Open access: noções flexíveis de propriedade na conceituação de espaço público

Tom Bieling

Marc Bieling

Tom Bieling é Designer e pesquisador do Design Research Lab da Technische Universität Berlin, Alemanha, estuda o impacto e a relevância das categorias sócio-cultural e demográfica em processos de design.

Marc Bieling é Economista de negócios e Ph.D. em Marketing, estuda a internacionalização das marcas de consumo, a contribuição do design local do mobiliário urbano, e a publicidade em espaços públicos.

Como citar esse texto: BIELING, T.; BIELING, M. Open access: noções flexíveis de propriedade para conceitos de espaço público. Traduzido do inglês por Denise Mônaco dos Santos. V!RUS, São Carlos, n. 5, jun. 2011. Disponível em: <http://www.nomads.usp.br/virus/virus05/?sec=4&item=10&lang=pt>. Acesso em: 12 Ago. 2020.

Resumo

Este artigo discute como noções de espaço público, bem como conceitos para sua produção e utilização podem ser abordados com base no pressuposto de que a pesquisa em design tem um papel importante não só ampliando conhecimento sobre os processos sociais, mas também fornecendo cenários para influenciá-los ou mudá-los.

O artigo discute, além disso, posições de diferentes grupos de interesse e atores, incluindo indivíduos, instituições públicas ou governamentais, e empresas comerciais que influenciam os cenários urbanos.

Desafiando os conceitos predominantes de "acesso" e "propriedade", este artigo utiliza diferentes perspectivas teóricas e práticas sobre a relação design e espaço público e, embora parcialmente resumido, gera insights críticos dentro das abordagens existentes.

O objetivo é refletir a diversidade de estratégias de desenvolvimento e distribuição abertas e explorar o potencial intervencionista para os transeuntes urbanos provenientes de um complexo que envolve planejamento urbano, interesses comerciais, processos de decisão política, arquitetura, tecnologia e pessoas.

Isto obviamente requer um olhar atento sobre a real relação entre espaços e comportamento, considerando especialmente processos de interação e comunicação. A importância prática é ampliada ligando fundamentos teóricos deste amplo campo aplicados no trabalho de projeto de design, demonstrando que um potencial de sinergia pode ser aqui alcançado.

Palavras-Chave: espaço público/privado, acesso, propriedade, espacialidades híbridas, design de infraestrutura

Introdução

Em paralelo ao surgimento de conceitos em evolução no contexto digital, como o Open Source, User Generated Content, Social Software, Free- and Shareware, licença Creative Commons e licenças gerais, e filosofias de distribuição, várias disciplinas têm explorado a noção de "sistemas de cultura aberta para criar obras que assumem o acesso livre como estratégia e ética" (KOVATS et al., 2011, p.158).

Neste contexto, Rifkin se refere a uma mudança de paradigma de um conceito de propriedade a um conceito de acesso (RIFKIN, 2000). Aspectos do uso de espaço privado ou público levam, em geral, a questões de estabelecimento de acesso (KANTZOW; OSWALT, 2004). O discurso sobre propriedade intelectual no contexto das mudanças tecnológicas em curso e das novas mídias pode aqui ser tomado como uma fonte de inspiração para mudanças de perspectivas sobre a ideia de propriedade espacial.

À luz de um comportamento nômade da economia, da melhoria tecnológica em curso, bem como dos fenômenos de vaidade cultural, a mobilidade do indivíduo poderia ser vista como um fenômeno de massa. Isto significa que a função tradicional e a teoria do espaço (urbano público) como localidade estável, permanente e histórica tornou-se obsoleta? Kyong Park (2004) formula a questão: as cidades já são "movimento"? Ou devemos começar a imaginar e projetar cidades móveis, flexíveis?

Esta noção remete à ideia de uma mudança para espaços fluidos. Dados os vários conceitos em evolução no contexto digital, acima citados como o Open Source e Social Software, entre outros, Rifkin se refere a uma mudança de paradigma de um conceito de propriedade para um conceito de infraestruturas "acessíveis" (RIFKIN, 2000). Os mundos virtuais, por exemplo, de vendas e de distribuição tornam-se mais próximos do usuário (ou não-usuário). Serviços que costumavam ser acessíveis através de espaços "reais" (por exemplo, estações de trem e pontos de ônibus) tecnicamente migram para perto do usuário, por exemplo, através de dispositivos móveis. Como Maertins e Schaefer (2008) afirmam, os componentes materiais inicialmente mantêm-se "intocáveis": ônibus e trens ainda operam em horários específicos, em espaços específicos. No entanto, todo o resto, todo o "imaterial" deve ser mantido sob a direção do indivíduo. O que basicamente significa (no caso Maertins e Schaefer, 2008): o trânsito permanece público e coletivo, seu acesso torna-se privado e individual.

A necessidade de uma diferente compreensão do espaço (que a "tradicional") também se torna evidente quando nos vinculamos às reflexões de Massey (1984) sobre os lugares em termos de redes, movimentos e interação. Castells (1998) descreve o espaço neste contexto como sendo, cada vez mais, expresso através de "fluxos", ao invés de "lugar" físico. Um fenômeno importante pode ser identificado aqui, como Pachenkov e Voronkova enunciam em sua observação sobre a estetização e a mobilidade no contexto do espaço público urbano:

Provavelmente, os encontros de numerosos cidadãos para discussão de interesses públicos nas praças da cidade especialmente projetadas para este fim estão ultrapassados? Provavelmente flash mob ou performances momentâneas poderiam ser consideradas formas espaciais mais convenientes dos encontros públicos nas cidades contemporâneas? Apenas porque podem ocorrer em qualquer local da cidade, porque são mais móveis e flexíveis - isso não os fazem menos públicos (PACHENKOV; VORONKOVA, 2010, p.2).

Consequentemente, ambos referem seus pressupostos no discurso sobre "Não-Lugares" (AUGÉ, 1995) e na consideração de Cresswell de que estes requerem novas maneiras móveis de pensamento: "Não só o mundo parece estar mais móvel mas as nossas formas de conhecimento do mundo também têm se tornado mais fluidas" (CRESSWELL, 2003, p.17).

A seguir nós discutiremos diferentes perspectivas, principalmente representadas pelos três termos "Cidadão Produser", "Espaço e Esfera Pública" e "Projetando infraestruturas de fluxos". Todas essas questões apontam para uma compreensão mais profunda dos desafios futuros e conceitos de espaço público. Já conscientes de que estas diferentes perspectivas provavelmente precisarão de uma discussão mais profunda do que este artigo pode proporcionar, nosso objetivo é, pelo menos, abrir e intensificar aqui uma discussão.

Cidadãos Produser

Considerando o conceito de produsage (BRUNS, 2010), "um neologismo que descreve um contínuo e inacabado processo de desenvolvimento de conteúdo por uma vasta comunidade de usuários e produtores que aplicam práticas de remixagem em busca de novas possibilidades, cujos artefatos são objetos digitais" (SONVILLA-WEISS, 2010, p.19), vale a pena lançar um olhar sobre analogias entre espaços reais e virtuais no sentido de open source. Traçar a "emergência e desenvolvimento de memes culturais" (SONVILLA-WEISS, 2010, p.19) exige reconhecer a influência do design como prática (congruente com a arquitetura, urbanismo, política, mídia, indústria do cinema, etc.) no complexo fenômeno do "uso espacial".

Como afirma Bruns, produsage consiste em "estabelecer uma espécie de estrutura organizacional conduzida pela comunidade, para a criação colaborativa de conteúdo [...], levando a importantes recursos criativos e informacionais novos que são desafiantes [...] através de uma série de princípios universais fundamentais" (BRUNS, 2010, p.19).

Alguns desses princípios estão sendo definidos por meio de heterarquia fluida, meritocracia ad hoc; participação aberta, avaliação em conjunto; artefatos inacabados, processo contínuo; ou propriedade comum e recompensas individuais (BRUNS, 2010, p.26).

Qualquer um desses está ligado tanto à produção, bem como ao uso do espaço e, portanto, à produsage do espaço. Isso permite várias reflexões sobre o potencial de intervenção:

Uma vez que a inteligência espacial e a intervenção são fortemente ligadas à "produção do espaço, suas condições e seus parâmetros ecológicos e políticos, que determinam a composição da arquitetura e desenvolvimento urbano" (BOETTGER; VON BORRIES, 2009), diferentes práticas e potencial para "resistência à dominação" (SENNETT, 1994, p.26) tornam-se possíveis. Por exemplo, qualquer forma de arte de rua, festivais ao ar livre, performances ou intervenções públicas podem ser usadas como "ferramentas e meios alternativos da estetização da vida pública e do espaço da cidade (PACHENKOV; VORONKOVA, 2010, p.5). Tais "resistências táticas" (CERTEAU, 1984), baseadas na decodificação, reinterpretação ou reapropriação não são, obviamente, limitadas aos espaços "reais", por exemplo "resistência às vias (através da busca de "recuperação das ruas'); [...] a resistência ao espaço publicitário (por meio de antipropaganda)" (DESMOND; McDONAGH; O’DONOHOE, 2001, p.258), mas podem ocupar outras áreas, tais como da “"valorização" do corpo através da tatuagem ou piercing” ou como dos espaços virtuais, na "resistência através da criação de espaços-web via o desenvolvimento de novas 'comunidades'" (DESMOND; McDONAGH; O’DONOHOE, 2001, p.258).

Aqui, obviamente podemos identificar um link para mashups colaborativos, em termos de esforços comunitários e criação de conteúdo. Não menos importante, o suporte tecnológico para atividades independentes permite que tanto indivíduos como comunidades as realizem, seja separadamente ou ainda juntos. Isto significa, que "grupos de participantes podem partilhar seus recursos, coordenar seus esforços e desenvolver plataformas centrais a partir das quais os seus resultados podem ser disseminados para o resto do mundo" (BRUNS, 2010, p.24).

Inspirado, por exemplo, pela prática de compartilhamento online, diferentes cenários para um sistema híbrido peer-to-peer torna-se possível. O uso conjunto dos recursos como um conceito econômico e cultural tem experimentado um renascimento no mundo virtual da internet: computação distribuída, o movimento open source e de compartilhamento de arquivos peer-2-peer têm sido identificados como fontes potenciais de inovação social (MANZINI, 2006). Göllner et al. (2010) identificam a principal diferenciação destes desenvolvimentos das abordagens tradicionais de alocação de recursos: "os mecanismos subjacentes estruturais e processuais que são caracterizados por sistemas distribuídos, os princípios bottom-up e de comunicação many-to-many. Ao contrário dos sistemas tradicionais que são centralizados e hierarquicamente organizados, esses desenvolvimentos de compartilhamento online oferecem uma abordagem conceitual que é altamente flexível e dinâmica" (GÖLLNER et al., 2010, p.485). Especialmente no contexto de configurações de vizinhança locais, tais características participativas poderiam eventualmente ser transferidas para aplicações novas ou oportunidades alternativas de práticas de compartilhamento bottom-up, peer-2-peer num contexto local.

Um importante input aqui é constituído por meio da interação dos seres humanos com e em seu ambiente: nas suas teorias sobre Design Não-Intencional, Brandes e Erlhoff (2005) descrevem o comportamento humano e as diferentes formas de (re)utilização de objetos públicos, que muitas vezes não satisfazem as demandas individuais de exigências emocionais, funcionais ou estéticas (BRANDES, 2009; BRANDES; ERLHOFF, 2005). Oficial ou não oficial, o design público está, de qualquer maneira, sendo desenvolvido por diferentes atores1, representados principalmente por três grupos de interesse: a) instituições públicas ou governamentais, que também coordenam o planejamento urbano. b) Empresas comerciais, que influenciam as paisagens urbanas, por exemplo, anunciando seus bens através de propaganda impressa, vitrines ou outra presença da marca. c) Pessoas, trazendo suas vidas privadas para o espaço público simplesmente por estarem presentes isoladamente ou por usarem objetos públicos de uma maneira intencional ou não-intencional. O último grupo, os "transeuntes urbanos"2 (BRANDES, 2009) temporariamente intervêm no design do espaço público, pela adição de um uso próprio, não planejado, da infraestrutura existente.

Em sua teoria política, Hannah Arendt (1967) aponta para a importância da esfera pública para uma sociedade. Ela afirma que o espaço público torna possível a comunidade e (sua) identidade simplesmente separando e conectando pessoas (BRANDES; STICH; WENDER, 2008, p.157). A mesma função que a esfera pública tem no todo, deve também ser alcançada por qualquer de seus objetos: Os objetos no espaço público ajudam as pessoas a sair da sua esfera subjetiva privada, já que esses funcionam como áreas de projeção para diversas percepções das pessoas. Objetos no espaço público abrem caminho para a interação, criando perspectivas diversas de visão e uso. Neste contexto, é irrelevante se o uso real dos objetos é planejado ou não pelo designer/arquiteto.

Esfera pública e espaço

Historicamente, o entendimento geral de espaço público tem sido unicamente de "encontro". As definições fundamentais da esfera pública a partir dessa perspectiva são mais encontradas nas obras de Jürgen Habermas (1989; 1999) ou Hannah Arendt (1958; 1967), que estão ambas associadas aos "ideais dos cidadãos encontrando uns aos outros a fim de discutir questões públicas, para produzir um debate público aberto e livre, e para formular um interesse público" (PACHENKOV; VORONKOVA, 2010, p.1). Nos últimos anos, o foco único sobre o aspecto do "encontro" tem sido posto em questão por diversos filósofos sociais, pensadores e etnólogos do espaço público urbano, os quais criticam a falta de um aspecto de "deslocamento contínuo" (PACHENKOV; VORONKOVA, 2010, p.1) em meio ao discurso geral sobre esfera pública e espaço.

Richard Sennett parece considerar o anonimato como um elemento central, simplesmente descreve a esfera pública como "um lugar onde estranhos se encontram", uma abordagem culturalmente bastante preocupada em colocar o aspecto da "sociabilidade" no centro de investigação (SENNETT, 2010), incluindo também aspectos de performatividade (por exemplo, GOFFMANN, 1959). Nesse sentido, uma perspectiva da teoria do Ator-Rede (Latour) poderia ser aqui considerada para estabelecer mais um foco sobre conjuntos sociomateriais.

Independentemente destas várias perspectivas sobre a esfera pública, parece ser marcante o senso comum para definir o "público" em oposição ao "privado", como Weintraub et al. (1997) discutem em sua "teoria e política da distinção público/privado".

1 No original, stakeholders.

2 No original, “urban passengers” (BRANDES, 2009).

Frente ao contexto dos discursos globais crescentes sobre a privatização, o espaço privado parece ter em parte tornado-se um sinônimo de "propriedade", enquanto o "espaço público" está muitas vezes sendo defendido como algo a ser relacionado a "acessibilidade" geral aberta.

Em face ao avanço da urbanização, o mercado e o posicionamento de cidades para diferentes grupos-alvo têm, cada vez mais, sido inscritos nos focos de atenção cultural e administrativo (governamentais). Assim também têm sido com as discussões sobre o design público, além das ruas, praças, edifícios ou transportes.

Decisões sobre o design público como, por exemplo, o design de mobiliário de rua segue critérios que se aplicam ao design do espaço público em geral e levanta diversas questões: a quem a cidade realmente pertence? De que forma fazer acontecer processos decisórios sobre o design da cidade e do ambiente imediato de seus moradores e visitantes?

Partes importantes da "ansiedade atual [...] sobre o desaparecimento de espaços públicos", como afirmam Pachenkov e Voronkova, parecem estar enraizadas no "próprio fato de ofuscamento e desaparecimento dessas duas características chave do espaço público urbano - a noção de encontro e a noção do tornar publico" (PACHENKOV; VORONKOVA, 2010, p.2).

À luz da evolução digital, por um lado, e da interação crescente entre mídia digital e espaço público (KOCH, 2004; LAW; MOL, 2001) por outro, resultando em espaços híbridos com uma variedade de atores envolvidos, poderíamos colocar duas questões básicas: 1) Como as práticas de uso do digital-virtual e as de ocupação do espaço analógico-material se relacionam uma com a outra? 2) (Como) estão os princípios de um mundo sendo transferidos ao outro? Ou melhor: (o que) poderia o mundo analógico aprender do digital?

Projetando infraestruturas para fluxos

Com a proliferação de espaços publicitários do setor privado em solo público, o processo de privatização do espaço público é reforçado. Por um lado, os investidores privados procuram defender o 'seu' território dos concorrentes ou atos de vandalismo. Por outro, o cidadão irá tentar defender a "sua" cidade contra interesses comerciais.

Isto certamente desafia o planejamento público (administrativo/governamental) e os processos decisórios como os atores únicos e as inter-relações dos respectivos indivíduos públicos e privados e instituições envolvidas.

Na análise de um processo decisório público-privado, várias partes interessadas estão envolvidas: as pessoas e organizações - incluindo, entre outros, pedestres, motoristas, empresas, serviços de transportes públicos, turistas, escritórios da administração (KLEMP, 2004, p.112), os agentes municipais, planejadores urbanos, designers, arquitetos e instituições - procurando participar nos processos de tomada de decisões envolvidos no design do espaço público. A responsabilidade pelo desenho do espaço público geralmente é dada às instituições públicas. Enquanto a administração prepara e estrutura o processo de design, nas sociedades democráticas eleitas os agentes municipais assumem a decisão final. Autoridades do Estado usam empresas privadas através da concessão de comissões para o projeto público no âmbito de práticas admissíveis. Vários modelos de cooperação são possíveis. Como em todo processo econômico, é preciso assumir que o "mobiliário" das cidades é um modelo de negócio lucrativo. Isso não se aplica apenas aos mobiliário de rua financiados comercialmente. Com o anúncio de um concurso de design para, digamos, uma praça com bancos, canteiros de flores e cestos de lixo, as instituições municipais iniciam um processo de deliberação sobre combinações de projetos e custos para a aquisição e manutenção. Para aqueles que oferecem os produtos, deve haver uma vantagem econômica, caso contrário, o mercado falhou de alguma forma. Entre os provedores não estão apenas as manufaturas e fornecedores de serviços, mas também os designers e arquitetos, ambos tendo que aceitar o processo de mercado orientado para resultados.

No processo de decisão democrática, a opinião subjetiva de cada pessoa é legitimada através da formação de maiorias e das decisões da maioria. É muito pouco provável que cada pessoa seja capaz de se identificar de modo específico, por exemplo, com o design de uma praça, uma cor de abrigo de ônibus, ou o número adequado e altura das colunas de publicidade. Uma organização eficiente do processo decisório é, portanto, necessário, não menos importante, a fim de limitar o comprometimento do dinheiro dos impostos.

No entanto, a questão relativa à "propriedade" ainda não está sendo resolvida. A questão do potencial do "design" levantada aqui é sobre a possibilidade de planejar o espaço público não para a ocupação, mas para os fluxos, para movimento: um espaço público para a mobilidade?

De um ponto de vista da cidade-competição (BIELING; BIELING, 2008) o posicionamento de uma cidade em todos os níveis de competição é o resultado de uma complexa interação de condições econômicas, geográficas e socioculturais, que são também localmente determinadas. Ao mesmo tempo, a posição de uma cidade é influenciada por suas estratégias de desenvolvimento como um aspecto específico da governança urbana. Tendências gerais e mudanças nas diversidades econômicas, sociais e institucionais tornam as cidades mais semelhantes em suas condições.

Essa tendência aumenta a importância das características locais, oferecendo vantagens comparativas na competição pelo aumento da mobilidade das pessoas e do capital. Correspondentemente, as cidades estão aplicadas em melhorar muito o seu perfil urbano específico. Diante dessa tendência, a competitividade urbana e correspondentes abordagens estratégicas com objetivos específicos e modificação de instrumentos se tornaram importantes esforços nas políticas urbanas.

Esta competição reforça as diferenças histórico-desenvolvimentistas entre países, regiões, cidades, bairros, e mesmo ruas isoladas. O aumento nas atividades de marketing da cidade ou as classificações de cidades (por exemplo, voltadas ao bem-estar, às atrações turísticas, às mudanças demográficas, à comunidade científica) confirmam essa tendência de diferenciação e distinção (EBERT, 2004, p.2).

O processo de fusão (ou também de diferenciação) entre o digital-virtual, o analógico-material, os espaços privados e públicos, cria potencialidades para diferentes transferências de princípios potenciais e concretos de padrões de produção, uso e comportamento. Abordagens e conceitos para bens sem a posse ou a propriedade comum têm sido altamente relevantes, por exemplo, no caso do sistema de software Linux.

Rifkin remete para o cientista político Crawford MacPherson, que afirma que o direito individual, que exclui outros de vantagem e benefício, já não é apropriado para constituir as relações econômicas entre as pessoas. Em um mundo complexo com dependências mútuas e multifacetadas, a "forma de propriedade inclusiva" se torna mais importante (RIFKIN, 2000; MACPHERSON, 1973; KANTZOW; OSWALT, 2004): o direito pessoal, não ser excluído do uso ou proveito de todos os recursos acumulados da sociedade (MACPHERSON, 1973). A este respeito Kantzow e Oswalt (2004, p.699) ressaltam o aspecto de um mundo de comunicação e informação, que é "dissociado da materialidade física", uma vez que a informação pode ser acessível sem esforço material.

Rifkin chega à conclusão: enquanto os direitos de propriedade exclusiva forem o paradigma dominante para a organização da ação social humana, liberdade deveria ser colocada no mesmo nível de autonomia e autonomia de propriedade. Em uma economia de redes de provedores e usuários, liberdade significa alguma coisa diferente. Não autonomia e propriedade, mas inclusão e acesso tornam-se critérios orientadores para o grau de liberdade individual - "no espaço geográfico bem como no ciberespaço" (RIFKIN, 2000, p.233).

Não menos importante no contexto do design para a sustentabilidade social certo modo de pensamento torna-se relevante: o compartilhamento de recursos e ajuda mútua, no contexto das vizinhanças, uma prática comum em diferentes culturas que possui grande potencial para reduzir o impacto ambiental do consumo (JÉGOU; LIBERMAN; WALLENBORN, 2009).

Abordagens de uso conjunto e troca recíproca são especialmente promissoras em ambientes urbanos densos, onde uma alta concentração de diversos bens e serviços existem juntamente com os habitantes. No entanto, Göllner et al. (2010, p.484) indicam vizinhanças urbanas a serem também "caracterizadas por uma alta flutuação de habitantes, faltando laços intergeracionais e homogeneidade social dos habitantes, que são fatores correlacionados com um decréscimo de atividades de compartilhamento".

Com base nas experiências do projeto StreetLab, descrito na última edição da V!RUS (BIELING et al., 2010), o Design Research Lab of Deutsche Telekom Laboratories (Technical University Berlin, University of the Arts Berlin) tem realizado um projeto de pesquisa chamado Networked Neighbourhoods3 (2011). O projeto, estabelecido em vários bairros locais de Berlim, incide principalmente sobre os recursos compartilhados e o papel dos idosos em suas vizinhanças e casas. Aplicando e cultivando a sustentabilidade social capacitando os membros de vizinhanças a compartilharem recursos, a construirem e utilizarem sistemas de compartilhamento, é um dos principais objetivos do projeto citado.

Afirmando que "a rede é a empresa" (CASTELLS, 2001, p.67), Castells se refere à organização lateral de negócios em que diferentes atores estão ligados em uma rede cooperativa. Isto torna evidente as estruturas da vida social da "sociedade em rede", mantidas, como William J. Mitchell salienta, "através de um mix complexo de interações locais face a face, viagens, sistemas de e-mail, contato eletrônico síncrono através de ligações de telefones e vídeo, e contato eletrônico assíncrono através de e-mail e meios similares" (MITCHELL, 2003, p.17). Como Shaw resume: "A geografia da informática também descreve a natureza dispersa e deslocalizada das comunidades na sociedade em rede" (SHAW, 2008, p.31).

Contudo, no que diz respeito à transferência de tais noções para o Design do espaço público, devemos ter em mente que a aparência do espaço público não se refere apenas a arquitetura, ao planejamento urbano ou a propaganda, mas também ao público em si: na fronteira do espaço privado e público, os "indivíduos, reunidos em um público" (HABERMAS, 1999) participam ativamente no design do espaço público (ERLHOFF; MARSHALL, 2007, p.332) - seja conscientemente ou não.

Conclusão e Perspectiva

À luz das espacialidades híbridas, o crescimento conjunto de espaços "reais" e virtuais, não menos importante no contexto do design espacial urbano, torna-se necessário ampliar e aprofundar o discurso dos conceitos de propriedade e as definições e formas de acesso a direitos e responsabilidades.

Uma perspectiva interdisciplinar para a pesquisa em design, e disciplinas correlatas, parece consistir em abordagens relacionadas a processo, a fim de lidar com os comportamentos de interação que são relevantes para o espaço público.

3 Disponível em: <http://networkedneighbourhoods.com/>.

Um processo de infraestruturação de design aberto pode desafiar aqui as categorias de pesquisa estabelecidas, considerando que um aspecto central da infraestruturação de design na área social é criar ou imaginar plataformas que permitam ou apoiem ações emancipadas pelas pessoas em questão.

Nessa perspectiva, o desafio para os profissionais de design ao participar dos discursos públicos controversos é considerável.

Em relação ao conceito produsage (BRUNS, 2010), introduzimos o termo Cidadão Produser como um fenômeno de diferentes atores que dizem respeito tanto a produção, bem como ao uso - e portanto, ao produsage do espaço. Em uma etapa posterior, sobre esfera pública (como o sentido do conceito de espaço compartilhado explica o papel do espaço público), discutimos práticas de uso digital-virtual e as de ocupação do espaço material-analógico e como elas relacionam entre si. Essas perspectivas devem ser consideradas como base para os futuros desafios para se projetar infraestruturas para fluxos. Especialmente combinado com a ideia de comunidades de prática participantes" (WENGER, 1998; LAVE; WENGER, 1991), o empoderamento dos cidadãos como atores do espaço público é uma abordagem fundamental para o desenvolvimento sustentável e orientado para o futuro da sociedade. Assim, as noções tanto metafórica como prática de acesso aberto pode ser considerada como elemento crucial para o projeto de infraestruturas inteligentes para o espaço público.

Agradecimentos especiais

Agradecimento especial para Oleg Pachenkov and Lilia Voronkova pela condução de uma oficina inspiradora no Institute for European Ethnology, Humboldt University Berlin, em 2010. Seus comentários, bem como as discussões animadas com os participantes da oficina ajudaram a colocar nossas reflexões em um nível superior, as quais resultaram, em parte, este trabalho.

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Open access: flexible notions of property for concepts of public space

Tom Bieling

Marc Bieling

Tom Bieling is Designer and researcher at the Design Research Lab, Technische Universität Berlin, Germany, he studies the impact and relevance of demographic and sociocultural categories on design processes.

Marc Bieling is Business economist and Ph.D. in Marketing, he studies the internationalization of consumer brands, contributions of location-specific design of street furniture, and advertising in public spaces.

How to quote this text: Bieling, T. and Bieling, M., 2011. Open access: flexible notions of property for concepts of public space. V!RUS, [online] June, 5. [online] Available at: <http://www.nomads.usp.br/virus/virus05/?sec=4&item=10&lang=en>. [Accessed: 12 August 2020].

Abstract

This paper discusses how notions of public space as well as concepts for its production and use can be addressed, based on the assumption that design research plays an important role not only in gaining knowledge about societal processes, but also in providing scenarios to influence or change them.

The paper further discusses positions of different groups of interest and stakeholders, including private people, public or governmental institutions, and commercial businesses influencing cityscapes.

Challenging predominant concepts of ‘access’ and ‘property’, it uses different theoretical and practical perspectives on the relation of design and public space, and although partly abstract, generates critical insights into existing approaches.

Aim is to reflect the diversity of open development and distribution strategies and to explore interventionist potential for the urban passenger arising from the complex of urban planning, commercial interest, political decision processes, architecture, technology and people.

This obviously requires a closer look on the actual relationship between spaces and behaviour, especially regarding processes of interaction and communication. Practical value is increased by linking theoretical foundations of this broad field to applied design project work, arguing that cross-fertilizing potential can be gained here.

Keywords: Private/Public Space, Access, Property, Hybrid Spatialities, Design Infrastructure.

Introduction

In parallel with the rise of concepts evolving in the digital context, such as Open Source, User generated Content, Social Software, Free- and Shareware, Creative Commons and general licensing and distribution philosophies, various disciplines have pioneered the notion of “open culture systems to create works that take free access as both strategy and ethic" (Kovats et al., 2011, p.158).

In this context, Rifkin refers to a paradigm shift from a concept of property to a concept of access (Rifkin, 2000). The proceeding fusion (or also differentiation) of digital-virtual, analogue-material, private and public spaces, create potentials for different transfers of principles of potential and factual patterns of production, use and behaviour.

Aspects of use in private or public space generally lead to questions of access settlement (Kantzow and Oswald, 2004). The discourse on intellectual property in the context of ongoing technological change and new media might here be taken as a source of inspiration for changing perspectives on the idea of spatial property.

In light of a nomadic behaviour of the economy, the ongoing technological improvement as well as phenomena of cultural vanity, the mobility of the individual could be seen as a mass phenomenon. Does this mean that traditional function and theory of (public urban) space as stable, permanent and historic locality has become obsolete? Kyong Park (2004) formulates the question: Are Cities already “moving”? Or shall we start to imagine and design mobile, flexible cities?

This notion refers to the idea of a shift towards fluid spaces. Given various concepts evolving in the digital context, above cited such as Open Source and Social Software, Rifkin refers to a paradigm shift from a concept of property to a concept of “access”-infrastructures (Rifkin, 2000). Virtual worlds e.g. of sales and distribution turn closer to the user (or non-user). Services that used to be accessible through “real” spaces (e.g. Train Stations or Bus-Stops) technically migrate closer to the user, e.g. via mobile Devices. As Maertins and Schäfer (2008) claim the material components initially maintain “untouched”: Buses and trains still operate in specific times, at specific spaces. However everything else, everything “immaterial” shall be kept under direction of the individual. Which basically means (in Maertins and Schäfer’s case): Traffic stays public and collective, its access becomes private and individual.

The necessity of a different (than the “traditional”) understanding of space becomes also obvious when we link it to Massey’s (1984) thoughts on places in terms of networks, movements and interaction. Castells (1998) describes space in this context as increasingly being expressed through “flows”, rather than through the physical “place”. An important phenomenon can be identified here, as Pachenkov and Voronkova enunciate in their observation on aestheticization and mobility in the context of urban public space:

‘Probably, the gatherings of the numerous citizens for discussing public concerns in the city squares particularly designed for this purpose are out of time? Probably flash mob or one-time performances could be considered more convenient spatial forms of public gatherings in contemporary cities? Just because they can take place in any site of the city, because they are more mobile and flexible – this does not make them less public though’. (Pachenkov and Voronkova, 2010, p.2)

Consequently both refer their assumptions to the discourse about “Non-Places” (Augé, 1995) and Cresswell’s consideration that these require new mobile ways of thinking: “Not only does the world appear to be more mobile but our ways of knowing the world have also become more fluid” (Cresswell, 2003, p.17).

In the following we will discuss different perspectives, mainly represented by the three terms ‘Produser Citizen’, ‘Public Realm and Space’ and ‘Designing Infrastructures for flows’. All point towards a deeper understanding of future challenges and concepts for public space. Being aware, that already these different perspectives probably need deeper discussion than this paper can provide, our aim is to at least open and intensify a discourse here.

Produser Citizens

Taking into account the concept of produsage (Bruns, 2010), “a neologism describing an ongoing, never finished process of content development by a vast community of users and producers who apply remixing practises in pursuit of new possibilities, whose artefacts are digital objects” (Sonvilla-Weiss, 2010, p.19), it is worth taking a look onto analogies between real and virtual spaces in an open source sense. Tracing the “emergence and development of cultural memes” (Sonvilla-Weiss, 2010, p.19) requires to acknowledge the influence of design as practice (congruent to architecture, urban planning, politics, media, film industries etc.) on the complex phenomenon of “spatial use”.

As Bruns argues, produsage is about “establishing a kind of organisational structure for community-driven, collaborative content creation […] leading to significant new creative and informational resources that are challenging […] through a number of key universal principles” (Bruns, 2010, p.19).

Any of these are both linked to the production as well as to the use of space, and therefore to the produsage of space. This allows various thoughts on interventional potential:

Since spatial intelligence and intervention is strongly connected to “production of space, its conditions and its ecological and political parameters, which determine the composition of architecture and urban development” (Boettger and Von Borries, 2009), different practices and potential for “resistance to domination” (Sennett, 1994, p.26) become possible. For instance any form of street art, outdoor-festivals, performances or public interventions might be used as “tools and means of the alternative aestheticization of the city public life and space (Pachenkov and Voronkova, 2010, p.5). Such “tactical resistance” (Certeau, 1984), based on decoding, re-interpretation or re-appropriation, are obviously not limited to “real” spaces, e.g. “resistance against roads (through seeking to ‘reclaim the streets’); […] the resistance of advertising space (through anti-advertising)” (Desmond, McDonagh and O’Donohoe, 2001, p.258), but can occupy other fields, such as the “’reclamation’ of the body through tattooing or piercing” or virtual spaces, as in the “resistance through the creation of web-spaces via the development of new ‘communities’” (Desmond, McDonagh and O’Donohoe, 2001, p.258).

Here, we can obviously identify a link to collaborative mashups, in terms of community efforts and content creation. Not least technological support for independent activities enables both individuals and communities to perform these activities either still separately or in aggregation. This means, that “groups of participants can pool their resources, coordinate their efforts, and develop central platforms from which their outcomes can be disseminated to the wider world” (Bruns, 2010, p.24).

Inspired e.g. by the practice of online-sharing, different scenarios for a hybrid peer-to-peer system become possible. Joint use of resources as an economic and cultural concept has experienced a renaissance in the virtual realm of the internet: Distributed computing, the open source movement and peer-2-peer file sharing have been identified as potential sources of social innovation (Manzini, 2006). Göllner, Le, Conradie and Lindenberg (2010), identify the main differentiation of these developments from the traditional approaches of resource allocation: “The underlying structural and processual mechanisms that are characterised by distributed systems, bottom-up principles and many-to-many communication. Unlike traditional systems that are centralised and hierarchically organised, these online sharing developments offer a conceptual approach that is highly flexible and dynamic” (Göllner, Le, Conradie and Lindenberg, 2010, p.485). Especially in the context of local neighbourhood settings, such participatory characteristics could possibly transferred to apply new or alternative opportunities for bottom-up, peer-2-peer sharing practices in the local context.

An important input here is constituted through the interaction of human beings with and in their environment: In their theory about Non-Intentional Design Brandes and Erlhoff describe the human behaviour and different ways of (re)use with public objects, that often do not satisfy individual demands of emotional, functional or aesthetic demands (Brandes, 2009; and Brandes and Erlhoff, 2005). Official or unofficial public design is, however, being developed by different stakeholders, mainly represented by three groups of interest: a) public or governmental institutions, that also coordinate the urban planning. b) commercial businesses, influencing cityscapes e.g. by advertising their goods through print-advertisement, shop-windows or other brand-presence. c) People, bringing their private life into public space simply by them being present alone or by using public objects in an intended or non-intended way. The latter, the “urban passengers” (Brandes, 2009) temporarily intervene in the design of public space, by adding an own, unplanned, usage to an existing infrastructure.

In her political theory, Hannah Arendt points out the importance of Publicity to a society. She states, that public space enables community and (their) identity, by simply separating and connecting people (Brandes, Stich and Wender, 2008, p.157). The same function that publicity has in whole, needs also to be achieved by any of its objects: The objects in public space help people to step out of their subjective private sphere, since the objects function as areas of projection for peoples’ diverse perceptions. Objects in public space make room for interaction, by creating diverse perspectives of view and use. In this context it is unimportant, whether the actual use of the objects is intended by the designer/architect or not.

Public Realm and Space

Historically general understandings of public space have been the one of “gathering”. Fundamental definitions of public sphere from that perspective are most of all found in the works of Jürgen Habermas (1989, 1999) or Hannah Arendt (1958, 1967), which are both associated to the “ideals of citizens meeting each other in order to discuss the public issues, to produce an open and free public debate and to formulate public concern” (Pachenkov and Voronkova, 2010, p.1). In recent years such single focus on the “gathering” aspect has been put into question by various social philosophers, Ethnologists and Thinkers on Urban Public Space who criticize a missing aspect of “moving through” (Pachenkov and Voronkova, 2010, p.1) among the general discourse on public realm and space.

Richard Sennett seeming to consider anonymity as a central element, simply describes public realm as “a place where strangers meet”, a rather culturally concerned approach of putting the “sociability” aspect into the centre of investigation (Sennett, 2010), including also aspects of performativity (e.g. Goffmann, 1959). By the way, from an Actor-Network perspective (Latour) it could be considered to lay a further focus on socio-material assemblies here.

Independently from these several perspectives on Public realm, it seems to be striking common sense to define the “public” as oppositional to the “private”, as Weintraub, et al. (1997) discuss in their “theory and politics of the public/private distinction”.

Against the background of growing global discourses on privatization, private space seems to have partly become a synonym for “property”, whereas “public space” often is to be defended as something to be related to general open “accessibility”.

In light of advancing urbanization the marketing and positioning of cities towards different target groups has increasingly entered the cultural and administrative (governmental) spotlight. So too have discussions about public design, in addition to streets, squares, buildings or transportation.

Decisions about public design as in the design of e.g. street furniture follow criteria that apply to public space design in general and raise different questions: Who does the city really belong to? In what form do decision-making processes about the city’s design and the immediate environment of its residents and visitors take place?

Major parts of the “current anxiety […] about vanishing public spaces”, as Pachenkov and Voronkova claim, seem to be rooted in the “very fact of blurring and disappearance of these two key characteristics of the urban public space – the notion of gathering and the notion of public-ness” (Pachenkov and Voronkova, 2010, p.2).

In light of the digital evolution on the one hand and the growing interplay between digital media and public space (Koch, 2004; Law and Mol, 2001) on the other hand, resulting in hybrid spaces with a variety of actors involved, we might ask two basic questions: 1) How do digital-virtual use practices and those of analogue-material space occupancy relate to each other? 2) (How) are principles from the one world being transferred to the other? Or rather: (what) could the analogue world learn from the digital here?

Designing infrastructures for flows

With the proliferation of advertising spaces on public ground to the private sector, the process of privatization of public space is enhanced. On the one hand, private investors will seek to defend 'their' territory against competitors or acts of vandalism. On the contrary citizen will try to defend 'their' city against commercial interest.

This surely challenges the public (administrative/governmental) planning and decision-making processes with the unique roles and interrelations of the respective public and private individuals and institutions involved.

In consideration of a public-private decision-making process, various stakeholders are involved: People and organizations – including, among others, pedestrians, drivers, businesses, public transportation services, tourists, administration offices (Klemp, 2004, p.112), municipal officers, urban planners, designers, architects, and institutions – seek to participate in the decision-making processes involved in public spatial design. The responsibility for designing public space is usually given to communal institutions. While the administration prepares and structures the design process, in democratic societies elected municipal officers assume the final decision. State authorities use private companies by awarding commissions for public design within the framework of permissible practices. Various models of cooperation are possible. As in every economic process, one must assume that the “furnishing” of cities is a lucrative business model. This does not only apply to commercially-financed street furniture. With the announcement of a design competition for, say, a square with benches, flower tubes, and wastebaskets, municipal institutions begin a process of deliberation regarding combinations of designs and costs for the acquisition and maintenance. For those who offer the products, there must be economic advantage; otherwise the market has failed in some way. Counted among the providers are not only the manufactures and delivery services but also the designers and architects, both of whom accept the result-oriented market process.

In the democratic decision-making process, the subjective opinion of each person is legitimized through the formation of majorities and majority decisions. It is very unlikely that each person will be able to identify specifically, say, with the design of a square, a bus shelter color, or the proper number and height of advertising columns. An efficient organization of the decision-making process is hence necessary, not least in order to limit the related commitment of tax money.

However the question concerning the “ownership” is still not being solved. The question for a “Design” potential raised here is concerning the possibility to plan public space not for occupation, but for flows, for moving: A public space for mobility?

From a city-competition point-of-view (Bieling and Bieling, 2008) the positioning of a city in all levels of competition is the result of a complex interplay of economic, geographic and socio-cultural conditions, which are also locally determined. At the same time, a city’s position is influenced by its development strategies as a specific aspect of urban governance. General trends and changes in economic, social and institutional differences make cities more similar in their conditions.

This trend enhances the importance of local characteristics, providing comparative advantages in the competition for increasingly mobile people and capital. Correspondingly, cities are enforced to improve their very specific urban profile. Facing this trend, urban competitiveness and corresponding strategic approaches with specific goals and modified instruments have become important efforts of urban politics.

This competition reinforces the historically-evolved differences between countries, regions, cities, districts, even individual streets. The increase in city marketing activities or rankings of cities (e.g. Welfare, Touristic Attractions, Demographic Change, Scientific Community) testifies to this trend of differentiation and distinction (Ebert, 2004, p.2).

The proceeding fusion (or also differentiation) of digital-virtual, analogue-material, private and public spaces, create potentials for different transfers of principles of potential and factual patterns of use and behaviour. Approaches and concepts for goods without ownership or for common property have been highly relevant for instance in the case of Linux software system.

Rifkin refers back to the political scientist Crawford MacPherson, who claims that the individual right, to exclude others from advantage and benefit, is no longer appropriate to constitute economic relationships between people. In a complex world with mutual and multifaceted dependences, the ‘inclusive form of property’ becomes more important (Rifkin, 2000; MacPherson, 1973; Kantzow and Oswalt, 2004, p.698): The personal right, not to be excluded from use or advantage of the whole society’s accumulated resources (MacPherson, 1973). In this regard Kantzow and Oswalt (2004, p.699) highlight the aspect of a world of communication and information, which is “decoupled from physical materiality”, since information can be made accessible without material effort.

Rifkin comes to the conclusion: as long as exclusive property rights were the dominating paradigm for the organisation of human social action, freedom would be put on a level with autonomy and autonomy with property. In an economy of networks of providers and users, freedom means something different. Not autonomy and property, but inclusion and access become guiding criteria for the degree of individual freedom – “in geographic space as well as in cyberspace” (Rifkin, 2000, p.233).

Not least in the context of design for social sustainability such way of thinking becomes relevant: the sharing of resources and mutual help, in the context of neighbourhoods, is a practice common across different cultures that possesses great potential for reducing the environmental impact of consumption (Jégou, Liberman and Wallenborn, 2009).

Approaches of joint use and mutual exchange are especially promising in dense urban environments, where a high concentration of diverse goods and services exists amongst inhabitants. However, Göllner, Le, Conradie and Lindenberg (2010, p.484) indicate urban neighbourhoods to be also “characterized by a high fluctuation of inhabitants, missing inter-generational bonds and social homogeneity of inhabitants, which are factors correlating with a decrease in sharing activities”.

Based on the experiences of the project StreetLab, described in the last V!RUS issue (Bieling, et al., 2010) the Design Research Lab of Deutsche Telekom Laboratories (Technical University Berlin, University of the Arts Berlin) has been conducting an ongoing research project, called Networked Neighbourhoods1 (2011). The project, set in several local neighbourhoods in Berlin, mainly focuses on shared resources and the role of elderly people in their local neighbourhoods and homes. Enforcing and cultivating social sustainability through enabling members of urban neighbourhoods to share resources, and building as well as using sharing systems is one of the major aims of this mentioned project.

Claiming that “the network is the enterprise” (Castells, 2001, p.67), Castells refers to the lateral organization of business in which different stakeholders are linked together in a cooperative network. It become obvious the structures of social life of the “network society”, maintained, as William J Mitchell points out, “through a complex mix of local face-to-face interactions, travel, mail systems, synchronous electronic contact through telephones and video links, and asynchronous electronic contact through email and similar media” (Mitchell, 2003, p.17). As Shaw sums it up: “The geography of informatics also describes the dispersed and delocalized nature of communities in the network society” (Shaw, 2008, p.31).

In regard to transferring such notions to the Design of public space, we must however keep in mind, that public space’s appearance does not only refer to architecture, urban planning or advertisement, but also by the public itself: On the border of private and public space, the “private people, assembled to a public” (Habermas, 1999) actively take part on the design of public space (Erlhoff and Marshall, 2007, p.332) whether consciously or not.

Conclusion and Outlook

In light of hybrid spatialities, the growing-together of “real” and virtual spaces and therefore not least in the context of urban spatial design it becomes necessary to broaden and deepen the discourse on concepts for property and the definitions and forms of access-rights and -responsibilities.

An interdisciplinary perspective for design research, and related disciplines seems to consist of process-related approaches in order to deal with behaviours of interaction that are relevant for public space.

1Available at: <http://networkedneighbourhoods.com/>.

An open process of infrastructuring design may challenge here the established categories of research, whereas one central aspect of infrastructuring design in the social field is to create or imagine platforms that allow or support emancipated action by the people concerned.

With this framing the challenge for professional design to participate in public controversial discourses is considered.

In relation to the concept of produsage (Bruns, 2010), we introduced the term Produser Citizen as a phenomenon of different actors that concern to both the production as well as the use – and therefore to the produsage of space. In a further step, concerning public realm (as the way shared space concept explains the role of public space), we discussed digital-virtual use practices and those of analogue-material space occupancy and how they relate to each other. These perspectives are to be regarded as a basis for future challenges of designing infrastructures for flows. Especially combined with the idea of participating ‘communities of practice’ (Wenger, 1998; Lave and Wenger, 1991), empowering citizens as stakeholders of the public space is one fundamental approach for a future-oriented and sustainable development of society. Thus the both metaphorical and practical notion of open access can be regarded as crucial element for designing intelligent infrastructures for public space.

Special Thanks

Special thank goes to Oleg Pachenkov and Lilia Voronkova for conducting an inspiring workshop at the Institute for European Ethnology, Humboldt University Berlin, in 2010. Their feedback as well as the lively discussions with the workshop participants helped to put our thoughts on a higher level, of which some partly resulted in this paper.

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