Figures 2-6) illustrate the keywords from these journals from 2006 to 2018. They were produced with VOSviewer software by selecting all keywords with a minimum of 5 occurrences. Their color scale represents the evolution of the terms in time.

I. Nature Climate Change Journal

Nature Climate Change is the highest-ranked journal and the one with most occurrences of Climate Change as a keyword. From 2381 keywords with a minimum of five occurrences, Climate Change is the first on the list, with 676 occurrences and 491 links with other keywords. All papers about Climate Change are indexed in Social Sciences and Natural Sciences. Figure 2 shows the relation among all keywords indexed in the Nature Climate Change journal from 2006 to 2018.

Fig. 2: Word cloud of keywords from Nature Climate Change journal papers from 2006 to 2018. Source: The authors, 2018.

II. Land Degradation & Development

The Land Degradation & Development journal has 108 occurrences of Climate Change as a keyword. This word cloud (Figure 3) has 231 keywords and Climate Change has 190 links. According to Scopus database, all these 108 papers are indexed simultaneously in Agricultural and Biological Sciences, Environmental Sciences, and Social Sciences areas, and most of them were recently published (50 publications in 2018). In this journal, China is the country with the most papers on Climate Change, with 25 publications since 2006.

Fig. 3: Keywords from Land Degradation & Development journal papers from 2006 to 2018. Source: The authors, 2018.

III. Progress in Human Geography

Figure 4 shows the keyword from the Progress in Human Geography journal. Climate Change occurs 20 times and ranks 15th in the keyword occurrence list. The majority of those 20 papers were published in 2012 (6) and the countries with more publications are the United Kingdom (6), Australia (5), and the United States (4).

Fig. 4: Keywords from Progress in Human Geography journal papers from 2006 to 2018. Source: The authors, 2018.

IV. Global Environmental Change – Human and Policy Dimensions

Another journal in which Climate Change is the most frequent keyword is Global Environmental Change – Human and Policy Dimensions, with 638 mentions. In 36 of these occurrences, publications are indexed only in Environmental Sciences. In the other 602 cases, they are indexed both in Environmental Sciences and Social Sciences areas. The majority of the 638 papers were published in 2014 (88) but, since 2006, they represent an expressive amount per year. In this journal, the United States (244), United Kingdom (194), and Australia (101) lead the rank of publications by country. Figure 5 shows the relation among all keywords indexed in the Global Environmental Change – Human and Policy Dimensions journal from 2006 to 2018.

Fig. 5: Keywords from Global Environmental Change – Human and Policy Dimensions journal papers from 2006 to 2018. Source: The authors, 2018.

V. Tourism Management

In the Tourism Management journal, the keyword Climate Change has 31 occurrences with 71 links to other 334 keywords as presented in the word cloud of Figure 6. All of these 31 papers are indexed in Business, Management and Accounting, and Social Sciences areas. They were produced mostly in Canada (9), Australia (7), and the United States (7).

Fig. 6: Keywords from Tourism Management journal papers from 2006 to 2018. Source: The authors, 2018.

3.3 Climate Change production in the Social Sciences

The final step to understanding the production of knowledge about Climate Change and Social Sciences was to analyze all the 1,452 papers from 2007 to 2018 with the keyword Climate Change and indexed in Social Sciences4 in the top-ranked journals. The 10th most cited keywords in these publications were: Climate Change (1,452 occurrences), Climate Effect (219); Environmental Policy (194); Adaptation (181); Vulnerability (171); Adaptive Management (170); United States (149); Greenhouse Gas (141); Anthropogenic Effect (123); Climate Modeling (112).

Until 2013, the publications followed a rising line, with a drop in 2014, a stable fluctuation thereafter, and peaking in 2016 with 192 publications, as Figure 7 shows. The ranking of publications by country (Figure 8) is led by the United States (617); followed by the United Kingdom (432); Australia (221); Germany (160); Netherlands (135); and Canada (117). The Global South has less representation as expected, with South Africa (36) in 16th, and Brazil occupying the 21st position with 22 publications.

Fig. 7: Total number of publications per year. Source: The authors, 2018.

Fig. 8: Countries with the largest number of published documents. Source: The authors, 2018.

When we look to the top-cited authors in the selected papers (Figure 9), it is remarkable that none of them are strictly from the Social Sciences field or affiliated with a Social Sciences department, and they have, in general, a great number of works5. The best examples are the cases of professors Reto Knutti, Detlef van Vuuren, and Keywan Riahi, from the natural science/environmental science field. Professor Neil Adger, from the Geography Department, represents a rare case of a human-social science exponent at the Highly Cited Authors at the Clarivate Analytics Platform.

In terms of gender, there is a balance between the authors. Concerning their affiliations, the largest number of contributions came from University of East Anglia (67 papers); Wageningen University and Research Centre (56); University of Exeter (55); University of Oxford (47); and University of Leeds (38), which means that, from the top 5 universities that publish about Social Sciences and Climate Change, 4 are from the United Kingdom. This partly explains the position of the UK as the second country with more contributions (Figure 8).

Even though Brazil ranks only as of the twenty-first country on the list, it is remarkable that a Brazilian author, based at the University of Michigan, Maria Carmem Lemos, is on the ranking of authors with the largest number of published documents (Figure 9).

Fig. 9: Authors with the largest number of published documents. Source: The authors, 2018.

An important finding of our research is that the vast majority of articles about Climate Change indexed in Social Sciences are also indexed in Environmental Sciences (Figure 10).

Fig. 10: Subject Area: Social Sciences and Environmental Science. Source: The authors, 2018.

4 Conclusion

The emergence of these new “hybrids understandings” (Jacobi, Rotondaro and Torres, 2019, our translation) in a more desirable interdisciplinary field could be the result of a continuous growth of an environmental dialogue (especially climate change), for example, inside the Social Sciences field. The difficulties to select only considerable/indexed information in Social Sciences are described in this research. Some journals, and also some academic researchers, are already more interdisciplinary in their current works.

The need of finding mechanisms that allow us to have a less fragmented view of reality imposes the challenge of strengthening interdisciplinary practices when dealing with problems such as the environmental "crisis" that is emerging on a planetary scale never seen before.

As a consequence, the challenge of breaking with the compartmentalization and diversity marginalization of knowledge is a relevant issue that involves a set of actors from the educational universe at all levels. It strengthens the possibility of fostering other rationalities for the engagement of different systems of knowledge, training, and professionalization. It consequently empowers content and knowledge based on values and practices indispensable to stimulate interest, engagement, and accountability (Jacobi, Giatti and Ambrizzi, 2015).

The production of knowledge must necessarily contemplate the interrelationships between natural and social environments, their subsistence, and conflicts with the dominant means of production. This includes the analysis of the process determinants, the role of the various actors involved, and the forms of social organization that increase the power of alternative actions. This is a perspective that strengthens a logic based on the transversality between knowledge, with an emphasis on socio-environmental sustainability, and management of common resources from a moral-ethical point of view.

For the actual construction of practices capable of structuring the foundations of sustainable societies, there is a need to strengthen communities of practice (Wenger, 1998) and Social Learning (Jacobi, 2011). These are as processes that allow increasing the number of people in the knowledge-building exercise and strengthening democratic communication channels to create and enhance interactions that bring substantial advances in the production of new social mobilization repertoires and practices for sustainability.

The recent merger of International Council for Science (ICSU) and International Social Science Council (ISSC) into International Council for Science (ICS) will be an important arena to observe the movements and pathways taken to the contribution – or not – of the Social Sciences field to the Climate Change debate, as well as the Future Earth Networks6 and the Earth System Governance7. The contribution will likely grow in a more hybrid and interdisciplinary way, catalyzed by transnational networks more than by academic journals, which is very much desirable.

Finally, together with the growing presence of interdisciplinarity on the scientific production, arises the necessity of developing new methods and tools to understand and analyze how interdisciplinarity is present in a dialogue and how the knowledge of a specific area contributes to an interdisciplinary dialogue. This work demonstrates a way of evaluating the contribution from the Social Sciences field to the construction of new hybrids of understandings to the climate change dialogue through an innovative bibliometric research method.

Acknowledgment

We acknowledge financial support from Grants No. 2018/06685-9, 2019/05644-0, and 2019/18462-7 of the São Paulo Research Foundation (FAPESP). These grants are part of the FAPESP thematic project “Environment Governance in São Paulo Macrometropolis in a climate variability context” No. 2015/03804-9.

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4 Some papers from Global Environmental Change-Human and Policy Dimensions journal and ISPRS Journal of Photogrammetry and Remote Sensing are not indexed in the Social Sciences subject area and were not considered.

5 Google Scholar database.