A coexistência no quotidiano

Adriano Mauriz, Paulo Carvalho

Como citar esse texto: MAURIZ, A.; CARVALHO, P. A coexistência no quotidiano. Entrevista.V!RUS, São Carlos, n. 4, dez. 2010. Disponível em: <http://www.nomads.usp.br/virus/virus04/?sec=2&item=1&lang=pt>. Acesso em: 19 08 2019.

"Chegamos com um projeto de teatro e consolidamos um Centro Cultural." Ouvindo isso, algumas pessoas pensariam que os Pombas Urbanas, como gostam de ser chamados os integrantes desse grupo, são ou modestos, ou ingênuos. Nem um, nem outro. Os Pombas são pessoas completamente conscientes da abrangência do trabalho que realizam. É verdade que, às vezes, parecem surpresos ao perceber os bons resultados dos diferentes projetos que põem em prática, mas sabem perfeitamente que eles resultam de processos ricos e complexos, aos quais estão bastante atentos.

Formado em 1989 pelo diretor Lino Rojas com jovens de São Miguel Paulista, zona leste de São Paulo, o grupo, hoje, é responsável pelo Centro Cultural Arte e Construção, em Cidade Tiradentes, também na zona leste paulistana. Oficialmente Instituto Pombas Urbanas, desenvolve diversas atividades, programas e ações culturais com comunidades de Cidade Tiradentes, no espaço transformado de um grande galpão abandonado que passou a ocupar em 2004. Os Pombas começaram em Cidade Tiradentes com Teatro. Hoje, suas atividades diárias envolvem, além do teatro, circo, dança, música, graffiti, rádio, letramento, telecentro, entre outros. O foco principal das atividades é, como dizem, o fortalecimento da identidade cultural das pessoas da comunidade, e a compreensão de suas necessidades e potencialidades para que possam ampliar suas capacidades humanas e solucionar problemas comuns de forma coletiva.

Parceiro do Nomads.usp em algumas pesquisas, o Pombas Urbanas é, assim, um grupo de pessoas que vivenciam, em seu quotidiano, coexistências diversas. Como atores, experimentam a existência simultânea de personagem e pessoa, de uma face pública e outra, particular, ocupando o mesmo espaço. Como executores de projetos culturais, sobrepõem ações culturais e comunidade, gestão local e gestões em instâncias públicas – estaduais e federais, e ainda privadas. Como grupo de teatro vinculado à realidade da periferia paulistana, convivem com outras realidades, mais centrais, etc.. Eles vivenciam a noção de coexistência de muitas maneiras, variadas e simultâneas.

Conversamos por duas horas com o Pombas Urbanas em 16 de novembro de 2010, via MSN, sobre esses assuntos, e apresentamos aqui o registro dessa conversa. A V!RUS é imensamente grata aos Pombas pela entrevista.

V!RUS: Queríamos falar sobre as relações entre vocês e a comunidade, e sobre como vocês agem como indutores de várias coisas nesse meio. O fato de morarem no bairro ou em bairros vizinhos à Cidade Tiradentes influi nas relações entre vocês e a comunidade. Vocês poderiam comentar um pouco como isso acontece?

Pombas Urbanas: Sim, com certeza, estar no bairro muda tudo. O Pombas tem sua origem na periferia, em São Miguel Paulista, e por falta de espaço o grupo foi viver no centro de São Paulo. Quando encontramos o galpão O galpão, na Avenida dos Metalúrgicos, 2.100, em Cidade Tiradentes, é a sede do Instituto Pombas Urbanas e abriga o Centro Cultural Arte em Construção. (www.pombasurbanas.org.br) , ele estava abandonado e discutimos a necessidade de virmos morar aqui. Percebemos que não era possível fazer esse projeto dar certo de onde estávamos, lá no centro. Era confortável, mas não era viável. Tínhamos as facilidades de quem mora no centro: teatros, oportunidades, trabalho, transporte, lazer... Mas não dava para tocar o projeto de lá. Decidimos morar aqui por ser uma opção coerente com a nossa história.

V!RUS: Que tipo de atividades vocês faziam com a comunidade nessa época? Basicamente teatro de rua?

Pombas Urbanas: O grupo sempre pesquisou linguagem, dramaturgia e formação de atores. As peças falam de São Paulo a partir da nossa poética periférica. Quando chegamos, 800 pessoas se inscreveram para os cursos, mais por curiosidade. De repente, tinha gente vestida como se fosse "primeira comunhão" em um espaço em ruínas! Muitas foram abandonando o curso. Dessa geração hoje seguem alguns jovens que formaram o grupo Filhos da Dita e são co-responsáveis pela gestão do CCAC (Centro Cultural Arte em Construção), junto com o Pombas.

V!RUS: Quando vocês dizem que não era viável 'tocar o projeto de lá', vocês se referem ao lado operacional ou aos resultados esperados em termos de vivências, por exemplo?

Pombas Urbanas: Ambos. Não tínhamos nada de recursos e, a princípio, começamos a tirar as toneladas de entulho com as mãos. Se não fosse essa atitude prática, o projeto não teria acontecido. Mas também têm os vínculos, o sentimento, as relações. A comunidade foi nos conduzindo, dando pistas do que era necessário fazer. Chegamos com um projeto de teatro e consolidamos um Centro Cultural.

V!RUS: Num primeiro momento, as influências de vocês na comunidade devem ter sido mais visíveis do que o contrário - ou seja, as influências da comunidade sobre vocês?

Pombas Urbanas: Nós saíamos para feira vestidos de personagens para estabelecer relações com a comunidade. As pessoas entendiam perfeitamente essa comunicação, parecida com a dos artistas populares do nordeste, os mamulengueiros "O mamulengueiro é geralmente um homem com grande capacidade para inventar histórias e improvisar situações com os bonecos, brincando com o público e fazendo críticas aos costumes sociais. Esse artista popular anda de povoado em povoado, levando e trazendo diversão e informações, despertando o espírito da alegria por onde passa".
SIMÕES, C. Breve passeio pela História do Mamulengo, Revista Raiz, 10 abr. 2008, Seção Figura. Disponível em:<http://revistaraiz.uol.com.br/portal/index.php?Itemid=190&id=1105&option=com_content&task=view>. Acesso em: 03 dez. 2010.
... Também apresentávamos cenas para as crianças. As pessoas não nos conheciam, mas perguntavam do Zimbo, dos bois, Zimbo, personagem da peça Todo Mundo tem Um Sonho, espetáculo infantil, e os bois Filé e Mignon, personagens das peças A Parceria que da Certo e Quadrúpedes Aquáticos. etc.. Também colocávamos o som atrás de um muro e criávamos personagens de rádio-novela. Para a comunidade, era um grupo de jovens meio malucos mas, de repente, os filhos e as avós estavam embarcando nessa loucura. Não demorou e jovens também embarcaram. Eles nos influenciavam com seus sonhos ao perguntar quando teriam música, livros, dança. A partir daí, vieram os projetos que a comunidade nos solicitou. Só não topávamos conseguir comida, porque o espaço não tem uma finalidade assistencial, e sim cultural. É isso que podemos oferecer.

V!RUS: Em certa medida, essa face pública que vocês usavam no contato com a população não funcionava como uma proteção para a face privada da vida de vocês? Os figurinos de bichos, etc....

Pombas Urbanas: Em um primeiro momento, nós nos preocupávamos em não estabelecer relações pessoais tão aprofundadas no sentido de nossa vida privada. Dos prédios, todos os olhos nos miravam.

V!RUS: Isso era um cuidado que vocês tomavam deliberadamente?

Pombas Urbanas: Não podíamos dar algum tipo de mau exemplo. Nós "brincávamos de monges" :-)

No começo, a subprefeitura nos perseguia, espalhando boatos de que aqui seria um restaurante popular Bom Prato Projeto de restaurantes populares criado pelo Governo do Estado de São Paulo. (projeto de comida a R$ 1,00). E nós fazíamos a contra-fofoca: dizíamos que se não fosse o teatro, seria uma Fundação Casa Fundação Centro de Atendimento Socioeducativo ao Adolescente (CASA) , instituição ligada à Secretaria de Estado da Justiça e da Defesa da Cidadania de São Paulo, antiga FEBEM Fundação Estadual do Bem-Estar do Menor, para onde são encaminhados menores infratores.
GOVERNO DO ESTADO DE SÃO PAULO. Fundação Centro de Atendimento Socioeducativo ao Adolescente – CASA. Disponível em: <http://www.casa.sp.gov.br/site/paginas.php?sess=1>. Acesso em: 03 dez. 2010.
. Claro que a comunidade preferia "as pombas"!

V!RUS: Vocês disseram que os jovens "influenciavam vocês com seus sonhos", mas em que sentido?

Pombas Urbanas: Imagine um espaço de 1.600m em um lugar onde falta tudo... As pessoas perguntavam se aqui teria tudo que elas imaginavam. Nós passávamos o dia inteiro aqui disponíveis para ouvir e interagir com as pessoas. Especialmente nesse momento, apareciam as crianças e foram surgindo projetos. As brincadeiras passaram a ser oficinas de circo, o circo passou a ser letramento Ação desenvolvida pelo grupo para estimular nas crianças o interesse por aprender, com rodas de leitura, a partir da constatação de que muitas que freqüentavam os cursos no Centro Cultural não eram ainda alfabetizadas, apesar da idade escolar avançada , o letramento deu origem à biblioteca... E assim iam surgindo os projetos.

No primeiro ano, só havia recursos para o projeto "Da comunidade ao teatro, do teatro à Comunidade", pela lei de fomento Lei de Fomento ao Teatro de São Paulo (3º edital).. Quando percebemos, havia uns 20 projetos em andamento financiados com só um recurso. Aí começamos a nos organizar em relação à gestão e captação.

V!RUS: A gente percebe que as ações no galpão se diversificaram muito nos últimos anos, e que hoje vocês oferecem diversos cursos e atividades à população; como isso funciona como fator de aproximação entre vocês e a comunidade? É um facilitador ou um complicador?

Pombas Urbanas: No ano passado, colocamos um livro de assinaturas na porta do galpão. No final do ano, a Néia, responsável pela biblioteca, e pelo livro, disse que circularam por aqui mais de 35.000 pessoas. O espaço foi sendo ocupado pela comunidade. Oferecer uma programação que interessa a ela é importante, mas também é importante o tipo de relação que se estabelece entre nós.

V!RUS: Sim, mas além dos termos quantitativos, vocês percebem mudanças qualitativas expressivas na comunidade a partir do contato com os cursos e atividades?

Pombas Urbanas: As pessoas ajudam a cuidar do espaço, propõem atividades. O espaço está habitado por filhos, amigos e parentes daqueles que são os artistas e também os gestores. O Filhos da Dita é o melhor exemplo. A Jéssica, que hoje administra os recursos do CCAC, era da turma de crianças, da qual já falamos. Os jovens escrevem e captam os projetos, fazem a comunicação, se apresentaram em Belém do Pará, na Colômbia, em Goiânia, e até no Instituto Itaú Cultural.

Além disso, também têm resultados em outros projetos, como a turma de graffiti, que se profissionalizou e recebeu alguns prêmios, ou a turma de circo, que já dá aulas para crianças, entre outros.

V!RUS: Quantas pessoas fazem hoje parte do Pombas Urbanas?

Pombas Urbanas: A equipe de base tem umas 30 pessoas: os veteranos, os estagiários e os bolsistas, além de voluntários e colaboradores de fora do bairro. A maioria dos professores dos cursos é daqui mesmo. A galera aprende e multiplica. Isso é constante.

V!RUS: Essa multiplicação se faz dentro e fora do Pombas? Há uma inserção desse pessoal em outros projetos de outros lugares?

Pombas Urbanas: Mais ou menos. Hoje, essa galera tem ficado aqui mesmo. Mas também têm pessoas que passaram por aqui e, hoje, estão em outros projetos. Um exemplo é o Gabriel, que aprendeu técnica de iluminação, e depois trabalhou no SESC. Os que se identificam mais acabam ficando. Têm crianças que dizem que querem ser educadores, por exemplo. Mas também prestamos serviços para sindicatos e empresas: o grupo Os Fuxiqueiros tem se apresentado bastante, o Maracatu também. Enfim, esse ano foi de muito trabalho...

V!RUS: O Pombas tem um papel de articulador em diferentes níveis: entre comunidade, financiadores, agentes culturais públicos, institutos privados, pesquisadores acadêmicos, etc.. Como vocês avaliam esse processo e essas atividades, em termos de dificuldades, de valer a pena, etc.?

Pombas Urbanas: Nós só queremos fazer teatro! :-)

V!RUS: Sim, que é o que, no final, o que vocês menos fazem... ou não?

Pombas Urbanas: O Pombas é um grupo de teatro, que reflete suas origens, toma posição, participa, é cidadão. Sabemos que o CCAC se tornou um espaço importante no bairro e que nossa ação repercute fora daqui também. Mas esse projeto é da comunidade. Nós nos esforçamos para que ela crie, produza e administre sua produção cultural. Aí a gente vai poder aproveitar esse cantinho do mundo só para produzir arte... ou para fazer com que a comunidade esteja ainda mais presente em nossa arte, nossa poesia... Mas é a comunidade que deve estar à frente da gestão, preocupada com o desenvolvimento local, com seus problemas de saúde, de educação, etc..

V!RUS: Ou seja, a perspectiva seria de o Pombas e o CCAC se afastarem um pouco um do outro, no futuro? Como ficam, nesse caso, os aspectos de financiamento e gestão junto a órgãos públicos, por exemplo?

Pombas Urbanas: Ainda não sabemos. Mas o Pombas vai estar presente, embora o espaço seja aberto a todos. O Pombas é uma administração privada O Instituto Pombas Urbanas é uma OSCIP – Organização da Sociedade Civil de Interesse Público desde 2003., é o responsável legal pelo CCAC, etc.. Essa transferência para a comunidade ainda é difícil: sentimos que os jovens são comprometidos mas estão em formação. Com os mais velhos, é muito diferente, são 21 anos de grupo. Já não há dúvidas de que estar aqui fazendo teatro é o nosso projeto de vida.

V!RUS: Isso era, desde o início, uma estratégia ou só foi ficando claro ao longo dos anos, nesse processo de trabalho? Ou seja, desde o início vocês imaginavam se distanciar em certo momento ou não?

Pombas Urbanas: Quando chegamos, o Lino Lino Rojas, diretor e dramaturgo peruano, fundador do grupo Pombas Urbanas em 1989, e seu diretor por 15 anos. imaginava que essa formação se daria em uns três anos. Sem a experiência dele, nós já levamos cinco e ainda não estamos satisfeitos. Muita coisa, quem nos ensina são as pessoas do bairro, não tem uma metodologia determinada. Estamos criando com eles as respostas de que precisamos.

V!RUS: Mas também o trabalho cresceu bem mais do que talvez o próprio Lino tenha imaginado, não?

Pombas Urbanas: Não sabemos, não. Muita coisa ele pensou com a gente. Eram muitas horas de conversa ouvindo o Lino, e ele imaginando e levando nossa imaginação. Nem entendíamos direito o que ele falava! Mas, quando ele se foi, descobrimos que esse conhecimento já estava em nós.

V!RUS:Nós queríamos voltar num ponto que já abordamos antes, sobre o trabalho que vocês desenvolvem como articuladores em diferentes níveis: entre comunidade, financiadores, agentes culturais públicos, institutos privados, pesquisadores acadêmicos, etc.. É claro que isso se faz a partir de um saber que foi sendo desenvolvido e acumulado ao longo do tempo. Vocês poderiam falar um pouco das experiências envolvidas nesse trabalho? Porque, em fim de contas, trata-se de viabilizar a coexistência de vários agentes, em diferentes níveis.

Pombas Urbanas: Quando chegamos, o Lino reforçou que era preciso "dialogar". Isso a partir da nossa prática. No galpão não havia paredes, mas tinha que rolar aulas. Ele dizia que as pessoas só iriam acreditar a partir de práticas visíveis. Todos nos viam como moleques. Então representávamos, às vezes, nos disfarçando de empresários, articuladores políticos, sabichões, arquitetos (!), mas o que as pessoas levam é nossa prática. É ver que a gente acredita mesmo nessa loucura. Mas também buscamos conhecimentos, procuramos aperfeiçoar nossa comunicação, a transparência nos projetos. Fazemos o planejamento das ações com todos (da cozinheira ao aluno interessado). Todos podem ajudar a criar e a realizar os projetos, sabem dos recursos. Tem gente que acha isso meio estranho, mas assim vamos construindo tudo coletivamente. E outros agentes externos, quando chegam, acabam fazendo parte também e percebem que essa construção não é em nosso benefício pessoal, mas sim coletivo.

V!RUS: Agora falando sobre outra esfera de relações, entre as comunidades de Cidade Tiradentes e o restante da cidade e, de várias maneiras, da sociedade, fica claro que o trabalho de vocês ajuda a comunidade a se reorganizar. Mas, como ela cria – ou não cria – laços com outras comunidades e outras classes sociais?

Pombas Urbanas: Ah, lembramos de uma história... No ano passado, um grupo de professores de uma escola estava buscando algo para propor à SPTuris A São Paulo Turismo (SPTuris) é uma empresa de turismo e eventos da cidade de São Paulo, que busca promover a consolidação da cidade como destino turístico. como um ponto turístico da Tiradentes, e propuseram o teatro do CCAC. Cidade Tiradentes, um bairro que tem como símbolo turístico um teatro!!! Nessa mesma escola, os alunos tomaram como exemplo o jornal que fazemos para também fazer um jornal do bairro. Achamos legal que nossa presença ajude a produzir uma imagem diferente para o bairro. Agora, até os cobradores de ônibus usam o galpão como referência de parada dos ônibus.

Por outro lado, esses dias descobriram um cemitério do PCC Primeiro Comando da Capital (PCC), organização criminosa paulista. por aqui. Só se falou disso. Numa novela da TV, em um episódio que tratava de um aborto, uma menina pegava o ônibus 'Cidade Tiradentes' para ir a uma clínica clandestina. Essa imagem negativa é muito forte. Imaginamos que, quando saímos do bairro produzindo arte com esses jovens, isso dá um nó na cabeça das pessoas.

V!RUS: E no sentido contrário? Vocês percebem alguma mudança de percepção das pessoas de Cidade Tiradentes em relação ao restante da cidade? A partir do trabalho com vocês, por exemplo?

Pombas Urbanas: Bastante. Hoje percebemos que as pessoas da rua que fica atrás do galpão vêm para a avenida arrumadinhas, as organizações do bairro estão buscando uma atitude mais organizada, projetos de desenvolvimento como os CEUs, as Fábricas de Cultura, o Centro Cultural da França... Isso faz as pessoas se sentirem mais fortes, habitarem um lugar com mais dignidade, afinal o bairro está melhorando... O bairro sempre teve a imagem de violento. As pessoas tinham muita vergonha de viver aqui. Hoje, tem um projeto de desenvolvimento em curso. A galera brinca que essa avenida é a Faria Lima Avenida importante da região mais rica da cidade. da Cidade Tiradentes. Agora, aqui tem até Casas Bahia!... (risos) As pessoas também daqui já são vistas como consumidores!!! (risos)

V!RUS: Nas primeiras vezes em que fomos aí, em 2006, nós lembramos de que várias pessoas do bairro tinham um sentimento muito forte contra pessoas de fora do bairro, uma visão que decorria da distância social entre eles e o restante da cidade. Vocês acham que isso tem se alterado?

Pombas Urbanas: Sim. Recentemente abriram na Jacu-Pêssego Importante avenida da zona leste do município de São Paulo. uma entrada para o rodoanel Eixo rodoviário que circunda a cidade de São Paulo.. As pessoas estão sentindo mais parte da cidade. Ainda têm zonas com muita dificuldade aqui em Cidade Tiradentes, como a área do Barro Branco, por exemplo. É periferia da periferia. Passamos com um cortejo teatral por lá faz um ano. Perguntamos onde podíamos divulgar nosso trabalho para os jovens e um menino nos disse: "Divulga ali na faculdade". Era a Fundação Casa de Ferraz de Vasconcelos Município vizinho a Cidade Tiradentes., que dava para ver de lá. Não tem nada nesse lugar, só a Fundação Casa mesmo...

V!RUS: Mas além de ações de governo como o rodoanel e os CEUs, mas também a ampliação da renda e do acesso ao crédito da população, etc.., vocês acham que as ações culturais têm um papel relevante nesse esforço, ou não tão grande?

Pombas Urbanas: Claro que sim. Esse espaço se tornou um espaço de convivência, de diálogo, de criação. Isso tem um impacto especialmente com as crianças e jovens. Por exemplo, acabamos de voltar da Colômbia. Lá, as comunidades fazem planos de desenvolvimento local, ouvem as crianças, os velhos, os adultos, e esses planos são entregues às pessoas que fazem os orçamentos participativos. Em todos os diagnósticos, o que as comunidades de lá mais anseiam são espaços de cultura.

V!RUS: Última pergunta!

Pombas Urbanas: Ok!

V!RUS: O futuro parece promissor?

Pombas Urbanas: vixi!!!

V!RUS: eheheh

Pombas Urbanas: Ganhamos um fomento para um projeto chamado Revoada, e no próximo ano vamos nos dedicar especialmente à pesquisa teatral. Convidamos dois professores, um daqui e outro de Cuba, e também um pesquisador musical. Vamos ver como transformamos essas histórias todas em teatro. E sobre o CCAC: autonomia, protagonismo e empoderamento! kkkk

V!RUS: A gente poderia incluir nessas três palavras uma quarta?

Pombas Urbanas: Qual?

V!RUS: Coexistência? Entre tantas realidades que vocês passaram a combinar e colocar em contato a partir das ações culturais?

Pombas Urbanas: Bacana! Tem um trecho do Ventre de Lona Peça teatral do grupo Pombas Urbanas. em que o coro dialoga com o público. Eles dizem assim:

"Nós aqui (no palco) e vocês aí? Ou nós aí e vocês aqui? Será que isso importa? Faz alguma diferença? O espetáculo nem começou. A luz ainda não desceu ao picadeiro. Nosso espetáculo só começa quando vocês chegam e nós chegamos, e termina quando vocês vão embora e nós nos vamos...".

V!RUS: Que bonito! Obrigadíssimo, em nome da V!RUS! Esperamos que o Nomads volte a ter intersecções com vocês num futuro próximo!

Pombas Urbanas: Sim, nós estamos esperando... Abraços a tod@s!!!

Coexistence in everyday life

Adriano Mauriz, Paulo Carvalho

How to quote this text: Muniz A. and Carvalho P., 2010. Coexistence in everyday life. Interview. Translated from Portuguese by Fábio Abreu de Queiroz, V!RUS, 04, [online] Available at: <http://www.nomads.usp.br/virus/virus04/?sec=2&item=1&lang=en>. [Accessed: 19 08 2019].

“We arrived with a theater project and consolidate a cultural center.” At hearing this, some people would believe that the Pombas Urbanas [the Urban Pigeons], as the members of this group like to be called, are either modest or naive. Neither one nor the other thing. The Pombas are fully aware of the scope of the work they realize. It is true that sometimes they seem surprised to see the good results of the different projects they put into practice, but they know perfectly well that it results from rich and complex processes, for which they are very attentive.

Formed in 1989 by director Lino Rojas young from São Miguel Paulista, eastern São Paulo, the group today is responsible for the Centro cultural Arte e Construção in Cidade Tiradentes, also in eastern São Paulo. Officially Instituto Pombas Urbanas, it develops several activities, programs and cultural activities with communities of Cidade Tiradentes, in the transformed space of a large abandoned warehouse where the group was established in 2004. The Pombas began in Cidade Tiradentes in doing theater. Today, their daily activities involve theater, circus, dance, music, graffiti, radio, literacy, telecenter, among others. The main focus of activities is, as they say, strengthening the cultural identity of people in the community, and understanding their needs and capabilities so they can enlarge their human capabilities and solve common problems collectively.

Partner of Nomads.usp in some research projects, the Pombas Urbanas is therefore a group of people who experience, in their daily lives, several coexistences. As actors, they experience the simultaneous existence of a character and a person, a public face and an other, particular, occupying the same space. As executors of cultural projects, they overlap cultural activities and community, local management and management in public instances – federal and state spheres, and even private. As a theater group linked to the reality of Sao Paulo peripheries, also live with other more central realities etc.. They experience the notion of coexistence in many ways, different and simultaneous.

We talked for two hours with the Pombas Urbanas in November 16, 2010, via MSN, on these issues, and we present here the record of this conversation. The V!RUS journal is immensely grateful to Pombas for this interview.

V!RUS: We want to talk about the relationship between you and the community, and on how you act as inducers of several things in this enviroment. The fact that you live in Cidade Tiradentes or in nearby neighborhoods influences the relations between you and the community. Can you make some comments about that?

Pombas Urbanas: Yes, of course, being in the neighborhood changes everything. The Pombas have their origin in the periphery, in Sao Miguel Paulista, and due to a lack of space the group went to live in downtown Sao Paulo. When we found the warehouse The warehouse, on 2100 Matalúrgicos Avenue, in Cidade Tiradentes, is the headquarters of the Instituto Pombas Urbanas Institute and houses the Centro Cultural Arte em Construção. (www.pombasurbanas.org.br) it was abandoned and we discussed the need of coming to live here. We realized that it was not possible to carry out this project from where we were, there in downtown. It was comfortable, but it was not feasible. We had many facilities as those who live in downtown: theaters, opportunities, job, transportation, recreation... But we could not carry the project out from there. We decided to live here because it was a choice connected to our history.

V!RUS: What kind of activities you used to do with the community at that time? Basically street theater?

Pombas Urbanas: The group has always made research on theater languages, dramaturgy and actors training. The pieces speak of Sao Paulo from our peripheral poetic standpoint. When we first arrived here, 800 people signed up for courses, out of curiosity. Suddenly there were people dressed like "first communion" in an space in ruins! Many abandoned the course. From this generation, some young people remain today. They formed the group Filhos da Dita, that is co-responsible for CCAC (Centro Cultural Arte em Construção), along with Pombas.

V!RUS: When you say it was not feasible "to carry the project out from downtown”, you refer to the operational side or to the expected results in terms of experiences, for example?

Pombas Urbanas: Both. We had no resources and, at first, we started taking tons of rubble away with bare hands. If not for that practical attitude, the project would not have happened. But there are also the links, the feelings, the relations. The community lead us, giving clues to what was necessary to do. We arrived with a theater project and consolidated a cultural center.

V!RUS: In the beginning, we guess that your influences on the community were more visible than the opposite – in other words, the influences of the community on you?

Pombas Urbanas: We went to the market dressed as characters to establish relationships with the community. People understood perfectly that communication, like the popular artists from the northeast, the puppeteers "The puppeteers is usually a man of great ability to improvise and invent stories situations with dolls, playing with the public and making criticism of social mores. This popular artist walks from village to village, carrying and bringing entertainment and information, awakening the spirit of joy wherever he goes."
Simões, C., 2008. Breve passeio pela História do Mamulengo, Revista Raiz, Seção Figura. Available at: <http://revistaraiz.uol.com.br/portal/index.php?Itemid=190&id=1105&option=com_content&task=view>  [Accessed December 2010]
... We also staged scenes for children. People did not know us, but asked about Zimbo, about oxen Zimbo and the oxen Filet and Mignon, characters in the plays by Pombas Urbanas. etc.. We also installed sound devices behind a wall and created radio drama characters. For the community, it was a somehow wacky youngs group but suddenly children and grandparents were embarking on that madness. It didn’t take long for young people also to embark. They influenced us with their dreams by asking when they would have music, books, dance. From there came the project requested by the community. We just did not agree to get food, because our space does not have an assistantial purpose, but a cultural one. This is what we can offer.

V!RUS: To some extent, did this public face you used for the contact with the population serve as a protection for your private lives? The costumes of animals, etc....

Pombas Urbanas: At first, we were concerned in not establishing too extensive personal relationships in the sense of our private lives. From the buildings around, all eyes were on us.

V!RUS: Was it a deliberate care you took?

Pombas Urbanas: We could not give any kind of bad example. We "played monks":-)

In the begining, the subprefecture persecuted us, spreading rumors that here we would open a Bom Prato Project for popular restaurants created by the State Government of São Paulo. popular restaurant (food for R$ 1.00). Then we made a counter-gossip: we said that if not for the theater, they would open here a Fundação Casa Fundação Centro de Atendimento Socioeducativo ao Adolescente - CASA (Foundation Centre for Socio-Educational Services for Adolescents), an institution linked to the Secretaria de Estado da Justiça e da Defesa da Cidadania de São Paulo (Secretary of Justice and Citizen Protection of São Paulo), former FEBEM - Fundação Estadual do Bem-Estar do Menor (State Foundation for the Well-Being of Minors), where young offenders are sent to.
GOVERNO DO ESTADO DE SÃO PAULO. Fundação Centro de Atendimento Socioeducativo ao Adolescente – CASA. Available at: <http://www.casa.sp.gov.br/site/paginas.php?sess=1> [Accessed December 2010].
. Of course, the community prefered “the pigeons"!

V!RUS: You said that young people "influenced you with their dreams", but in which sense?

Pombas Urbanas: Imagine an area of 1600 m² in a place where everything is lacking... People asked if we would have here everything they imagined. We used to spend the entire day here ready to listen and to interact with people. Especially at that time, children came and projects were being conceived. Games became circus workshops, circus became literacy Action developed by the group to stimulate children's interest in learning, with reading groups, from the observation that many who attended courses at the cultural center were not yet literate, despite their advanced scholar age., literacy led to the library ... And thus projects were emerging.

In the first year we had only funds for the project "From community to theater, from theater to Community", by the promotion law Lei de Fomento ao Teatro de São Paulo - 3º edital) (Promotion Act to São Paulo’s Theather - 3rd call.. When we realized, we had about 20 ongoing projects funded with only this project's resources. Then we began to organize ourselves for management and fundraising.

V!RUS: We realize that the actions in the warehouse have diversified in the last years, and now you offer several courses and activities to the population; how does it work as a vector of rapprochement between you and the community? Does it make this relation easier or more complicated?

Pombas Urbanas: Last year, we placed a guest book at the warehouse’s entrance. At the end of the year, Néia, who is the responsible for the library and for the guest book, said that more than 35,000 people had passed by here. The community was occupying the space. To offer a program that matters is important but it is also important the kind of relationship that we establish between us.

V!RUS: Yes, but beyond quantitative terms, do you see significant qualitative changes in the community from the contact with the courses and activities you offer?

Pombas Urbanas: People help us to take care of this place, they suggest activities. Children, friends and relatives of those who are artists and also managers inhabit the warehouse. The Filhos da Dita is the best example. Jéssica, who now manages the resources of the CCAC, belonged to that group of children, which we have already spoken about. Young members write projects and get funds, they make the communication tasks, they performed in Belem do Para, Colombia, Goiania, and even T Instituto Itau Cultural, in Sao Paulo.

Furthermore, they also have good results in other projects such as the group of graffiti. They became professional and received some awards, as well as the circus group that is already giving classes for children, among others.

V!RUS: How many people are today part of the Pombas Urbanas?

Pombas Urbanas: The core team has about 30 people: veterans, trainees and fellows, as well as volunteers and contributors from outside the neighborhood. Most of teachers are from here. The guys learn and multiply themselves. This is a constant.

V!RUS: Does this multiplication occur both inside and outside Pombas Urbanas? Do they take part in projects elsewhere?

Pombas Urbanas: So-so. Today, these guys remain here. But there are also people who were here and now are taking part in other projects. One example is Gabriel, who learned lighting technique and later worked at SESC cultural centers. Those who feel more affinities with us remained. Some children say they want to be educators, for example. But we also provide services for unions and companies: the group Os Fuxiqueiros has been performing a lot, and also the Maracatu one. Anyway, this was a very laborious year...

V!RUS: The Pombas has a role in articulating different levels: among community, funders, cultural public agents, private institutes, academic researchers and so on. How do you evaluate this process and these activities in terms of difficulty, of being worthy, etc.?

Pombas Urbanas: We just want to do theater! :-)

V!RUS: Yes, which is what you do the less, at the end... or not?

Pombas Urbanas: The Pombas is a theater group which reflects its origins, show clear positions, takes part, having a citizenship awareness. We know that the CCAC has become an important space in its neighborhood and our action resonates out there as well. But this project belongs to the community. We strive for it to create, produce and manage its own cultural production. Then we will be able to enjoy this corner of the world only to make art... or to make the community even more present in our art, our poetry... But the community should be ahead of the management, concerned with local development, with its problems of health, education and so on.

V!RUS: That is, in the future the prospect would be the Pombas and the CCAC to depart a little from each other? If so, what about, in this case, the aspects of finance and management from public bodies, for instance?

Pombas Urbanas: We do not know it yet. But Pombas will be present, although the space is open to everybody. The Pombas is privately managed The Instituto Pombas Urbanas is an OSCIP - Organização da Sociedade Civil de Interesse Público (Civil Society Organization of Public Interest ) since 2003., it is legally responsible for CCAC. This transfer to the community is still difficult: we feel that young people are engaged but they are still in training. With older people it is very different, we are a 21 years-old group. There is no doubt that being here doing theater is our life project.

V!RUS: Was this a strategy from the begining or this only became clear over the years, in the working process? That is, did you imagine from the beginning that at a certain moment you would want to be more distant or not?

Pombas Urbanas: When we arrived, Lino Lino Rojas, Peruvian director and playwright, founder of Urban Pigeons in 1989 and its director for 15 years. imagined that such training would happen in about three years. Without his experience, we are already in our fifth year and we are not satisfied yet. Many things are taught to us by the neighborhood dwellers; there is no a particular methodology. We are creating with them the answers we need.

V!RUS: But the work grew far more than Lino might have imagined himself, didn’t it?

Pombas Urbanas: We don’t know. Many things he thought with us. There were many hours of conversation listening to Lino, he imagined things and took our imagination along. We did not even understand exactly what he said! But when he was gone we realized that this knowledge was already in us.

V!RUS: We would like to go back to a point that we have covered earlier about the work you develop as articulators in different levels: between community, funders, cultural public actors, private institutes, academic researchers etc.. Of course it evolves from a knowledge that has been developed and accumulated over time. Can you please speak a little bit on the experiences involved in this work? Because in the end, it is about making feasible the coexistence of multiple agents at different levels.

Pombas Urbanas: When we first arrived here, Lino stressed that it was necessary to "dialogue", through our practice. There were no walls in the warehouse, but we had to make classes. Lino said that people would only believe in us if they saw visible practices. Everyboby saw us as kids. So we represented, sometimes, disguised as businessmen, policymakers, pundits, architects (!), but what people take with them is our practice. They see that we really believe in such madness. But we also seek knowledge, on how to improve our communication, and the transparency in the projects. We plan actions with everybody in the group (from the cook to the interested student). Everyone can help in creating and carrying out projects, they know the resources. Some people find it strange, but thus we are building all collectively. And other external agents, as they arrive here they finish by being part of this practice. Thus they realize that this construction is not in our personal benefit, but collective.

V!RUS: Now talking about some other sphere of relations, between the communities of Tiradentes and the rest of the city and, in many ways, the society, it is clear that your work helps the community to reorganize itself. But how does it create – or not – links with other communities and other social classes?

Pombas Urbanas: Oh, we recall a story... Last year, a group of teachers from one school was looking for something to propose to SPTuris The São Paulo Turismo (SPTuris) is a company of tourism and events in the city of Sao Paulo, which seeks to promote the consolidation of the city as a tourist destination. to be a tourist spot of Cidade Tiradentes, and proposed the CCAC theater. Cidade Tiradentes, a neighborhood whose tourist symbol is a theater! At that same school, the students took as example the newspaper that we do for creating a neighborhood newspaper. It is nice that our presence helps to produce a different image of the neighborhood. Now, even the bus conductors use the warehouse as a reference to the bus stop.

On the other hand, a graveyard of the PCC Primeiro Comando da Capital (PCC), a criminal organization. was found here these days. People talked mostly about that. In an episode of an evening tv series dealing with abortion, a girl took the bus 'Cidade Tiradentes' to go to an illegal clinic. This negative image is very strong. We imagine that when we leave the neighborhood producing art with these young people, it can create a good confusion in people's mind.

V!RUS: And in the opposite sense? Do you see any change in the way people from Cidade Tiradentes perceive the rest of the city? From the experience of working with you, for example?

Pombas Urbanas: Yes, very much. Today we realize that people living at the street just behind our warehouse come tidy to the avenue; the neighborhood organizations are seeking a more organized attitude, development projects like the CEUs Centros Educacionais Unificados - CEU (Unified Educational Centers)., the Fábricas de Cultura, the French Cultural Center… That makes people feel stronger, to feel that they live in a place with more dignity, after all the neighborhood is being improved… The neighborhood always had the image of violence. People were very ashamed to live here. Today, a development project is undergoing. According to a local joke, this avenue is the Faria Lima Important avenue in the richest part of the city. from Cidade Tiradentes. Now, we have here even a store of Casas Bahia! ... (laughs) Local dwellers are already seen as consumers! (laughs)

V!RUS: From when we first were there in 2006, we remember that many people in the neighborhood had a very strong feeling against people from outside the district, a vision that arose from the social distance between them and the rest of the city. Do you think it has changed?

Pombas Urbanas: Yes, we do. Recently an entry to the Rodoanel A perimetral road surrounding the city of São Paulo. was opened from Jacu-Pêssego Important avenue in the east of São Paulo.. People are feeling more as part of the city. There are still areas with great difficulty here in Cidade Tiradentes, as the Barro Branco area, for example. This is the periphery of the periphery. One year ago, we were there with a theatrical procession. We asked in the street where we could promote our work to some young boys and one told us: "Do it there in the college." It was the Fundação Casa in Ferraz de Vasconcelos City nearby Cidade Tiradentes., which could be seen from the place we were. There's nothing in that area, only the Fundação Casa…

V!RUS: But besides governmental actions such as the rodoanel and the CEUs, but also the expansion of families' income and their access to credit possibilities, do you think that cultural activities play an important role in this effort, or not so great?

Pombas Urbanas: Sure, yes. This space became a space of coexistence, dialogue and creation. It creates an impact especially among children and young people. For example, we have just returned from Colombia. Overthere, communities make local development plans. They listen to children, elderlies and adults, and their plans are delivered to those who do participatory budgeting. Across all diagnoses, the communities overthere crave more about cultural spaces.

V!RUS: We have a last question!

Pombas Urbanas: Ok!

V!RUS: Does the future looks promising?

Pombas Urbanas: Geez!!!

V!RUS: lol

Pombas Urbanas: We won a promotion for a project called Revoada, and we will devote the next year especially to theatrical research. We invited two teachers, one from here and another one from Cuba, and also a musical researcher. Let's see how we transform all these stories into theater. And on the CCAC: autonomy, participation and empowerment! (laughs)

V!RUS: Could we include a fourth word in the three you mentionned?

Pombas Urbanas: Which one?

V!RUS: Coexistence? Among the many realities that you have to combine and put in contact from the cultural activities?

Pombas Urbanas: Cool! There is a stretch of Ventre de Lona A play by Pombas Urbanas. in which the chorus speaks with the public. They say:

“Are we in here (on stage) and you are there? Or are we in there and you are here? Does it matter? Does it makes any difference? The show has not even started yet. The light has not come on the arena. Our show only starts when you arrive and we arrive, and it ends when you go away and we go as well...".

V!RUS: How beautiful! Thanks a lot, on behalf of V!RUS! We expect that Nomads have again common projects with you in the near future!

Pombas Urbanas: We're waiting for... Hugs to you @ll!