Nunca fomos tão digitais

Marcelo Tramontano, Mario Vallejo, Maurício da Silva Filho, Christian Quesada

Marcelo Tramontano é Arquiteto, Mestre, Doutor e Livre-docente em Arquitetura e Urbanismo, com Pós-doutorado em Arquitetura e Mídias Digitais. É Professor Associado do Instituto de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo, e do Programa de Pós-graduação em Arquitetura e Urbanismo da mesma instituição. Coordena o Nomads.usp e é Editor-chefe da revista V!RUS. tramont@sc.usp.br http://lattes.cnpq.br/1999154589439118

Mario Vallejo é bacharel em Desenho Arquitetônico e de Engenharia e Mestre em Arquitetura e Urbanismo. É pesquisador no Nomads.usp e doutorando no Programa de Pós-graduação em Arquitetura e Urbanismo do Instituto de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo. Estuda processos digitais de projeto, colaboração, BIM, e métodos e meios de representação. mariovallejo@usp.br http://lattes.cnpq.br/1094158283404582

Maurício José da Silva Filho é arquiteto e urbanista e pesquisador no Nomads.usp, do Programa de Pós-Graduação em Arquitetura e Urbanismo do Instituto de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo, e graduando em Sistemas da Informação na mesma universidade. Estuda o emprego de meios digitais – design paramétrico e fabricação digital – no processo de projeto de arquitetura. mauricio.jose.filho@usp.br http://lattes.cnpq.br/7246231958331765

Christian Jhulian Braga Quesada é Arquiteto e pesquisador no Nomads.usp, do Programa de Pós-graduação em Arquitetura e Urbanismo do Instituto de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo. Estuda processos de projeto viesados por inteligência artificial, investigando aspectos de colaboração entre seres humanos e máquinas. christianjhulian@usp.br http://lattes.cnpq.br/7415837083457783


Como citar esse texto: TRAMONTANO, M.; VALLEJO, M.; SILVA FILHO, M. J.; QUESADA, C. Nunca fomos tão digitais. V!RUS, São Carlos, n. 21, Semestre 2, dezembro, 2020. [online]. Disponível em: <http://www.nomads.usp.br/virus/virus21/?sec=1&item=1&lang=pt>. Acesso em: 16 Out. 2021.



A digitalização compulsória a que boa parte da humanidade foi submetida, desde as primeiras semanas da crise sanitária que vem assolando o planeta, também emergiu como oportunidade de revisão de práticas, criação de novas rotinas, e formulação e experimentação de processos auxiliados por computador. A busca por modos de nos comunicarmos à distância confrontou-nos a novas maneiras de percebermos a nós mesmos e uns aos outros, através da world wide web, mas também evidenciou o fato de que estamos o tempo todo produzindo informação e dados passíveis de serem coletados e processados para alimentar tanto as imensas bases de Inteligência Artificial, quanto sistemas estatais de controle.

Entendemos, portanto, que, apesar de sua dimensão trágica, o momento atual constitui uma riquíssima e inesperada fonte de insumos para reflexões sobre a mediação digital, em muitos âmbitos da vida humana. O outro lado desta mesma moeda é o aprofundamento de desigualdades, precarizações e assimetrias na cena social, que as medidas de combate à propagação do vírus contribuíram para expor, sugerindo que o direito ao confinamento, à higienização constante das mãos, à quarentena em caso de contágio, entre muitos outros, não se refere igualmente a todos os cidadãos. 

Neste momento, em que são muitas e frequentes as especulações em torno do presente e do futuro próximo, esta edição da V!RUS reúne um conjunto de trabalhos acadêmicos, produzidos por pesquisadores apoiados em metodologia científica, que se dispõem a tensionar o conhecimento existente e ampliar as fronteiras do que sabemos em direção aos novos limites que a pandemia estabeleceu. 

Confere densidade a esta edição a formação extremamente variada dos autores, formados ou atuantes nas áreas de Arquitetura e Urbanismo, Artes Visuais, Ciências Sociais, Comunicação e Semiótica, Comunicação Social, Design de Produto, Design Gráfico, Design Estratégico, História, Jornalismo, Letras, Psicologia, Psicanálise, Saúde Pública, Direito, Biologia, Cinema e Audiovisual, Tecnologias Digitais, e Administração. A leitura de seus trabalhos constrói um diálogo multifacetado, transdisciplinar que esperamos frutífero, em torno de diversos problemas colocados pelas ações de contenção do contágio.

Assim, com grande prazer e esperança, oferecemos à leitura os artigos e ensaios de quarenta e cinco autores de diversas instituições do Brasil e do Exterior, selecionados em intenso trabalho conjunto com revisores externos dedicados e generosos, para contribuir para o debate sobre a mediação digital durante a pandemia e além.

Um panorama internacional ampliado das oportunidades abertas pela pandemia e suas dimensões políticas e tecnoéticas é oferecido pelo artista e Professor Emérito da Universidade de Plymouth, no Reino Unido, Roy Ascott, nosso convidado, na entrevista Desenvolvendo novas maneiras de reconhecer o outro, concedida a Anja Pratschke.

Relações entre cidade e Tecnologias da Informação e Comunicação são estudadas em três artigos. Em A participação política e as TIC no município de Porto Alegre, Brasil, Manoela Cagliari Tosin e Heleniza Ávila Campos questionam a efetividade das plataformas online participativas usadas pelo Estado para a articulação democrática da sociedade. Os artigos Smart Cities, Smart Virus: tecnoutopias do novo normal, de Giselle Beiguelman e André Deak Alonso, e Levantamento colaborativo de dados mediado por plataforma digital, de Geisa Bugs, Fausto Isolan e Karoline Rocha, discutem questões envolvidas em procedimentos voluntários ou não-autorizados de coleta de dados online, produzidos pelos cidadãos. No primeiro caso, no âmbito da narrativa das smart cities e, no segundo caso, em relação a plataformas visando a formulação de políticas públicas urbanas.

Quatro artigos e um relatório de pesquisa abordam experiências de ensino remoto de Arquitetura e Urbanismo, no primeiro semestre letivo de 2020, e propõem estratégias de continuidade didático-pedagógica: Consequências não-digitais do meio digital para o ensino de projeto, de Guilherme Lassance dos Santos Abreu, Transmedia educativa: cuerpos, mediaciones y aprendizajes, de María Elena Tosello e Patricia Pieragostini, Pandemia como oportunidade de integrar meios e modos de representação, de Arthur Hunold Lara e Dalton Bertini Ruas, e Estratégias de ensino virtual de Cidade Saudável no cenário pandêmico, de Ana Maria Sperandio, Carlos Henrique de Camargo, Marina Corona Cosmo e Rafael Salomão. Na seção Nomads, apresentamos o relatório final do Projeto Remote Design Studio: relatório final, de Marcelo Tramontano, Mario Vallejo, Maurício da Silva Filho e Danilo Cazentini Medeiros, que reuniu e analisou informações sobre experiências de ensino remoto de projeto durante o primeiro semestre da pandemia, em todo o Brasil e na América Latina.

Na seção Projeto, o artigo Enseñanza en tiempos de pandemia, o intentando convivir con coronavírus, de nosso convidado Jorge Tuset Souto, professor de Projeto de Arquitetura na Universidad de la República, Uruguai, descreve como experiências pré-pandêmicas, motivadas pela grande quantidade de alunos de sua escola, auxiliaram o enfrentamento dos desafios do ensino remoto durante a pandemia.

Reflexões sobre a relação entre humanos e dispositivos eletrônicos não-humanos são desenvolvidas nos artigos Um diálogo pós-humano entre Michel Foucault e Bruno Latour, de Paulo Noboru de Paula Kawanishi, Neutralidade tecnológica: reconhecimento facial e racismo, de Alex da Rosa, Sara de Araújo Pessoa e Fernanda da Silva Lima, e Vetores pandêmicos e a modulação algorítmica do possível, de Danichi Hausen Mizoguchi e Leandro Carmelini Borges.

Dois trabalhos tratam da influência das mediações digitais no quotidiano pandêmico. No artigo Condição digital e pandemia no Japão, de Marco André Vinhas de Souza e Christine Greiner, a cultura digital é abordada como potencial aglutinadora da sociedade japonesa, enquanto no artigo A pandemia e suas janelas abertas ou fechadas para as infâncias, de Giselle Cerise Gerson, Giselle Arteiro Nielsen Azevedo e Paulo Afonso Rheingantz, discute-se a mediação digital como elemento potencialmente excludente de grupos sociais e, em particular, de crianças em situação de vulnerabilidade.

Em duas dimensões distintas, são igualmente abordadas a transposição físico-humana para o ambiente virtual e a interação com ambientes virtuais na pandemia. Uma dimensão expositiva do patrimônio histórico e cultural é discutida no trabalho Museus nunca foram (tão) digitais, de Renato Silva de Almeida Prado, que trata da procura e proporcional desinteresse pela oferta da produção artística no formato digital no período de confinamento. A outra dimensão, relacional, é tratada no trabalho O habitar na pandemia da Covid-19: a transição para lugares virtuais, de Bruna Mayer de Souza e José Ripper Kós, que exploram a formulação de categorias para se repensar o habitar. O ensaio Narrativa em tecnologias móveis: reflexões sobre o curta “Nunca é noite no mapa”, de Analu Favretto e Maurício Vassali articula elementos da cartografia, do audiovisual e do digital em uma reflexão sobre representações da cidade.

A seção Tapete, que costuma reunir artigos de um mesmo subtema, apresenta um conjunto de três trabalhos de cunho artístico, que expressam vivências na pandemia através de metáforas sonoras, visuais e audiovisuais. Em Quarantine, de Danielle Pierre Sandrini, o confinamento ao redor do mundo é examinado por meio da fotografia. Os trabalhos Janelas polifônicas: experiência metaprojetual de projeto por cenários, de Claudia Palma da Silva e Karine Mello Freire, e Burrice Artificial: sensibilidade não-humana, protesto e pandemia, de Matheus da Rocha Montanari, exploram meios digitais e o distanciamento social imposto pelo confinamento para produzir leituras da pandemia.

Finalmente, no trabalho A pornificação do trabalho: uma reflexão a partir de Paul B. Preciado, Marcos Namba Beccari discute a crescente precarização do trabalho, intensificada no contexto pandêmico, à luz do pensamento de Paul B. Preciado.

Agradecemos a autores e revisores por aceitar nosso convite para a interlocução acadêmica que a revista V!RUS busca encorajar. Esperamos que as ideias aqui publicadas sejam um estímulo para a complexização de nossas relações com a cultura digital.

Nesta edição, estamos publicizando o nome e a filiação acadêmica de todas as pesquisadoras e pesquisadores externos que generosamente nos auxiliaram, durante o ano de 2020, na tarefa de avaliar os artigos submetidos. A todas e todos, nossos melhores agradecimentos.


We have never been so digital

Marcelo Tramontano, Mario Vallejo, Maurício da Silva Filho, Christian Quesada

Marcelo Tramontano is an Architect, Master, Doctor, and Livre-docente in Architecture and Urbanism, with a Post-doctorate in Architecture and Digital Media. He is an Associate Professor at the Institute of Architecture and Urbanism of the University of Sao Paulo, Brazil, and the Graduate Program in Architecture and Urbanism of the same institution. He directs Nomads.usp and is the Editor-in-Chief of V!RUS journal. tramont@sc.usp.br http://lattes.cnpq.br/1999154589439118

Mario Vallejo is an Architectural and Engineering Draftman, and holds a Master's degree in Architecture. He is a researcher at Nomads.usp, and Ph.D. candidate in the Graduate Program in Architecture and Urbanism at the Institute of Architecture and Urbanism of the University of Sao Paulo, Brazil. He studies digital design processes, collaboration, BIM, and methods and means of representation. mariovallejo@usp.br http://lattes.cnpq.br/1094158283404582

Maurício José da Silva Filho is an Architect and Urbanist and a researcher at Nomads.usp, in the Postgraduate Program in Architecture and Urbanism at the Institute of Architecture and Urbanism at the University of São Paulo, Brazil. He also studies Information Systems at the same university and researches the use of digital media (parametric design and digital fabrication) within the architectural design process. mauricio.jose.filho@usp.br http://lattes.cnpq.br/7246231958331765

Christian Jhulian Braga Quesada is an Architect and researcher at Nomads.usp, at the Graduate Program in Architecture and Urbanism at the Institute of Architecture and Urbanism of the University of Sao Paulo, Brazil. He studies design processes biased by artificial intelligence, and investigates aspects of collaboration between humans and machines. christianjhulian@usp.br http://lattes.cnpq.br/7415837083457783


How to quote this text: Tramontano, M.; Vallejo, M.; Silva Filho, M. J.; Quesada, C., 2020. We have never been so digital. Translated from Portuguese by Marcelo Tramontano. V!RUS, 21, December. [online] Available at: <http://www.nomads.usp.br/virus/virus21/?sec=1&item=1&lang=en>. [Accessed: 16 October 2021].



The compulsory digitization that much of the world has undergone since the first weeks of the health crisis that is sweeping the planet also emerged as an opportunity to review practices, create new routines, and formulate and test computer-aided processes. The search for ways to communicate remotely confronted us with new ways of perceiving ourselves and each other, via the world wide web, but also highlighted the fact that we are constantly producing information and data that can be collected and processed to feed both the huge bases of artificial intelligence systems, as state control systems.

We understand, therefore, that despite its tragic dimension, the present moment is a valuable and unexpected source of inputs to reflections on digital mediation, in many areas of human life. The other side of this same coin is the deepening of inequalities, asymmetries, and precariousness in the social scene, that the measures to fight the virus spread helped to expose, suggesting that the right to confinement, to constant hygiene, to quarantine in case of contagion, among many others, is not given equally to all citizens.

At a time when speculations around the present and the near future are countless and frequent, this issue of V!RUS brings together a collection of academic articles and essays, produced by researchers grounded on scientific methodology, which are willing to tense existing knowledge and expand the frontiers of what we know towards the new limits set by the pandemic.

The extremely varied background of the authors gives density to this collection. They were trained or usually work in the areas of Architecture, Urbanism, Visual Arts, Social Sciences, Communication and Semiotics, Social Communication, Product Design, Graphic Design, Strategic Design, History, Journalism, Letters, Psychology, Psychoanalysis, Public Health, Law, Biology, Cinema and Audiovisual, Digital Technologies, and Administration. Reading their work builds a multifaceted, transdisciplinary, and hopefully fruitful dialogue, around the various problems posed by the actions to limit contagion.

Thus, with great pleasure and hope, we present here the articles and essays by forty-five authors from different institutions in Brazil and abroad, selected in intense joint work with dedicated and generous external reviewers, to contribute to the debate on digital mediation during the pandemic and beyond. 

An expanded international overview of the opportunities opened up by the pandemic and its political and technoethic dimensions is offered by our guest Roy Ascott, an artist and Professor Emeritus of the University of Plymouth, in the United Kingdom, in the interview Developing ways of recognizing the other to Anja Pratschke.

Relations between city and Information and Communication Technologies are approached in three articles. In their work Political participation and the ICT in the city of Porto Alegre, Brazil, Manoela Cagliari Tosin and Heleniza Ávila Campos question the effectiveness of participatory online platforms created by the state for society to express itself democratically. The papers Smart Cities, Smart Virus: technoutopias of the new normal, by Giselle Beiguelman and André Deak Alonso, and Collaborative data collection mediated by a digital platform, by Geisa Bugs, Fausto Isolan and Karoline Rocha discuss issues surrounding voluntary or unauthorized online data collection procedures, produced by citizens. In the first case, within the scope of the smart cities narrative and, in the second case, in relation to platforms aimed at helping to formulate urban public policies.

Four articles and a research report address experiences of remote teaching of Architecture and Urbanism in the first semester of 2020, and propose strategies for didactic-pedagogical continuity: Non-digital consequences of the digital medium for design teaching, by Guilherme Lassance dos Santos Abreu, Educational transmedia: bodies, mediations, and learning, by María Elena Tosello and Patricia Pieragostini, The pandemic as an opportunity to integrate means and modes of representation, by Arthur Hunold Lara and Dalton Bertini Ruas, and Virtual teaching strategies on the Healthy City in a pandemic scenario, by Ana Maria Sperandio, Carlos Henrique de Camargo, Marina Corona Cosmo, and Rafael Salomão. In the Nomads section, we present the final report of the Remote Design Studio Project: final report, by Marcelo Tramontano, Mario Vallejo, Maurício da Silva Filho, and Danilo Cazentini Medeiros, which gathered and analyzed information about remote teaching experiences of architecture design during the first semester of the pandemic, throughout Brazil and Latin America.

In the Project section, the work Teaching process in times of pandemic, or trying to live with coronavirus, by our guest, Jorge Tuset Souto, professor of Architecture Design at the Universidad de la República, Uruguay, describes how pre-pandemic experiences, motivated by the large number of students at his school, helped to face the challenges of remote education during the pandemic.

Reflections on the relationship between humans and non-human electronic devices are discussed in the articles A posthuman dialogue between Michel Foucault and Bruno Latour, by Paulo Noboru de Paula Kawanishi, Technological neutrality: facial recognition and racism, by Alex da Rosa, Sara de Araújo Pessoa and Fernanda da Silva Lima, and Pandemic vectors and the algorithmic modulation of the possible, by Danichi Hausen Mizoguchi and Leandro Carmelini Borges.

Two works deal with the influence of digital mediations in pandemic daily life. In the article Digital condition and the pandemic in Japan, Marco André Vinhas de Souza and Christine Greiner approach digital culture as a potential catalyst for Japanese society, while the article The pandemic and its open or closed windows for children, by Giselle Cerise Gerson, Giselle Arteiro Nielsen Azevedo, and Paulo Afonso Rheingantz, discusses digital mediation as a potentially excluding element of social groups and especially children in vulnerable situations.

In two distinct dimensions, the physical-human transposition to the virtual environment and the interaction with virtual environments in the pandemic are also addressed. An expository dimension of historical and cultural heritage is introduced in the work Museums have never been (so) digital, by Renato Silva de Almeida Prado, on the demand and proportional disinterest in the supply of artistic production in digital format during the confinement period. The other dimension is relational and is examined in the article Dwelling in the COVID-19 pandemic: the shift into virtual places, by Bruna Mayer de Souza and José Ripper Kós, which explore the formulation of categories to rethink living. The essay on The narrative in mobile technologies: reflections on the short film “It’s never nighttime in the map”, by Analu Favretto and Maurício Vassali, articulates elements from cartography, audiovisual, and the digital in a reflection on representations of the city.

The Carpet section, which usually brings together articles on the same sub-theme, presents three works of artistic nature that express experiences in the pandemic through sound, visual and audiovisual metaphors. In Quarantine, Danielle Pierre Sandrini examines confinement around the world through photography. The works Polyphonic windows: a project experience through scenarios, by Claudia Palma da Silva and Karine Mello Freire, and Artificial Stupidity: decoding, protests, and the pandemic, by Matheus da Rocha Montanari, explore digital media and the social distance imposed by confinement to produce readings of the pandemic. 

Finally, in the work The pornification of work: a reflection from Paul B. Preciado, by Marcos Namba Beccari discusses the growing precariousness of work, more intense in the pandemic context, in the light of the thought of Paul B. Preciado.

We thank authors and reviewers for accepting our invitation to the academic dialogue that V!RUS journal seeks to encourage. We hope the ideas posted here are a stimulus for complexifying our relationship with digital culture. 

In this issue, we are publicizing the name and academic affiliation of all external researchers who generously assisted us during the year 2020, in the task of evaluating the submitted articles. Our best thanks to everyone.